A jornalista Fernanda Paradizo é corredora e viaja o mundo para cobrir e fotografar provas internacionais. Fez sua estréia nos 42 km em 1997, em Nova York, e a partir de então não parou mais de correr. Já completou oito maratonas internacionais.
Em setembro de 2009, escrevi uma matéria para a Contra-Relógio intitulada “Viciados em maquininhas”. Como o próprio nome diz, o texto levanta alguns perfis de pessoas que são viciadas por tecnologia e utilizam tudo o que há de novidade no mercado em prol de sua corrida. Quando estava em busca de pessoas para compor minha matéria, o técnico Wanderlei de Oliveira lembrou de um corredor pra lá de inusitado, que não cabia muito bem no meu tema, mas que tem uma história bem interessante e “corre” na contramão de todos aqueles que são fãs dos cada vez mais sofisticados GPS, pedômetros e freqüencímetros.
O personagem da minha história, que ficou de fora da minha matéria por motivos óbvios, é o maratonista Jacob Nahmias, de 78 anos, que vive em São Paulo, nasceu na Grécia e chegou ao Brasil a bordo de um navio de imigrantes aos 24 anos de idade. Corredor há 15 anos e competitivo na faixa etária, Jacob descobriu um método muito interessante e peculiar para mantê-lo motivado nas competições. Ele literalmente conta os passos enquanto corre. É a maneira que tenho de me concentrar numa prova. Eu nem olho no relógio e fico bravo quando algum corredor do meu lado anuncia quanto deu o quilômetro. Durante a corrida, eu sei que estou competindo com mais ou menos seis atletas da minha categoria e é isso que me mantém concentrado. Eu aciono o cronômetro na largada e só paro no final”, comenta Jacob, que, para facilitar, costuma contar um para cada dois passos e multiplica por dois para saber a distância aproximada que já correu. Na conta de Jacob, cada passo equivale a 1 metro. Mesmo sabendo que a aferição não é perfeita, ele tem seus métodos para chegar a um consenso da real distância percorrida. “Dependendo de quanto estou correndo, sei quando tenho que acrescentar mais 200 ou 300 metros. É uma contagem aproximada. Em subida, por exemplo, costumamos diminuir os passos e nas descidas aumentar. Tudo isso você tem que considerar.” Apesar de ter esse hábito nas competições, nos treinos Jacob abre mão da contagem dos passos para poder usufruir da boa conversa numa corrida entre amigos. 
Foto: Danilo Belmonte
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Ele vai tentar o heptacampeonato na Maratona da Disney no próximo domingo. Claro que estou falando aqui de Adriano Bastos, que amanhã viaja para Orlando em busca de mais uma vitória na mundo encantado do Mickey. Sua primeira vitória ali aconteceu há sete anos. E um fato bem curioso aconteceu na sua estréia. O atleta, que veio do triathlon e sempre gostou de chamar atenção pelo visual, resolveu correr a prova de chiquinhas verde e amarela no cabelo, que deram o que falar. Não bastassem as chiquinhas, Adriano se apresentou para fazer a prova de sunga, top de triathlon e luvas.
Na largada, julgando pela aparência, os corredores que almejavam um lugar ao pódio não deram o menor crédito ao brasileiro, achando que se tratava de um personagem da Disney, conforme relatou ao final da prova para a imprensa o segundo colocado daquela edição. A surpresa foi que o tal “personagem” corria para valer e roubou a cena dos demais, tornando-se o protagonista de uma história que já lhe rendeu seis títulos.
De lá para cá, Adriano sempre inovou no visual... já correu de tranças curtas e mais longas, de chapéu do Pateta ou do Pluto no cabeça. Já tremulou bandeira brasileira na linha de chegada e também a bandeira dos anfitriões. São novas tatuagens que surgem a cada ano, sempre como uma forma de homenagear a prova que o tirou do anonimato.
Para este ano, aguardemos pelo que vem pela frente. Com certeza, Adriano já pensou em em algo bem irreverente para o próximo do domingo. 
De trancinhas longas e bandeira do Brasil na mão (by fparadizo)
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A atleta sérvia Olivera Jevtic, duas vezes campeã da São Silvestre (1998 e 2005), volta a São Paulo em busca do tricampeonato. A informação foi confirmada na semana passada pelos organizadores. Enquanto as brasileiras Lucélia Peres (2006), Marizete de Paula Rezende (2002) e Maria Zeferina Baldaia (2001) brigam pelo bi inédito para o Brasil, Jevtic é a única no “field” feminino que pode ser tricampeã, igualando-se em número de vitórias à mexicana Maria Del Carmen Diaz (1989, 1990 e 1992) e também à queniana Lydia Cheromei (1999, 2000 e 2004), que acumulam três títulos cada. Enquanto isso, a portuguesa Rosa Motta lidera sozinha o ranking das campeãs, com seis vitórias consecutivas (de 1981 a 1986).
Um fato curioso sobre Olivera Jevtic é que, na sua primeira vitória na São Silvestre, há 11 anos, ela desbancou a equatoriana e favorita Martha Tenório, que tentava na época sua terceira vitória na prova. Coincidentemente, as duas atletas venceram sua primeira São Silvestre com apenas 21 anos. A outra coincidência é que Tenório tentou o tricampeonato 11 anos após sua primeira vitória. E o mesmo acontecerá com Jevtic no dia 31 de dezembro. Coincidência ou não, não custa nada ficar atento às próximas semanas para saber se no “field” feminino haverá alguma jovem atleta estreante que poderá desbancá-la.
Olivera na cerimônia de premiação e na largada da SS 2005 (by fparadizo)
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Lance Armstrong anunciou que quer ser coelho da norte-americana Joan Benoit Samuelson na 40ª Maratona de Nova York na parte final da prova. O desejo de heptacampeão do Tour de France é uma forma de retribuir a gentileza à Samuelson, que em 2006 conduziu Armstrong até a linha de chegada na sua estréia em maratona, em 2006, ajudando o atleta a fechar os 42 km abaixo das 3 horas.
Primeira campeã olímpica da história da maratona feminina (Los Angeles 1984), Samuelson, 52 anos, correrá a prova para celebrar os 25 anos de seu ouro olímpico e também de olho no recorde da prova na sua faixa etária. E é exatamente por isso que o desejo de Armstrong pode não ser atendido pelos organizadores da prova. Segundo Mary Wittenberg, presidente de NYRR e diretora de prova da maratona, Samuelson pode ter coelho, mas este não poderá entrar no meio da prova. Do contrário, o recorde, se acontecer, não será validado. Isso quer dizer que, se Armstrong quiser ajudar Samuelson, terá que largar na prova. Afinal, o assunto em questão é bem diferente de quando ele foi a estrela da festa e os organizadores diponibilizaram vários “pacesetters” famosos, como o tricampeão de NY, Alberto Salazar, e a própria Samuelson, para ajudá-lo a cumprir o desafio. Isso porque todo o projeto era promocional, em prol da luta contra o câncer, e Armstrong não estava concorrendo a nada.
Dada a resposta para o rei do Le Tour, resta saber agora se ele vai querer encarar a maratona inteira, para conduzir a atleta até o final e retribuir a gentileza, ou se contenta em ajudá-la apenas na parte inicial do percurso. Apesar de Armstrong ter como melhor marca um tempo inferior às conquistadas por Samuelson em maratonas nessa fase da carreira (ele fez 2h46min43s em 2007), o atleta, que voltou ao ciclismo este ano, não treinou especificamente para encarar os 42 km e o que se coloca em dúvida é se Armstrong conseguirá ser um coelho da lardada ao fim.
A questão que paira sobre Joan Benoit Samuelson, que bateu recorde da sua faixa etária no ano passado, correndo o 2008 Olympic Marathon Trials para 2h49min08s, é se ela vai mesmo em busca desse recorde da prova, que é de 2h53min53s (S. Rae Baymiller, em 1993), sagrando-se campeã numa competição em que jamais subiu ao lugar mais alto do pódio, ainda que tivesse currículo de sobra para isso.
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Uma nova tecnologia de cronometragem está tomando conta das provas norte-americanas há cerca de um ano e meio. A novidade, usada pela primeira vez em maio de 2008 na Maratona de Los Angeles, parece que pegou mesmo. Tanto que as grandes provas já estão abandonando o sistema tradicional do chip e aderindo ao D-Tag, que nada mais é do que um tira de papel plastificado que fica presa ao cadarço do tênis.
Experimentei pela primeira vez a novidade na Meia maratona de Fort Lauderdale, em novembro do ano passado, e depois na Meia maratona de Miami, em janeiro. O melhor de tudo é que é descartável. Isso quer dizer que, ao cruzar a linha de chegada, você não precisa se abaixar (ou pedir o auxílio dos voluntários ou staffs) para desamarrar o tênis e fazer a devolução do acessório para os organizadores. Terminou a prova? Pode pegar sua medalha e ir embora.
A novo sistema será usado pela primeira vez na Maratona de Nova York, que acontece no dia 1º de novembro. Pelo que tudo indica, a famosa frase “vamos retirar o chip” pode estar com seus dias contados.

Foto reproduzida do site da Maratona de Nova York (www.nycmarathon.org)
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