A jornalista Fernanda Paradizo é corredora e viaja o mundo para cobrir e fotografar provas internacionais. Fez sua estréia nos 42 km em 1997, em Nova York, e a partir de então não parou mais de correr. Já completou oito maratonas internacionais.


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A brasiliense Mariana Ohata completa este ano 19 anos de triathlon. No dia 31 de maio, a única triatleta feminina brasileira presente em todos os Jogos Olímpicos desde a estréia da modalidade, em Sidney 2000, vai participar pela primeira vez de um Ironman. Aos 31 anos, Mariana, que escolheu o Ironman Brasil, em Florianópolis (SC), para fazer sua estréia na distância, fala aqui um pouco de seus treinos e expectativas para encarar no próximo domingo 3.800 m de natação, 180 km de ciclismo e mais 42 km de corrida.
Fernanda (in foco): Há quanto tempo está morando em São Carlos e treinando com o Cali? O que mudou na sua vida com essa mudança e por que você decidiu trocar Brasília pelo interior de São Paulo?
Mariana: Estou em São Carlos treinando com o Cali há três anos. Fui a convite dele e não quis mais voltar para Brasília. Na época, tinha acabado de perder um patrocínio e estava bem desanimada em continuar. O Cali me convidou para conhecer São Carlos e o centro de treinamento. Não pensei duas vezes e fui de mala e cuia. Tenho uma estrutura excelente para todos os treinamentos que faço. Somos sempre acompanhados do Cali e treinamos com segurança na fazenda do Damha, além de contar com excelente qualidade de vida. A Cidade de São Carlos é bem agradável, diferente dos grandes centros urbanos. Consigo treinar, morar e viver bem. O único problema é viver longe da família. Mas sempre que posso faço uma visita a eles ou eles vêm para cá.
Fernanda: Você e o Juraci são os únicos triatletas brasileiros com participação em todos os Jogos Olímpicos até então. Quando você olha para o futuro, você se vê na próxima Olimpíada ou há uma tendência em optar de vez para as disputas de longa distância?
Mariana: Na verdade por muito tempo falei que me "aposentaria" depois de Pequim. Mas, quando voltei de lá, vi que não estava preparada para isso. E o triathlon me deu essa alternativa de continuar competindo, mas em outras distâncias. Ao começar meus treinos para o Ironman, vi e percebi que sou capaz de me manter bem e forte tanto para as distâncias olímpicas quanto para as de meio e Ironman. Por isso decidi tentar mais uma Olimpíada, mas vou priorizar esses dois primeiros anos do ciclo olímpico para as maiores distâncias, sem perder o foco na disputa das provas olímpicas para conseguir meus pontos e me classificar para os Jogos Pan-americanos do México, em 2011, e para os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.
Fernanda: No ano passado, você ganhou o Ironman 70.3 Penha na sua estréia na distância de meio-ironman logo depois dos Jogos Olímpicos, com pouco tempo de preparação para uma distância até então desconhecida para você. Como você se preparou para o Ironman Brasil? O que difere do seu treino quando seu foco é apenas a distância olímpica?
Mariana: Quando voltei de Pequim, estava bem treinada e motivada para competir em todos os tipos de prova, tanto que fiz três provas logo que desembarquei no Brasil, incluindo o 70.3 de Penha (em setembro), que foi excelente, pois não esperava, mas queria muito me classificar para o Mundial em Clearwater, na Flórida (em novembro). Terminei a prova exausta, mas consegui vencê-la. O que vi no Mundial foi que a distancia 70.3 está ficando muito rápida. É praticamente uma disputa olímpica. Por isso acho que os treinos praticamente não diferem muito. Para a minha preparação para o Iron, as coisas já começaram a ficar mais complicadas (rssss), na verdade, mais longas. Foquei nos treinos mais longos, com transições que duravam o dia inteiro, e passei também a aprender a me alimentar durante esses treinos, algo que não fazia antes. Foi uma adaptação rápida, mas bem diferente. Superei bem, pois, além de já ter uma bagagem boa, tinha companheiros de treino que sempre me davam dicas e me ensinavam o que fazer e quando. Foi bem legal. Aliás, está sendo muito legal toda essa transformação. A maturidade também conta muito, pois acho que com cinco ou seis anos a menos não teria tanta paciência para entender e fazer tudo o que estou fazendo hoje.
Fernanda: Você vai em busca de uma vaga para o Havaí?
Mariana: Acho que todo mundo almeja essa vaga, assim como os atletas de distância curta almejam uma vaga olímpica. Comigo não seria diferente e vou tentar estar no Havaí, com certeza. Pode até ser que não seja este ano, mas agora sei que tenho plenas condições de conseguir.
Fernanda: Como será sua semana até o Ironman? Quando viaja para Floripa? E o que vai fazer de treino daqui para a frente até o grande dia?
Mariana: Estou indo para Floripa na quarta-feira e nada vai mudar até o dia da prova. Meus treinamentos continuarão os mesmos, inclusive na semana da competição. Não sou o tipo de atleta que pára tudo e só descansa. Gosto de manter o corpo em movimento. Por isso só vou diminuir o ritmo, ou melhor, o volume de treinos alguns dias antes. Acho que o mais importante é você estar de bem (psicologicamente falando). A cabeça tem que estar boa e confiante.
Fernanda: O que você sabe da prova de Floripa? Tem alguma estratégia ou, por ser sua primeira, vai apenas sentir? Qual a etapa que acredita ser a mais difícil?
Mariana: Por ser uma estreante na distância, quero fazer uma prova bastante inteligente e curtir o meu dia. Sei que vou competir com pessoas muito mais experientes que eu. Sei também que qualquer erro é fatal. Por isso o meu objetivo é completar a prova bem e o resultado vai ser conseqüência disso. Lógico que a torcida, a emoção, todo o filme de treinos passando pela minha cabeça vão contar muito, mas vou tentar manter o foco no trabalho que fiz, confiar nisso e fechar bem minha prova. Nem consigo dizer o que será mais difícil, pois serão praticamente 10 horas de esforço e acho que “vamos” sofrer por etapas. Mas estou preparada para isso.
Fernanda: Na distância de Ironman, você tem algum ídolo ou alguém que você se espelhe?
Mariana: Vi que para ser um Ironman qualquer atleta precisa se superar diariamente. Por isso, posso dizer que todas as pessoas que já completaram um Ironman se tornaram ídolos e motivadores na minha preparação. Claro que existem super, hiper, mega, Ironmen e Ironwomen, mas eu seria injusta se falasse apenas um nome. Fica então minha admiração por todos.

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São Paulo, SP - São perguntas óbvias. E gostaria de respondê-las aqui neste meu primeiro post, até como uma forma de me apresentar. Quando fui convidada para tocar este blog, aceitei de imediato. Mas confesso que fiquei um pouco perdida sobre a linha que deveria seguir. E não há nada pior para um jornalista do que sentar diante de uma tela de computador e não saber que caminho tomar. Sem querer ser redundante, o melhor a fazer é começar pelo início. Conversando com alguns amigos, e com o próprio Harry, percebi que não poderia fugir das minhas origens e de toda a história pessoal e profissional que construí ao longo destes quase doze anos dedicados à corrida.
Comecei a correr em 1993 para manter a forma, mas minha verdadeira paixão pela corrida surgiu em 1997. Eu trabalhava na revista Boa Forma, da Abril, e, por ter a corrida como algo quase regular na minha rotina (3 vezes na semana, 8 km por dia), fui incumbida de fazer uma matéria especial sobre como encarar um treino de seis meses para uma maratona.
Meu principal entrevistado era o técnico Wanderlei de Oliveira, na época diretor do Pão de Açúcar Club e pioneiro na implantação de programa de qualidade de vida em empresas. O primeiro contato com ele foi por telefone. Em vez de eu tomar as rédeas da conversa e estabelecer naquele momento que era eu quem faria as perguntas, acabei deixando ele comandar a situação. “Você corre? Há quanto tempo? Quanto por dia ou semana? Que tênis você usa?”. Respondi tudo calmamente e, quando achei que iríamos tratar do meu assunto, lá veio ele com outra conversa: “Esteja amanhã, às 6h da manhã, na pista de atletismo do Constâncio Vaz Guimarães. Traga tênis e roupa de corrida”. Tentei intervir, falando que eu só queria fazer uma entrevista com ele... e nada mais. “Quer escrever sobre corrida? Então, corra!”, disse ele, enfático.
Mesmo um pouco contrariada, fui até lá e fiz tudo o que ele queria. Resumindo, comecei a treinar com o grupo do Wanderlei imaginando que ficaria só até o momento de conseguir todo o material que precisava. Terminei a matéria e, antes que o texto fosse publicado na revista, lá veio ele de novo com outra “conversa”: “Que tal correr a Maratona de Nova York e relatar seu treino e participação na revista?” Estávamos a cerca de seis meses da prova. De certa forma, era um meio de eu mesma constatar se aquele programa que ele havia me passado funcionava. E também uma chance única para fazer minha primeira grande matéria como repórter de fitness. Conclusão? Virei personagem da minha própria história.
Treinei duro durante seis meses e corri minha primeira maratona para 3h49, 1 minuto abaixo do tempo projetado. Ainda guardo na memória vários detalhes sobre essa emocionante experiência, que relatei em quatro páginas da edição de dezembro de 1997 da revista Boa Forma. Depois disso, outros desafios vieram. E aquela conversa inicial na linha do “venha correr para saber o que escrever” acabou tendo grande impacto sobre mim e até direcionando minha carreira profissional logo depois que encarei meus primeiros 42 km. Fiquei tão apaixonada por essa modalidade que resolvi deixar de lado o mundo do fitness e mergulhar fundo na corrida, mesmo não sabendo direito onde isso ia dar. Fui levada pelo próprio Wanderlei, que, além de meu técnico, virou também meu amigo e parceiro de muitos trabalhos que vieram pela frente, para trabalhar no Pão de Açúcar, onde fiquei por 10 anos atuando na área esportiva da empresa, que foi pioneira em muitos aspectos que envolveram a modalidade. Posso dizer que fui privilegiada porque tive a oportunidade de acompanhar de camarote boa parte do “boom” da corrida de rua no Brasil, o aparecimento e crescimento das assessorias esportivas e o início dessa febre de correr maratona.
O tempo passou... e eu não parei mais de correr. Hoje, acumulo oito participações em maratonas (sendo cinco em Nova York e três em Paris, onde tenho meu recorde pessoal, de 3h37) e mais quinze em meias maratonas espalhadas pelo mundo. Carrego também na bagagem diversas coberturas de maratonas e meias internacionais, como Nova York, Paris, Disney, Miami, Lisboa, Santiago, Buenos Aires, além de provas de ciclismo e triathlon, como Voltas de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, Mundial de Ultramaratona, Mundial de Ironman 70.3, Ironman do Brasil, e ainda uma Race Across America, prova de ciclismo que corta os EUA de costa a costa. Atualmente escrevo para as revistas Contra-relógio e Tri Sport e gerencio uma empresa de conteúdo online de assuntos ligados à saúde, esporte e qualidade de vida.
Quando olho para trás, não consigo imaginar outro caminho para a minha vida se não tivesse sido eu a pessoa escolhida para tocar aquela primeira matéria sobre maratona, doze anos atrás. Havia vários repórteres na redação com mais experiência para fazer esse trabalho, mas tenho certeza de que ninguém ali se envolveria tanto pelo assunto quanto eu. Inexperiência de uma repórter iniciante? Talvez... mas não me importo com isso. Prefiro achar que aquilo tudo estava escrito para mim. Aquele era o meu destino... e de mais ninguém. Eu estava no lugar certo na hora certa... e o foi o “acaso” que tratou de colocar as coisas nos devidos lugares.

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