O blog da redação é um espaço aberto para nossa equipe de jornalismo contar aqui algumas curiosidades que acontecem no mundo da corrida.





Desde que
entrei no Webventure, empresa dona do portal Webrun, me animo para treinar e
participar de provas. Leia bem, “me animo” não significa que treino, ou
participo de provas... Até hoje.
Temos uma parceria com a 4any1, do Aulus Sellmer, e eu frequentava os treinos
com periodicidade mais ou menos igual a da lua cheia. Até um dia botar na
cabeça que precisaria traçar um objetivo, ter uma meta. Procurei a prova mais
conveniente, e com a ajuda da Camila, minha treinadora, escolhemos o Circuito
Athenas.
Daí passei a levar os treinos mais a sério. Percebi que é mesmo muito
importante ter um objetivo. Vira o motivo de treino, para enfrentar frio, garoa,
largar o trabalho e ir correr, não parar a volta no meio quando as dores
aparecem... Foi pelo menos um mês pensando na prova.
No acumulado dos treinos cheguei a rodar
oito quilômetros em um dia. Cogitei encarar os dez e já fazer a inscrição na maior
distância possível da prova deste domingo. Mas minhas outras experiências com
esporte me ensinaram que a falta de humildade cobra um preço caro. Escolhi os 5km mesmo, e como
precisava de um objetivo desafiador, coloquei na cabeça que teria que fazer a
prova abaixo de 30 min, e para isso precisava de um pace que tinha dificuldade
de manter durante os treinos.
Noite de sábado, kit em casa com tudo separado,
passei na casa do meu tio para um encontro “light” de amigos. Não abdiquei da
cerveja, mas bebi bem pouco. Papo vai, papo vem, uma da manhã estava de volta
em casa, preparado para 4h50 de sono (sim, faço questão de calcular cada minuto de sono antes de dormir).






















A Asics encontrou uma forma bem humorada de promover a marca e, ao mesmo tempo, a Maratona de Nova York. Foi montado um painel virtual num local que parece um shopping em Nova York onde as pessoas eram a desafiadas a correr no mesmo ritmo que o maratonista americano Ryan Hall por 18 metros.
Depois de várias tentativas frustradas, o próprio Ryan aparece para tentar acompanhar o seu “eu” virtual.... e o resultado qual é: nem ele mesmo consegue....
Nossa redação recebeu o convite da organização para correr a Etapa de São Paulo
do Circuito de Corridas Caixa no final da tarde do último dia de inscrições. “Quer se inscrever?”, perguntou meu editor,
Alexandre Koda. Eu me interessei, mas já estava designado para cobrir a mesma
prova. Como iria conciliar a corrida e a cobertura?
“É só correr mais rápido que os atletas de elite”, disse
ele. “Assim você consegue entrevistá-los na chegada”, brincou o fanfarrão
editor. Na verdade eu poderia falar com os vencedores após a premiação, o que
me dava certa margem de tempo para completar os dez quilômetros no ritmo médio de
um corredor amador.
Como o convite foi de última hora, não teria tempo para
treinar. Procurei então pelo menos
cuidar do meu corpo. Alimentação leve na véspera da corrida e o sono em dia
poderiam fazer a diferença no meu rendimento.
No sábado, cumpri com parte do que havia estabelecido para
mim mesmo. Comi uma massa leve com legumes no almoço, e, no jantar, mais massa
e vegetais: Macarrão ao molho sugo e brócolis. No domingo, antes da prova,
algumas fatias de pão integral e mais brócolis.
Lei de Murphy no
futebol
No entanto, cometi um erro na preparação, ainda que consciente. Frequentador
assíduo de peladas com os amigos, não pude recusar um futebolzinho no início da
noite de sábado. Para meu azar, justo nesse dia a maior parte dos boleiros
faltou ao jogo, o que fez com que jogássemos com dois a menos em cada time por
aproximadamente duas horas. O desgaste físico era inevitável.
Para coroar a noite desastrosa, uma forte chuva de verão (na
primavera, eu sei) nos castigou durante boa parte do jogo. Preocupado com o
desempenho no dia seguinte, usei bastante gelo nas pernas para reduzir a fadiga
muscular e fui dormir já depois da meia-noite.
No domingo, bom sinal: Apesar de pouco, dormi bem e não
estava com tanta dor nas pernas como esperado. A crioterapia rendeu! Ainda
assim, não estava inteiro. Fui para a prova conformado em correr para completar.
Clima bom. Para quem?
Fui informado que a largada seria em frente ao Estádio do Pacaembu, mas não,
era dentro. Começar a correr ao lado daquele gramado “tapete” era uma
inspiração para mim. No entanto, não demorou muito para que eu sentisse os
efeitos do cansaço da véspera, já fora do estádio.
Ainda no primeiro quilômetro avistei um relógio-termômetro
de rua, que marcava 20 °C. O céu estava nublado, mas o ar estava pesado,
abafado. Depois, escrevendo sobre o resultado dos atletas de elite, vi que os
dois primeiros da categoria masculina classificaram o clima como ameno. “O
clima foi bom”, disse o vencedor, Paulo Roberto de Almeida Paula. “O tempo
estava bom”, repetiu o queniano Hillary Kibet. Bom o caramba! Não tinha nada de
frio, era puro mormaço.

No segundo quilômetro, ainda na Avenida Pacaembu, comecei a
sentir dor nos rins. “Estou desidratado”, pensei. “Não vai dar”. Abatido pela
dor, diminuí um pouco o ritmo e olhei para as pessoas que já caminhavam. Desapontado
comigo mesmo por considerar tal hipótese, voltei ao ritmo anterior, firme para
seguir em frente.
Surgiu o primeiro posto de hidratação, mas estiquei o braço
em falso e só peguei gelo. Teria que aguardar o próximo. Adotei então a tática
de enganar a mim mesmo. Mentalizei que iria correr doze quilômetros em vez de
dez e sempre que cruzava uma marcação pensava que faltavam dois quilômetros a
mais do que realmente faltava.
À medida que consegui beber água, a dor nos rins passou e o
único adversário tornou-se a fadiga muscular e o clima pesado. Mas a tática dos
doze quilômetros funcionou e eu ainda esperava poder apertar um pouco a passada
no final.
Palhaçada
Vencido o “Minhocão” – Elevado Costa e Silva – faltava o retorno da Avenida
Pacaembu. A descida para voltar à avenida me deu um gás e segui determinado,
até ouvir uma buzininha de sorveteiro e os membros do staff de apoio gritando “vai,
palhaço!”. O palhaço em questão era Clemente Medeiros, figurinha carimbada nas
provas paulistanas.
Apesar de respeitar Clemente e reconhecer que ele corre há
mais tempo do que eu, não podia aceitar que um cara com duas bolas de plástico
nas costas, bolinha vermelha no nariz, macacão e todas as outras peças que
compunham aquela indumentária chegasse junto comigo. Eu, livre, não conseguia
correr mais do que ele, cheio de coisas.
Mas não tinha muita opção, então me conformei em correr
contra os meus tempos passados, como fazem todos os corredores, em vez de
competir com o palhaço. Consegui apertar um pouco a passada quando avistei o
estádio, mas, já próximo à chegada, o palhaço me atormentou de novo: Ele estava
alguns metros na minha frente. A visão foi angustiante e apertei o ritmo. Para
minha surpresa, ele parou de correr e começou a andar perto da chegada. Vislumbrando
a glória, eu o ultrapassei nos últimos metros, triunfante.
Pós-prova
Ao chegar fui recebido pela equipe do Webrun,
mas estava desesperado demais para respirar e segui em frente. Parabenizei o
palhaço Clemente, aproveitei para entrevistá-lo e fui retirar meus pertences no
guarda-volumes para me trocar e enfim começar o trabalho.
No entanto, a aglomeração no guarda-volumes me atrasou e
perdi a premiação dos atletas de elite. Ainda tomei bronca por não ter feito tempo
bom o suficiente para pegar pódio na categoria de imprensa, mas tudo bem.


Nos últimos meses tenho viajado bastante para acompanhar provas ao redor do país, algumas novas, outras já consolidadas e outras com novidades a cada ano. Vou falar agora sobre a Vila do Farol K42 Bombinhas, prova em que os companheiros Harry e Corredora Zen tiveram oportunidade de participar.
Eu acompanhei os bastidores da prova. Não corri, mas gostaria de deixar a minha opinião sobre o evento como um todo, que no geral foi muito bem organizado, mas obviamente pode melhorar para os próximos anos.
Essa prova foi criada há três anos e para o ano que vem deve atingir fácil os mil inscritos. A modalidade corridas de montanha/ cross country tem crescido no Brasil e muita gente tem perdido o medo de correr no meio do mato. E não é algo impossível, todos podem fazer uma corrida como essa e eu fico cada vez com mais vontade de participar.
Os 42 km são bem duros, com erosões, pedras soltas e diversos obstáculos naturais. É preciso ter cuidado, mas o visual compensa, já que a Praia de Bombinhas, em Santa Catarina, é um colírio para os olhos.
Esse é o tipo de prova perfeito para a família toda viajar e ter um final de semana com esporte aliado ao turismo, pois além dos 42 km há os 12 e um revezamento de 21 e uma prova infantil. Então os maridões que dependem de carta de alforria das esposas para viajar podem parar de dar desculpas e correr com a família para a corrida. Até porque o hotel oficial oferece lazer completo e cinco refeições.

O tricampeão da prova Giliard Pinheiro. Foto: Alexandre Koda/ Webrun
Dentre as
sugestões que eu dei para o organizador, Juan Carlos Asef, está a presença de
médicos/ socorristas logo depois da linha de chegada, pois muita gente chega
cambaleando. Havia uma ambulância de plantão, mas o doutor estava um pouco distante
da chegada.
Todos com quem conversei elogiaram a prova e afirmam se tratar da maratona fora de estrada mais difícil do país. Ela é inclusive mais complicada do que a prova final do circuito K42, na Argentina, mas parece que esse é o combustível que move a galera: “quanto pior melhor”.
Enfim, acredito no sucesso da K42 e com a presença do professor Carlos Duarte (responsável pela Volta à Ilha) como diretor técnico certamente o evento teve um upgrade...
Boa sorte a todos que forem participar...
link deste post | comentários (0) | comentar divulgar






Domingo
acordei cedo e fui para o aterro do Flamengo cobrir a Maratona do Rio de
Janeiro, que também teria a participação de competidores dos Jogos Mundiais
Militares. Esperava encontrar um evento bem organizado, como foi o Pan de 2007.
Mas não foi bem isto que ocorreu.
No caminho
para o metrô encontrei um americano completamente perdido, sem saber onde saltar
para ir para a prova. Depois percebi que isto foi um problema comum. A
organização disse que a largada da Family seria no Aterro do Flamengo, mas não
especificou o local. Num parque com 1.200.000 metros quadrados isto é um
problema. A corredora que chegou em primeiro da Family saltou no local errado e
teve que correr 3 quilômetros, metade do percurso da Family, para chegar a
tempo.

Estavam acontecendo quatro provas juntas no dia: a Maratona da Cidade do Rio de Janeiro, a Maratona dos Jogos Mundiais Militares, a Meia-Maratona e a Family Run. Essa última era para ter ocorrido no dia anterior, mas por causa da CET-Rio foi transferida para domingo. Acredito que organização deu pouca atenção, pois não estava prevista originalmente.
Corredores
não inscritos correram na frente dos inscritos e a largada da Family Run
coincidiu com a chegada da meia-maratona masculina e as mulheres das duas
provas chegaram quase ao mesmo tempo. Os locais de chegada eram diferentes,
então não atrapalhou os corredores, mas com certeza atrapalhou os jornalistas
que ficaram sem saber para onde ir e com quem falar.
Na Maratona
mais problemas. O local de chegada foi invadido por pessoas das delegações que
queriam tirar fotos dos atletas, atrapalhando o trabalho dos fotógrafos credenciados,
que oficialmente eram as únicas pessoas que poderiam ficar naquela área. O
ônibus com os pertences dos corredores pegou trânsito, por causa das ruas
fechadas para a prova e chegou pelo menos meia hora depois que os primeiros
atletas da meia cruzaram a linha de chegada. Algo desagradável para o corredor
cansado que só quer pegar suas coisas, sua medalha e ir para casa curtir o
resto do seu domingo.

Seja um mascote dos Jogos você também!
O resultado com o tempo dos atletas demorou muito a ser impresso e os jornalistas precisaram copiar à mão o tempo. O que causou reclamação de alguns repórteres, como um grupo de jornalistas chineses que veio cobrir os jogos Mundiais Militares. Outra falha foi que, num evento deste nível, deveria existir uma sala, ou uma tenda, para a coletiva de imprensa, com tradutores para os atletas estrangeiros, como ocorreu nos jogos Pan-Americanos.
Para
entrevistar o primeiro colocado da maratona masculina foi preciso contar com a
boa vontade de uma das assessoras do evento e de um jornalista que falava francês
fluentemente. A entrevista com a atleta norte coreana foi outro sufoco. Ela
desmaiou logo após a chegada e a maioria dos jornalistas não conseguiu falar com ela. Eu e outro repórter encontramos
a coreana logo depois da entrega das medalhas e ela tinha ao seu lado um
tradutor do governo coreano.

Os artistas não economizaram em criatividade para recepcionar os atletas
Ele falava somente em espanhol e aposto que aumentou ou alterou as respostas dela. Perguntava algo, ela respondia com duas palavras e ele me dava uma frase de cinco linhas sempre elogiando o governo e o povo da Coréia. Falando na Coréia do Norte, outro momento embaraçoso do evento foi no momento em tocaram o hino errado para a medalhista deles. Dizem as más línguas que tocaram o hino da Coréia do Sul. Eu não conheço o hino das duas Coréias para dizer que isto é verdade. Mas ouvi o narrador chamar de volta ao pódio a corredora norte-coreana e o coronel que estava com ela para pedir desculpas à grande República Democrática Popular da Coreia (nome oficial do país) por ter tocado o hino errado.
Uma das poucas coisas positivas no evento foi a assessoria de imprensa da Maratona e a solidariedade dos jornalistas. As assessoras tinham muita boa vontade e, apesar da bagunça, tentaram ajudar os jornalistas da forma que podiam, fosse traduzindo ou tentando conseguir os tempos dos corredores. E os jornalistas também se esforçaram para ajudar os coleguinhas. Quem sabia francês traduziu para quem não sabia, quem tinha o tempo ou a classificação dos atletas passava para quem não tinha, etc. Isto tudo como forma de compensar a bagunça e desorganização da prova.

Os argentinos não escaparam das chacotas dos brasileiros