Tudo tem sua hora. E minha hora chegou. Boston, aqui vou eu!

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Faltam sete dias – S E T E  D I A S – para a Maratona de Boston. Sete dias para eu correr a Maratona de Boston! Pois é… Essa mulher comum aqui, aos 52 anos, que começou a correr acima do peso, caminhando e trotando, entre as últimas colocadas e acompanhada pela ambulância na primeira prova da vida, está indo para a Maratona de Boston. Com índice conquistado com folga (Porto Alegre 2017, 3h40m01s, sendo que a marca exigida para minha faixa etária é 4h00m00s), tá?

Não é convencimento, nem ego. É orgulho. Orgulho de olhar para trás e ver onde eu estava e como eu era e onde eu cheguei e no que me transformei.

Comecei a correr em 2005, aos 39 anos. Me apaixonei pela corrida. Mais que um corpo bonito, ganhei autoestima e passei a encarar a vida com mais determinação. Se você tem um foco e se esforça, muito provavelmente chegará onde quer. Se não chegar, vai aprender algo com a jornada. Corri 5K, 10K, 21K. Cheguei aos 42K. E sempre foi totalmente demais ser maratonista. Com marcas boas e nem tão boas na distância. Nunca fui uma super atleta, não tenho genética favorável, só acho que sou esforçada. Mesmo assim, Boston sempre foi algo distante. Nunca nem sonhei, a ponto de perseguir o índice e tal.

Vale explicar: a Maratona de Boston tem uma aura especial. Para participar o atleta precisa conquistar um índice de respeito, conforme a faixa etária, estipulado pela organização. E mesmo com a marca, muitos corredores não conseguem garantir a vaga, pois os que conseguem melhores tempos têm preferência.

Então, estar em Boston hoje significa tanto, mas tanto pra mim… Significa estar entre gente grande (vocês não têm ideia do orgulho por estar entre feras da minha assessoria, a MPR). Significa que me esforcei e que, se eu estou lá, é porque também mereço. Muita gente me ajudou – treinadores, fisioterapeutas, amigos, família -, mas ninguém correu por mim. Orientada, apoiada, fui eu que calcei o tênis e cumpri a planilha, que acordei cedo ou fui depois do trabalho pra academia. Fui eu que corri felizona os 42K de Porto Alegre repetindo o mantra “quanto mais forte eu sou, mais forte eu fico” pra celebrar uma nova fase da vida.

O que quero dizer é que não é sorte, não são condições favoráveis, não é ter uma vida mansa (que eu nunca tive) que determina o sucesso. É você fazer por onde. É deixar de reclamar dos obstáculos e encontrar condições dentro das suas condições. Claro que os sonhos são diferentes. E a gente tem de olhar com carinho, respeito e sinceridade pra gente mesmo, pra não exigir ou perseguir algo inalcançável e viver frustrado.

UM SEGREDINHO…

Não é a primeira vez que consigo índice para Boston. Em outubro de 2010 corri a Maratona de Buenos Aires em 3h53m e fiquei feliz pra caramba com minha primeira sub 4h. Foi uma amiga que levantou a lebre e disse que com essa marca eu estaria credenciada para Boston. Na época estava com 44 anos e o tempo exigido era 3h55m. Pois bem, mesmo “raspando”, consegui me inscrever para a edição de 2012.

Mas não fui. Não estava treinando o suficiente, tinha acabado de sair de um emprego, estava namorando e tentando novos projetos profissionais com o namorado… Sem drama. Não fui e ponto. A vida seguiu.

Corri outras maratonas depois, mas sem sequer olhar qual era o índice exigido para Boston – porque eu não buscava isso. Foi só no final de 2016, quando desejei correr de novo uma sub 4h que resolvi conferir os números da maratona das maratonas. Perguntei ao Marcos Paulo, meu treinador, se eu tinha condições… E cumpri um ciclo incrível rumo a Porto Alegre, que saiu muito melhor do que a encomenda, e que resultou em tudo o que está acontecendo agora.

Ali em 2012 talvez não fosse mesmo a hora de ir para Boston. Acredito que tudo tem sua razão e seu propósito. A vida seguiu, mudou. Eu aprendi, cresci, me fortaleci. Tudo tem sua hora. E agora minha hora chegou. Boston, aqui vou eu!

* No Instagram você me acha como @yaraachoa@avidadepoisdos50 😉

A vida depois dos 50

A vida depois dos 50

Yara Achôa, jornalista, mãe de dois filhos, começou a correr às vésperas dos 40 anos – acima do peso e sem histórico esportivo. Hoje, aos 52, já correu 10 maratonas (entre elas Boston 2018) e está melhor do que nunca (de corpo e alma), colhendo os frutos da atividade física e mostrando que idade pode ser apenas um número na carteira de identidade. Aqui no blog quer mostrar que sempre é tempo de começar, se reinventar e que a vida depois dos 50 pode ser ativa e muito divertida! No Instagram @yaraachoa e @avidadepoisdos50.

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