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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

Corredora Zen :-)

PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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Consciência corporal - como vai a sua?


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 19/01/12 às 16:25 na(s) categoria(s) historias de corrida
Pessoas, faltam menos de 15 dias para o Cruce (Cruce de los Andes, aquela prova LINDA onde você passa 3 dias atravessando a patagônia do Chile para a Argentina, que eu fiz em 2010 e contei tudo sobre, a começar DAQUI). Quando uma prova desse porte vem chegando, minha tendência é ficar super atenta aos míííííínimos detalhes, principalmente no que diz respeito ao meu corpo.

Porque tão pertinho de uma prova onde você vai subir quase 2 mil metros só no 1º dia, se machucar ou não estar 100% fisicamente não parece uma boa idéia né? Como cada um manifesta a ansiedade do jeito que pode, eu que fico zen com questões como mala, mochila e esquecimentos ridículos comuns em viagens, aumento minha consciência corporal uns 3 níveis acima nessa época.

Se isso é uma coisa boa ou não, há controvérsias. Quero dizer, consciência, em minha singela opinião, é sempre uma coisa boa. Já você ter uma tendência control freak em relação a ela, nem tanto. Mas o que eu quero dizer com esse termo tão tecnicamente zen?

Consciência corporal, literalmente, é você ter consciência do próprio corpo. É você se conhecer, saber como seu corpo age e reage e principalmente conseguir identificar em que momento seu corpo está a qualqer momento. Porque não adianta nada saber tudo de anatomia e fisiologia e não conseguir sacar quando você precisa descansar e quando está só com preguiça. Porque a princípio a sensação é bem parecida, parece uma lezeira master e pronto, só que em um caso é seu corpo sabiamente dizendo "pára um pouco senão vai dar m...." e no outro é um dos 7 pecados capitais e só.

Consciência corporal é o que te permite avaliar se essa dor é daquelas que andam --porque eu acredito que dor que anda normalmente tudo bem, é a dor que está sempre no mesmo lugar que costuma ser o problema-- ou daquelas que se você não cuidar JÁ vai virar uma lesão mais séria. É ela também que faz você entender como encaixar a passada perfeita (para você) na prática.

É essa mesma consciência que me faz sentir exatamente onde a corrida dá uma encurtada na minha musculatura e precisamente em quais ásanas (posturas) do yoga eu vou conseguir soltar este encurtamento. Sem ela eu nunca ia perceber que minha pisada mudou com o uso de tênis baixos e sem amortecimento, e que, como observou a Cris, eu tendo a curvar e forçar os ombros e o core quando vou ficando cansada no meio da corrida. Ou que as vezes falta um fortalecimento para conseguir fazer mais força nos tiros.

Ok então, já entendi, consciência corporal é essencial. Mas e aí, onde compra?

Porque a não ser que você seja uma desses seres iluminados, não se nasce com ela. A gente vem com os instintos certinhos, alguns com aptidões mais fortes, mas a consciência vem aos poucos, tipo em suaves prestações. E o melhor jeito de adquirí-la é se mexendo. E prestando atenção no próprio corpo em movimento.

No começo a gente faz as coisas sem pensar. Sei lá, saí correndo e deu certo! Fiz uma força não sei bem como e corri bem rápido! Tipo mágica. As coisas simplesmente acontecem e a gente não tem muito controle do como, nem sabe como repetir aquilo.

É a partir daí que começa a consciência. Se começar a prestar atenção, vai ficando claro. Observando os outros e a si mesmo, treinando, repetindo movimentos, respirando, a gente vai entendo como nosso corpo funciona.

É só estar presente. Não adianta gravar uma corrida sua e analisar o vídeo depois se você não registrou nada enquanto corria. Não adianta o treinador te corrigir se você não sentir o que está fazendo errado. Tem que perceber DURANTE a corrida. Não é uma análise racional e lógica, é mais como ficar atendo ao trânsito, ou as pedras e galhos numa trilha: você precisa perceber, ver que aquilo existe, está lá, reagir de forma apropriada e pronto, não precisa analisar.

Mas claro que perto de provas onde tem palavras como NEVE, 2 MIL METROS DE ALTITUDE, MONTANHA, COBERTOR DE EMERGENCIA e MUY DURO a tendência é ficar procurando pelo em ovo. Tipo "nossa, que cansaço é esse? melhor parar com a musculação". Ou "que dor nova é essa nesse osso esquisito do pé que só eu tenho?".  Aí a solução é apelar para a Naomi e suas agulhas acupunturísticas, só para garantir uma última geral antes de ir pra montanha. E estar presente a cada passada.

Até porque eu preciso lembrar de tudo bem certinho para contar para vocês aqui!


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Confraternização das subidas


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 31/12/11 às 20:31 na(s) categoria(s) historias de corrida

Cada um faz a confraternização de final de ano que gosta, certo? Pois a minha envolveu muitas subidas. E uma pedra. Uma pedra BEM grande. E também não foi uma só, foi uma sequência de 3 eventos, cada um deles envolvendo um tipo diferente de piramba.

Tudo começou com o último treino oficial do ano, que teoricamente seria um treino longo porém festivo na USP, com direito a convescote social no final. Acabou virando o agora já famoso Treino das Muitas Biologias. Todo mundo sabia que o treino ia começar com 8 Biologias --ou seja, subir 8X a ladeira da Biologia. Dureza, mas quando vc se prepara psicologicamente, tudo bem. Depois disso, a promessa era de "vamos correr pelas ruas", que é aquele treino mais tranquilo onde você consegue conversar com as muitas pessoas que estariam ali comemorando o fechamento dos treinos no ano.

Mas quem ia comandar o treino? A Cris. Então eu devia saber melhor que não tinha como as coisas serem tão tranquilinhas assim. Assim, depois das 8 Biologias, vieram as escadarias, o Treino Baloba que já descrevi no post anterior. Sobe de 1 em 1 degrau, depois de 2 em 2, depois de 3 em 3 e... começa tudo de novo. Várias vezes depois, todos pensando Ahá, agora é aquela hora de sair correndo pelas ruas e parar de fazer tanta força.

Aí de repente a gente ouve um "Então, o treino mudou. Tem ritmos muitos diferentes entre a galera e para ficarmos todos juntos vamos fazer mais... 8 Biologias". Precisava muito fotografar a nossa cara nesse momento. Tinha de indignação, ódio mortal a pura estupefação e descrença, com pessoas falando Hahaha, boa Cris, agora fala sério qual o treino. Você já viu ela brincar em treino? Então lógico que era sério.

E assim começamos a correr ladeira acima DE NOVO. Entendam, pessoas, que o fator psicológico aqui é essencial. O corpo vai, mas a mente se revolta. A nossa única diversão era a Vivi soltando um irônico IUPI, SÒ FALTAM 7! a cada nova subida. E assim foi, até que IUPI! o treino acabou, fechando a nossa confraternização Parte I.

A Parte II foi no Natal, ou melhor, dia 24/12, um treino entre amigos em Atibaia. A proposta? Fazer o longo de 30K subindo a Pedra Grande. Gente corajosa e motivada, juntou uma galera sangue bom as 7h da matina, com direito a rolo de fita para o pelotão da morte (aquele que chega em metade do nosso tempo) ir demarcando o caminho. O que aliás Paulinho, Cris (que até sacrificou a própria camiseta quando a fita acabou) & CIA fizeram com uma competência de dar inveja a organizador de prova outdoor. A função do lanterninha era ir recolhendo as fitas, para não deixarmos rastros além das marcas de tênis na trilha.

Pessoas, que treino foi aquele? Mais de 21K de pura subida. Você sobe em estradão de terra, sobe em trilha, sobe em estradinha, sobe no cascalho e sobe e sobe e sobe. Nossa sensação era a de que já já íamos avistar os portões celestes e S. Pedro ali parado perguntando o que é que vcs estão fazendo aqui. Confraternizando S. Pedro. Sol a mil, mochila de hidratação nas costas e um visual ESPETACULAR. Mas cansa viu? E quando você acha que nunca mais vai chegar mesmo e você com certeza perdeu uma das fitinhas e errou o caminho (e dava para se perder bem), de repente você chega lá no topo da Pedra Grande. O que eu e a Déia fizemos em grande estilo, porque a gente pode andar nas subidonas, mas entrar na Pedra Grande foi correndo, tipo lindas para a foto. E rolou um momento UAU!! VALEU A PENA SUBIR! Porque a vista é O MÀXIMO, vc chegou, está em cima da pedra.

Agora é fácil, só descer né? Errou playboy. A descida conseguiu ser muito, mas muito mais sofrida que a subida sem fim. Porque vc desce a pedra em linha reta, tipo desfiladeiro abaixo. E tinha erosão que não acabava mais. E onde você punha o pé rolava pedrinha e escorregava. E era muito inclinado mesmo. E quem tinha joelho dolorido chegou lá em baixo tipo joelholess (vulgo sem joelho). Mas foi demais.

Aí acabou né? Nada. Não podíamos encerrar 2011 sem um treinão no último dia do ano, vulgo hoje. Light? Não, mais uma subida na Pedra Grande. Mas dessa vez, S. Pedro estava de mau humor e estava chovendo, o quorum foi bem menor e a princípio a idéia era fazer um treino menor, tipo a Volta do Mackenzie.

Mas aí a Ceci tinha vindo para esse treino só para subir a Pedra Grande né? Pois é. "Não gosto de decepcionar meus alunos" - foi a deixa da Cris para garantir que com chuva ou sem, iríamos chegar até a pedra. Só que dessa vez foi ao contrário. Subimos pelo lugar da descida --tipo paredão, mas com a chuvinha estava muito melhor, escorregando bem menos e subir é mais fácil nesse caso. E olha que dessa vez fui com meu Brooks, que esqueci o chuteira em SP. Mas pensei, se a Adriana (leitora querida cujo email eu só achei essa semana hehehe) pode não só correr como ganhar a Bertioga-Maresias com esse tenis, eu também posso fazer um treininho com ele né?

Conquistamos a pedra grande pela 2ª vez em 15 dias, dessa vez com neblina, chuva e um vento dos infernos que gelou nosso grupo - mas não impediu Ceci e Renato de tirarem as necessárias fotos. Mas foi só começar a descer que tudo ficou bem.

O mais legal é que dessa vez descemos pelo lado oposto, ou seja, eu posso dizer que já dei a volta completa na Pedra Grande, uma sensação muito legal. E assim foi a última confraternização do ano. Subindo e descendo, correndo, andando e principalmente curtindo amigos queridíssimos, que é o que faz cada passada valer mais a pena.

Obrigada amigos, obrigada leitores, um SENSACIONAL 2012 para vocês pessoas queridas e nos vemos no ano que vem.

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O Treino Balboa


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 06/12/11 às 17:29 na(s) categoria(s) historias de corrida
Você lembra do Rocky Balboa? Isso mesmo, o lutador de boxe italiano criado e interpretado pelo Sylvester Stallone, imortalizado na franquia de (por enquanto) 6 filmes Rocky. Deixando de lado aquela interpretação de uma expressão só que é a marca registrada do nosso Sly, além das cenas de boxe tem uma coisa que todo mundo lembra dos filmes: o treinamento.

Sim, porque Rocky, além de sofrer, apanhar e depois dar a volta por cima no final, só consegue triunfar porque TREINA. Mas não é qualquer treininho não. Tem que ter muito suor, muita cara de dor e sofrimento e cenas marcantes como correr com criancinhas, correr com cachorro, correr na neve, correr na chuva, correr na praia, fazer flexão no cano e... subir escadas. Muitas escadas. De preferência entortando a boca de tanto fazer força, ao som de uma trilha sonora dramática.

Pois para homenagear esse atleta tão, digamos, ímpar, tem um treino batizado com o nome dele. Senhoras e senhores, apresento o Treino Balboa. Que consiste basicamente em subir e descer escadas. O cachorro, criancinhas, soquinhos no ar, caras e bocas ficam por conta de cada um, mas as escadas são obrigatórias.

Você pode fazer o seu Treino Balboa onde quiser, desde que tenha muitos degraus. Eu, que estou chegando no pico de treino da planilha para o Cruce, tenho feito alguns, intercalados com muita piramba e trilha. Meus Treinos Balboa aconteceram em 2 lugares: na escadaria da USP, ali do lado da Biologia, e no Pacamebu, nas escadarias do bairro.

A idéia é sempre começar correndo para aquecer (de 3k a uns 5k mais ou menos) e aí pronto, hora da escada. Tem várias opções de treino, mas a que eu normalmente faço é aquela em que você sobe a 1ª vez de um em um degrau, a 2ª de dois em dois e a 3ª de três em três --e aí dá uma corridinha que é normalmente uma volta entre o fim até o começo da escada e começa tudo de novo. É, é difícil subir escadas de 3 em 3 degraus. E não, você não deveria estar usando o corrimão para ajudar. E sim, pelo menos na de 1 em 1 tem que subir correndo, nada de caminhar.

É duro. Mas é bom. Frita as batatas da perna, mas se você for subir montanhas depois, vai agradecer ter feito o Balboa. Aliás, mesmo se não for, é um treino bem interessante de entrar para a sua planilha. Porque depois de horas de escada, correr no planinho fica incrivelmente mais fácil. Como tudo na vida é uma questão de perspectiva, né não?

Então entra no clima, pega aquela blusa com capuz, faz expressão monotemática e vai para a escada, de preferência com uma trilha sonora hollywoodiana. Só cuidado para não assustar os transeuntes com gritos de vitória, soquinhos no ar ou caras excessivas de dor, vão achar que você está tendo um faniquito.

Para entrar no clima:


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O caso da unha preta


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 18/10/11 às 14:19 na(s) categoria(s) historias de corrida
Quando comecei a correr, as pessoas viviam me perguntando: e aí, vc fica com aquelas unhas pretas o tempo todo? Oi? Como assim por exemplo? E as pessoas me respondiam coisas como "ah, eu tenho um amigo que também corre e ele está SEMPRE com alguma unha preta". SEMPRE? Jura?

Aí, com o passar dos anos fui conhecendo CORREDORES que também achavam que unha preta ou unha nenhuma era não só o estado normal das unhas do pé como quase um sinal de que você é "corredor DE VERDADE", seja lá o que isso quer dizer. Como se a unha preta fosse a prova de que você realmente fez força. Taaaanta forrrrrrça que a unha do pé não aguentou sua potência incrível, sabe assim?

Então, eu tenho uma revelação: a não ser que você seja da corrida de aventura, não precisa ser assim. Porque se você é corredor ou corredora de aventura, não só sua unha caiu como provavelmente nasceram várias bolhas, frieiras, fissuras e feridinhas aleatórias, seu estômago deve estar sensível pacas e suas mãos também não devem estar aquela maravilha --e aí é meio inevitável sim, porque passar dias socando a bota na lama, terra, pedra, pedalar, remar, carregar bike, cair, dormir pouco e sempre com os pés molhados não tem como ser diferente.

Mas se você NÃO é da corrida de aventura, não tem porque andar com mais esse troféu por aí, assustando pessoas na academia, na praia, na aula de yoga e no verão, quando se anda de sandalinha neste país.

Agora, a parte mais incrível dessa inusitada possibilidade, correr sem viver de unha preta, implica em se abrir para uma nova verdade: correr não deixa ninguém de unha preta, o tênis sim. Ou então você é fã do Zé do Caixão e não acredita em cortar unhas dos pés. A corrida em si não faz cair unha nenhuma. Porque vamos relembrar como tudo acontece: você corre, seu dedo -ou mais especificamente a unha do dedo-- bate e bate e bate sempre no mesmo lugar na parte de cima do tênis, se machuca e forma um hematoma. Hematoma = unha preta. Aí o próximo passo é a unha preta cair e nascer uma nova, toda deformadinha, por baixo. Bonito demais né?

Eu tive o desprazer de viver essa experiência há alguns meses atrás. E olha que não foi correndo ladeira abaixo ou chutando pedras na montanha, que é onde isso acontece com uma frequência maior. O caso foi o seguinte:

Fui fazer um treino longo de 25K e aproveitei a prova que estva rolando junto com a Maratona de SP. Fui feliz, acompanhada da galera sangue bom que estava no mesmo barco, na época treinando para a K42 Bombinhas. Era só um treino, mas óbvio que treino é treino e prova é prova e o ritmo foi beeeeem mais forte do que o programado. No final, 2 dedos bem doloridos, os mesmos de cada pé. A prova do crime: 1 par de Nike Lunar Glide, que eu já vinha usando há tempos e nunca tinha dado problemas. Mas, também, eu nunca tinha corrido mais de 1h com ele --e eu venho correndo cada vez mais com tênis mais baixo, do tipo Nike Free, Brooks GreenSilence e afins. Quem mandou não ir com eles?

Como eu sou uma moça fina de família, prendada ao ponto de saber fazer sua própria manicure, estava com esmalte em dia, ou seja, só fui ver que as duas unhas estavam pretas quando fui trocar de cor. Aí, já era tarde demais.

Porque se eu tivesse notado no dia, ainda dava para tentar o método faca-na-caveira, ou melhor, agulha-na-unha. ATENÇÃO PESSOAS, NÃO TENTEM FAZER ISSO EM CASA, a não ser que assinem um tratado dizendo que se der tudo errado, tudo bem. Porque esse método survivor usa uma agulha, desinfetada e aquecida na chama, para encostar na unha até fazer um microfurinho na danada. Aí o sangue concentrado sai (que é o que estava deixando a unha roxa-preta), a unha clareia e provavelmente não precisa mais cair. Mas só dá certo se fizer na hora, dias depois nem adianta tentar. Mas vejam lá pessoas, usem o bom senso, não quero saber de reclamações no blog dizendo que fulaninho atravessou o dedão do pé com agulha incandescente ou sicraninho perdeu a perna por causa da infecção da agulha de costura que roubou da máquina da vó. Falem antes com um amigo médico que com certeza vai dizer que é arriscado e melhor não fazer. Ouçam o amigo médico.

Seja lá como for, não dei uma de Bear Grylls (aquele cara do A Prova de Tudo) e fiquei de muito mau humor.  Porque vamos falar a verdade, pé faltando unha é MUITO FEIO. Não mata ninguém, não dá divórcio, não impede de ir pra praia mas.... não favorece ninguém, vai. E a unha que cresce por baixo do estrago? Toda esquisita, meio disforme, sequelada coitada.

Se você curte uma unha pintada, os esmaltes de cores escuras são seus amigos. Tanto durante a fase unha preta quanto para não chamar tanta atenção na unha nova esquizo que nasceu. Se você for do tipo matcho-man ou unhas-só-ao-natural, finja que tem orgulho da coisa. Aquele tipo de orgulho que a gente tinha quando era criança e discutia quem tinha o machucado mais feio no pátio da escola, sabe? Ou use um bandaid até ficar mais apresentável.



Agora, se a eliminação sistemática de unhas é uma constante na sua vida, pára tudo.  E troca de tênis. Aproveita e corta a unha também,do jeito que a mamãe ensinou, sem tirar demais nos cantos para não encravar e dando uma lixada para não ficar pegando na meia.

Mas a probabilidade maior é do culpado ser o tênis mesmo. Será que o que você está usando não pega no dedão? Ou tem o "teto" baixo demais e raspa nas unhas? Ou a ponteira está muito próxima dos dedos? Ou a forma está apertada? Na dúvida tente outro, e outro, e outro, até achar um que deixe seu pé correr sem sufocos, apertos ou raspadinhas. Eu posso garantir que dá sim para fazer prova de montanha de 3 dias (vulgo Cruce de los Andes) sem uma bolha sequer e com as unhas 100%.

Combinado? Então vamos colocar em prática a campanha Unha preta - ninguém precisa ter uma.
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Mais essa, São Silvestre?


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 14/09/11 às 19:35 na(s) categoria(s) historias de corrida
Vamos falar de São Silvestre? Eu admito que estava enrolando para entrar no tema. Porque ou você discorda veementemente da nova mudança e explica detalhadamente porque ou concorda e aí fala um pouco menos --já notaram como ser contra gera muuuuito mais conteúdo do que ser a favor?

Pois bem, primeiro vamos recapitular essas mudanças. Era uma vez uma prova chamada São Silvestre, que nasceu laáááá na década de 20 naquela época elegante em que o mundo ainda era em preto e branco. Essa prova, realizada no último dia do ano, passou por várias mudanças ao longo dos tempos e até sobreviveu a uma guerra (a II Guerra Mundial). Será que ela sobrevive pós anos 2000 ou acaba com o mundo lá por 2012?

Para mim, a pior mudança foi a que poucas pessoas acham tão terrível assim: a do horário. Porque terminar a corrida a meia-noite é um marco da minha infância e fase Pollyana Moça. O ano novo só chegava depois da São Silvestre terminar e o aniversário do meu pai passar. As doze badaladas chegavam com a TV ligada na corrida. Muuuuuito mais legal do que correr naquele sol de rachar coco das 15h em pleno verão, o asfalto derretendo e soltando aquele bafo quente em você.

Eu sei, corrida a noite significa que um monte de gente vai trabalhar no reveillon. Tem a segurança, os perigos do escuro, a iluminação, a festa da virada e sei lá mil coisas. EU SEI. Mas eu ainda preferia a corrida que literalmente fechava o ano. Me deixem ser saudosista vai.

Ultimamente as mudanças tem sido daquele tipo que deixa um gosto amargo na alma de qualquer corredor. Tipo entregar a medalha antes da prova. Se não tem a menor condição de entregar no final, desencana da medalha. Ou então me explica qual o sentido dela. Porque para mim, ganhar a medalha antes não tem nenhum.

Pessoalmente, gosto muito mais dos números de peito do que das medalhas, então por mim baixa o preço da inscrição e tira a coisinha de pendurar no porta-medalhas. Ou não faz onda e entrega no final mesmo. Pode ter ficado ÓTEMO para a organização e o pessoal da logística da prova, mas para o corredor foi um desrespeito ao sentido de EXISTIR uma medalha, a não ser que passemos a ver a dita cuja como um brinde a mais do kit, tipo a viseira, os papeizinhos de propagandinhas e os sachês engraçados (tipo café, suco, protetor solar e até shampoo já veio).

Mas a cereja do bolo --destacando que eu não gosto de cereja-- foi essa última mudança, que é a prova terminar no Ibirapuera. De novo, o pessoal da organização & logística suspira feliz. E o corredor? Esse, desde que continue se inscrevendo na prova, tudo bem.

Terminar na Av. Paulista fazia parte do lado mítico da São Silvestre. Terminar ali, no meio da muvuca, no meio da festa, era essa mesmo a idéia. Não era acabar em um local sossegado, silencioso e tranquilo (tá, talvez nem tão silencioso e tranquilo assim). É uma prova que marca o reveillon gente! Tem que ter FESTA.

Novamente, eu sei, é o pesadelo da logística. Eu juro que não odeio os profissionais da organização. Sei que prova dá um trabalho dos demônios, a lei de murphy impera, dá mil tilts e pepinos e a culpa é da CET. Mas tem um limite do quanto dá para descaracterizar a prova.

Porque se for seguir apenas o raciocínio da logistica, o ideal mesmo é que a prova acontecesse no dia 30 de dezembro e não no 31. E talvez  fosse melhor que acontecesse em um lugar mais tranquilo, talvez dentro da USP, que além de tudo é mais seguro. Do ponto de vista da logística faria o maior sentido. Seria um sonho. Do meu, seria um pesadelo. E seria outra prova. Para a São Silvestre, seria péssimo, assim como para a comunidade do povo que corre na rua.

Ou seja, não gostei. Adoro o Ibira, mas ali eu me sinto terminando mais uma prova e não A Famosa São Silvestre. Lamento deveras pelo povo que nunca vai conhecer a emoção de terminar no meio do fuzuê. Que não vai saber o que é subir a Brigadeiro quase na boca da chegada. Para mim, o atrativo de participar da prova caiu vertiginosamente. Vou continuar assistindo, não vou negar. Porque adorei correr essa prova e tenho um carinho especial por ela. Mas que perdeu a graça, perdeu.

Claro que se eu fosse absolutamente contra mudanças na prova, deveria também ser contra a participação feminina, infantil e de estrangeiros na São SIlvestre. Mudanças podem ser boas sim, mesmo quando a gente estranha no começo. Mas pessoas, cadê aquele animal em extinção, o tal do bom senso?

Se for para tirar tudo o que caracteriza a São Silvestre como tal, vamos logo mudar de nome. Eu sugiro mudar para Corrida de São Longuinho, que é um santo tão bacana que gosta de pulinhos. Essa prova poderia terminar até no lago do Ibirapuera ao lado do não menos mítico crocodilo e dessa eu super topo participar. Vamos lançar a idéia?



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O dia em que eu ganhei da Cris no tiro


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 31/08/11 às 14:22 na(s) categoria(s) historias de corrida
É, eu sei, estraguei todo o suspense do post com esse título. Mas quem liga para isso quando pode falar que GANHOU DA CRIS NO TIRO? Contextuando: a Cris, minha treinadora, aquela pessoa que faz o Cruce de Los Andes em tipo 3h (e ganhou nem lembro mais quantas vezes), correu Mont Blanc, Ecomotions, Xterras, Northfaces, triatlons, aventuras mil e tem uma vida acostumada a pegar pódio em tudo que é de correr.

Mas que hoje, nesse dilúvio que se abateu sobre Sampa, ficou para trás de uma aluna que há uns 7 anos atrás começou caminhando e trotando com uma cachorra preta, ouvindo as meninas falando em correr os tais 10K de longão e achando que JAMAIS correria uma distância tão grande. E que só começou a correr provas, cada vez mais longas, porque ela disse que dava.

Então vejam bem, não é que a Cris estava machucada e não treinou, porque aí não valeria. Ela até está machucada, mas isso não seria o suficiente para este feito. O que importa é que ela correu também, ali do lado. O fato de ela estar se recuperando depois de ter ficado de cama sem se mover por 1 semana, vítima daquele mosquitinho abusado que deixa as pessoas dengosas e sem fôlego por meses, NÂO VEM AO CASO. Deixa eu ser feliz, nem que seja por um treino poxa.



Aliás, a única outra vez que eu corri mais rápido que a Cris foi quando ela estava grávida de 9 meses. Porque quando ela estava "só" de 7 meses ainda não dava. Fora isso, tiveram alguns momentos tensos, que são aqueles em que ela está pós-prova ou já treinou e vai só dar um trotinho regenerativo e fala para você: VOU CORRER NO SEU RITMO. Aí a casa caiu para você, porque ÓBVIO que ela não corre no seu ritmo e é você quem vai morrer correndo no dela, fazendo fartleks que alternam muito forte e fortíssimo.

Ah sim, e antes que vocês me acusem de ser uma pessoa cruel que tripudia sobre as dores alheias, deixa eu contar que esse post foi uma sugestão da própria Cris, porque ela correr devagar é um fato tão inusitado que acho que até ela se espantou.

E riu da situação e dela mesma, como só os grandes sabem fazer. Valeu Cris por me fazer sentir a mulher mais rápida do treino de hoje!
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K42 Bombinhas, ninguém pede pra sair


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 09/08/11 às 20:49 na(s) categoria(s) historias de corrida
É pessoas, estou de volta do K42 - Bombinhas. Você segue aquela máxima que diz Quanto Pior Melhor? Se sim, vai A-DO-RAR esta prova, autoproclamada a maratona mais difícil do Brasil. E olha, com razão.

Como toda boa aventura, essa começou antes da prova, com a Questão do Clima. Ou melhor, da dúvida: vai chover durante a prova ou não vai? Os sites meteorológicos passaram os últimos 10 dias garantindo que sim. Parecia pessoal, com sol a semana toda até 6ªf e no sábado e domingo chuva ininterrupta, para voltar o sol a toda na 2ª. Aí já viu: maratona de trilha/montanha com chuva é aquele perrengue. Eu, pessoalmente, estava inconformada. Já me basta ter pego o Dia Maldito do Vale da Merda no Cruce de los Andes (para saber do que estou falando leia AQUI). Na K42 eu queria TEMPO BOM. E praia no dia seguinte.

Mas, como as previsões eram de caos e horror, levei o bendito impermeável, zip locks e afins. Do nosso grupo, só a Ari insistia que ia fazer sol. Teve gente que trouxe até a previsão do apocalipse impressa para provar que ia sim chover. E a loira nem aí, bateu o pé e disse que ia ter sol. E não é que ela estava certa?

No meu celular tem previsão do tempo e acontecia um fenômeno curioso. Há 2 dias que, cada vez que eu atualizava a previsão ela mudava. Para melhor. Na vépera já estava sol com possibilidade de chuva no sábado e chuva mesmo só no domingo. E na vida real? Sol, céu azul e tempo lindo o fimde inteirinho. Eita gente pé quente né ão?

A viagem foi pra lá de suave, uns 50 minutinhos de voo, mais 1 horinha na van do hotel e pronto. Galera nos quartos, animadíssima para o dia seguinte. A largada ficava a uns 300m do hotel, ou seja, era só ir andando até lá. Café da manhã tomado, ansiedade a mil, todo mundo paramentado: mochilas de hidratação ou garrafinhas na cintura, meias de compressão ou não, shorts, calças, viseiras, bonés, cada um no seu estilo.

Eu e a Déia passamos HORAS decidindo se íamos correr de mochila de hidratação ou não. O racional dizia que sim, afinal não somos pessoas que iam terminar a prova em 5h (o recorde feminino é de 4h19) e quando dá sede na piramba é horrível não ter água. Por outro lado, dava MUITA vontade de sair mais leve, tipo só uma caramanhola na cintura e ir abastecendo nos PCs. Mas como nunca havíamos feito a prova, o racional venceu e a mochila foi junto, companheira velha e já testada de provas anteriores. Não me arrependi.

Amanhecer lindo, largada na areia, pontualíssima, as 8h. Decidi fazer uma prova, assim, mais roots, de-raiz, tipo sem-chip-e-sem-relogio, fazendo estilo nem-ligo-pro-tempo. Traduzindo: meu relógio morreu antes do café da manhã (para ressuscitar no dia seguinte só).

Larguei levando meu combustível: água na mochilinha, damascos, castanhas, sal e gel nos bolsos. E muita animação. Lá pelo km 8 começou a 1ª piramba. Pela altimetria, seria a pior de todas, mas na prática não foi porque era no começo, todo mundo animadíssimo e ainda cheio de amor pra dar. E subiu. E subiu. E subiu mais um pouco, até que começou a descer. Como eu não sou assim o papa-léguas das subidas, consegui compensar um pouco (eu disse um pouco) nas descidas e passei pessoas enquanto despencava ladeira abaixo.

Agradeci mentalmente céu azul e sol a prova inteira. Em cada trecho, pensava "imagina como seria fazer esse pedaço na chuva?" e ficava feliz. Porque seria péssimo. Pessoas que correram essa prova com chuva ano passado: parabéns, vocês foram guerreiros e devem ter penado MUITO naquelas erosões, barrancos e pirambas cheios de raízes, pedras e areia. Já eu, zen chuva nenhuma, me distraí olhando o mar azulzinho e o visu colorido e sequinho do percurso haha. Que lindo né? Pois é, mas na hora em que você está ali fazendo força, esse pensamento tão caridoso em relação ao próximo não ajuda em nada.

Mas posso confessar uma coisa? Um dos lugares que mais sofre foi.... no plano. Na praia, correndo numa areia que nem era tão fofa, num retão. Tinha só uns 4 ou 5K, mas para mim pareceu que tinha uns 15K. Gente, a praia não acabava nunca. Você corria, corria, corria... e o final continuava laááááá looooooonge. Nem o mar de cenário de filme ajudava mais (até porque você só OLHAVA aquela água refrescante toda mas continuava correndo com o sol na cachola).

Aí uma hora chegou, junto com a metade da prova. Nos 21K eu estava cansada, mas feliz. Tomei um isotônico daqueles efervescentes. Teoricamente tinha isotônico no PC, mas eu não vi, o que pode ter sido totalmente uma incapacidade minha, já que nas provas os neurônios vão para um centro de meditação distante e lá ficam até tipo o dia seguinte ou mais. O que eu vi foram bananas amigas, que viraram um lanchinho rápido antes de seguir adiante, no melhor espírito bandeirante desbravador.

E foi aí que a prova realmente me pôs a prova. Porque pessoas, na K42 de Bombinhas, a 2ª parte da prova é BEM mais difícil que a 1ª. Então se você terminou os 21K se achando bem na foto porque subiu e desceu todas aquelas pirambas, segura a onda que agora que a conversa fica séria de verdade.

Juro que não sei dizer se as subidas são piores ou se nem tanto e são os km acumulados que fazem parecer pior. Na prática, não faz a menor diferença. No briefing do dia anterior, o moço que descreveu o percurso da prova ia falando assim "ah, aqui é só 300m, a trilha é fácil. aí sobe aqui, desce ali, só 200m, é tranquilo. aí pega esse trecho de praia, é bem fácil", como se a prova fosse ridícula de simples e a gente que dificultasse tudo. Aí quando ele chegou na parte da 2ª etapa começou um tal de "ah, aqui tomem MUITO CUIDADO que tem muitas raízes. aí vira, sobe, desce, sobe de novo e tomem MUITO CUIDADO que escorrega bastante. aí sobe, sobe, desce, vira e MUITO CUIDADO com as pedras! se cair o bombeiro não resgata hahahaha é brincadeira". Ou seja, meu cérebro gravou que na 2ª parte = muito cuidado.

Gente, o moço estava certo. 2ª parte = muito cuidado. Com chuva então, melhor partir para o esquibunda, aquela modalidade onde vc senta e vai deslizando ladeira abaixo, conhece?

Pois bem, depois de 34km chegou o outro grande PC, muuuuito bem vindo. Isotônico + melancia, uma delícia naquele sol. Depois dali, teve a 1ª alcinha. Alcinha era um vai-e-volta obrigatório, com o povo da organização no estilo pegadinha, anotando todo mundo que passava para nenhum espertoman inventar de cortar caminho. Foi meio chato por vc encontrava o povo voltando enquanto vc estava indo --foi ali que encontrei a Déia e o Harry, e logo depois, na minha vez de voltar, a super Naomi.

Mas o visual da tal alcinha compensava, então tudo bem. Mas a vida não era só agruras, que teve a praia de Mariscal, cheia de incentivos visuais. Lá pelo km 36, lembrei do pão de forma que eu tinha roubado do café da manhã e das instruções da Ari para comê-lo depois do km 33. Não tive dúvidas, pesquei na mochilinha e comi. No começo foi meio difícil de comer, mas assim que bateu no estômago, hmmmmmm! Fez um bem! Parecia que eu tinha comido um daqueles pacotinhos de vida de videogame.

E teve mais uma alcinha. Essa me deixou meio de mau humor momentâneo, porque achei ruim no final da prova fazer esse vai e volta. Desnecessário, foi o que pensei na hora, podia fazer a gente não repetir percurso. Mas tudo bem, faz parte do perrengue domar a mente também.

Aí a desgraceira continuou, até que chegou o km 38. Que foi a hora que eu pensei "po, agora tá acabando! faltam 4K só! beleza!". Ah, a ilusão dos ignorantes. Porque foi aí que a casa caiu. Começou, para mim pelo menos, a pior subida da prova. Na verdade era mais baixa que a 1ª, só que parecendo ser muito, mas muito, muito pior.

Porque você não espera um paredão no km 38 né? Nuossa, você não parava de subir. No meio tinha uns bombeiros engraçadinhos falando "vamo lá, só falta 3k", semi-deitados descansando na sombrinha. Vontade de
arremessar a dupla do barranco, mas como eu sou zen, sorri docemente, enquanto visualizava os caras escorregando morro abaixo. É, eu sei, a intenção deles era boa. Mas nós sabemos aonde é que está cheio desse tipo de intenção né?

Quando essa subida master blaster plus acabou, começou a descida, claro. Pessoas, o que era aquela descida? Íngreme até não poder mais, com milhões de raízes, pedras soltas e areia. Ah sim, e ladeada de espinhos gigantes. Quase um videogame mesmo. E quando você vencia essa pirambeira, com as pernas moles, era hora do que? De atravessão o costão! Pedras gigantes onde você tem que dar passos idem e tomar cuidado para não cair laáááá no mar. Onde o bombeiro não vai, lembra? (tá, eu sei que era brincadeira, do tipo brincadeira de terror). Mas o visual do costão....  fazia você esquecer tudo isso, porque era lindo DEMAIS.



Uma hora, o costão também acabou. Aí já era a chegada certo? Errado! Aí era a hora de subir escadas! Porque suas pernocas estão ótimas para subir escadarias nesse momento né? Ainda tem um deque de madeira, que tem degraus. Poucos, mas que no km 41 parecem gigantescos. aí finalmente é a praia final, aquela onde tudo começou. E corre pra chegada e para as amigas que estão ali pulando e gritando para você.

Pessoas, é BOM DEMAIS ter um apoio amigo nesse final, faz uma diferença. Você se sente compartilhando a chegada com todo mundo. Ah sim, e também as pessoas amigas gritam e evitam que você passe a chegada, coisa que eu quase fiz. Os tais neurônios meditantes. Aí você passa o portal (no meu caso em 6h39) e o mundo para de girar. Tudo fica em câmera lenta, enquanto você pega medalha, camiseta, frutas, água. E só volta a girar quando você reencontra o povo.

A vida é bela, a prova acabou, aí é só aproveitar o final de semana. Que aliás, deu praia no domingo. Valeu Déia pelos longões, Ari pela dica preciosa do pãozinho, Carlinha e o isopor profissa cheio de bebes na chegada, a dupla campeã-medalha-de-prata Lu & Naomi, Aloysio, Cris que não tava ali mas era como se estivesse, Belô, Eric e galera que deixou essa viagem mais divertida ainda. Todo mundo sofreu, mas ninguém pediu pra sair. Agora, dá licença que eu vou descansar um pouquinho.
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Fãs de treino longo, quase um clube


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 14/07/11 às 14:43 na(s) categoria(s) historias de corrida
Pessoas, estou Naqueles Dias. Não não, nada a ver com ciclos femininos. Estou falando dos famosos Dias de Pico dos Treinos Longos. Aqueles finais de semana que sempre começam com 10K na 6ªf + longão no sábado. E aí vc começa a somar: 10K + 25K, 10K + 28K, 10K + 32K... e por aí vai. Neste momento já estou descendo a pirâmide, ou seja, os treinos baixando --só alegria!

Mas sempre que eu começo a entrar nesse ciclo, acontece meio que a mesma coisa. Tem o dia em que vc realiza que a sua meta --no meu caso o K42 de Bombinhas-- ficou real e que os treinos começaram.

Para mim e para a Déia, minha super-amiga-e-companheira-fiel-de-treino-casca-dura, o acorda pra vida aconteceu numa 2ªf a noite, no treino mais céu & inferno da semana, ou seja, o treino de tiro. O detalhe é que no dia anterior, domingão, havíamos feito o treino de 25K correndo na Maratona de SP (que teve opção 25K). O que significa que não corremos exatamente em "ritmo de treino", porque tem aquela máxima sapientíssima que diz que treino é treino e prova é prova!

Pós prova, tomando uma água e papeando com os amigos que estavam no mesmo barco, falamos do treino do dia seguinte. "Ah, vamos só girar, treino levinho", disse a Re, que só pode ter sido subornada para dizer isso. Como  depois de correr muito vc não raciocina muito bem, acreditamos. Chegamos na 2ªf  tranquilas. Cansadas mas certas de que seria um treininho light. Doce ilusão. Depois de passadas as baterias de tiros, íamos argumentar que "ontem corremos prova" e conversa mole do gênero quando a Cris deu aquela olhada congelante e soltou "Vcs estão treinando para Bombinhas, que girar que nada, treino normal! Se estiver muito cansada faz firme". Firme, sei.. E foi nesse momento que realizamos: começou mesmo!

Quebrado esse lacre de que sim, começou tudo de novo e agora os volumes só vão crescer e crescer, fiquei feliz. É, feliz. Porque a verdade é que eu ADORO um treino longo. Aquilo que é um sofrimento e uma chatice para muita gente, para mim é um treino que eu me sinto em casa. Tanto que os treinos, para mim, são uma entidade separada da prova, que normalmente é o que está te levando para aquele treino.  Durante os treinos, raramente penso na prova. Os treinos são completos em si mesmos.

Claro que agora que eu estou velha e chata, tenho direito a ter dois critérios básicos para o longão ser bom mesmo. E o 1º e mais essencial é: ter companhia. Porque correr 32K sozinha é chaaaaaaaato. E demoooooooora pra sempre. Não que não dê para ser feliz correndo sozinho, mas o fato é que (boa) companhia vicia. Você acostuma de ter alguém para bater um papo naquela hora em que está pegando, além da vantagem que em grupo ou dupla, a pessoa nunca está cansada no mesmo momento que vc, então dá para uma puxar a outra quando bate algum desânimo. Mas não vai escolher alguém que sai voando e vc nunca mais vê ou que fica laáááá pra trás, seja razoável, corra com quem tem a mesma toada que vc!

O 2º ponto é onde correr. Porque ficar dando um zilhão de voltas no Ibira só para gente insanamente corajosa como a Lu e o Aloyisio. Eu não tenho essa fibra não, se começar a repetir muito o percurso me dá um bode master. Nessa hora, o melhor é apelar para trilhas e pirambas. Mesmo quando não dá para sair de SP, tem muuuuita trilha boa dentro da cidade, com pirambas que não fazem feio de jeito nenhum: Pico do Jaraguá, Parque da Cantareira, Aldeia da Serra, Reflora.. Fora a possibilidade de vc pegar uma manhã ensolarada e simplesmente sair correndo pela rua e conhecer a cidade de outro jeito, mesclando ruas com parques, asfalto com terra.



Mas vc sabe como reconhecer um colega que é do Quase Clube dos Fãs de Treino Longo? É só observar aquela pessoa que começa o treino meio sofrida, com aquela cara de "será que vai dar?" e que pena nos primeiros quilometros. Até que, depois dos 10K, algo acontece. Essa mesma pessoa vai se animando, sorrindo mais, apertando o passo e fazendo cara de "agora sim! podia correr por horas desse jeito". E normalmente corre mesmo.

É um quase clube bacana esse. Não tem inscrição nem mensalidade nem estatuto. Pode tudo. Pode comer castanhas e tâmaras e energy balls ou gel e gomas e cápsulas de sal. Pode correr com tênis minimalista ou o último lançamento carésimo. Pode ser rápido ou lento. Dar passinho ou passadão. Ouvir música ou não. Bater papo ou ficar calado. A única coisa que importa é correr muito por muito tempo --e se divertir no processo.

O resto? O resto não importa.
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Corra da sujeira!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 13/06/11 às 14:28 na(s) categoria(s) historias de corrida
Semana passada estava eu, feliz e faceira, navegando pelo FB (FB=Facebook) quando me deparei com umas fotos que tiraram completamente meu bom-humor. Antes que vocês pensem alguma bobagem, deixa eu contar logo: eram fotos de uma praia. Vazia. Suja.



Não era um vazamento de petróleo. Nem um lançamento clandestino de dejetos químicos ou radioativos. Era o dia seguinte de uma prova de corrida. Na ressaca do pós-prova, a areia coalhada de copinhos plásticos. As fotos do desastre são do Kadu Mattar, que gentilmente cedeu as imagens p/ publicação neste blog e conta que este foi o visual do day after da prova de revezamento Bertioga-Maresias.

Fiquei chocada. Acima de tudo, me senti ingênua e meio burra. Sabe aquela sensação de criança quando descobre que Papai Noel não existe? Um misto de espanto-raiva-ressentimento-vergonha. Porque eu realmente achava que fazia parte da organização de qualquer prova recolher todo o lixo deixado pela corrida.



Mas antes de começar a atirar pedras e copinhos plástico na organização da Bertioga-Maresias ou jogar garrafas nos corredores e pedir o fim das provas de rua, trilha e montanha, vamos fazer diferente? Vamos mudar essa foto. Como? Falando sobre o assunto, divulgando, checando com as organizações das provas e principalmente sendo mais conscientes como corredores --pq também é fácil jogar toda a culpa na organização né?

Eu acredito na máxima Gentileza Gera Gentileza. Assim como tenho certeza que Intolerância Gera Intolerância, então só reclamar, xingar muito no Twitter e no Face ou desejar que todos os corredores virem praticantes de tênis de mesa ou curling só vai gerar mais respostas negativas e provavelmente nenhuma mudança bacana.

Então, ao invés de começarmos uma caça às bruxas da corrida, vamos dar uma olhada no quadro todo. Eu, como sempre, só posso falar da minha experiência pessoal, mas a verdade é que a corrida vem crescendo cada vez mais e as provas não vão diminuir em número, ao contrário. Fora do Brasil, elas estão muito mais maduras e essa parte da limpeza é levada bem a sério.

Nas provas que corri, vi várias formas de lidar com a questão da sujeira gerada pela corrida. Já corri prova de trilha onde a organização pediu para que todos jogassem os copinhos vazios no meio fio da estrada de terra. Explicaram que era inviável colocar latas de lixo ao longo de todas as trilhas (e latas de lixo em nº suficiente, pq 1 lata enche rapidíssimo), então preferiram colocar os PCs de água em estradão de terra e ao final da prova passar um arrastão da limpeza fazendo pente fino. Pediram que as pessoas guardassem os sachês vazios de gel e que jogassem fora nos pCs (onde tinha lixo) ou no final da prova. Essa eu tive oportunidade de ver depois e cumpriram a palavra, não vi 1 copinho esquecido.

Quando a prova é de longa distância -- tipo 50K ou mais -- especialmente se for prova de montanha onde até nos 21K é praxe correr de mochila de hidratação, o que meio que resolve o problema. Com mochila não existe essa de copinho, a não ser que vc pare e beba nos PCs (quando existem) onde a idéia é mesmo fazer um pit stop e reabastecer. Mas se tem PC em corrida de montanha (como tem nas prova do circuito North Face Endurance Challenge) tem lixo lá. E eles avisam que quem for flagrado jogando um papelzinho sequer no chão é desclassificado na hora.

Aliás, já li isso no race book de provas brazucas também, o problema é que aqui tem essa maledeta mentalidade do "se dar bem as custas de alguém", sendo o alguém no caso o meio ambiente. Aqui tem espertoman em todo lugar, até nas provas de corrida, que se acha o máximo porque não foi pego fazendo algo errado.

Quando a prova é de revezamento e tem carro de apoio (que apóia mesmo), fica mais fácil. Porque aí as águas e isotônicos podem ficar em garrafinhas dentro do carro ou carros de apoio. Para quem nunca viveu a situação funciona assim: o corredor da vez corre e, em algum momento pré-combinado do percurso o carro de apoio tá ali, alguém do apoio sair correndo com as garrafinhas, corre ao lado do corredor enquanto este bebe, pega as garrafinhas e volta para o carro. O único rastro que fica é o suor dos corredores no chão.

Tem provas que são tão preocupadas com isso, como o Columbia Cruce de los Andes por exemplo, que nem levar gel em sachê pode. Porque eles sabem que em todo lugar tem um espertoman. Gel, só se estiver naquela garrafinha própria. E ai de você se começar a jogar embalagem de comida ou suplemento no chão.

Já para provas mais curtas, acho que tem que rolar uma logística mais pesada da organização. Porque não faz muito sentido vc correr uma meia maratona ou maratona de rua de mochila. Tem corredores super conscientes que correm com pochetes e saquinhos, mas eu não acho muito realista querer obrigar todos a correr com copos vazios -- com embalagem de gel usada acho que até dá, mas copos, duvi-de-o-dó.

Assim como esperar que em prova de trilha tenha 6 latas de lixo no meio da single track a cada km. Então qual a solução? A primeira chama-se logística. E serve tanto para a organização quanto para os corredores. Porque nenhum PC está onde está por acaso, tem que levar uma série de coisas em consideração, tipo como os equipamentos vão chegar até o PC, distância etc etc --incluíndo o lixo.

A segunda chama-se autoconsciência. E significa seguir alguns passos básicos e acima de tudo, usar aquele nosso amigo esquecido, o bom senso:

1) Guardar a embalagem do gel ou comida no bolso, mesmo que melecada, se não tiver um lixo perto na hora que vc consumí-la. Sem nojinho minha gente!

2) Ler o regulamento/race book e, se não tiver nada lá a respeito e tiver postos de água e isotônico, perguntar como é o esquema de descarte dos copinhos e a limpeza posterior.

3) Se ver alguém tacando lixo no chão, dê um toque. Mas um toque NA BOA, nada de fazer um discurso ecochato ou se achar no direito de ser grosseiro. Lembre: gentileza gera gentileza, grosseria gera grosseria. Se o meliante for um spertoman sem noção, amaldiçoe mentalmente, deseje que a pessoa entre em combustão espontânea e seja um Ser Superior: recolha vc o lixinho.

4) Converse com outros corredores sobre o assunto. Acredite, muita gente NUNCApensou sobre isso, o que é muito diferente de fazer de propósito.

5) Não vire Fiscal da Vida Alheia, que é MUITO MALA e não conscientiza ninguém. Compartilhe com quem está de ouvidos e mente abertos, faça sua parte, reclame quando for o caso e seja feliz.

Que venham mais provas - com consciência e sem sujeira!


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Corrida boa é corrida divertida


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 08/06/11 às 15:00 na(s) categoria(s) historias de corrida
Domingo passado foi um desses dias que parecia destinado a dupla cobertor+filme. Um friozinho de 8ºC, céu cinza chumbo, daqueles que ameaçam chover a qualquer momento, vento gélido e a hora ingrata, 7h30 da matina. O que uma pessoa razoável faria?

Ficaria em casa, lógico. Ao contrário de mim, que fui para uma provinha 10K que aconteceria a 9K de casa, na USP, com o singelo nome de Desafio do Hipopótamo. Sorte minha.

Pra começar, a prova tinha um motivo bacana de acontecer - ajudar a Associação Dr.Inho, que cuida dos dentes de crianças carentes em tratamento de câncer. O logo da associação é um sorridente hipopótamo, daí o nome da prova. A categoria principal era para crianças acompanhadas de adultos --tipo vá com seu filho, sobrinho, priminho ou pegue emprestada uma criança alheia. A dupla, de acordo com a idade da criança, tinha uma série de desafios a cumprir, tipo jogar frisbee, andar na slack line, corrida do ovo e por aí vai.

Quem é criançaless (vulgo sem criança presente) como eu, podia levar a sua criança interior e ir de dupla adulta feminina, masculina ou mista e correr 10K com outro tipo de desafios: passar em 14 pontos da USP e ir picotando o mapa em cada uma delas. Tipo gincana, sabe assim? Eu fui de dupla feminina.

Chegando lá, o encontro com os amigos da corrida, em peso lá dando uma força para a Dr. Inho. Mas se engana quem pensa que o pessoal estava lá todo blazé, preparado para dar um passeio tranquilo entre as estátuas uspianas. O povo estava com sangue-nozóio: teve dupla que no sábado foi lá estudar "os pontos", teve gente que madrugou só na ansiedade de chegar na frente da dupla rival --isso porque são todos super amigos e não tem premiação em dinheiro nem nada assim.

Na largada, a 1ª boa surpresa: abriu o sol. O pelotão da morte saiu ensandecido na frente, disputando a prova como se fosse a maratona olímpica. Claro que isso não impediu umas duplas voadoras de se perder nos tais pontos, com direito ao melhor episódio da prova: achar que as duplas adultas também tinham que jogar frisbee.

Diz a lenda que um grupo de criancinhas viu um corredor alucinado chegar voando, arrancar o frisbee das mãos delas, jogar, devolver e sair voando novamente --e ainda conseguir pegar pódio no final.

Já eu e minha dupla, a Gláucia, que sabe TUDO de navegação, curtimos muito. Fizemos força, gastamos neurônios tentando entender qual ponto era aquele e qual o nº para picotar no mapa, contamos estátuas, respondemos perguntas nos PCs e ainda erramos o funil da chegada no final. Mas nos divertimos como crianças durante o processo inteiro.

A diversão, porém todavia contudo entretanto não acabou aí. Chegou a hora do pódio, para a qual só ficamos porque ainda estávamos juntando o povo para decidir onde tomar café. Aí nos falaram "ó, acho que vcs pegaram pódio". "Ah vá", pensei. Mas resolvemos esperar para ver.

Aí nos chamam em 3º lugar. Legal, bacana, eba! Aí chamam em 2º uma dupla que chegou beeeeeem depois da gente --e que, honestíssimas, confirmaram o erro. Troca, sobe, desce, vai: subimos para 2º lugar. Aêêêê!! Vice-campeães! Ficamos felicíssimas, tiramos foto no pódio e fomos tomar café. Só para receber uma ligação do pessoal falando "onde vcs estão?? a correção não tinha acabado, vcs na verdade ganharam a prova! volta aqui para pegar o prêmio!". Naãããão!!!!!!!!!!

Pela primeira vez na vida pego 1º lugar numa corrida, o lugar mais alto do pódio e... não tiro nem uma fotinho para mostrar na casa de repouso quando for velhinha?? Ninguém merece. Mas, como sou uma Pessoa do Copo Cheio (o oposto é Pessoa do Copo Vazio, daquela pergunta clichê se o copo para vc está meio cheio ou meio vazio), dei um jeito. O nome desse jeito é Photoshop, o Amigo de Todas as Fotos.



Agora sim, um final perfeito para uma prova divertidíssima, que provou que dá para juntar competitividade, risadas, navegação, corrida e muita diversão em apenas 10K.
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Vida e morte de um tênis de corrida


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 08/04/11 às 10:29 na(s) categoria(s) historias de corrida
Ontem eu estava lendo o "Do que eu falo quando falo de corrida", uma deliciosa digressão sobre o que significa a corrida na vida do escritor japonês Haruki Murakami. Aliás, belo livro, adorei saber que tem mais gente que se sente como eu nas corridas longas --pensando em nada mas feliz-- e que encara a corrida não como um esforço de força de vontade (apesar dela ser bastante necessária especialmente naqueles dias de preguiça master e cansaço), mas como algo que "me cai bem".

Pois estava eu lendo, ladeada pela Mindoca e pelo Blacky, O Gato Preto, quando Murakami fala algo sobre amaciar um tênis. Esse comentário me trouxe a uma antiga discussão, que começa com esse tal de amaciamento e termina com a definição do momento em que seu tênis de corrida morre.

Para começar, vamos deixar claro que eu não acho digamos assim, sábio, ir correr uma prova com um tênis que você nunca colocou no pé. Mas ao longo das eras, mudei bastante de idéia quanto a esse tal de amaciar.

Nos primeiros anos de corrida, eu tinha claro que se não amaciasse os danados, Coisas Terríveis iriam acontecer. Eu tinha visões de pés dilacerados e cheios de bolhas e pus, no pior estilo sangue, suor & lágrimas. Quem ousasse pular o longo processo de amaciamento (cerca de 1 mês), certeza ia ter que parar no meio da prova ou sofrer horrores depois. E, para comprovar a tese, tive uns 2 tênis que eram duros no começo, machucavam se tentasse correr longões e só foram melhorando até ficarem confortáveis depois de um tempo.

Aí um dia eu comprei um tênis na véspera de um longo e fui direto para correr 1h40 com ele, estalando de novo. E... nada aconteceu. Nenhuma dor, nenhuma bolha, nem um machucadozinho de atrito. O tênis continuava ÓTEMO como no momento em que eu tinha experimentado na loja.

Foi então que minha ficha caiu. Tênis bom não precisa de amaciamento para ficar confortável. A sem noção aqui estava comprando tênis duros demais (para o meu gosto pessoal) e achando que esse desconforto e dureza iniciais eram normais. Hoje sei que, para mim, tênis bom é tênis bem baixo, bem flexível e bem macio. E eu posso tirá-lo da loja e ir correr 2h direto com ele que fica tudo bem. E se não ficar, o tênis não serve para mim, porque não vai ficar ótimo nunca.



Então pessoas, hoje para mim é assim: se PRECISA amaciar, não serve. Claro que o tênis vai ficando mais gostoso a medida em que você usa, porque pega o formato do seu pé --ou melhor, vai ficando cada vez mais parecido com o seu pé descalço. Ou seja, é óbvio que eu PREFIRO testar o tênis em vários tipos de treinos e deixá-lo mais a vontade antes de uma prova, mas isso não é obrigatório.

Quando fiz os 50K, por exemplo, só usei o chuteira em uns 4 treinos antes da prova. E como eu desenvolvi um apego nada evoluído a ele, economizo ao máximo e tendo a só usar em provas mesmo, ou nos treinos mais casca. Ou seja, pegou tênis novo, teste antes, mas se precisar amaciar por semanas ou meses... repense se este modelo é o ideal para vc e, pra garantir, teste outros. O ideal é amaciar por gosto e não por necessidade.

Essa discussão sobre o começo da vida útil do tênis nos leva ao ponto seguinte, que é a morte do seu companheiro de corridas. Afinal, quanto dura um tênis? Bem, cada fabricante tem sua fórmula, normalmente calculada em KMs rodados. Mas eu, especialmente depois que comecei a pesquisar mais sobre esse movimento de calçados minimalistas e corrida o mais parecida com o descalço possível, comecei a me questionar sobre onde era este limite.

Porque quando você pega um desses tênis minimalistas para correr, essa fórmula não é assim tão clara. A idéia é você usar seu --pasmem-- bom senso, e ir sentindo o tênis. Como eu acredito em experimentar as coisas antes de acreditar piamente nelas, lá fui eu ser minha própria super-cobaia-humana.

Mais descobertas: sabe aqueles tênis láááá do parágrafo de cima que eu tinha que amaciar por um tempinho antes de ficar confortável? Pois bem, os modelos durango-kid (vulgo de solado mais rígido) realmente morrem de morte matada depois de x KMs. Matada porque ou você os mata ou eles te matam. Se você tenta usar um pouquinho a mais, ele te dá dores em lugares onde vc nunca teve dores. Tipo te zoa mesmo, apesar de continuar lindinho por fora.

Agora, aqueles modelos que dá para calçar na loja e ir correr 20K na sequência e voltar para casa com os pés inteirões, nada disso acontece. Eles tendem a morrer de morte morrida. Que é aquela onde a sola começa a soltar e o tênis começa a desmilinguir, sabe como é? Você corre com ele sem sentir dor nenhuma até o último suspiro (do tênis, fique claro) e dali não dá nem para usar "em casa", tem que se desapegar e deixar ele ir mesmo.

Ou seja, o tênis que não era bom no começo é péssimo no final. E o que era ótimo já de início chega ao fim com suavidade e sem causar estragos. Para mim, isso foi um divisor de águas no quesito tênis.

Mas antes que alguém fique indignado, vamos lá esclarecer límpida e cristalinamente uma coisa: eu não estou falando para você ignorar o que o fabricante diz, nem para usar seu tênis-molambento-da-adolescênci-que-você-ainda-adora-e-não-consegue-jogar-fora nas maratonas.

O que eu estou fazendo é compartilhar a MINHA experiência. E convidar os leitores queridos deste blog a prestar mais atenção aos seus pés e ao seu corpo. Lembra, o tal de bom senso? Pois é, é nosso amigo de todas as horas. Anote a tal fórmula de vida útil em quilometragens, mas tente ir sentindo a validade do tênis acabando ao invés de só confiar no escritinho. COMPROVE a fórmula. TESTE outros tipos de tênis.

Na dúvida, peque pelo conservadorismo mas, no geral, acredite sempre mais na sua experiência do que no papel. Boa corrida!
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Quanta lameira, guajira, quanta lameira


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 31/03/11 às 17:26 na(s) categoria(s) historias de corrida
Sábado foi dia de...subir morro! Quem fez a edição Paranapiacaba do circuito de Corridas de Montanha pode confirmar: tinha lameira para todo mundo. Mas vamos primeiro entrar no clima. Fecha os olhos e visualiza: sabadão meiodia, sol quente a pino em Sampa, você arruma sua mochilinha com roupas secas pós-prova, algo para comer antes e depois, um gel para durante, uns trocadinhos e muita animação.

Já devidamente paramentada - meu querido chuteira nos pés (para saber o que é o chuteira leia esse review AQUI), shorts, camiseta, relógio - fui encontrar o povo. Sim, porque ultimamente eu ando passando qualquer prova onde não vá uma galera junto. Nããããoooo, não é porque eu goste de uma panelinha, é que o antes e o depois quando você vai de turma são muito, mas muito mais divertidos.

Ter gente para ficar comentando a prova a exaustão na volta não tem preço. Experimenta fazer isso com sua respectiva cara metade ou mãe/pai/irmão/amigo/amiga que NÃO corre e veja o mar de tédio inundando os olhos da pessoa enquanto você se entusiasma contando que no Km 5 tinha mais um rio e aí você foi e... Meia hora depois você ainda está falando da hora em que tomou o seu gel e o pobre ser ouvinte já está com fazendo cara de janelas windows passando, sonhando com a hora em que finalmente você vai chegar ao fim da narrativa. Poupem seus entes queridos, pessoas, comentem as provas em detalhes só com quem corre ou adora corrida. Ou vá correr com os amigos e comente com eles mesmos se reidratando no bar da esquina.

Voltando ao sabadão de sol, fomos nós em 4 carros estilinho comboio para Paranapiacaba. Na medida em que vc avança, a neblina vai se adensando, até um momento em que você se sente em pleno fog londrino. Depois de muita rotatória, viradinha, saidinha e pistas estreitas, chega o pulo do gato. Se vc está com alguém como a Ari, que sabe os caminhos e atalhos para chegar literalmente dentro da pracinha onde é a largada, vc está bem na fita. Se não, o pior cenário é parar um pouco antes e ter que atravessar o trilho do trem a pé para chegar até a largada.

como dessa vez chegamos bem cedo para garantir, foi assim quase que como ir a um daqueles eventos com o Amaury Jr: você vai andando, sorrindo, circulando e conversando um pouquinho com um monte de gente. A diferença é que, ao invés de vestidos Dolce & Gabanna as pessoas usavam tênis, camisetas e mil acessórios divertidos tipo bandanas, relógios que falam com você, meias de compressão e luvinhas. Luvinhas? É, depois eu explico. Aliás, foi ali que conheci o Shigueo, amigo-blogueiro-corredor (deste blog AQUI) que tinha vindo conhecer a prova e fazer a despedida do par de tênis que ele escolheu para correr --vou te contar, vc foi corajoso de entrar naquela lameira com aquele tênis pneu-careca-style, colega Satrijoe.



Paranapiacaba é um lugar fofo onde sempre tem uma charmosa neblina de montanha e muitos trens. Dessa vez o centrinho se preparou melhor e tinha desde almoção self service para quem não liga de bater um pratão de comida antes de correr (e tem bastante gente estranha assim) até um café simpático que servia desde pão de queijo até bolo caseiro. Ah sim, e se vc é como eu, um cafezinho puro sem açúcar antes da prova.  

Eramos em pouco mais de 10 pessoas, tanto com gente que voa na trilha como com pessoas que estavam literalmente estreando nas provas de corrida. Na hora da largada, as 16h, aquele embaço básico enquanto todo mundo se espreme na muvuca. O pessoal da organização falou bastante sobre alguma coisa ao microfone, acredito que era importante e tinha a melhor das intenções, mas tenho que confessar que não ouvi uma palavra. Não por mal, mas porque dali da largada simplesmente não dava para escutar o que o moço dizia. A boca dele mexia, dava para ouvir algum som, mas entender que é bom, nadica de nada. Quem ouviu por favor me conta!

E aí, foooooooooooooooooooonnn!!! Largou! São 12K, entao o negócio é fazer força. Porque essa prova tem subidas e não são poucas. Tem muita single track e uns 4 riozinhos para passar. Esse ano as águas tinham subido e teve uns trechos onde chegou tipo logo abaixo do peito --mas como eu tenho 1,60m não é nada que vc deva se preocupar, certo? Atravessar rio, nessa prova, é assim: em uns 3 lugares vc pula do barranquinho para dentro do rio, dá uma meia dúzia de passadas e pula barranquinho acima na outra margem. Em outros lugares você tem que correr um tempinho dentro do rio mesmo, aliás, subindo o rio.

Aqui posso orgulhosamente relatar que minha corrida dentro de rios melhorou horrores, saindo de inexistente para um avanço até que eficiente. Não rápido, mas eficiente. Nada como treinar para os 50K da NorthFace e para o Cruce, não é mesmo? Tantos picos do Jaraguá, e pirambas em Atibaia tinham que servir para alguma coisa mais, certo?

Passei pisando firme no meio da lameira -que uma pessoa assustada atrás de mim cogitou ser areia movediça, o que dá uma idéia do estado da lama- correndo mesmo com os pés submersos na gosma marrom até o tornozelo. E o Speedcross fez bonito de novo, o bichinho gruda na terra e vc NÂO ESCORREGA. Ultrapassei gente que era óbvio que corria mais que eu --só porque a pessoa estava de tênis que escorregava muito e eu lá, toda faceira com o chuteira. Fora que tênis de trilha é uma maravilha: pode estar enlameado até as tampas que vc entra com ele na água e ele sai zero bala, levinho, não fica resquício nenhum de lama.

E aí vc entendia porque tinha um povo de luvinha. Para segurar nas pedras na hora de subir, porque realmente tinha vários pontos onde precisava fazer uma subida mais agressiva, tipo a última saída de dentro do último rio. Eu, pessoalmente, to fora de luvinha, para mim é meio over --mas se funcionou para as pessoas, dou o maior apoio para elas.

No fim da prova o tempo ainda abriu, e o fog cedeu espaço para um solzito, deixando visual da serra ainda mais bonito. Como vc termina a prova numa descida, dá para se empolgar bastante e acelerar TUDO. Para mim rolou uma endorfinada e eu terminei feliz, com o povo que chegou antes de mim (as amigas que voam nas trilhas) fazendo o maior festa. Acreditem ou não, melhorei meu tempo em uns 10 minutos, algo que não acontecia desde aquele começo de corrida (vulgo primeiros 3 a 6 meses), onde você vai melhorando seu tempo em muito minutos e não como hoje, onde baixar segundos é uma dificuldade ENORME.

Pós prova, fiz meu lanchinho feliz --umas mini batatas cozidas + sandubinha de queijo cottage com pimenta calabreza e azeie que eu tinha trazido-- enquanto esperava o resto do povo na chegada. Porque quando vc vai em grupo é assim: vc fica ali plantado na chegada até a última pessoa do grupo terminar, e grita pula e comemora a chegada de cada um, na maior festa. Quanto todo mundo dos 12k e 6K chegou, ficamos ali sassaricando no centrinho até todos trocarem de roupa --ah sim, não esqueça de levar saco plástico para as roupas quanta lameira da prova.

Cheguei em casa no final da tarde, acabada e feliz. Só para dormir e, no dia seguinte as 7h15, mudar de estação e começar um workshop intensivão de 1 semana de ashtanga yoga. É duro mas é bom, sabe como é? Da lama para o mat :-)

Ah sim, e desculpem o trocadilho infame do título. É que quando eu era uma corredora zen mirim eu ouvia o cara cantando Guantanamera, guajira, guantanameeeeira e achava que ele, na verdade, cantava "quanta lameeeeeeira, guajira, quanta lameeeeeiraaaa". Acharam bizarro? Pois a minha irmã, tipo 6 anos mais nova, tinha certeza que o certo era "quanta cadeeeeeeira, guajira, quanta cadeeeeeira".

Até hoje acho nossas versões de músicas muito melhores do que as originais.
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Uma montanha invisível


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 23/03/11 às 19:07 na(s) categoria(s) historias de corrida
Pessoas queridas, eu fiquei um tempão sem escrever, eu sei. Eu estava meio que inacessível nas montanhas -- infelizmente montanhas de encrencas. Montanhas de ordem pessoal, daquelas capazes de te tirar do Cruce no último minuto do 2º tempo.

Usei bastante minha camiseta I Have Issues que eu idealizei com a minha irmã e que a minha amiga Gente que Faz, Ceci, transformou em realidade. Ah sim, o ISSUES vem escrito com uma letra tipo filme de horror horroroso, para vc sentir o drama da coisa. É, eu sei, é em inglês, mas em português não consegui pensar numa tradução que mantivesse a ironia do original. Eu tenho questões? Eu tenho problemas? Eu tenho COISAS? Péssimo né?

Mas tuuuudo bem, estou de vuelta! E como vcs não têm culpa nenhuma das montanhas de issues que me cercaram (e ainda cercam um pouco), vou aqui fazer uma promessa pública (Corredora Zen sobre no palanquinho feito de caixote de madeira de feira virado): postar 1x por semana. Se eu não cumprir pode cobrar no corredorazen@gmail.com . Combinado?

Mudando de assunto - pero no mucho - este período acabou, como era de se esperar, me desanimando um pouco nos treinos. Não, CLAAAARO que não parei de treinar nem desisti de correr. Mas sabe quando dá aquele bode master?

Você dá tiro e acha que todos saem MUITO devagar e nunca mais até o fim da sua vida esse tempo vai baixar. Você faz um longo e fica com vontade de parar a cada km. Nada de dor, lesão ou algo assim, mas parece que o fôlego falta, o gás acaba fácil e nenhuma prova sorri para você. Ou seja, vc vira uma Pessoa do Copo Vazio (por conta daquela coisa tão lugar comum mas real sobre as formas de encarar a vida ops copo).

Como eu nunca fui um ser depressivo e tenho um lado Pollyana Moça hiperdesenvolvido, logo já tinha trocado o desânimo por uma análise existencial da questão. Isso porque eu comecei a notar vários corredores passando pela mesma coisa, em diferentes graus de saco cheio.

É como se você desse de cara com uma montanha invisível. Teoricamente não tem nada ali, mas experimenta correr de encontro a ela: esborracha o nariz na hora. Então gente que corre há anos de repente diz cansei e vai aprender a jogar curling. Outros se machucam e a perspectiva de fisio dá uma urticária na pessoa que decide abrir um café e esquecer que existe planilha. Como se diz na internê (internet com sotaque francês) #comofaz?



Bem, o que funcionou para mim foi... correr. Sem provas em vista. Sem objetivos específicos. Sem relógio. Sem saber se a corrida era só hoje ou se ia continuar amanhã. Só correr. Como quando você era criança e o legal era correr muito muito rápido para lugar nenhum e voltar. Correr por correr, sabe assim?

Foi um santo remédio para a Desanimatite. Porque depois de um tempo fazendo isso, a vontade voltou e a montanha invisível ficou para trás. A saudades de fazer prova com o povo amigo. De dar risada no aquecimento. De sentir o pulmão queimando no tiro. De ver a montanha do alto.

Deu no que deu: sábado estarei em Paranapiacaba correndo os 12k do circuito de Corridas de Montanha. Feliz.
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50K: vai que dá


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 18/12/10 às 01:11 na(s) categoria(s) historias de corrida
Sim, sim, sim pessoas, estou de volta para contar que EU CONSEGUI, ou seja, fiz os 50K do North Face Endurance Challenge. Vcs vao me perdoar a demora e a falta de acentos quando entenderem pq: eu estou DE FÉRIAS. E este é um evento que merce estar em caixa alta (vulgo maiúscula), pq é algo que não me acontecia há uns 4 anos pelo menos. E está sendo ÓTEMO, ainda mais que minhas férias começaram com esta incrível aventura que foi esta prova.

Para começar, a localizaçao, na linda, divertida, descolada e pirambenta San Francisco. Como sempre, ir para essas provas em grupo garante uma diversao extra que eu considero indispensável. Todo mundo listando equipamentos, trocando dicas, escolhendo o que levar na mochila, o que comer antes, durante e depois (mesmo que a gente nunca siga o planejado).


O grande suspense era: vai chover na prova ou não vai? A previsao dizia que sim. Minhas esperanças torciam para que nao. Porque chuva faz parte mas é chato, né? E um dos principais atrativos dessa prova é o visual.


No dia anterior, jantar num tailandes delícia: apimentado e muito saboroso. Para quem curte e já está acostumado com o spicy, uma ótima pedida. Despertador ajustado para as 4h30, taxi programado para as 5h15 -isso p/ chegar ao ponto de encontro onde o onibus da organizaçao nos levaria até a largada (programada para as 7h p/ os 50K e p/ as 5h para as 50 milhas/80K).


Chegamos lá, frio mas nada terrível, ainda estava escuro – só amanheceu lá pelas 6h40. Tendas com chá, café, leite, isotonicos, frutas, pao. Nada de chuva, oba! Nosso grupo de 4 (o resto do pessoal estava divido entre os 80K, meia maratona, 10K e 5K) ansiosíssimo para largar. Tiramos os cortaventos, subimos os manguitos (meu acessório predileto) e fomos para a largada. Na hora que o cara começa o ten, nine, eight, adivinha? Começa a chover, claro. Garoinha, só para provar que a Lei de Murphy existe mesmo. Mas a adrenalina era tanta que nem sentimos.


GO!!! E assim fomos, um grupo de pessoas animadas estradinha de terra afora. Um clima de amizade grande, várias duplas de amigos correndo e conversando, tipo 50K é meu treino longo de final de semana. Na minha frente, um mocinho de olhos puxados e FiveFingers no pé. Isso mesmo, o moço correu os 50K com seus Vibram de 5 dedinhos e um leve solado de borracha, com zero amortecimento e zero sustentaçao . E tudo bem.


A chuvinha logo diminuiu e a estradinha já era bonita desde o começo: visual montanha com direito a ver o dia chegando. Encontrei meu ritmo e fui, encarando a subida que já começa no KM 1, para vc entender que vai ser assim até o final. No PC 1 o povo fazendo festa, quase uma largada 2. Detalhe: em cada PC tem banheiros químicos, é uma prova que vc só vai no matinho se quiser (ou se não der tempo). Passei pelos 2 primeiros Pcs sem sentir, feliz. Sabia que lá pelo KM 14 ia começar uma das piores montanhas do percurso – alem de ter estudado a altimetria, fiz uma cola esperta, só com a quantidade de KM que faltavam até o próximo PC. Para mim funcionou super. Assim, quando eu chegava a um PC, olhava e pensava: agora tenho que correr 6,3K e pronto. aí chegava no próximo PC e minha meta passava a ser correr 5,4K e por aí vai.


Só tinha 2 Pcs com trechos mais longos entre eles, ambos de 9K e pouquinho, antes e depois disso eram sempre distancias como 5K (4,3K, 5,6K etc), o que psicologicamente era ótimo.


Quando começou a 1a montanha master, uma surpresa boa: a subida era circulando a montanha e não numa pirambeira em linha reta. Deu até para forçar mais o ritmo. Nesse trecho choveu novamente e chegou até a molhar, mas depois passou para sempre. E o visual dessa montanha, pessoas, o que era aquilo??


Vc ia subindo e aos seus olhos ia se abrindo a vista para o mar. Quando vc chega ao topo, está no alto da montanha, vendo o mar, umas praias, a encosta toda verde, o penhasco, lindo lindo lindo, chegava a emocionar. Em momento algum me perguntei o que é que eu estou fazendo aqui? , porque a resposta era óbvia, era só olhar a paisagem e saber que era para ver tudo aquilo que eu tinha vindo.


Depois era descer a montanha, passar no PC e começar a próxima ladeira. Aliás, nota 10 para os Pcs: tinha batata assada com sal (minha predileta), sopa quentinha, refrigerantes, isotonicos, água, batatinha frita (tipo salgadinho), brownies de chocolate muito bons (que só comi nos 2 últimos Pcs pq foi quando deu vontade), aqueles docinhos de gelatina, sanduiches de peanut butter (adoro) e/ou geléia, enfim, um banquetinho.


E o povo corredor? Estados Unidos tem uma coisa engraçada. Toooodo mundo é treinado, desde criança, a ouvir e falar good job quando faz algo legal ou certo. Todo mundo. Reforço positivo é quase uma lavagem cerebral, vc pode ser rebelde, depressivo, emo e do contra, mas mesmo assim vc sabe que o certo é falar good job. Entao quando as pessoas crescem e viram corredores, ao passar por qualquer pessoa soltam um GOOD JOB! com o maior entusiasmo. Sincero mesmo. E legal mas excessivo para quem não está acostumado. Porque a pessoa te dá um Good Job e te passa a milhao. Na verdade o good job é dela e não seu né? Mas enfim, a intençao é boa, entao aproveita e faz como a Déia e grita GOODJOB! para os outros antes que eles gritem para vc.
E aproveita a vista que vale a pena.

Em um dos lugares vc sobe desgraçadamente mas chega num lugar que ve San Francisco inteira, com Golden Gate e tudo, lindo demais. Tem uma parte que é uma trilha dentro da floresta, estilo Floresta Encantada, as árvores e folhas todas vestidas de vermelho e amarelo, cachoeiras aqui e ali, chao forrado de folhas marrons, amarelas, laranjas.. Tipo aquelas fotos que depois viram base para quebracabeça, sabem como e?


O melhor de tudo é que tudo o que sobe... desce! E como desce. Eu sei que descida é o que mais detona, bla bla bla, mas eu adoro. E olha que eu nem sei descer rápido como gostaria. Mas acelero o máximo que posso e despenco feliz.

Só posso dizer que numa distancia como essa, ter subida e descida é fundamental. Porque se fosse só um grande plano não sei se ia segurar, primeiro porque ia ser chato pacas. Segundo porque o movimento repetitivo ia ser pesado, enquanto que subindo, descendo e pegando planinhos (bem inhos), vc vai mudando o foco na musculatura.


E quando vc passa o último PC (ou penúltimo se pensar que o último é depois da chegada)? são os 5K mais longos da sua vida. Porque essa hora vc já sabe que conseguiu, que vai fechar os 50K inteira (entendo o conceito de inteira como uma pessoa cansada, acabada porém sem lesoes ou dores excruciantes) e quer chegar LOGO. E não chega NUNCA. Aí vc acelera, da tudo, um sprint que não sabia que tinha e... não chega nunca. Aí acelera de novo, da outro sprint e... CHEGOU!!! Fiz em 8h45, zero bolhas nos pés, zero lesoes, muito cansaço e muita felicidade. Claro que na hora que vc passa a linha de chegada, até sentar na cadeira é um esforço, de tao travada que vc está. Mas e o sorriso? Esse parece que gruda na sua cara e assim vc fica até chegar ao hotel. Do nosso grupo de 50K, todo mmundo terminou a prova incluind a Déia --que teve forças para correr como o the flash mas passou frio por preguiça de levantar o manguito, vai entender -- e a super Naomi, que provou que dobrar a curva dos 60 anos não é impedimento para fazer 50K.



Foto: Corredora Zen terminando feliz os 50K, by North Face Endurance Challenge

Mas puxa, vcs devem estar se perguntado, foi tudo tao Pollyanna Moça assim? Tudo taaao ótimo e maravilhoso? Bem, pessoas, nem tanto. Teve O Dia Seguinte. Que é aquele dia em que vc acorda e pensa AI. DOR. O pessoal que correu 80K entao.. Nosso grupo parecia um time de zumbis, todo mundo fazendo careta e andando com as pernas duras, sem dobrar os joelhos. Vc ouvia um coro de gemidos: éramos nós descendo 2 degraus. Mais gemidos: sentar na cadeira, agarrando os braços da dita com todas as forças.


Claro que isso não nos impediu de passear por San Francisco todos os dias. No 2o dia eu arrisquei até uma aula de yoga, que foi a melhor coisa que eu fiz: soltou boa parte da travaçao. No 4o dia rolou até uma bike. So para soltar, sabe assim? Essa era a promessa. Até ver que o passeio que fizemos, até o Golden Gate Park era longe pra dedéu. O resultado foi eu e a Vivi voltando de bike entre muitas risadas, tentando achar um caminho de volta com menos ladeiras (em San Francisco, tipo impossível) e vendo a cara de espanto do povo quando checávamos se a rota estava certa. Todo mundo nos olhava com cara de are you crazy? quando dizíamos para onde estavamos indo, e avisavam prestativamente que era very far away. Valeu pessoal, ótima coisa para dizer para quem está montado na bike obviamente sem chance de ir de outro jeito. Good job pra gente, que voltamos alegres e firmes na hora do rush, quase duas nativas.


Ou seja, se vc está cogitando uma prova dessas, fecha djá. Treine certinho, não mate longoes, fique amigo das pirambas e acredita: vai que dá!
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A mochila do Cruce e outros dilemas


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 24/09/10 às 19:07 na(s) categoria(s) historias de corrida
Pessoas leitoras deste blog, vcs não sabem como é legal quando acontece de conhecer alguns de vcs. Seja por email, twitter, msn, facebook ou pessoalmente é sempre muito bacana quando Os Leitores deixam de ser uma grupo de silhouetas difusas e passam a ter nomes, caras e dúvidas, muitas dúvidas :-) Adoro! Só me deem um desconto que nem sempre consigo responder na hora - afinal, tem que garantir a ração da Mindy e do Blacky.

Para vcs verem como é verdade, esses dias recebi um email da Claudia, que está na maior pilha para participar da próxima edição do Cruce --o Columbia Cruce de los Andes, que eu fiz este ano, AMEI, pretendo fazer novamente ano que vem e que rendeu vários posts, a começar desse aqui.

A Claudia perguntou coisas sobre a mochila e as questões práticas dessa prova, e eu achei que de repente outras pessoas poderiam gostar de entrar nessa discussão também. Sim, porque vamos lembrar que eu não sou nenhuma "otoridade" no assunto, só posso compartilhar o que funcionou para MIM. De qualquer forma, Claudia, esse post é para vc!

A primeira dúvida da Claudia é sobre ela, a mochila do Cruce, sua inseparável companheira pelos 3 dias da prova. Como é algo que vc vai carregar o tempo todo nas costas, não despreze a escolha da mochila. E Claudia, se segura que eu tenho uma notícia: minha mochila não é grande! rsrsrs Eu corri c/ uma mochila de 10L, que vem com hidratação de 2L de água. Se vc for muito rápida, tipo elite, e estiver planejando fazer a prova em 3h, até pode fazer com uma menor de 5L, mas se não for o caso a de 10 L é boa. Tinha gente correndo com mochila de 15 L e até de 20L.

Indico carregar o mínimo possível. Vc vai ter que levar um fleece (de preferencia o fininho e leve que eles dão no kit), que já ocupa um espaço, mais a bolsa de hidratação cheia de água, q fica dentro da mochila. As comidas vc deixa nos bolos externos da mochila e nos da sua calça.



Considerando tudo isso, acho que vale um check list na hora de escolher a mochila:
  • Conforto - cheque e depois cheque de novo como as alças da mochila ficam nos seus ombros. Não pode ficar raspando, incomodando ou batendo. Pense no atrito, que talvez vc esteja ensopado e no peso com a água, pq qualquer pequeno incômodo vira insuportável em 3 dias de prova.
  • Bolsos laterais externos - não leve uma mochila que não tenha isso. Estou falando daqueles bolsinhos do lado de fora da mochila, com zíper, que ficam logo acima dos seus quadris. É ali que sua comida vai ficar, permitindo que vc pegue os lanchinhos sem precisar mexer na mochila nem parar. São muito muito MUITO úteis.
  • Hidratação - beber água não é preciso, é obrigatório se vc quiser terminar o Cruce. Então escolha um sistema de hidratação que fique bem confortável na mochila. A capacidade fica por conta do freguês, eu fui com uma de 2L mas na verdade poderia ter ido com 1L ou 1,5L na boa. 
  • Barrigueira - se a mochila não tiver aquela faixa de prender na cintura, esqueça. Aliás, a mochila tem que ficar certinha no seu corpo depois de ajustadas e fechadas todas as alças. Nada de ficar batendo ou apertando.
Quanto ao conteúdo, primeiro tem que fazer o check list dos itens obrigatórios da prova, que incluem tanto coisas a serem levadas por dupla quanto coisas que cada pessoa tem que ter. Aí entram coisas como o kit de primeiros socorros (por dupla), fleece (por pessoa) e por aí vai. Só lembra que se é por dupla vcs vão ter que decidir quem leva o que e cada coisa ocupa espaço na mochila. Tipo o bivac. Fora os obrigatórios, considere algumas coisas essenciais:
  • Hipoglós - não vá para a prova sem ele hehehe Pode ser também vaselina, questão de gosto. Mas se vc sentir que o pé molhado está começando a fazer atrito com a meia, para, tira o tênis, enche o pé de hipoglós e troca de meia.
  • Meia extra - é bom levar, no caso da potencial bolha acima ou do frio, como na chegada onde ficamos molhados esperando as vans chegarem.
  • Cobertor térmico de sobrevivência - é aquele troço que parece um papel alumínio gigante, mas que pode salvar sua vida. É minúsculo, não ocupa lugar na mochila e custa baratex, então não tem desculpa p/ não ter.
  • Gorro / luva - aí depende da temperatura da prova e do quão friorento vc for. Nas filas e paradas, onde vc esfria muito, a luva foi uma salvação para mim, que tenho frrrrrrio nas mãos. Se vc não tem dessas frescuras, pode pular essa.
  • Protetor solar - também depende de como estiver o tempo durante a prova, se estiver solão e vc for naturalmente morena jambo como eu, com tom de pele mais para o picolé de coco, vale cogitar. Tem uns protetores que vem num potinho micro de plástico, menor que um baton, não pesa nada nem ocupa espaço.
  • Máquina fotográfica - se vc não estiver competindo para ganhar de alguém que não de vc mesmo, fotinho da prova é algo que vc nunca vai se arrepender de ter. Não precisa comentar que o ideal é vc ter uma máquina daquelas bem compactas né?
  • Impermeável - mas olha, tem que ser impermeável MESMO. Não economize neste item. Nada de comprar aquele impermeável la garantia soy jo, de procedência duvidosa, que pode resolver seu problema num trotinho na cidade chuvosa mas não vai servir para nada se chover de verdade no Cruce. Acredite nos tecidos tecnológicos e leve em consideração coisas como peso, tamanho do anorak dobrado, grau de impermeabilidade (é bom que tenha Goretex ou equivalente), se tem respiros (para vc não cozinhar dentro dele), se tem costuras seladas e se o capuz protege mesmo. Ah sim, e lembre-se de que corta vento e impermeável são coisas diferentes. Como diz meu ditado predileto, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Agora, sobre o container. Ou seja, a caixona onde irão tooooodas as coisas da sua dupla. Não está lá dentro, não existe. Ponto. Olhando as fotos, vc deve estar pensando que o container é grande. E é, mas até a página 3. Porque pense o seguinte, vai toda a vida da sua dupla nessa prova nessa caixa. Vai somando:
  • Barraca
  • 2 sacos de dormir
  • roupas da dupla para o pós-prova (ou seja, os casacos mais grossões, meias etc)
  • comidinhas (que vc vai levar nas provas e eventuais outras coisas que queira comer, incluindo elementos utilíssimos como garrafa de vinho e chocolates).
  • os pratos, talheres, canecas e copos da dupla
  • as roupas de prova, contando com o 2º tênis de cada um mais sapato confortável p/ o acampamento (eu fui de crock)
  • objetos de higiene pessoal como os essenciais lenços umedecidos
  • sacos e sacos extras, porque tudo, mas tudo mesmo que vai dentro da caixa tem que estar em sacos plásticos ou corre sérios riscos de molhar, além das coisas molhadas e canguentas do dia anterior que vc vai ter que jogar lá também
  • kit primeiros e segundos socorros, o que depende de cada um, vi gente que era uma verdadeira farmácia ambulante
  • lacres, que são legais de ter a mão para fechar as caixas
Já não parece tão grande a caixa né? Não é a toa que vc vê gente pulando e se jogando em cima dela para conseguir fechá-la na 1ª vez (depois ela normalmente vai esvaziando).

Na prática, nada disso é tão complicado e, se vc adora uma planilha e acha fazer listas algo divertido como eu, vai curtir as preparações. Mesmo se vc não gostar, não se esqueça que numa prova de 3 dias no meio da montanha, a logística faz parte da prova e descuidar dela pode levar vc de volta para o hotel mais cedo e com uma frustração enorme.

Então planeje, teste tudo o que puder --tipo veja se as coisas necessárias cabem na sua mochila, se vc tem todos os itens, que comidas dão certo com seu estômago numa prova longa etc - e seja feliz, que o Cruce de los Andes vale muuuuito a pena.
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Green Race - com poeira até agora


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 13/09/10 às 18:29 na(s) categoria(s) historias de corrida
Pessoas corredoras queridas, quem aqui correu a Green Race? Porque eu corri, sofri um bocado mas a-do-rei. Não tem jeito, para correr tem que ter um lado meio masoquista. Onde já se viu gostar de subir piramba num calor estilo Zâmbia, com a umidade do ar tão baixa que a respiração raspava dentro do nariz e da garganta?

Acreditem, até hoje tenho a sensação de que ficou poeira e terra dentro de mim e se eu tossir vai sair uma nuvenzinha terracota. E olha que eu corri só 10K, o que deveria ser um treininho básico e tranquilo. Mas aqueles 4K do começo foram pra separar os homens dos meninos e as mulheres das meninas - subida, subida, subida, descidinha e depois... mais subida. Isso 3 vezes.

Tinha hora que, como bem observou minha amiga Déa, as pessoas andando te ultrapassavam quando vc estava correndo, então o jeito era apelar para o trekkão. Eu quase achei que ia ter que parar no km3, pq revirou tudo e achei que ia terminar a prova conferenciando com o hugo. Mas aí bateu aquela indignação: PARAR?? COMO ASSIM POR EXEMPLO PARAR?? NUMA PROVA DE 10K?? Nem pensar. Aí eu me levantei, bati a poeira do shorts (o que só fez subir uma nuvem de terra ainda maior) e sai correndo. Ou melhor correndinho, e só depois correndo mesmo.

E foi ótimo! Só pena que no percurso de 10K não teve trilha, só estradão de terra - mas mesmo assim o entorno da serra do Japi era bonito. E os participantes eram pessoas bem humoradas e não pentelhas, o que é um super plus. Ao invés daquele povo que fica gritando coisas absolutamente sem graça e se achando hilárias, as piadinhas eram realmente engraçadas e ninguém gritava. Até porque se vc gritasse perigava sua boca encher de poeira terracota.



Com todo esse astral, no km 6 fui me animando e a partir do 7K já estava feliz e correndo solta. Terminei alegrete, empoeirada e com SEDE. E olha que a hidratação da prova estava bem boa, água a vontade para todo mundo. só que ficou um gostinho de como assim já acabou? Fora que eu e a Déira ficamos pensando que para quem quer fazer uma ultra (ahá, aguardem próximo post para mais detalhes e cenas dos próximos capítulos), 10K era ridículo e a gente tinha que fazer disso um longão mais longo.

Resultado: voltamos o mesmo trajeto de volta, ignorando o ônibus da organização (que depois ficamos sabendo se perdeu). Essa foi a parte MAIS engraçada da prova. Voltamos sem compromisso com tempo, ritmo tranquilo, batendo papo e tentando achar alguma cahoeira legal no caminho (achamos, mas a água estava mais congelada do que pensávamos).

E aí sempre tinha umas almas boas que estavam indo de carro e nos viam ali e se compadeciam, provavelmente achando que as 2 mocinhas, coitadas, não viram que podia voltar de ônibus! Então todo mundo olhava com uma cara de "putz!" e perguntava se queríamos carona e olhava meio estranho quando agradecíamos e dizíamos que não, que tínhamos decidido voltar assim mesmo, a pé. Obrigada pessoas simpáticas! Foi ótimo saber que vocês nos dariam carona se algo desse errado. Mesmo.

Chegamos bem a tempo de sentar no boteco com uma coca gelada e assistir a chegada dos primeiros colocados e torcer pelas amigas que correram de equipe e levaram o 1º lugar no revezamento - maior orgulho de vcs meninas!

Enfim, um dia aprazível em Jundiaí - para quem como eu chama correr, suar, fazer força e mais força de aprazível.
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Yes, nós temos Bikilas!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 07/08/10 às 18:54 na(s) categoria(s) historias de corrida
Pessoas, minha super amiga e sócia Ceci fez uma colaboraçao inestimável para este blog: trouxe uma novidade quentinha que implora para ser testada. Apresentando a vcs o próximo teste da Corredora Zen – tcharammm – um lindo e colorido par do Bikila, modelo mais focado em corrida da Vibram FiveFingers, o calçado do coraçao de boa parte dos corredores que curtem minimalismo no que se refere a calçados para correr.
Primeira impressao super relevante: é lindo. E me desculpem as pessoas super práticas que acham que isso de visual, cartela de cores e beleza é uma inutilidade fútil, mas design é fundamental. Ao menos para este blog. Por isso não me espantei ao descobrir que a Vibram é italiana – esse povo que tem design nas veias.


Ok, assumo que rolou um momento deslumbre com as cores coloridérrimas. É que é algo que eu sinto MUITA falta nos tenis de corrida, ou melhor, nos modelos femininos. Quem é essa pessoa que decidiu que TODAS as mulheres só gostam de branco com corzinha pastel? Uma pessoa com TOC de rosa bebe, azul cuequinha e verde água, com certeza. Juro, me dá um tédio olhar as prateleiras. Ainda bem que nos últimos tempos isso tem mudado, eu tenho um Brooks pink susto e tem um Nike Lunar Glide roxo com cores cítricas que adoro, assim como o Brooks Green Silence, que está na minha lista. Mas que ainda está longe das opçoes da prateleira masculina, não há o que discutir. Entao ver a cartela desse Vibram foi um verdadeiro colírio.
Passado o Momento Experiencia Estética, segundas impressoes: muito macio, mas resistente. E leve, muuuito leve. Vestir exige uma certa curva de aprendizado, pq da primeira vez eu pastei uns 10 minutos até conseguir colocar tooodos os dedinhos em seus respectivos espaços – o dedao é fácil, mas os ultimos 3... Mas depois que vc consegue, é super confortável. Realmente, é o mais próximo ao andar descalço que eu já experimentei. Também é engraçado ver seus pés vestidos com ele. Eu gostei, mas as pessoas vao apontar e cochichar na rua – o que pode ser um ótimo quebra gelo para conhecer gente ou o inferno na terra, dependendo da sua personalidade. Eu, que sou mais caminho do meio, só me divirto.
Como eu gosto de ler historinha, achei bacana descobrir que a Vibram existe desde 1937 e que esse conceito FiveFingers veio do neto do fundador, que comprou a idéia assim que foi apresentado a ela. Tbm adorei saber que vc lava na máquina e seca no varal. E o nome do modelo, em homenagem ao maratonista etíope que corria descalço Abebe Bikila, tbm foi uma ótima sacada.
Mas isso era só p/ dividir a novidade com vcs, pessoas amigas. Porque esse teste vai demorar um pouco, que vou seguir as sugestoes da empresa e começar com o básico: andando, aiás andando por no mínimo 1h com a Mindoca, a simpática modelo que mostra o meu par de Bikilas neste post. A partir daí eu começo a arriscar um trotinho, ver o que acontece – e conto para vcs aqui, lógico.
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Dia de tiro


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 28/07/10 às 11:58 na(s) categoria(s) historias de corrida
Toda semana você sabe que vai ter Aquele Dia. O dia em que você vai morrer, bater no inferno e subir ao paraíso, tudo em algo como 1h de treino. Sim, é ele, o Dia de Tiro. O treino sangue-nozóio. A hora do vamo-vê. Impressionante minha relação de amor e ódio com esse treino de velocidade.

Porque têm outros treinos na semana onde você faz força, mas é diferente. Eu lembro do primeiro tiro que eu dei na minha vida, de 1k. Fiz em 5h48. Um aparte: é, eu lembro, porque eu tenho uma facilidade absurda de gravar informações super úteis como essa, assim como as palavras exatas ditas pelas pessoas há 10 anos atrás e números de telefone antigos. Parece que as únicas duas coisas que eu nunca consegui lembrar são nomes das pessoas e datas. Eu sou aquela que jamais lembrou de coisas como aniversário de namoro. Aliás, eu já casei e me separei há muito tempo e não, nunca consegui gravar sequer o ano em que essas coisas aconteceram, que se diga o mês e o dia.

Mas lá vou eu divagar sobre a Maldição da Memória. Voltemos aos treinos de tiros. Eu fiz esse 1º tiro da minha vida há uns 5 anos atrás e na verdade eu peguei o tempo para passar para a Cris, mas não tinha sequer parâmetros para saber se isso era um tempo péssimo ou bom. De lá para cá, se for pensar racionalmente, as coisas não mudaram tanto assim. Até hoje ainda não consegui chegar aos 4min cravados no tiro de mil. Meu recorde está em 4min10, e isso foi antes de Cruce.

Segunda-feira, meu dia de tiro oficial, fizemos 10 tiros de 1K - depois de um aquecimento de 3k, claro. Para conseguir fazer os 10, minha meta era manter nos 5min, o que até que deu certo - os primeiros tiros na base dos 4min58 ou 5min05 e a segunda parte na base dos 4min53, enquanto o povo fazia um pace suave de 4h30 ou 4h. Isso porque era para correr ritmo e não forte. Mas eu gostei, por incrível que pareça.

Outro treino de tiro que eu gosto é o pirâmide, aquele que vc começa fazendo tipo 500m forte e fraco, vai aumentando até chegar a 2K e depois desce novamente. Ou os tiros de 1,5K. Ou os curtinhos de 250m.

Na verdade, eu acho qualquer tiro que não sejam 6 de 1k bom. Porque esses 6 tiros de mil para mim são sempre os piores. Deve ser psicológico, porque não como 8 tiros de 1K serem melhores - mas são. Eu morro muito no de 6. Tipo no 3º minha mente fala "deu, posso ir embora?". No 4º eu tenho a sensação de que estou me arrastando e não aguento mais ver o mesmo percurso, aquela mesma curvinha no final da subidinha, o mesmo batbanheiro e a mesma maldita batvolta de 1K no Ibira. Já no último, que é assim pra morte, chego daquele jeito que tem que dar uma andada para não passar mal depois de terminar. E no fim, quando vejo os tempos, nem foi ruim. Mas a sensação durante é péssima.



Agora, que é isso que faz A Diferença na sua corrida, é uma verdade inegável. Nada ajuda tanto a melhorar performance (e estou falando de performance de pessoas normais como eu, não de gente que corre para baixo de 3min50 o km) quanto treino de velocidade. E a deixar o coração e o pulmão preparados.

Agora, uma coisa que já entendi, é que mais do que corpo o tiro tem a ver com a mente. Ou melhor, o quanto vc consegue deixar sua mente fora disso. Porque tem uma coisa chamada limite de desconforto que é tipo gosto, cada um tem o seu. A diferença é que quanto mais vc consegue ampliar esse limite, melhor e mais rápido que vc corre.

Um dia estávamos soltando pós treino no parque, batendo papo como sempre acontece, e a Cris comentando em como as pessoas tinham essa idéia de que os atletas de elite sofriam menos, que parecia que não sentiam desconforto algum a não ser quando estavam nos picos de velocidade em provas. E o quanto isso não era verdade. Porque assim que saem do trotinho, eles também saem da zona de conforto, como eu e você. só que o limite deles de aguentar o desconforto é muito muito superior.

Claro que existe a genética, biotipos, base sólida de corrida e muito treino. Não estou querendo dizer que vc amplia seu limite de desconforto e vira o Usain Bolt. Mas estou dizendo que se vc conseguir aumentar esse limite um pouquinho, a diferença nos seus tempos de tiro vai ser grande, isso sem alterar sua rotina atual de treinos.

E como faz isso? Infelizmente não tem uma fórmula. Tipo repita o mantra X enquanto respira de forma Y e corre de forma Z. Mas vc tem que dar um jeito de ignorar um pouco seu cérebro. Porque é ele quem diz para o seu corpo que vc chegou ao limite, normalmente beeeem antes de isso ser verdade. Seu cérebro é uma entidade precavida que tem por objetivo (bem louvável por sinal) evitar que seu corpo entre em colapso.

Então ele aperta o botão de pânico normalmente bem antes de qualquer ameaça real. Com o tempo, ele vai vendo que o corpo aguenta esse esforço e vai liberando mais, deixando você fazer mais força antes dele ordenar às suas pernas que diminuam o ritmo. Ou seja, ou vc se convence de que dá, acredita e continua a fazer força mesmo quando uma voz diz que não dá ou descobre outros jeitos de burlar essa trava automática que existe dentro de vc. E ampliar essa zona significa ter uma relação diferente com a dor e o desconforto. Porque eles vão continuar existindo, não se iluda. Só não vão ter tanto efeito sobre você.

Mas antes que me chamem de sem noção, vamos ressaltar algo que deveria ser óbvio: não faça isso sem antes passar por um check up e um teste ergoespirométrico e ter certeza de que seu corpo aguenta mesmo o tranco. Porque vencer limites é bem diferente de ser irresponsável.

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Antes de iniciar a prática esportiva consulte um médico para realizar exames que qualifiquem o seu estado de saúde para tal.
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