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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

Corredora Zen :-)

PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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CorredoraZen fez: teste ergoespirométrico SportsLab


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 25/01/12 às 14:52 na(s) categoria(s) dicas
Pessoas, bateu aquele momento Check List do Cruce. Aquele onde você descobre que não tem pilha na sua lanterna de cabeça, que você não testou se o colchão inflável infla mesmo e que falta o teste ergoespirométrico. Oi? Teste? Que teste?

Pois é, este ano, além do atestado médico (que já era obrigatório nas edições anteriores da prova) é preciso levar um teste ergométrico --o ergoespirométrico não é obrigatório, mas já que você vai ter que fazer, faz direito e faz o mais completo, né não?

Pois pessoas queridas, eu preciso confessar uma coisa. Eu não estava assim suuuper animada para fazer o teste. Para ser absolutamente sincericida (sinceridade suicida), quando vi que era obrigatório MESMO o que pensei foi "ai que saco". Não é bonito, eu sei, mas no meio da correria no trabalho (afinal eu vou ficar fora esses dias da prova), do check list das coisas, ainda ter que marcar o exame parecia algo bem mala de fazer.

Mas eu fui e fiz e tenho que confessar outra coisa: eu a-do-rei. Sério. Achei muuuuito mais interessante do que eu me lembrava --porque, já que estamos num Momento Confessionário, o último que eu fiz foi quando comecei a correr, há milênios atrás, e não lembro absolutamente nada dele, só que tinha que correr na esteira e no final eu estava liberada e podia começar a praticar corrida. Claro que eu perdi esse teste há muito tempo e não faço idéia de qual eram meus resultados. Assim, uma pessoa super responsável.

Mas, todavia, contudo, entretante, como todo mundo merece uma 2ª chance, fui para o teste disposta a entendê-lo --ou seja, fui preparada para usar toda minha formação jornalística para atormentar os testadores com perguntas. E nesse ponto, a SportsLab foi o lugar perfeito para isso. Porque a SportsLab tem o Rogerio. E o Rogério (vulgo Dr. Rogério Neves, médico fisiologista e especialista em medicina do esporte) não só tem paciência de responder perguntelhas como ainda se entusiasma e explica resultados desenhando gráficos no papel. Mas deixa eu contar como é este teste e porque agora eu virei fã dele.

A 1ª coisa que acontece quando você chega e coloca seu outfit de corrida/teste é ser pesado e medido e ter que responder questionários. É aí também que contece a checagem dos seus níveis de hidratação, o que é feito via bioimpedância elétrica, ou seja, colocam eletrodos em você e o aparelho mede a quantidade de água no seu corpo. Demora tipo 15 segundos. E não dói.

Aí já começaram minhas descobertas. Porque ao olhar meu teste, o dr. Rogério disse "você não sua muito né?". Gente, pensei, ele é meio vidente. Vou perguntar os números da megasena para ele já. Mas claro que não era magia, era tecnologia. Porque aprendi que, apesar da minha hidratação estar bem OK e dentro do normal, a distribuição da água dentro e fora das células não estava. Aprendi que a água do nosso corpo é dividia em água intracelular e extracelular. Pois esta extracelular minha é baixa. E daí?

E daí que é daí que vem o suor. E o suor é que dá aquela regulada na temperatura quando a gente corre, esfria o corpo e evita o hiperaquecimento que faz a gente parar na hora. Se o reservatório de onde o suor deveria vir já está meio vazio, o corpo espertamente economiza, e não deixa você suar muito. Ou seja, a minha regulagem de temperatura não está boa, e isso pode me fazer diminuir e ter que parar antes do que poderia.

E tem cura? Tem: beber mais água durante os treinos. Eu já bebo, mas o teste te fala quanto seria o ideal de beber por hora de treino --no meu caso 450ml a 600ml (lembrando que isso varia de pessoa para pessoa). O que eu quero ver é como fazer para tomar tudo isso num dia de tiro, que é quando qualquer aguinha a mais chacoalha no estômago e conversa com você até o final do treino.

Mas voltando para o teste, depois de ser medido, pesado e analisado, você está liberado para ir para a esteira e correr. Se fosse só isso estava ÓTEMO, o problema é que tem mais uns equipamentinhos que vão junto com você. Primeiro os eletrodos, que para mim não incomodaram nada, nem lembrava que eles estavam ali. Aí vem a máscara, que vamos combinar, não é exatamente algo gostoso de se usar. Cobre toda a sua boca e você tem que encaixar segurando com os dentes. Bonito não é, como vocês podem comprovar nas fotos. Mas aí vem o que foi o pior para mim: um negocinho que fecha seu nariz, tipo as meninas do nado sincronizado.

O problema é que eu basicamente respiro pelo nariz, então deu uma sensação de ahhhh-não-consigo-respirar-solta-meu-nariz. Mas claro que eu não dei pití nenhum e depois de um tempo melhorou bem, apesar que passar não passou. Mas não mata ninguém nem traumatiza.



Aí começa o teste ergoespirométrico em si, que vai avaliar sua potência aeróbica / cardiopulmonar e sua aptidão física. Você começa andando, depois começa a correr e vai aumentando a velocidade. Quando você está morrendo, ele coloca uma inclinação na esteira e aí sim, você tem certeza que vai morrer. E aí tem mais uns 15 segundos que parecem durar eternamente. E quando passam você acha que não foi tão terrível assim e daria para ter aguentado mais, mas aí é tarde e o teste já acabou.

Aí você relaxa num aparelinho delícia que faz uma ativação muscular e cirulatória --vulgo você recebe uma massagem relaxante vibratória nas pernas. Seria perfeito pós-treino de tiro. Fica a dica, Cris.

Depois disso tudo, senta que lá vem a história, é o momento em que você entende seu teste, que avaliou o comportamente do seu coração frente ao esforço --aliás, é aí que muitas vezes o teste conseguiria pegar potenciais problemas como arritmias, falta de oxigenênio etc e impedir que a pessoa descubra que tem algo assim do pior jeito, que é passando mal, desmaiando ou tendo um troço durante uma corrida.

Para quem corre, o mais legal é aprender sobre seus limiares e o VO2 máximo, que é o nosso potencial atlético (ou falta dele). O VO2 max. mede o consumo máximo de oxigênio, o quanto conseguimos gerar de energia, o que é medido em ml/kg/min. O que determina esse número, é uma junção de fatores: genética + condicionamento físico + constituição física. E dá para melhorar seu resultado?

Dá! Claro que você vai ter um teto, um limitador que é a genética, mas nos outros 2 fatores dá para mexer bem --perdendo as bóias e emagrecendo e treinando mais, melhorando seu condicionamento. Eu, que descobri que não sou uma atleta de alto nível (ah vá), tenho pelo menos uma esperança de melhora que nem é pouca: segundo o Rogério, dá para melhorar mais ou menos 20%. Não sei se no meu caso dá mesmo ou se ele foi bondoso porque eu fiquei decepcionada de não ser um Haile Gebrselassie adormecido num corpo de Corredora Zen.

Mas ainda não acabou. Porque aí aprendi sobre o limiares, que são os momentos durante sua corrida acima das quais começa o acúmulo de ácido lático no sangue e no músculo. O teste determina seus 2 limiares: o L1, ou 1º limiar, é seu liminar aeróbio e o L2, ou 2º limiar, é o limiar anaeróbio. Einh?

O que importa aí é que você aprende qual é a velocidade onde você deve fazer seus regenerativos e aquecimentos --que é abaixo do L1--, qual a faixa de velocidade onde você melhor trabalha endurance e consequentemente melhora resistência --entre o L1 e o L2-- e onde você precisa fazer seus treinos de tiro, melhorar potência e velocidade --acima da L2.

O que fiquei feliz é que eu tenho trabalho certo nessas faixas. Mas eu também fiquei com a sensação de que eu poderia ir bem mais nos tiros --quero dizer, não é bem mais rápido, mas que eu poderia forçar mais, ficar mais perto do meu liminar final. Porque a sensação que tive no teste eu quase nunca tenho nos tiros, o que talvez signifique que eu tenho ficado um pouco abaixo do desconforto que eu consigo aguentar.

Como sempre, é muito fácil na teoria do que na prática. Mas a verdade é que aprendi um bocado com esse teste e melhorei um pouco mais minha consciência corporal (que eu falei no post passado) e ainda descobri coisas que podem melhorar minha corrida.

Deu vontade de voltar --idealmente depois de ficar com corpitcho Bundchen e corrida Paula Radcliff-- e refazer o teste daqui um tempo e ver o que mudou. E se você está começando a correr, faça --e, ao contrário de mim, GUARDE o teste. Se morar em São Paulo, vai lá na SportsLab e pede para fazer o teste com o Rogério. E encham ele de perguntas por mim, afinal os leitores desses blog gostam de corrida e de uma boa conversa.
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Consciência corporal - como vai a sua?


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 19/01/12 às 16:25 na(s) categoria(s) dicas
Pessoas, faltam menos de 15 dias para o Cruce (Cruce de los Andes, aquela prova LINDA onde você passa 3 dias atravessando a patagônia do Chile para a Argentina, que eu fiz em 2010 e contei tudo sobre, a começar DAQUI). Quando uma prova desse porte vem chegando, minha tendência é ficar super atenta aos míííííínimos detalhes, principalmente no que diz respeito ao meu corpo.

Porque tão pertinho de uma prova onde você vai subir quase 2 mil metros só no 1º dia, se machucar ou não estar 100% fisicamente não parece uma boa idéia né? Como cada um manifesta a ansiedade do jeito que pode, eu que fico zen com questões como mala, mochila e esquecimentos ridículos comuns em viagens, aumento minha consciência corporal uns 3 níveis acima nessa época.

Se isso é uma coisa boa ou não, há controvérsias. Quero dizer, consciência, em minha singela opinião, é sempre uma coisa boa. Já você ter uma tendência control freak em relação a ela, nem tanto. Mas o que eu quero dizer com esse termo tão tecnicamente zen?

Consciência corporal, literalmente, é você ter consciência do próprio corpo. É você se conhecer, saber como seu corpo age e reage e principalmente conseguir identificar em que momento seu corpo está a qualqer momento. Porque não adianta nada saber tudo de anatomia e fisiologia e não conseguir sacar quando você precisa descansar e quando está só com preguiça. Porque a princípio a sensação é bem parecida, parece uma lezeira master e pronto, só que em um caso é seu corpo sabiamente dizendo "pára um pouco senão vai dar m...." e no outro é um dos 7 pecados capitais e só.

Consciência corporal é o que te permite avaliar se essa dor é daquelas que andam --porque eu acredito que dor que anda normalmente tudo bem, é a dor que está sempre no mesmo lugar que costuma ser o problema-- ou daquelas que se você não cuidar JÁ vai virar uma lesão mais séria. É ela também que faz você entender como encaixar a passada perfeita (para você) na prática.

É essa mesma consciência que me faz sentir exatamente onde a corrida dá uma encurtada na minha musculatura e precisamente em quais ásanas (posturas) do yoga eu vou conseguir soltar este encurtamento. Sem ela eu nunca ia perceber que minha pisada mudou com o uso de tênis baixos e sem amortecimento, e que, como observou a Cris, eu tendo a curvar e forçar os ombros e o core quando vou ficando cansada no meio da corrida. Ou que as vezes falta um fortalecimento para conseguir fazer mais força nos tiros.

Ok então, já entendi, consciência corporal é essencial. Mas e aí, onde compra?

Porque a não ser que você seja uma desses seres iluminados, não se nasce com ela. A gente vem com os instintos certinhos, alguns com aptidões mais fortes, mas a consciência vem aos poucos, tipo em suaves prestações. E o melhor jeito de adquirí-la é se mexendo. E prestando atenção no próprio corpo em movimento.

No começo a gente faz as coisas sem pensar. Sei lá, saí correndo e deu certo! Fiz uma força não sei bem como e corri bem rápido! Tipo mágica. As coisas simplesmente acontecem e a gente não tem muito controle do como, nem sabe como repetir aquilo.

É a partir daí que começa a consciência. Se começar a prestar atenção, vai ficando claro. Observando os outros e a si mesmo, treinando, repetindo movimentos, respirando, a gente vai entendo como nosso corpo funciona.

É só estar presente. Não adianta gravar uma corrida sua e analisar o vídeo depois se você não registrou nada enquanto corria. Não adianta o treinador te corrigir se você não sentir o que está fazendo errado. Tem que perceber DURANTE a corrida. Não é uma análise racional e lógica, é mais como ficar atendo ao trânsito, ou as pedras e galhos numa trilha: você precisa perceber, ver que aquilo existe, está lá, reagir de forma apropriada e pronto, não precisa analisar.

Mas claro que perto de provas onde tem palavras como NEVE, 2 MIL METROS DE ALTITUDE, MONTANHA, COBERTOR DE EMERGENCIA e MUY DURO a tendência é ficar procurando pelo em ovo. Tipo "nossa, que cansaço é esse? melhor parar com a musculação". Ou "que dor nova é essa nesse osso esquisito do pé que só eu tenho?".  Aí a solução é apelar para a Naomi e suas agulhas acupunturísticas, só para garantir uma última geral antes de ir pra montanha. E estar presente a cada passada.

Até porque eu preciso lembrar de tudo bem certinho para contar para vocês aqui!


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O Treino Balboa


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 06/12/11 às 17:29 na(s) categoria(s) dicas
Você lembra do Rocky Balboa? Isso mesmo, o lutador de boxe italiano criado e interpretado pelo Sylvester Stallone, imortalizado na franquia de (por enquanto) 6 filmes Rocky. Deixando de lado aquela interpretação de uma expressão só que é a marca registrada do nosso Sly, além das cenas de boxe tem uma coisa que todo mundo lembra dos filmes: o treinamento.

Sim, porque Rocky, além de sofrer, apanhar e depois dar a volta por cima no final, só consegue triunfar porque TREINA. Mas não é qualquer treininho não. Tem que ter muito suor, muita cara de dor e sofrimento e cenas marcantes como correr com criancinhas, correr com cachorro, correr na neve, correr na chuva, correr na praia, fazer flexão no cano e... subir escadas. Muitas escadas. De preferência entortando a boca de tanto fazer força, ao som de uma trilha sonora dramática.

Pois para homenagear esse atleta tão, digamos, ímpar, tem um treino batizado com o nome dele. Senhoras e senhores, apresento o Treino Balboa. Que consiste basicamente em subir e descer escadas. O cachorro, criancinhas, soquinhos no ar, caras e bocas ficam por conta de cada um, mas as escadas são obrigatórias.

Você pode fazer o seu Treino Balboa onde quiser, desde que tenha muitos degraus. Eu, que estou chegando no pico de treino da planilha para o Cruce, tenho feito alguns, intercalados com muita piramba e trilha. Meus Treinos Balboa aconteceram em 2 lugares: na escadaria da USP, ali do lado da Biologia, e no Pacamebu, nas escadarias do bairro.

A idéia é sempre começar correndo para aquecer (de 3k a uns 5k mais ou menos) e aí pronto, hora da escada. Tem várias opções de treino, mas a que eu normalmente faço é aquela em que você sobe a 1ª vez de um em um degrau, a 2ª de dois em dois e a 3ª de três em três --e aí dá uma corridinha que é normalmente uma volta entre o fim até o começo da escada e começa tudo de novo. É, é difícil subir escadas de 3 em 3 degraus. E não, você não deveria estar usando o corrimão para ajudar. E sim, pelo menos na de 1 em 1 tem que subir correndo, nada de caminhar.

É duro. Mas é bom. Frita as batatas da perna, mas se você for subir montanhas depois, vai agradecer ter feito o Balboa. Aliás, mesmo se não for, é um treino bem interessante de entrar para a sua planilha. Porque depois de horas de escada, correr no planinho fica incrivelmente mais fácil. Como tudo na vida é uma questão de perspectiva, né não?

Então entra no clima, pega aquela blusa com capuz, faz expressão monotemática e vai para a escada, de preferência com uma trilha sonora hollywoodiana. Só cuidado para não assustar os transeuntes com gritos de vitória, soquinhos no ar ou caras excessivas de dor, vão achar que você está tendo um faniquito.

Para entrar no clima:


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Corredora Zen :-) testou: Brooks Green Silence + ...


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 23/11/11 às 11:33 na(s) categoria(s) dicas
Depois do post anterior reclamando da falta de cores não-rosa para tênis femininos, estou realizada. Pude estrear meu novo e COLORIDO Brooks Green Silence na meia maratona Athenas, que rolou esse fimde aqui em SP.

E colocando em prática novamente minha tese de que tênis bom não precisa amaciar (viu Nishi?), você calça e sai correndo, o Brooks vermelhão & amarelão fez bonito. Comprei na 5ªf, usei para fazer um trotinho de meia hora no sábado e já fui pros 21K no domingão. Resultado: perfeito! Me ajudou a fazer um tempo recorde sub 2h sem bolhas, sem comida de pé no calcanhar ou beiradas, sem atritos machucantes. Nem lembrei que ele existia durante a prova --o que é o ideal quando se trata de tênis de corrida.

O Green Silence tem esse nome porque, segundo a Brooks, tem uma proposta de ser ecologicamente correto. Um aparte: esse terminho me incomoda pacas, apesar da idéia ser bacana. Mas vamos combinar que sustentável MESMO seria correr descalço ou pelo menos não comprar tênis novos e usar os seus até desmancharem. Ao comprar esse tênis, eu já não fui nada sustentável --mas tenho usado ou meus até desmancharem literalmente.

Mas estou saindo do assunto. Voltando ao Green Silence: eco-amigável significa que ele tem solado biodegradável, que 75% dos materiais usados no tênis são reciclados, que as tintas não são tóxicas, que a embalagem tbm é reciclada e vários outros cuidados do gênero. Não vai salvar a humanidade daquele meteoro que todo mundo sabe está chegando, mas é uma ação prática bastante louvável.

Para quem gosta de um tênis mais minimalista --vulgo com amortecimento mínimo-- flexível pra caramba e muito muito confortável, esse é o tênis. Além do detalhe não menos importante de ser BONITO, o que no caso significa cores fortes e design simpático. Deixa seus dedos se mexerem dentro do tênis e o pé articular totalmente, ou seja, nada daquela sensação de que seu pé é uma prancha dura que só articula no tornozelo que os tênis com amortecimento maior me dão.



O complemento do teste foi o porta-chip Switcheasy RunAway Nike Plus iPod AnyShoe Adapter (que nome curto e fácil, não é minha gente?). Eu tenho gostado bastante de usar o SportBand da Nike, aquele reloginho que sincroniza com um chip que vai no tênis e te dá pace, cronômetro, quilometragem, calorias e, claro, a hora. Vulgo um pedômetro chic, primo pobrinho de um Garmin da vida, que tem GPS, mostra o percurso, dá pace km a km e provavelmente ainda de te chama de sua linda nos momentos mais duros do percurso.

O único problema é que o chip foi criado pela empresa para (óbvio) ir dentro dos tênis Nike, que têm um espacinho próprio para isso embaixo da palmilha. Até aí, se eu fosse da Nike faria a mesma coisa, estão certíssimos. Só que eu não sou e tenho tênis de tudo quanto é marca, além de sentir falta de usar o reloginho especialmente nos treinos de montanha, onde Salomon rulez.

A solução foi pesquisar na internê e achar um portachip que resolvesse o problema. Achei na gringolândia, via minha amiga Amazon.com. Dos portachips nacionais não achei nenhum que fosse rígido e desse uma protegida contra respingos e chuvinha, então fui nesse mesmo.

Baratex e eficientíssimo. Não acho que ele segure um mergulho no rio (vamos descobrir o que acontece com o chip quando molha em breve), mas tem funcionado muito bem em trilhas e treinos normais no parque. Vi pessoas reclamando que era frágil, mas comigo por enquanto tudo tranquilo, não quebrou nada nem se soltou do tênis.

Achei ÓTEMA solução para quem usa o reloginho ou sincroniza com iPod/iPhone e quer usar seu Conga para correr.
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O caso da unha preta


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 18/10/11 às 14:19 na(s) categoria(s) dicas
Quando comecei a correr, as pessoas viviam me perguntando: e aí, vc fica com aquelas unhas pretas o tempo todo? Oi? Como assim por exemplo? E as pessoas me respondiam coisas como "ah, eu tenho um amigo que também corre e ele está SEMPRE com alguma unha preta". SEMPRE? Jura?

Aí, com o passar dos anos fui conhecendo CORREDORES que também achavam que unha preta ou unha nenhuma era não só o estado normal das unhas do pé como quase um sinal de que você é "corredor DE VERDADE", seja lá o que isso quer dizer. Como se a unha preta fosse a prova de que você realmente fez força. Taaaanta forrrrrrça que a unha do pé não aguentou sua potência incrível, sabe assim?

Então, eu tenho uma revelação: a não ser que você seja da corrida de aventura, não precisa ser assim. Porque se você é corredor ou corredora de aventura, não só sua unha caiu como provavelmente nasceram várias bolhas, frieiras, fissuras e feridinhas aleatórias, seu estômago deve estar sensível pacas e suas mãos também não devem estar aquela maravilha --e aí é meio inevitável sim, porque passar dias socando a bota na lama, terra, pedra, pedalar, remar, carregar bike, cair, dormir pouco e sempre com os pés molhados não tem como ser diferente.

Mas se você NÃO é da corrida de aventura, não tem porque andar com mais esse troféu por aí, assustando pessoas na academia, na praia, na aula de yoga e no verão, quando se anda de sandalinha neste país.

Agora, a parte mais incrível dessa inusitada possibilidade, correr sem viver de unha preta, implica em se abrir para uma nova verdade: correr não deixa ninguém de unha preta, o tênis sim. Ou então você é fã do Zé do Caixão e não acredita em cortar unhas dos pés. A corrida em si não faz cair unha nenhuma. Porque vamos relembrar como tudo acontece: você corre, seu dedo -ou mais especificamente a unha do dedo-- bate e bate e bate sempre no mesmo lugar na parte de cima do tênis, se machuca e forma um hematoma. Hematoma = unha preta. Aí o próximo passo é a unha preta cair e nascer uma nova, toda deformadinha, por baixo. Bonito demais né?

Eu tive o desprazer de viver essa experiência há alguns meses atrás. E olha que não foi correndo ladeira abaixo ou chutando pedras na montanha, que é onde isso acontece com uma frequência maior. O caso foi o seguinte:

Fui fazer um treino longo de 25K e aproveitei a prova que estva rolando junto com a Maratona de SP. Fui feliz, acompanhada da galera sangue bom que estava no mesmo barco, na época treinando para a K42 Bombinhas. Era só um treino, mas óbvio que treino é treino e prova é prova e o ritmo foi beeeeem mais forte do que o programado. No final, 2 dedos bem doloridos, os mesmos de cada pé. A prova do crime: 1 par de Nike Lunar Glide, que eu já vinha usando há tempos e nunca tinha dado problemas. Mas, também, eu nunca tinha corrido mais de 1h com ele --e eu venho correndo cada vez mais com tênis mais baixo, do tipo Nike Free, Brooks GreenSilence e afins. Quem mandou não ir com eles?

Como eu sou uma moça fina de família, prendada ao ponto de saber fazer sua própria manicure, estava com esmalte em dia, ou seja, só fui ver que as duas unhas estavam pretas quando fui trocar de cor. Aí, já era tarde demais.

Porque se eu tivesse notado no dia, ainda dava para tentar o método faca-na-caveira, ou melhor, agulha-na-unha. ATENÇÃO PESSOAS, NÃO TENTEM FAZER ISSO EM CASA, a não ser que assinem um tratado dizendo que se der tudo errado, tudo bem. Porque esse método survivor usa uma agulha, desinfetada e aquecida na chama, para encostar na unha até fazer um microfurinho na danada. Aí o sangue concentrado sai (que é o que estava deixando a unha roxa-preta), a unha clareia e provavelmente não precisa mais cair. Mas só dá certo se fizer na hora, dias depois nem adianta tentar. Mas vejam lá pessoas, usem o bom senso, não quero saber de reclamações no blog dizendo que fulaninho atravessou o dedão do pé com agulha incandescente ou sicraninho perdeu a perna por causa da infecção da agulha de costura que roubou da máquina da vó. Falem antes com um amigo médico que com certeza vai dizer que é arriscado e melhor não fazer. Ouçam o amigo médico.

Seja lá como for, não dei uma de Bear Grylls (aquele cara do A Prova de Tudo) e fiquei de muito mau humor.  Porque vamos falar a verdade, pé faltando unha é MUITO FEIO. Não mata ninguém, não dá divórcio, não impede de ir pra praia mas.... não favorece ninguém, vai. E a unha que cresce por baixo do estrago? Toda esquisita, meio disforme, sequelada coitada.

Se você curte uma unha pintada, os esmaltes de cores escuras são seus amigos. Tanto durante a fase unha preta quanto para não chamar tanta atenção na unha nova esquizo que nasceu. Se você for do tipo matcho-man ou unhas-só-ao-natural, finja que tem orgulho da coisa. Aquele tipo de orgulho que a gente tinha quando era criança e discutia quem tinha o machucado mais feio no pátio da escola, sabe? Ou use um bandaid até ficar mais apresentável.



Agora, se a eliminação sistemática de unhas é uma constante na sua vida, pára tudo.  E troca de tênis. Aproveita e corta a unha também,do jeito que a mamãe ensinou, sem tirar demais nos cantos para não encravar e dando uma lixada para não ficar pegando na meia.

Mas a probabilidade maior é do culpado ser o tênis mesmo. Será que o que você está usando não pega no dedão? Ou tem o "teto" baixo demais e raspa nas unhas? Ou a ponteira está muito próxima dos dedos? Ou a forma está apertada? Na dúvida tente outro, e outro, e outro, até achar um que deixe seu pé correr sem sufocos, apertos ou raspadinhas. Eu posso garantir que dá sim para fazer prova de montanha de 3 dias (vulgo Cruce de los Andes) sem uma bolha sequer e com as unhas 100%.

Combinado? Então vamos colocar em prática a campanha Unha preta - ninguém precisa ter uma.
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Vai um smoothie aí?


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 28/07/11 às 20:06 na(s) categoria(s) dicas
Faz tempo que eu estou querendo falar sobre isso, comidas pré e pós treino. Porque este é um tema que eu A-DO-RO, o que significa que eu desenvolvo quase um TOC --leio MUITO a respeito, participo de listas, falo com pessoas, assino newsletters, leio sites e blogs e principalmente, testo tudo em mim mesma. Então aí vai um aviso para o povo que adora ler o post até o fim e depois reclamar que era chato e irrelevante e que não devia ter lido até o fim: cuidado! Esse post vai ser sobre alimentação! Arght! Fuja para as montanhas enquanto é tempo! Não vai se distrair e ler até o fim einh?

Agora quem ficou é porque está afins de falar do assunto, certo? Certo. Então senta ai e pega um smoothie. Um o que? Um smoothie (ou izmútchi se formos na linha escreve-como-se-lê) é um misto de vitamina, suco e mix de vegetais. E não, não é a nossa tradicional vitamina só que em inglês. Porque a vitamina é uma mistura de frutas e só --já no smoothie vai o que seu conhecimento alimentar e criatividade mandarem. Aliás, nas padarias aqui do lado, se vc quer um mero iogurte na vitamina tem que pedir vitamina-com-iogurte, ou seja, é um extra.

O que eu não sabia quando comecei a correr é que o smoothie é super amigo dos corredores. Aliás, dos praticantes de atividade física em geral. Para começar, ele é de fácil digestão, porque é quase líquido. Quase porque a regra nº 1 de um smoothie é que ele tem que segurar um canudo de pé. Se vc coloca o canudinho no meio e ele cai para a borda do copo está líquido demais e não é smoothie.

Segundo, você consegue colocar quase qualquer alimento ali e deixar gostoso. Legumes, verduras, folhas, frutas, sementes, pós.. É só misturar com frutas que vc adora. Fica ÓTEMO. Mesmo.



O terceiro ponto é que adotar o hábito de 1 smoothie diário é uma ótima (e gostosa) forma de comer bem e se preparar para os treinos. Porque a fórmula básica do bom senso alimentar (e da maior parte dos nutricionistas que não são voltados a esporte e performance) costuma não ser suficiente para quem treina forte. E quando vc não está comendo tudo o que seu corpo precisa e continua correndo e exigindo mais e mais, o resultado é um ou mais dos sintomas a seguir:
  • Fraqueza durante treinos ou provas
  • Sensação de falta de explosão durante os tiros (treinos de velocidade)
  • Uma preguiça e uma falta de vontade de treinar que não passam
  • Ataques de fome que vc não tinha antes, resultando em vc engordar mesmo treinando pra caramba

Já faz algum tempo que adotei os smoothies como café da manhã em dia de semana. Eu deixo os super cafés da manhã com direito a ovo mexido, pão e opções mil para os finais de semana. Outro bom momento para o smoothie é antes ou logo depois dos treinos (tipo até 30 min depois), porque alimenta e não pesa tanto quanto um sandubão.  Mas atenção: se vc não está acostumado a comer frutas, fibras e afins, começa tomando em momentos tranquilos, tipo a tarde, para acostumar, que seu estômago pode estranhar no começo. E antes dos longões (acima de 1h15 de treino) é melhor comer algo com mais carbo e menos fibras.

Agora, smoothie não é um tipo de remédio, é quase uma arte. Porque o smoothie perfeito não demora nada, mas exige ter algum conhecimento do que vc está jogando no liquidificador. Uma boa fórmula de smoothie, na minha não muito humilde opinião, é uma que leve:
  • 1 fruta doce picada que vc adore (ex: banana, manga, tâmara, amora etc)
  • 1 fruta ou legume complementar picada (que pode mas não precisa ser doce, tipo morango, abacaxi, beterraba, cenoura, pessego, uva etc)
  • 1 copo de líquido (suco de laranja, água de coco, chá verde gelado ou água mesmo)
  • 1 colher de sopa de sementes, de preferência moídas ou trituradas na hora, não compre em pó (linhaça, gergelim, girassol etc)
  • 1 colher de sopa de nozes ou castanhas ou amêndoas etc picadas
  • SEMI OPCIONAL: 1 proteína (1 copo de iogurte ou 2 medidas de proteína em pó --eu não gosto de whey protein, mas se vc gosta, se joga! tem as sem ser de leite também)
  • OPCIONAL: 1 folha crua, para os momentos em que vc pode dar um up nas fibras (1 folha de couve manteiga, hortelã, salsinha, espinafre etc)
  • OPCIONAL: pós tipo spirulina, pó de açaí, pó de maca, chia, chlorella, pó de guaraná etc 
  • OPCIONAL: para dar um saborzinho diferente: pimenta fresca picada ou sumo de limão

Ah sim, e um liquidificador. Se pareceu complicado, respira fundo porque não é. E tem formas de facilitar sua vida e a preparação levar cerca de 2 minutos, 5 se for contar o tempo de lavar os copos. Por exemplo: já deixa as sementes misturadas e prontas num potinho. Idem para as castanhas e afins. As folhas ficam melhores frescas, mas na falta de tempo pode bater todas antes com água e congelar em forminhas de gelo, aí é só jogar o gelo no liquidificador. Também pode picar e congelar as frutas num ziplock.

Para completar, arruma uns copos bonitinhos e canudos coloridos, que a apresentação faz diferença. E vai provando, que a prática leva a perfeição!

Receitinha amiga da Corredora Zen :-) - Smoothie apimentado de manga

  • manga Palmer picada
  • banana prata picada
  • 1 copo de suco de laranja
  • castanha de caju + nozes picadas
  • mix de sementes
  • 1 colher de sopa de pó de fibra de maracujá
  • pimenta dedo de moça picada e sem sementes (se não gostar de apimentado coloque menos e sempre sem sementes)
  • suco de 1 limão
  • iogurte
É claro que o smoothie é só um pedacinho de comer bem para treinar bem, mas é um bom começo. Ah, e quem gosta do assunto, vale a pena ver uns posts antigos mas super atuais sobre o assunto tipo ESSE e ESSE aQUI.

Divirta-se criando o seu e, se ficar bom mezzzz manda a receita pra mim, combinado?
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Fãs de treino longo, quase um clube


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 14/07/11 às 14:43 na(s) categoria(s) dicas
Pessoas, estou Naqueles Dias. Não não, nada a ver com ciclos femininos. Estou falando dos famosos Dias de Pico dos Treinos Longos. Aqueles finais de semana que sempre começam com 10K na 6ªf + longão no sábado. E aí vc começa a somar: 10K + 25K, 10K + 28K, 10K + 32K... e por aí vai. Neste momento já estou descendo a pirâmide, ou seja, os treinos baixando --só alegria!

Mas sempre que eu começo a entrar nesse ciclo, acontece meio que a mesma coisa. Tem o dia em que vc realiza que a sua meta --no meu caso o K42 de Bombinhas-- ficou real e que os treinos começaram.

Para mim e para a Déia, minha super-amiga-e-companheira-fiel-de-treino-casca-dura, o acorda pra vida aconteceu numa 2ªf a noite, no treino mais céu & inferno da semana, ou seja, o treino de tiro. O detalhe é que no dia anterior, domingão, havíamos feito o treino de 25K correndo na Maratona de SP (que teve opção 25K). O que significa que não corremos exatamente em "ritmo de treino", porque tem aquela máxima sapientíssima que diz que treino é treino e prova é prova!

Pós prova, tomando uma água e papeando com os amigos que estavam no mesmo barco, falamos do treino do dia seguinte. "Ah, vamos só girar, treino levinho", disse a Re, que só pode ter sido subornada para dizer isso. Como  depois de correr muito vc não raciocina muito bem, acreditamos. Chegamos na 2ªf  tranquilas. Cansadas mas certas de que seria um treininho light. Doce ilusão. Depois de passadas as baterias de tiros, íamos argumentar que "ontem corremos prova" e conversa mole do gênero quando a Cris deu aquela olhada congelante e soltou "Vcs estão treinando para Bombinhas, que girar que nada, treino normal! Se estiver muito cansada faz firme". Firme, sei.. E foi nesse momento que realizamos: começou mesmo!

Quebrado esse lacre de que sim, começou tudo de novo e agora os volumes só vão crescer e crescer, fiquei feliz. É, feliz. Porque a verdade é que eu ADORO um treino longo. Aquilo que é um sofrimento e uma chatice para muita gente, para mim é um treino que eu me sinto em casa. Tanto que os treinos, para mim, são uma entidade separada da prova, que normalmente é o que está te levando para aquele treino.  Durante os treinos, raramente penso na prova. Os treinos são completos em si mesmos.

Claro que agora que eu estou velha e chata, tenho direito a ter dois critérios básicos para o longão ser bom mesmo. E o 1º e mais essencial é: ter companhia. Porque correr 32K sozinha é chaaaaaaaato. E demoooooooora pra sempre. Não que não dê para ser feliz correndo sozinho, mas o fato é que (boa) companhia vicia. Você acostuma de ter alguém para bater um papo naquela hora em que está pegando, além da vantagem que em grupo ou dupla, a pessoa nunca está cansada no mesmo momento que vc, então dá para uma puxar a outra quando bate algum desânimo. Mas não vai escolher alguém que sai voando e vc nunca mais vê ou que fica laáááá pra trás, seja razoável, corra com quem tem a mesma toada que vc!

O 2º ponto é onde correr. Porque ficar dando um zilhão de voltas no Ibira só para gente insanamente corajosa como a Lu e o Aloyisio. Eu não tenho essa fibra não, se começar a repetir muito o percurso me dá um bode master. Nessa hora, o melhor é apelar para trilhas e pirambas. Mesmo quando não dá para sair de SP, tem muuuuita trilha boa dentro da cidade, com pirambas que não fazem feio de jeito nenhum: Pico do Jaraguá, Parque da Cantareira, Aldeia da Serra, Reflora.. Fora a possibilidade de vc pegar uma manhã ensolarada e simplesmente sair correndo pela rua e conhecer a cidade de outro jeito, mesclando ruas com parques, asfalto com terra.



Mas vc sabe como reconhecer um colega que é do Quase Clube dos Fãs de Treino Longo? É só observar aquela pessoa que começa o treino meio sofrida, com aquela cara de "será que vai dar?" e que pena nos primeiros quilometros. Até que, depois dos 10K, algo acontece. Essa mesma pessoa vai se animando, sorrindo mais, apertando o passo e fazendo cara de "agora sim! podia correr por horas desse jeito". E normalmente corre mesmo.

É um quase clube bacana esse. Não tem inscrição nem mensalidade nem estatuto. Pode tudo. Pode comer castanhas e tâmaras e energy balls ou gel e gomas e cápsulas de sal. Pode correr com tênis minimalista ou o último lançamento carésimo. Pode ser rápido ou lento. Dar passinho ou passadão. Ouvir música ou não. Bater papo ou ficar calado. A única coisa que importa é correr muito por muito tempo --e se divertir no processo.

O resto? O resto não importa.
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Vida e morte de um tênis de corrida


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 08/04/11 às 10:29 na(s) categoria(s) dicas
Ontem eu estava lendo o "Do que eu falo quando falo de corrida", uma deliciosa digressão sobre o que significa a corrida na vida do escritor japonês Haruki Murakami. Aliás, belo livro, adorei saber que tem mais gente que se sente como eu nas corridas longas --pensando em nada mas feliz-- e que encara a corrida não como um esforço de força de vontade (apesar dela ser bastante necessária especialmente naqueles dias de preguiça master e cansaço), mas como algo que "me cai bem".

Pois estava eu lendo, ladeada pela Mindoca e pelo Blacky, O Gato Preto, quando Murakami fala algo sobre amaciar um tênis. Esse comentário me trouxe a uma antiga discussão, que começa com esse tal de amaciamento e termina com a definição do momento em que seu tênis de corrida morre.

Para começar, vamos deixar claro que eu não acho digamos assim, sábio, ir correr uma prova com um tênis que você nunca colocou no pé. Mas ao longo das eras, mudei bastante de idéia quanto a esse tal de amaciar.

Nos primeiros anos de corrida, eu tinha claro que se não amaciasse os danados, Coisas Terríveis iriam acontecer. Eu tinha visões de pés dilacerados e cheios de bolhas e pus, no pior estilo sangue, suor & lágrimas. Quem ousasse pular o longo processo de amaciamento (cerca de 1 mês), certeza ia ter que parar no meio da prova ou sofrer horrores depois. E, para comprovar a tese, tive uns 2 tênis que eram duros no começo, machucavam se tentasse correr longões e só foram melhorando até ficarem confortáveis depois de um tempo.

Aí um dia eu comprei um tênis na véspera de um longo e fui direto para correr 1h40 com ele, estalando de novo. E... nada aconteceu. Nenhuma dor, nenhuma bolha, nem um machucadozinho de atrito. O tênis continuava ÓTEMO como no momento em que eu tinha experimentado na loja.

Foi então que minha ficha caiu. Tênis bom não precisa de amaciamento para ficar confortável. A sem noção aqui estava comprando tênis duros demais (para o meu gosto pessoal) e achando que esse desconforto e dureza iniciais eram normais. Hoje sei que, para mim, tênis bom é tênis bem baixo, bem flexível e bem macio. E eu posso tirá-lo da loja e ir correr 2h direto com ele que fica tudo bem. E se não ficar, o tênis não serve para mim, porque não vai ficar ótimo nunca.



Então pessoas, hoje para mim é assim: se PRECISA amaciar, não serve. Claro que o tênis vai ficando mais gostoso a medida em que você usa, porque pega o formato do seu pé --ou melhor, vai ficando cada vez mais parecido com o seu pé descalço. Ou seja, é óbvio que eu PREFIRO testar o tênis em vários tipos de treinos e deixá-lo mais a vontade antes de uma prova, mas isso não é obrigatório.

Quando fiz os 50K, por exemplo, só usei o chuteira em uns 4 treinos antes da prova. E como eu desenvolvi um apego nada evoluído a ele, economizo ao máximo e tendo a só usar em provas mesmo, ou nos treinos mais casca. Ou seja, pegou tênis novo, teste antes, mas se precisar amaciar por semanas ou meses... repense se este modelo é o ideal para vc e, pra garantir, teste outros. O ideal é amaciar por gosto e não por necessidade.

Essa discussão sobre o começo da vida útil do tênis nos leva ao ponto seguinte, que é a morte do seu companheiro de corridas. Afinal, quanto dura um tênis? Bem, cada fabricante tem sua fórmula, normalmente calculada em KMs rodados. Mas eu, especialmente depois que comecei a pesquisar mais sobre esse movimento de calçados minimalistas e corrida o mais parecida com o descalço possível, comecei a me questionar sobre onde era este limite.

Porque quando você pega um desses tênis minimalistas para correr, essa fórmula não é assim tão clara. A idéia é você usar seu --pasmem-- bom senso, e ir sentindo o tênis. Como eu acredito em experimentar as coisas antes de acreditar piamente nelas, lá fui eu ser minha própria super-cobaia-humana.

Mais descobertas: sabe aqueles tênis láááá do parágrafo de cima que eu tinha que amaciar por um tempinho antes de ficar confortável? Pois bem, os modelos durango-kid (vulgo de solado mais rígido) realmente morrem de morte matada depois de x KMs. Matada porque ou você os mata ou eles te matam. Se você tenta usar um pouquinho a mais, ele te dá dores em lugares onde vc nunca teve dores. Tipo te zoa mesmo, apesar de continuar lindinho por fora.

Agora, aqueles modelos que dá para calçar na loja e ir correr 20K na sequência e voltar para casa com os pés inteirões, nada disso acontece. Eles tendem a morrer de morte morrida. Que é aquela onde a sola começa a soltar e o tênis começa a desmilinguir, sabe como é? Você corre com ele sem sentir dor nenhuma até o último suspiro (do tênis, fique claro) e dali não dá nem para usar "em casa", tem que se desapegar e deixar ele ir mesmo.

Ou seja, o tênis que não era bom no começo é péssimo no final. E o que era ótimo já de início chega ao fim com suavidade e sem causar estragos. Para mim, isso foi um divisor de águas no quesito tênis.

Mas antes que alguém fique indignado, vamos lá esclarecer límpida e cristalinamente uma coisa: eu não estou falando para você ignorar o que o fabricante diz, nem para usar seu tênis-molambento-da-adolescênci-que-você-ainda-adora-e-não-consegue-jogar-fora nas maratonas.

O que eu estou fazendo é compartilhar a MINHA experiência. E convidar os leitores queridos deste blog a prestar mais atenção aos seus pés e ao seu corpo. Lembra, o tal de bom senso? Pois é, é nosso amigo de todas as horas. Anote a tal fórmula de vida útil em quilometragens, mas tente ir sentindo a validade do tênis acabando ao invés de só confiar no escritinho. COMPROVE a fórmula. TESTE outros tipos de tênis.

Na dúvida, peque pelo conservadorismo mas, no geral, acredite sempre mais na sua experiência do que no papel. Boa corrida!
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Quanta lameira, guajira, quanta lameira


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 31/03/11 às 17:26 na(s) categoria(s) dicas
Sábado foi dia de...subir morro! Quem fez a edição Paranapiacaba do circuito de Corridas de Montanha pode confirmar: tinha lameira para todo mundo. Mas vamos primeiro entrar no clima. Fecha os olhos e visualiza: sabadão meiodia, sol quente a pino em Sampa, você arruma sua mochilinha com roupas secas pós-prova, algo para comer antes e depois, um gel para durante, uns trocadinhos e muita animação.

Já devidamente paramentada - meu querido chuteira nos pés (para saber o que é o chuteira leia esse review AQUI), shorts, camiseta, relógio - fui encontrar o povo. Sim, porque ultimamente eu ando passando qualquer prova onde não vá uma galera junto. Nããããoooo, não é porque eu goste de uma panelinha, é que o antes e o depois quando você vai de turma são muito, mas muito mais divertidos.

Ter gente para ficar comentando a prova a exaustão na volta não tem preço. Experimenta fazer isso com sua respectiva cara metade ou mãe/pai/irmão/amigo/amiga que NÃO corre e veja o mar de tédio inundando os olhos da pessoa enquanto você se entusiasma contando que no Km 5 tinha mais um rio e aí você foi e... Meia hora depois você ainda está falando da hora em que tomou o seu gel e o pobre ser ouvinte já está com fazendo cara de janelas windows passando, sonhando com a hora em que finalmente você vai chegar ao fim da narrativa. Poupem seus entes queridos, pessoas, comentem as provas em detalhes só com quem corre ou adora corrida. Ou vá correr com os amigos e comente com eles mesmos se reidratando no bar da esquina.

Voltando ao sabadão de sol, fomos nós em 4 carros estilinho comboio para Paranapiacaba. Na medida em que vc avança, a neblina vai se adensando, até um momento em que você se sente em pleno fog londrino. Depois de muita rotatória, viradinha, saidinha e pistas estreitas, chega o pulo do gato. Se vc está com alguém como a Ari, que sabe os caminhos e atalhos para chegar literalmente dentro da pracinha onde é a largada, vc está bem na fita. Se não, o pior cenário é parar um pouco antes e ter que atravessar o trilho do trem a pé para chegar até a largada.

como dessa vez chegamos bem cedo para garantir, foi assim quase que como ir a um daqueles eventos com o Amaury Jr: você vai andando, sorrindo, circulando e conversando um pouquinho com um monte de gente. A diferença é que, ao invés de vestidos Dolce & Gabanna as pessoas usavam tênis, camisetas e mil acessórios divertidos tipo bandanas, relógios que falam com você, meias de compressão e luvinhas. Luvinhas? É, depois eu explico. Aliás, foi ali que conheci o Shigueo, amigo-blogueiro-corredor (deste blog AQUI) que tinha vindo conhecer a prova e fazer a despedida do par de tênis que ele escolheu para correr --vou te contar, vc foi corajoso de entrar naquela lameira com aquele tênis pneu-careca-style, colega Satrijoe.



Paranapiacaba é um lugar fofo onde sempre tem uma charmosa neblina de montanha e muitos trens. Dessa vez o centrinho se preparou melhor e tinha desde almoção self service para quem não liga de bater um pratão de comida antes de correr (e tem bastante gente estranha assim) até um café simpático que servia desde pão de queijo até bolo caseiro. Ah sim, e se vc é como eu, um cafezinho puro sem açúcar antes da prova.  

Eramos em pouco mais de 10 pessoas, tanto com gente que voa na trilha como com pessoas que estavam literalmente estreando nas provas de corrida. Na hora da largada, as 16h, aquele embaço básico enquanto todo mundo se espreme na muvuca. O pessoal da organização falou bastante sobre alguma coisa ao microfone, acredito que era importante e tinha a melhor das intenções, mas tenho que confessar que não ouvi uma palavra. Não por mal, mas porque dali da largada simplesmente não dava para escutar o que o moço dizia. A boca dele mexia, dava para ouvir algum som, mas entender que é bom, nadica de nada. Quem ouviu por favor me conta!

E aí, foooooooooooooooooooonnn!!! Largou! São 12K, entao o negócio é fazer força. Porque essa prova tem subidas e não são poucas. Tem muita single track e uns 4 riozinhos para passar. Esse ano as águas tinham subido e teve uns trechos onde chegou tipo logo abaixo do peito --mas como eu tenho 1,60m não é nada que vc deva se preocupar, certo? Atravessar rio, nessa prova, é assim: em uns 3 lugares vc pula do barranquinho para dentro do rio, dá uma meia dúzia de passadas e pula barranquinho acima na outra margem. Em outros lugares você tem que correr um tempinho dentro do rio mesmo, aliás, subindo o rio.

Aqui posso orgulhosamente relatar que minha corrida dentro de rios melhorou horrores, saindo de inexistente para um avanço até que eficiente. Não rápido, mas eficiente. Nada como treinar para os 50K da NorthFace e para o Cruce, não é mesmo? Tantos picos do Jaraguá, e pirambas em Atibaia tinham que servir para alguma coisa mais, certo?

Passei pisando firme no meio da lameira -que uma pessoa assustada atrás de mim cogitou ser areia movediça, o que dá uma idéia do estado da lama- correndo mesmo com os pés submersos na gosma marrom até o tornozelo. E o Speedcross fez bonito de novo, o bichinho gruda na terra e vc NÂO ESCORREGA. Ultrapassei gente que era óbvio que corria mais que eu --só porque a pessoa estava de tênis que escorregava muito e eu lá, toda faceira com o chuteira. Fora que tênis de trilha é uma maravilha: pode estar enlameado até as tampas que vc entra com ele na água e ele sai zero bala, levinho, não fica resquício nenhum de lama.

E aí vc entendia porque tinha um povo de luvinha. Para segurar nas pedras na hora de subir, porque realmente tinha vários pontos onde precisava fazer uma subida mais agressiva, tipo a última saída de dentro do último rio. Eu, pessoalmente, to fora de luvinha, para mim é meio over --mas se funcionou para as pessoas, dou o maior apoio para elas.

No fim da prova o tempo ainda abriu, e o fog cedeu espaço para um solzito, deixando visual da serra ainda mais bonito. Como vc termina a prova numa descida, dá para se empolgar bastante e acelerar TUDO. Para mim rolou uma endorfinada e eu terminei feliz, com o povo que chegou antes de mim (as amigas que voam nas trilhas) fazendo o maior festa. Acreditem ou não, melhorei meu tempo em uns 10 minutos, algo que não acontecia desde aquele começo de corrida (vulgo primeiros 3 a 6 meses), onde você vai melhorando seu tempo em muito minutos e não como hoje, onde baixar segundos é uma dificuldade ENORME.

Pós prova, fiz meu lanchinho feliz --umas mini batatas cozidas + sandubinha de queijo cottage com pimenta calabreza e azeie que eu tinha trazido-- enquanto esperava o resto do povo na chegada. Porque quando vc vai em grupo é assim: vc fica ali plantado na chegada até a última pessoa do grupo terminar, e grita pula e comemora a chegada de cada um, na maior festa. Quanto todo mundo dos 12k e 6K chegou, ficamos ali sassaricando no centrinho até todos trocarem de roupa --ah sim, não esqueça de levar saco plástico para as roupas quanta lameira da prova.

Cheguei em casa no final da tarde, acabada e feliz. Só para dormir e, no dia seguinte as 7h15, mudar de estação e começar um workshop intensivão de 1 semana de ashtanga yoga. É duro mas é bom, sabe como é? Da lama para o mat :-)

Ah sim, e desculpem o trocadilho infame do título. É que quando eu era uma corredora zen mirim eu ouvia o cara cantando Guantanamera, guajira, guantanameeeeira e achava que ele, na verdade, cantava "quanta lameeeeeeira, guajira, quanta lameeeeeiraaaa". Acharam bizarro? Pois a minha irmã, tipo 6 anos mais nova, tinha certeza que o certo era "quanta cadeeeeeeira, guajira, quanta cadeeeeeira".

Até hoje acho nossas versões de músicas muito melhores do que as originais.
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A mochila do Cruce e outros dilemas


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 24/09/10 às 19:07 na(s) categoria(s) dicas
Pessoas leitoras deste blog, vcs não sabem como é legal quando acontece de conhecer alguns de vcs. Seja por email, twitter, msn, facebook ou pessoalmente é sempre muito bacana quando Os Leitores deixam de ser uma grupo de silhouetas difusas e passam a ter nomes, caras e dúvidas, muitas dúvidas :-) Adoro! Só me deem um desconto que nem sempre consigo responder na hora - afinal, tem que garantir a ração da Mindy e do Blacky.

Para vcs verem como é verdade, esses dias recebi um email da Claudia, que está na maior pilha para participar da próxima edição do Cruce --o Columbia Cruce de los Andes, que eu fiz este ano, AMEI, pretendo fazer novamente ano que vem e que rendeu vários posts, a começar desse aqui.

A Claudia perguntou coisas sobre a mochila e as questões práticas dessa prova, e eu achei que de repente outras pessoas poderiam gostar de entrar nessa discussão também. Sim, porque vamos lembrar que eu não sou nenhuma "otoridade" no assunto, só posso compartilhar o que funcionou para MIM. De qualquer forma, Claudia, esse post é para vc!

A primeira dúvida da Claudia é sobre ela, a mochila do Cruce, sua inseparável companheira pelos 3 dias da prova. Como é algo que vc vai carregar o tempo todo nas costas, não despreze a escolha da mochila. E Claudia, se segura que eu tenho uma notícia: minha mochila não é grande! rsrsrs Eu corri c/ uma mochila de 10L, que vem com hidratação de 2L de água. Se vc for muito rápida, tipo elite, e estiver planejando fazer a prova em 3h, até pode fazer com uma menor de 5L, mas se não for o caso a de 10 L é boa. Tinha gente correndo com mochila de 15 L e até de 20L.

Indico carregar o mínimo possível. Vc vai ter que levar um fleece (de preferencia o fininho e leve que eles dão no kit), que já ocupa um espaço, mais a bolsa de hidratação cheia de água, q fica dentro da mochila. As comidas vc deixa nos bolos externos da mochila e nos da sua calça.



Considerando tudo isso, acho que vale um check list na hora de escolher a mochila:
  • Conforto - cheque e depois cheque de novo como as alças da mochila ficam nos seus ombros. Não pode ficar raspando, incomodando ou batendo. Pense no atrito, que talvez vc esteja ensopado e no peso com a água, pq qualquer pequeno incômodo vira insuportável em 3 dias de prova.
  • Bolsos laterais externos - não leve uma mochila que não tenha isso. Estou falando daqueles bolsinhos do lado de fora da mochila, com zíper, que ficam logo acima dos seus quadris. É ali que sua comida vai ficar, permitindo que vc pegue os lanchinhos sem precisar mexer na mochila nem parar. São muito muito MUITO úteis.
  • Hidratação - beber água não é preciso, é obrigatório se vc quiser terminar o Cruce. Então escolha um sistema de hidratação que fique bem confortável na mochila. A capacidade fica por conta do freguês, eu fui com uma de 2L mas na verdade poderia ter ido com 1L ou 1,5L na boa. 
  • Barrigueira - se a mochila não tiver aquela faixa de prender na cintura, esqueça. Aliás, a mochila tem que ficar certinha no seu corpo depois de ajustadas e fechadas todas as alças. Nada de ficar batendo ou apertando.
Quanto ao conteúdo, primeiro tem que fazer o check list dos itens obrigatórios da prova, que incluem tanto coisas a serem levadas por dupla quanto coisas que cada pessoa tem que ter. Aí entram coisas como o kit de primeiros socorros (por dupla), fleece (por pessoa) e por aí vai. Só lembra que se é por dupla vcs vão ter que decidir quem leva o que e cada coisa ocupa espaço na mochila. Tipo o bivac. Fora os obrigatórios, considere algumas coisas essenciais:
  • Hipoglós - não vá para a prova sem ele hehehe Pode ser também vaselina, questão de gosto. Mas se vc sentir que o pé molhado está começando a fazer atrito com a meia, para, tira o tênis, enche o pé de hipoglós e troca de meia.
  • Meia extra - é bom levar, no caso da potencial bolha acima ou do frio, como na chegada onde ficamos molhados esperando as vans chegarem.
  • Cobertor térmico de sobrevivência - é aquele troço que parece um papel alumínio gigante, mas que pode salvar sua vida. É minúsculo, não ocupa lugar na mochila e custa baratex, então não tem desculpa p/ não ter.
  • Gorro / luva - aí depende da temperatura da prova e do quão friorento vc for. Nas filas e paradas, onde vc esfria muito, a luva foi uma salvação para mim, que tenho frrrrrrio nas mãos. Se vc não tem dessas frescuras, pode pular essa.
  • Protetor solar - também depende de como estiver o tempo durante a prova, se estiver solão e vc for naturalmente morena jambo como eu, com tom de pele mais para o picolé de coco, vale cogitar. Tem uns protetores que vem num potinho micro de plástico, menor que um baton, não pesa nada nem ocupa espaço.
  • Máquina fotográfica - se vc não estiver competindo para ganhar de alguém que não de vc mesmo, fotinho da prova é algo que vc nunca vai se arrepender de ter. Não precisa comentar que o ideal é vc ter uma máquina daquelas bem compactas né?
  • Impermeável - mas olha, tem que ser impermeável MESMO. Não economize neste item. Nada de comprar aquele impermeável la garantia soy jo, de procedência duvidosa, que pode resolver seu problema num trotinho na cidade chuvosa mas não vai servir para nada se chover de verdade no Cruce. Acredite nos tecidos tecnológicos e leve em consideração coisas como peso, tamanho do anorak dobrado, grau de impermeabilidade (é bom que tenha Goretex ou equivalente), se tem respiros (para vc não cozinhar dentro dele), se tem costuras seladas e se o capuz protege mesmo. Ah sim, e lembre-se de que corta vento e impermeável são coisas diferentes. Como diz meu ditado predileto, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Agora, sobre o container. Ou seja, a caixona onde irão tooooodas as coisas da sua dupla. Não está lá dentro, não existe. Ponto. Olhando as fotos, vc deve estar pensando que o container é grande. E é, mas até a página 3. Porque pense o seguinte, vai toda a vida da sua dupla nessa prova nessa caixa. Vai somando:
  • Barraca
  • 2 sacos de dormir
  • roupas da dupla para o pós-prova (ou seja, os casacos mais grossões, meias etc)
  • comidinhas (que vc vai levar nas provas e eventuais outras coisas que queira comer, incluindo elementos utilíssimos como garrafa de vinho e chocolates).
  • os pratos, talheres, canecas e copos da dupla
  • as roupas de prova, contando com o 2º tênis de cada um mais sapato confortável p/ o acampamento (eu fui de crock)
  • objetos de higiene pessoal como os essenciais lenços umedecidos
  • sacos e sacos extras, porque tudo, mas tudo mesmo que vai dentro da caixa tem que estar em sacos plásticos ou corre sérios riscos de molhar, além das coisas molhadas e canguentas do dia anterior que vc vai ter que jogar lá também
  • kit primeiros e segundos socorros, o que depende de cada um, vi gente que era uma verdadeira farmácia ambulante
  • lacres, que são legais de ter a mão para fechar as caixas
Já não parece tão grande a caixa né? Não é a toa que vc vê gente pulando e se jogando em cima dela para conseguir fechá-la na 1ª vez (depois ela normalmente vai esvaziando).

Na prática, nada disso é tão complicado e, se vc adora uma planilha e acha fazer listas algo divertido como eu, vai curtir as preparações. Mesmo se vc não gostar, não se esqueça que numa prova de 3 dias no meio da montanha, a logística faz parte da prova e descuidar dela pode levar vc de volta para o hotel mais cedo e com uma frustração enorme.

Então planeje, teste tudo o que puder --tipo veja se as coisas necessárias cabem na sua mochila, se vc tem todos os itens, que comidas dão certo com seu estômago numa prova longa etc - e seja feliz, que o Cruce de los Andes vale muuuuito a pena.
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Dia de tiro


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 28/07/10 às 11:58 na(s) categoria(s) dicas
Toda semana você sabe que vai ter Aquele Dia. O dia em que você vai morrer, bater no inferno e subir ao paraíso, tudo em algo como 1h de treino. Sim, é ele, o Dia de Tiro. O treino sangue-nozóio. A hora do vamo-vê. Impressionante minha relação de amor e ódio com esse treino de velocidade.

Porque têm outros treinos na semana onde você faz força, mas é diferente. Eu lembro do primeiro tiro que eu dei na minha vida, de 1k. Fiz em 5h48. Um aparte: é, eu lembro, porque eu tenho uma facilidade absurda de gravar informações super úteis como essa, assim como as palavras exatas ditas pelas pessoas há 10 anos atrás e números de telefone antigos. Parece que as únicas duas coisas que eu nunca consegui lembrar são nomes das pessoas e datas. Eu sou aquela que jamais lembrou de coisas como aniversário de namoro. Aliás, eu já casei e me separei há muito tempo e não, nunca consegui gravar sequer o ano em que essas coisas aconteceram, que se diga o mês e o dia.

Mas lá vou eu divagar sobre a Maldição da Memória. Voltemos aos treinos de tiros. Eu fiz esse 1º tiro da minha vida há uns 5 anos atrás e na verdade eu peguei o tempo para passar para a Cris, mas não tinha sequer parâmetros para saber se isso era um tempo péssimo ou bom. De lá para cá, se for pensar racionalmente, as coisas não mudaram tanto assim. Até hoje ainda não consegui chegar aos 4min cravados no tiro de mil. Meu recorde está em 4min10, e isso foi antes de Cruce.

Segunda-feira, meu dia de tiro oficial, fizemos 10 tiros de 1K - depois de um aquecimento de 3k, claro. Para conseguir fazer os 10, minha meta era manter nos 5min, o que até que deu certo - os primeiros tiros na base dos 4min58 ou 5min05 e a segunda parte na base dos 4min53, enquanto o povo fazia um pace suave de 4h30 ou 4h. Isso porque era para correr ritmo e não forte. Mas eu gostei, por incrível que pareça.

Outro treino de tiro que eu gosto é o pirâmide, aquele que vc começa fazendo tipo 500m forte e fraco, vai aumentando até chegar a 2K e depois desce novamente. Ou os tiros de 1,5K. Ou os curtinhos de 250m.

Na verdade, eu acho qualquer tiro que não sejam 6 de 1k bom. Porque esses 6 tiros de mil para mim são sempre os piores. Deve ser psicológico, porque não como 8 tiros de 1K serem melhores - mas são. Eu morro muito no de 6. Tipo no 3º minha mente fala "deu, posso ir embora?". No 4º eu tenho a sensação de que estou me arrastando e não aguento mais ver o mesmo percurso, aquela mesma curvinha no final da subidinha, o mesmo batbanheiro e a mesma maldita batvolta de 1K no Ibira. Já no último, que é assim pra morte, chego daquele jeito que tem que dar uma andada para não passar mal depois de terminar. E no fim, quando vejo os tempos, nem foi ruim. Mas a sensação durante é péssima.



Agora, que é isso que faz A Diferença na sua corrida, é uma verdade inegável. Nada ajuda tanto a melhorar performance (e estou falando de performance de pessoas normais como eu, não de gente que corre para baixo de 3min50 o km) quanto treino de velocidade. E a deixar o coração e o pulmão preparados.

Agora, uma coisa que já entendi, é que mais do que corpo o tiro tem a ver com a mente. Ou melhor, o quanto vc consegue deixar sua mente fora disso. Porque tem uma coisa chamada limite de desconforto que é tipo gosto, cada um tem o seu. A diferença é que quanto mais vc consegue ampliar esse limite, melhor e mais rápido que vc corre.

Um dia estávamos soltando pós treino no parque, batendo papo como sempre acontece, e a Cris comentando em como as pessoas tinham essa idéia de que os atletas de elite sofriam menos, que parecia que não sentiam desconforto algum a não ser quando estavam nos picos de velocidade em provas. E o quanto isso não era verdade. Porque assim que saem do trotinho, eles também saem da zona de conforto, como eu e você. só que o limite deles de aguentar o desconforto é muito muito superior.

Claro que existe a genética, biotipos, base sólida de corrida e muito treino. Não estou querendo dizer que vc amplia seu limite de desconforto e vira o Usain Bolt. Mas estou dizendo que se vc conseguir aumentar esse limite um pouquinho, a diferença nos seus tempos de tiro vai ser grande, isso sem alterar sua rotina atual de treinos.

E como faz isso? Infelizmente não tem uma fórmula. Tipo repita o mantra X enquanto respira de forma Y e corre de forma Z. Mas vc tem que dar um jeito de ignorar um pouco seu cérebro. Porque é ele quem diz para o seu corpo que vc chegou ao limite, normalmente beeeem antes de isso ser verdade. Seu cérebro é uma entidade precavida que tem por objetivo (bem louvável por sinal) evitar que seu corpo entre em colapso.

Então ele aperta o botão de pânico normalmente bem antes de qualquer ameaça real. Com o tempo, ele vai vendo que o corpo aguenta esse esforço e vai liberando mais, deixando você fazer mais força antes dele ordenar às suas pernas que diminuam o ritmo. Ou seja, ou vc se convence de que dá, acredita e continua a fazer força mesmo quando uma voz diz que não dá ou descobre outros jeitos de burlar essa trava automática que existe dentro de vc. E ampliar essa zona significa ter uma relação diferente com a dor e o desconforto. Porque eles vão continuar existindo, não se iluda. Só não vão ter tanto efeito sobre você.

Mas antes que me chamem de sem noção, vamos ressaltar algo que deveria ser óbvio: não faça isso sem antes passar por um check up e um teste ergoespirométrico e ter certeza de que seu corpo aguenta mesmo o tranco. Porque vencer limites é bem diferente de ser irresponsável.

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#runningdivas nas pistas


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 20/07/10 às 17:30 na(s) categoria(s) dicas
Você já ouviu falar das #runningdivas? É assim mesmo, com esse jogo da velha na frente e as duas palavras escritas grudadinhas.

Quem usa o Twitter e está acostumado ao uso das hashtags - nome pomposo para temas e termos-chaves que passam a ser "acompanháveis" via Twitter. Funciona assim: digamos que você está treinando para a Maratona da Grande Montanha (acabei de inventar essa, nem adianta buscar no Google), naquele momento em que está mergulhado respirando tudo o que tem a ver com o tema. Aí você posta algo no Twitter e coloca a hashtag #maratonadagrandemontanha. Se todos que estiverem interessados e trocando informações sobre isso usarem a mesma hashtag, qualquer pessoa pode acessar tudo o que já foi dito (ou twittado) sobre o assunto, só buscando por #maratonadagrandemontanha. É prático, vai!


 

E o que são as divas corredoras do título do post? Ahá,eu só fiquei sabendo há uns meses atrás, graças à Renata Tucunduva, 4 anos de corrida e conectadíssima que só ela, para mim a runningdiva-mór, responsável pela minha entrada nessa nobre ala. Mas antes tenho que voltar um pouco mais no tempo (entra efeito flash back, onde tudo perde a nitidez e o mundo fica preto e branco). Essa história teve início quando conheci o @TwitersRun  , que é uma comunidade de corredores que se comunicam via Twitter - os leitores do Harry, twitteiro, blogueiro e Pessoa Online da Corrida, acompanham essa história há tempos. 

Tudo começou quando o Guto se inscreveu para correr uma prova. Só que ele não tinha assessoria e na hora de colocar o nome da equipe, não teve dúvidas: sapecou um Twitersrun (assim mesmo, com 1 T só), que virou um perfil de Twitter, que virou um grupo. A partir daí a comunidade foi crescendo e hoje está também no Facebook, tem site próprio, promove encontros e criou um evento que eu achei divertido: o TwittersRunDay. É assim: durante um final de semana, todo mundo posta no site quantos km correu. Vale prova, maratona, treino leve, trotinho, longão, o que for. No final, soma-se a quilometragem geral do povo. Marca do último TwittersRunDay: 3.456,6 km corridos por 309 corredores. Tá, não tem uma SUPER utilidade prática, mas é bacana acompanhar esses companheiros virtuais de corrida - e lembrem-se de que todo esse povo está lá no Twitter comentando todos esses treinos, então não vira só uma soma de km, acaba sendo um evento. Como a gente adora um eventinho, né não? Mesmo se for virtual.

E as divas, onde entram? Bem, no meio desses corredores online, óbvio, tem várias mulheres. E vocês já viram mulheres reunidas que não aparecem com idéias brilhantes? Não, né? Como sempre acontece nas redes sociais, alguém com boas idéias - neste caso a Yara Achoa, jornalista da Contra Relógio - surgiu com o nome runningdivas. Que óbvio, já tem outfit próprio (eu falei que mulheres reunidas têm idéias) com logo e tudo.




Eu to com a minha camiseta aqui e tenho que falar que adorei a idéia e a iniciativa. Que aliás, aconteceu muito graças ao esforços da Renata, que resumiu assim a Saga da Camiseta fazendo tudo parecer super simples e rápido: "A idéia da camiseta surgiu das mulheres do TwitersRun e eu abracei a idéia de mandar fazer, cobrar, pagar, entregar..."

Resumo da ópera: foi mulher, corredora e faz parte do @twitersrun já é, automaticamente, das #runningdivas. Quer a sua camiseta? Junte as mãos em prece na frente do peito e vá subindo, até que se abram em um grande movimento circular por cima da cabeça enquanto repete em voz tranquila: "eu sooooou uma floooor de lóóóóótus" - tudo isso para manter a clama e a paz de espírito enquanto espera a próxima edição das estampas sair.

É pessoas, a internê tá muito além do email-msn-orkut. Como dizia um professor meu de Comunicação "é a modernidade mundo".
 

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Bertioga-Maresias na lista


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 12/05/10 às 12:19 na(s) categoria(s) dicas
Está chegando aquela época do ano. Aquela qual? A de correr o revezamento Bertioga-Maresias, claro! Não que eu consiga manter essa assiduidade toda anualmente, mas essa é uma prova que eu sempre tento fazer. Ela tem tudo o que eu gosto: super alto astral, visual bacana, trechos com terrenos diferentes (areia, água, asfalto em planos, subidas e descidas) e possibilidade de se divertir com as amigas da sua equipe. Porque o planejamento e apoio já são metade da diversão nessa prova, a não ser que a pessoa seja do time que não entende o conceito de prova em grupo e acha que basta correr seu trecho e boa, de lá pode ir embora tomar banho e fazer churrasco. Não pode!

A graça dessa prova é que, além de fazer força na sua corrida, vc ainda pode torcer, apoiar, incentivar e ajudar sua equipe. Quando todo mundo corre junto e sofre junto, o gostinho de terminar é beeeem maior. Aliás, se vc nunca fez uma prova de revezamento, considere seriamente a possibilidade. É uma experiência bacana e bem diferente de correr sozinho e, se a sua equipe tiver o mesmo pace, senso de humor e objetivos que vc, vai te conquistar.
 

Claro que se vc é uma pessoa estilo Corredor Solitário fica mais difícil montar a equipe mais divertida ever, mas mesmo assim dá. Junta o pessoal do trabalho ou então começa a falar com amigos corredores, postar no forums de corrida e redes sociais da vida dizendo que procura equipe.

Só não despreze o peso das afinidades numa equipe de revezamento. Endorfinas e adrenalinas costumam gerar faíscas. Sabe aqueles dois que claramente o santo não bate mas que nunca chegaram a um confronto escancarado? Pois é bem provável que durante a prova esse confronto aconteça.

Se vc só quer terminar, não vai inventar de correr com quem está querendo fazer tempo ou quer buscar pódio - e vice versa. Também não vale se inscrever e depois não treinar direito, afinal nesse tipo de prova o seu desempenho afeta a equipe toda! Ao mesmo tempo, naquela hora que vc está morrendo e acha que vai quebrar ali mesmo, saber que tem alguém da equipe te esperando ou ver que o carro de apoio está ali do lado,
gritando e te empurrando pra frente e com uma garrafinha de isotônico-reuperador-de-vidas, te dá forças que vc nem sabia que tinha.

Gostou da idéia? Pois ainda dá para juntar um povo e correr Bertioga-Maresias, dá uma olhada AQUI.
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Correndo com cães


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 30/04/10 às 12:37 na(s) categoria(s) dicas
Pessoas queridas, eu já contei para vocês que eu tenho uma cã sorridente que parece o lobo negro das estepes né? Contei sim. Inclusive expliquei que é cã mesmo e não cachorra ou cadela. E que ela foi um dos motivos pelos quais comecei a correr. Porque eu queria fazer algo aeróbico mas não me conformava em fazer mais uma atividade fora de casa enquanto minha querida pastora (pastor fêmea é horrível, sorry) ficava com cara de tédio em casa.

Aí foi super bacana, porque começamos juntas o esquema de anda-dá-uma-corridinha, anda-dá-uma-corridinha. Isso por conta própria, só pesquisando na internê + lendo revistas. Só que rapidinho vi que treinar sozinha, estilo vire-uma-corredora-em-10-lições-sem-mestre não ia muito longe. Mesmo com as centenas de planilhas sugeridas em revistas e sites para qualquer tipo de coisa que vc cogite fazer, eu sentia falta de um feedback de alguém experiente. Porque vocês não tem noção de quantas dúvidas eu consigo arranjar sobre qualquer assunto. Tipo muitas. E aí, mesmo com o santo Google à disposição, não resolvia. Daí arrumei uma assessoria que deixava eu treinar com a Mindoca (apelido carinhoso da Mindy). A Cris, naquela época, tinha o saudoso Fortunato, um whippet que sempre vinha ao treino e que desprezava a Mindy olimpicamente. TIpo fingia que ela nem existia.

Quando comecei a correr de verdade, a Mindy aprendeu junto. Fazia treinos longos entre 10K e 15K na boa, sem ficar acabada depois. O problema foi quando comecei a dar uns tiros mais fortes. Porque a vet da Mindy disse que não tinha problema nenhum em correr, desde que começasse aos poucos, que eu SEMPRE respeitasse o ritmo dela e ficasse muito, mas MUITO atenta a desidratação, mas que pastores alemães são cães mais de endurance - ou seja, eles aguentam bem o tranco das distâncias e curtem correr, mas eles não foram feitos para velocidade, explosão. Assim tipo eu. Por isso que eu e a Mindoca somos uma boa dupla.

Então, nada de treinos de tiros com ela. Para complicar, no verão não dá para treinar de dia se estiver sol - experimenta você vestir um casado de pele preto e sair correndo no sol para ver como é gostoso. Como ela acabou passando os últimos anos quase sem correr por uma série de razões, chegou a hora da volta às pistas. Então estou recomeçando o treinamento de corrida com ela, aos poucos, mas memória muscular é uma coisa incrível e ela já está com a corda toda! É só me ver vestindo o tênis que já começa a respirar no saquinho (quem conhece a raça sabe que ansiedade faz parte do pacote, assim como a obsessão). Aí pensei em dividir com vocês o que já aprendi sobre correr com cães - lembrando só que eu não sou veterinária, então na dúvida consulte uma.

1) Seu cão tem condições de virar corredor? Porque as raças que têm narizes mais achatados tipo bulldog não podem, pois a respiração deles é mais difícil e pode dar um tilt se eles forçarem demais, então não insista!  Cães muito pequenos também não são uma boa para isso, porque pensa bem: cada passada sua deve dar umas 10 dele! Não é justo, é igual eu querer treinar lado a lado com o Haile Gebrselassie, em cerca de 5 min alguém já estaria me levando embora de maca. Os cães de chassis mais pesado (que aliás eu adoro), tipo pitbulls e rottweilers, precisa ficar atento e ver se eles estão curtindo a prática. Como são pesados, é mais duro para eles carregar esse peso, então eles costumam curtir umas trotadinhas curtas, sem forçar na velocidade nem na distância. Checa com o vet antes se não vai sobrecarregar o ser. Raças que costumam curtir corridas: whippets e galgos em geral (esses sim, podem fazer treino de tiro com vc, ou melhor, na sua frente), pastores (e seus vários tipos), labradores, dobermanns, srds (os simpáticos viras), weirmaraners, setters, pointers e poodles de maior porte.

2) Idade. Minha vet só liberou a Mindy para correr porque ela já não era mais filhote. Ela não liberaria um cão com menos de 8 meses, então se o seu for novinho, use a mesma lógica de filhotes humanos: enquanto não for adulto manere nas distâncias e na velocidade - e acima de tudo certifique-se de que o quadrúpede está se
divertindo. Raças gigantes eu sei que são um capítulo a parte, porque como crescem muito rápido tem que esperar mais para não sobrecarregar o cão com o peso até ele estar preparado. Já cães velhinhos, use o bom senso: se ele já corria antes, continue respeitando os novos limites. Se nunca correu, provavelmente não é o caso de começar agora.

3) Como faz para começar? Igual seres humanos começam. Primeiro andando, depois andando mais e mais rápido, depois alternando entre caminhada e trotinho até se sentir confortável para correr. Nada de pegar um cão que nunca correu e sair numa "soltadinha" de 3K. Vai ser demais para ele e pode ser bem desagradável, com direito a dor de barriga no meio do percurso, dores musculares depois e o pior, ele pode pegar um bode tremendo de correr. Outra coisa: se o cão não curte, desencane. Com certeza ele sabe melhor do que você o que é legal para ele mesmo. Correr com cães é o MÁXIMO só se eles estiverem adorando, senão vc está simplesmente torturando o bicho.

4) Tem que treinar algo específico? Repitam comigo: teeeeeeeeeem. Super tem. Tem que treinar o peludo a correr do seu lado sem atravessar seu caminho (o que pode levar a tombos feios), sem parar subitamente para cheirar aquele tufo de grama super interessante, sem decidir correr atrás do gato (vcs têm noção de QUANTOS gatos tem no Ibirapuera?), sem mudar de direção para tretar com outro cachorro e sem puxar a guia. Porque gente, precisa correr com o cão na guia. Não me venham com "ah, mas ele é tão mansinho" ou "nunca mordeu ninguém" ou ainda "sempre andou solto, não faz mal a uma mosca". A Mindy também é um cão educado, que obedece a comandos e é uma fofa sorridente, nunca atacou ninguém. Mas gente, cão é cão, não são criancinhas peludas. TODO cão pode morder, não importa o tamanho, raça ou se é um cuti-cuti em casa. E ninguém é obrigado a gostar de cães, especialmente do SEU cão. Ah, também desista daquelas guias gigantes, onde dá para o cão ir na esquina e voltar. Treine seu cão a correr do seu lado, no mesmo ritmo, sem paradas. Para a Mindoca eu ensinei o comando "Correr", que ela aprendeu que é diferente de passear. "Correr" significa que não pode parar para cheirar, nem interagir com outros seres e tem que ficar no mesmo ritmo que eu. Demorou uns 3 meses para ela aprender certinho, mas hj é uma maravilha. Agora claro, se vc tem um local onde dá para correr com o cão solto sem incomodar outras pessoas é sempre mais gostoso --e incomodar não é só quando o cão ataca alguém, correr em direção a pessoa, cheirá-la, tudo isso pode ser incômodo para alguém não ama cães como eu e você. Respeite.

5) Pit stops. Cão correndo significa que vc vai precisar fazer umas paradinhas. Ir ao banheiro é só uma delas (aliás, especialmente quando começar a correr com o cão leve o dobro de saquinhos e não seja no notion: não dê comida até 2h antes). Cães precisam beber água. Sério. Você talvez ache que pode aguentar um longão sem uma gota de líquido, mas o cão não pode. E não deve. Eu já cansei de arrumar confusão porque vejo na USP e no Ibira gente correndo com o cão resfolegando, babando, já meio espumando e nada de parar e dar água. Não é frescura gente, pensa que o cachorro só consegue transpirar pela língua, ou seja, essa é a única forma deles se refrescarem. E correndo o calor aumenta, se estiver sol ou se ele se superaquecer, só aquela respiração não dá conta. Dali para a desidratação é um passo - e desidratação pode matar o cão muito rápido. Então seguinte: começou a ofegar, babar ou espumar, para DJÁ. Eu costumo levar uma caramanhola, qualquer cão aprende rapidinho a tomar água dela e dá para reabastecer em qualquer lugar.

6) Horários. Isso devia ser óbvio, mas olhando nas ruas parece que não é. Gente, meio-dia com sol a pino NÂO È um bom horário para correr com seu cão, princialmente na cidade. O chão fica quente e o cão não usa tênis né? Por mais que tenha aquela almofadinha nas patas, ela não é de aço inoxidável. Aliás, correr e passear no sol forte não é bom nunca. Se o seu cão tem pelo escuro, como o meu, prefira as noites. Ou as manhãs bem manhãs. Quanto aos locais, se vc como eu gosta de cachorros tamanho G, não saia na Hora do Cachorro Pequeno, porque sempre vai ter um dono histérico agarrando um cão toy no colo só de ver vc chegar. Prefira a Hora do Cachorro Grande, que a noite acontece normalmente depois das 21h30. Claro que nem todos os donos de cães PP são assim e que tem muitos donos de cães GG sem noção da vida (e que estes sim, deveriam ser impedidos de se reproduzir). Mas para evitar o stress, ande com o cão na coleira, evite locais cheios de outros cães e seja feliz.

No fim das contas, dá para ver que se bom senso predominasse nessa vida, correr com cães ia ser muito mais fácil e divertido. Mas não é assim na vida real e eu vivo tendo vergonha alheia pelas coisas que vejo nos parques e ruas de Sampa. Donos que parecem aqueles treinadores nazistas da ginástica olímpica, que só deixam o cão parar se ele basicamente cair de exaustão. Gente que olha para o lado e assobia fingindo que não vê o cão fazendo aquele nº2 no meio da pista e nem pensa em recolher.

Pior que quem teve uma experiência ruim, passa a olhar feio todo mundo que corre com cães, viramos todos culpados antes que provem o contrário.Mas quem sabe a gente consegue reverter esse quadro né? Porque vale a pena. Afinal, eu sou uma fiel seguidora da máxima "cachorro cansado é cachorro feliz".
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Cruce parte final - Yes we can!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 17/02/10 às 20:19 na(s) categoria(s) dicas
Pronto pessoas, juro que essa é a parte final desse relato, senão vcs vão ter que me abater a tiros. Aliás, vcs devem ter notado que o post anterior quase não tem fotos - isso porque no meio da desgraceira, na chuva, com seu cérebro parcialmente congelado, ninguém se arrisca a soltar um "que tal uma fotinho?", que era capaz de juntar uma matilha de corredores mal humorados e repolhar o autor da idéia (repolhar: aquilo que faziam com seu caderno de escola e que o deixava com cara de repolho, totalmente imprestável).

Mas ah, o 3º dia foi outra categoria de dia. Primeiro que de manhã parou de chover (exatamente como a previsão dos sites de esqui tinha dito, gente, acreditem na internet). Mesmo tendo que vestir uma outra peça de roupa úmida, a perspectiva de um solzinho já é outro papo. E olha que nós, refugiados do campo 1, mais conhecido como Acampamento do Vale da M*** (leiam post anterior para entender), tivemos que percorrer 5K para poder largar, já que a largada foi super estrategicamente posicionada no Refugiados 2. Ou seja, ao invés dos 37K prometidos para o dia, foram 42K, uma maratona na Patagônia, tudo o que vc queria depois de dois dias se acabando nas trilhas.

Ao chegar no acampamento amigo, de novo aquele enrolation para poder largar (desaquece tudo de novo, põe fleece, luva, gorro, a rotina das filas). A essa altura ninguém mais respeitava nada, a organização estava com moral zero e as pessoas só queria largar logo e pronto. Para não quebrar a rotinha, 2K da largada ela, a sua, a nossa... fila! Mas foi a única do dia e demorou só 40min, pois era uma ponte moderna onde podiam passar até 10 pessoas por vez, uma verdadeira multidão.

A partir dali, foi só alegria. Uns 22K de plano - e dessa vez era plano mesmo, e não aquilo que costumam chamar de plano da Patagônia. Só que, ao contrário de um trecho planão de cidade, não era nada monótono: era lindo e mudava completamente a cada 30 minutos. Primeiro vc corria por uma planície aberta, enorme, que se perdia no horizonte e tinhas tons terracota. Aí vc fazia uma curva e ia parar numa trilha pantanosa e cheia de arbustos, com vista para umas corredeiras verde esmeralda. Aí vc chegava num riozinho de águas transparentes e muitas pedras verdes (gente, tem MUITA pedra verde ali). Que vc tinha que atravessar, lógico. Dica: diga bem alto "ah, que bom, aproveito para fazer gelo nas pernas!" e vai com fé.

Aí vc passa por dentro de trilhas da Floresta Encantada, esperando encontrar animais míticos, elfos, orcs, hobbits e quiçá um pote de ouro sem duendes. Quando chega a subida vc já está tão em êxtase que conseguiu correr sem parar até ali que nem liga e sobe feliz e saltitante (tá, talvez só feliz).

Um hora vc chega numa ponte que é o próprio portal para a Terra Média de Tolkien. Sei lá, o 3º dia para mim foi tão bacana que eu estava a própria Pollyana Moça da corrida de aventura, achando que tudo tinha um lado bom e belo. Correndo e comendo pelas trilhas, com o sol marcando presença a ponto de colocar boné.

Aliás, uma parada para falar da alimentação no Cruce: se planeje bem que ela não vai te deixar na mão. Depois de várias experiências (comer de 1h em 1h, comer de 45min em 45min) no 3º dia nosso ponto de equilíbrio foi comer uma merrequinha de 30min em 30min. A dica é: OUÇA SEU CORPO, que ele sabe o que vc precisa a cada momento. Se vc prestar atenção, vai ver que uma hora ele pede salgado, outra hora doce, que as vezes só um gel passa e outras ele quer algo mais substancioso. Outra coisa que a Cris e a Vivi insistiram muito (para nossa sorte): não pare para comer, coma caminhando - pode ser devagar, mas não pare, que parar abre uma diferença de tempo GIGANTESCA da qual vc vai se arrepender depois.

Mais uma dica - super obrigada Zé - é, na hora que seria mais ou menos hora do almoço, coma algo com mais "sustância". No meu caso, uma bisnaguinha recheada de peanut butter. É, eu amo peanut butter, a de verdade, não aquela coisa cristalizada que vendem na maioria dos supermercados nacionais. Mas se vc não for alien como eu, pode comer a bisnaguinha com polenguinho (só lembre que o recheio vem na caixa e tem que ser algo que não estrague fora da geladeira, aliás nada do que vc trouxer).

Algumas coisas que levamos para comer:
  • castanhas salgadinhas
  • damascos secos
  • bananinha (que qualquer loja de bairro de doces vende)
  • gel (no nosso caso GU chocolate, devidamente dentro da garrafinha que não pode levar sachê na prova)
  • sanduiche c/ pão de fácil digestão (no nosso caso, achamos a bisnaguinha recheada perfeita)
  • barra de proteína (corte em uns 4 pedaços e vá comendo aos poucos senão não desce)
  • isotônico (no Cruce tinha Gatorade a vontade na largada e chegada, então dava para encher as garrafinhas)
  • sal
Ah, e deixe tudo isso nos bolsos laterais da mochila e nos bolsos, nada que vc tenha que parar ou abrir a mochila para pegar. E pessoas, não subestimem a alimentação, tem que comer mesmo se não sentir fome, que a prova acaba para muita gente por não comer e beber água direito.

Mas voltando ao dia 3: e então uma hora começou a ficar com cara de que estava chegando. Vc começa a ver pessoas caminhando com suas famílias. Pessoas com o abadá da prova batendo um pratão paradas no acostamento. Aí vc tem certeza de que chegou. Ainda bem que uma gentil alma feminina nos previniu: "está quase chegando, mas tem uma subida IMPORTANTE e aí chegou", ela disse. Quando uma corredora diz que a subida é importante, se prepara mermão. Que aí vem casca.

Dito e feito. Faltando tipo 2K para a chegada, tem um paredão que vcs não têm NOÇÂO. Daquele tipo que se vc ficar reto cai pra trás, sacumé? Imagina depois de tudo aquilo ainda ter que passar aquela coisa vertical. Tive muita dó de quem estava meio machucado e tinha se segurado até ali. Porque depois de subir o paredão tinha, óbvio, que descer o mesmo paredão do outro lado. Precisava MESMO gente?? Jura?

Mas OK, depois disso realmente era a chegada. E nessa hora as endorfinas bombam, vc chega num estado de euforia de dar inveja em personagem de desenho animado. Vc perdoa tudo, esquece o perrengue do dia 2, a chuva, o cansaço, o mundo é belo e vc conseguiu TERMINAR O CRUCE! É uma sensação sem igual e nessa hora ter uma dupla é tudo, porque é um momento uuhuuuuuuu que vc TEM que dividir com alguém. E eu dividi, com a minha dupla nota 1000, que resumiu nossa conquista de forma brilhante em uma frase Obama style que eu pego emprestado para batizar esse post: CRUCE: YES WE CAN!

Eu adoraria terminar o relato aqui. Porque seria o ponto final lindo. Só que não foi bem assim. Porque passada a chegada, tiradas as fotos, dados os gritos de vitória, tinha a parte da emigração. E começou a chover. Resultado: vc tinha que ficar na chuva enquanto o povo examinava, assinava e carimbava LEN-TA-MEN-TE seu passaporte. Eles não pareciam se importar de ficar na chuva, nem de deixar a tinta escorrer pelos documentos, mas eles não tinham fechado 100K (porque os 90K originais com os adendos viraram 100K) em 3 dias.

Mas OK, passou essa etapa. Aí vc tinha que andar (numa subida) até o local onde iam te levar de volta para o hotel quentinho para vc tomar um banho quente e gostoso e comemorar com seus amigos. Seria a chave de ouro do evento. Mas isso se as vans tivessem vindo nos buscar. Porque sabe quanto tempo tivemos que esperar NA CHUVA, ACABADOS, CANSADOS, NO FRIO? Duas horas. MAIS DE DUAS HORAS! Gente, é muito! Porque nessa hora sua resistência acabou. Mesmo trocando de roupa seu tênis tá encharcado, continua a chover, não tem onde se abrigar e a droga da van não vem - e vc sabe que a volta é um percurso de MAIS de 2h.

Isso foi a falha que considero realmente imperdoável da organização. Porque eles SABIAM quantas pessoas estavam inscritas, logo sabiam quantas vans iam precisar. E olha que teve um monte de desistências einh? Essa logística não tem desculpas. Porque sabe tudo aquilo que eu falei da alegria de terminar, da euforia onde vc começa a planejar voltar ano que vem, do momento em que vc perdoa tudo? Pois é, ele só vale até aquele momento em que vc termina. Pisar no tomate depois disso é estragar a experiência do cliente, e logo num momento em que ele estava disposto a esquecer erros passados e começar a se programar para a próxima.

Passamos tanto frio que foi ali que usamos nossos cobertores térmicos de sobrevivência: na espera da van. Ridículo né? O pior foi chegar ao hotel as 23h30, não ter mais restaurante aberto e vc ter que jantar batata e atum em lata no quarto do hotel. Ah sim, e seu avião sai no dia seguinte de manhã e vc tem que tirar suas coisas da caixa. Que está lá abandonada, sem nenhum controle, no mesmo campinho. Não tinha ninguém da organização lá nem as 11h da noite nem no outro dia de manhã quando pegamos nossas coisas. Se alguém quisesse arrombar sua caixa e levar tudo, beleza, não ia ter ninguém para ver ou impedir.

Uma pena isso, porque o final da parada deu uma azedada - mas não o suficiente para tirar o gostinho de vitória que eu sou uma pessoa zen, né? E com amigos de prova como os nossos - daqueles que comem palhacitos de manhã e fazem vc rir o resto do dia- nenhum perrengue é intransponível.

Pesando tudo, se vale a pena? VALE! Vale MUITO. Porque a adversidade faz parte, tem muita coisa ali que não tem como controlar, outras que foram falhas gravíssimas de organização, mas o prazer da prova é só seu, ninguém tasca!

Então pense nisso antes de desistir. A Cris falou bastante com a gente sobre o preço de desistir de uma prova e vou guardar isso pra sempre, porque é muito verdade: se vc tiver se machucado de verdade é uma coisa. Aí parar é uma questão de responsabilidade, tem que parar SIM. Agora se vc está sentindo uma dor que sabe que não é de lesão, se vc está cansado, quebrou na subida, não aguenta mais chuva, perrengue, dor muscular, cansaço, fila e erros da organização, não para não. Senão vc vai sempre ficar com aquela dúvida: e se? E se eu tivesse terminado? Será que dava? Será que não dava? Como seria? É um preço alto a pagar. E o ganho de terminar é gigantesco. Vc se sente gigante. Vc vira gigante. Porque vc conseguiu, não importa em que condições nem em quanto tempo. Yes, you can :-)

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Cruce parte III - O Vale da M....


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 16/02/10 às 16:39 na(s) categoria(s) dicas
Dia 2 do Cruce, o grande divisor de águas da prova. Porque qualquer pessoa que tivesse tido o trabalho de acompanhar online as previsões das estaçoes de esqui mais próximas (fica aqui a dica) sabia que no sábado ia chover. E muito.

Isso ficou claro já na noite de sexta, quando a água começou a castigar as barracas de madrugada. Como a nossa era alugada, no melhor estilo é-o-que-tem-para-hoje, havia o inquietante risco dela nao aguentar chuva forte. Já havia até um plano B de para quais barracas a gente ia correr se a danada alagasse. Que reconfortante, nao? Mas eu dormi tão pesado - apesar do ronco estilo Globo da Morte de Certa Pessoa que negou ser autor de tão doce melodia depois - que só fui me preocupar com isso pela manhã, ou seja, a barraca resistiu firme e forte.

A complicaçao começou com a largada, que ficou sendo muito, mas MUITO mais tarde do que eu pensava: quase 10h. Na boa, quem não é elite e não termina a prova em 3h não deveria ter que largar depois das 8h, pq chega muito tarde. E NUNCA consegue pegar o almoço pelo qual pagou, então fica a dica: pessoas não-elite, pensem bem antes de gastar seus dolarzinhos suados reservando os almoços, porque nós nao vimos nem a cor dessa refeição, poderíamos ter pago só o jantar e ter gasto o resto com chocolate e vinho que teria sido muito mais bem pago.

Largar na chuva nunca é bom. Largar na chuva, no frio e sabendo que ia pegar fila e a pior pirambeira da prova é infinitamente pior. Mas vambora que faz parte. Já no comecinho, adivinha? Acertou, fila de novo. Dessa vez pq a trilha estava um lamão e o povo passava devagar, tateando bastante antes de decidir onde passar, com medo de escorregar logo no comecinho da prova. Anota aí, mais 50min de piadas e gritaria do nosso grupo, só que debaixo de chuva. Um mimo.

Daí pra frente só foi piorando, como esperado. Mesmo fazendo um percurso alternativo - o que foi um ponto positivo nesse dia péssimo- porque o principal ia ficar inviável na chuva, foi uma subida só. Nesse dia eu conheci o trekking pool, aquele bastão moderninho de caminhada. Olha, tenho que confessar: não nos demos muito bem.

No começo, como em todo relaconamento, eram tudo flores. Ele me salvou de morrer afundada na lama movediça das encostas encharcadas, evitou que eu escorregasse e basicamente foi essencial para esses trechos lamacentos. Mas aí a lama diminuiu, a subida ficou mais íngreme e nossa relação começou a ficar desgastada. Eu juro que nao consegui me acertar com ele. Porque meu jeito de subir ladeira da morte pressupoe uma certa mecanica, com as maos se movendo no mesmo ritmo que as pernas e ajudando na subida, estilo curvada-para-frente-mao-no-músculo-da-coxa-a-cada-passada, sabe como é? Pois com o danado do trekking pool nao dá para fazer isso, seus braços tem que seguir um ritmo bem diferente das pernas e nao podem encostar nas pernas. 

Teoricamente eu deveria estar distribuindo meu peso com o 3º apoio e fazendo menos força para subir, como as pessoas afortunadas que sabiam o usar o bastão infernal. Não foi o meu caso, me senti fazendo o dobro da força que normalmente faria, me sentia desengonçada, simplesmente não conseguia subir. Tipo péssimo.

Minha sábia dupla, habilidosa e faceira com seu trekking pool que só, não estava acreditando na minha dficuldade. Quero dizer, não que ela duvidasse de mim, é que parecia bizarro demais para ser só um problema de relacionamento com um objeto inanimado. Ela me garante que era algo mais que isso, mas juro, eu não estava me sentindo mal, nem fraca, nem com dor. Eu só não conseguia subir como uma pessoa normal, estava mais para zumbi escalador, sabe aquele andar lento e desengonçado de quem já morreu e esqueceram de avisar? Era eu.

Mas uma hora eu consegui começar a ignorar aquele equipamento desconcertante e voltar a acelerar. Tá, eu basicamente comecei a parar de usá-lo, até que a lama acabou ao ponto de eu poder devolve-lo. Um dia quem sabe revemos nosso relacionamento, quando eu superar meu bode e fizer as coisas direito, ou seja, treinando com ele antes para pegar o jeito como fizeram as pessoas mais espertas.

Enquanto isso, a trilha seguia rumo ao céu. O lugar mais lindo do dia para mim, disparado, foi a Trilha do Abismo, um caminho estreito tão no alto que vc corria acima das nuvens. PÁRA TUDO E IMAGINA: vc correndo e do seu lado direito a encosta da montanha e do lado esquerdo um abismo, com as nuvens paradas ABAIXO de vc. Inesquecível.

As coisas complicaram quando começamos a nos aproximar do fim. A chuva apertou muito e mesmo um bom impermeável uma hora joga a toalha, pq vc já cozinhou por dentro e pq esse entra e sai dos rios gelados + o temporal já conseguiu te encharcar até a alma. Aí nós fizemos algo que vcs nunca devem fazer: perguntar a alguém da oranizaçao quanto fatava para a chegada. O carra disse com muita convicção: un quilometro e medio. BELEZA! Mamão no açucar, estamos chegando, nem precisa mais comer. Acreditou? Dançou playboy. Faltavam mais de 5K. O que é ridículo no Ibirapuera, mas é uma vida no final do pior dia do Cruce.

Teve uma hora que comecei a correr de puro desespero. Tremia tanto de frio que achei que ia congelar ali mesmo e um dia, no futuro distante, iam me achar presa dento do bloco de gelo, tipo vejam a anta pré-histórica que acreditou na información do cabrón.

Aí vc finalmente chega e descobre que algo mais deu errado. Mais da metade das caixas, os banheiros e coisas do camping não chegaram nem vão chegar. Com a chuva uma ponte quebrou e só alguns caminhões conseguiram passar. Então, se sua caixa está lá, vc fica ali mesmo, se não, entra num caminhão de campo de concentração, anda 500m, desce dele e anda mais 5K até o acampamento 2, passando por um rio geladésimo.

Acharam péssimo ir até o acampamento 2? Isso porque vcs não ficaram no acampamento 1 como eu. Por que esse acampamento ficava num lugar batizado de.. Vale da Merda. Aliás, antes que alguém reclame, este é um blog fino e de família, que não usa de palavras de baixo calão. O termo, neste caso, é apenas a descrição literal da verdade. Quase um termo técnico. Porque o chão desse acampamento era feito de.. bem, não tem um jeito delicado de dizer, excremento de vaca. Nao estou exagerando, nao dava para ver nem um pedacinho de grama molhada ali, era esterco puro. E os lugares que não estavam assim digamos, decorados, estavam alagados.

Daí vem a pior tarefa da noite: montar a barraca na chuva, no cocô, tremendo de frio, encharcada e a um passo da hipotermia (pelo menos era essa a sensaçao). Nosso amigo francês de alma bondosa que se dispôs a ajudar a montar a barraca deve ter ficado impressionado, no pior sentido possível. Já sentiram o cérebro congelar? É assim: alguem te fala "pega aquela estaca ali" e seu cérebro fala "estaca? o que é uma estaca?" e durante esse processo vc fica imobilizada, tremendo, com cara de ã, tipo protetor de tela com janelas Windows voando. As pessoas falam com vc e na sua expressão as janelas continuam voando. Aí quando vc consegue processar a informação e pega a tal estaca, não consegue colocá-la onde devia, pq seus dedos estão duros de frio e vc treme tanto que erra o alvo diversas vezes. Uma delícia, especialmente se vc lembrar que vc PAGOU para ter essa experiância. Palmas para vc. Gênio.

Aí vc entra catatônica na barraca, se troca e o cérebro começa a descongelar, junto com as roupas quentinhas. Nao fica ótimo, pq afinal nao pára de chover, vc está literalmente na merda, seu abadá está encharcado, assim como a mochila, impermeável, luvas e manguito. E vc vai ter que usá-los no dia seguinte. Oba!

Somando isso ao fato de que no Campo de Refugiados 1 (o nosso) não teve banheiro, a comida chegou as 20h, tudo na barraca estava úmido e nao tinha ninguém da organizaçao p/ vc se informar, nao foi assim um final de dia gostoso. E consta que o povo do Refugiados 2 foi quem se rebelou, dizem que houve gritaria, palavras de baixo calão, pitís e muitas muitas desistências, já que a organizaçao estava toda lá. E olha que no camping deles tinha até banheiro, alem do chão ser de grama com apenas eventuais presentinhos das vacas aqui e ali. Tem gente que era feliz e não sabia.

Eu entendo o povo que desistiu. Dava vontade mesmo. Quem tinha ido no clima um-passeio-mais-longo-entre-lindas-paisagens viu a casa cair. Mas por outro lado, na montanha CHOVE, gente. Pontes caem. O que pegou foi a falta de informação nos campings e um preparo mehorzinho para a chuva, já que sabendo que ia cair o mundo podiam ter pensado pelo menos numas loninhas de cobertura e numa logística de largada melhor.

Mas afinal, depois de dormir no Vale da M**** vc acha que a gente ia desistir? ÓBVIO QUE NÃO, NÉ? Porque a lógica diz que piorar não podia, entao o dia 3 só podia ser ótimo. E foi!


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Cruce parte I - chegar é 1 aventura


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 10/02/10 às 13:31 na(s) categoria(s) dicas
Pessoas, estoy de vuelta del Cruce! Pelo título, vcs já notaram que essa prova vai render váááários posts, então quem já está com sono desde já melhor ir assistir maratona Agente 86 ou algo assim. Para resumir e acabar com o suspense principal, sim, a prova é O Máximo. E sim, é casca. Vc passa uns perrengues que jura que nunca-mais-na-minha-vida-entro-numa-roubada-dessas e depois que acaba já começa a planejar a próxima e acha tudo lindo, até o congelamento cerebral que vc sofreu depois de passar horas na chuva gelada.

Mas estou me adiantando. Como toda boa história, essa começa com uma jornada. Nada complexo, teoricamente só pegar avião para Buenos Aires, dali para Bariloche e dali o transfer para Cerro Catedral. Longo mas simples né? Seria se as bagagens viajassem junto com vc.

Porque a nossa aventura começou mesmo no aeroporto de Bariloche, depois de 2 voos tão lotados de equipes brasileiras conhecidas que super parecia aquela excursão de busão da 6ª série. Com direito a pessoas gritando, zilhões de piadinhas infames, gente atirando bolinha de papel em quem dormia, pessoas dando olhares de reprovação e um clima de alegria geral. Que lindo.

Em Buenos aquele verão ameno, uns 24°C. Todo mundo de bracitos de fora, alguns shorts, muita descontração. Aí chegamos em Bariloche e o piloto avisou: temperatura local 8°C. E baixando. Nossa dupla, previnida e control freak que só, já estava de botas do Gato de Botas e uma jaqueta bem quente na bagagem de mão. Ótimo, pensamos em tudo. Em tudo menos na possibilidade das suas malas não chegarem.

Na esteira do aeropuerto de Bariloche, uma coisa estranha. Um mocinho não parava de tirar malas da esteira e acumular numa pilha cada vez maior no canto. De quem seriam? E por que as nossas não chegavam? Meia hora mais tarde, depois que apenas uns 30% das pessoas do voo tinham conseguido resgatar metade de suas malas, um aviso singelo: gente, as malas de vcs não vieram nesse voo! Era muito peso e como já estávamos trazendo as bagagens do voo de ontem, que também não chegaram junto com seus donos, não deu para trazer as de vcs, foi mal. Amanhã a gente manda pro hotel, beijo tchau.

Simples assim, não adianta chorar, reclamar, gritar, dar pití. Hoje não tem mais voo Buenos-Bariloche e só amanhã as 10h chega um novo. Para mostrar o quanto vcs são importantes, nós mandamos entregar no hotel e that´s it.

Aí teve aquela cena do povo de blusa de alcinha tiritando de frio e gente que tinha trazido a bike sentindo aquele frio no estômago porque a bike superequipada estava perdida em algum lugar entre Buenos e Bariloche. Aliás, tenha MEDO, muito medo desse aeroporto. Coisas ruins acontecem ali. Suas malas somem e quando aparecem parece que uns 150 anões de Minas Morgul tentaram escavar diamantes com picaretas da sua bagagem - e conseguiram, porque vem faltando umas partes.

Mas como eu sou uma pessoa zen, fui para o hotel curtir o friozito, que aliás estava ótimo. O hotel era bacanito, com cara de casinha do Papai Noel e um visual estonteante da janela. No dia seguinte, hora de pegar o kit Cruce.

Nesse quesito, nota 10 para a organização: vc andava por um shoppingzinho passando por vários estandes e recolhendo coisas na sacola, tipo um videogame. E olha só quanta coisa: fleece, chip, pratos, talheres, copo, canecas térmicas, garrafinha, barrinha, chá mate, chocolates, toalha, bandana e, claro, o abadá. Abadá é como batizamos a camiseta da prova, pq afinal de contas como chama a vestimenta obrigatória para participar de um evento coletivo? Abadá gente, lógico. Que era até personalizado com seu nombre e bandeira do seu país, um luxo. Só mais tarde é que a gente lamentou que fosse só 1 abadá. Porque pensa, é para usar o mesmo nos 3 dias né? Cheirosinho que só.

Um toque muito bacana foi ter a bandeirinha para poder colocar na sua mochila. As nossas fizeram o maior sucesso, super detalhe legal. Depois disso o jeito foi passear em Bariloche, já que as malas não tinham dado o ar da graça. Super chato, uma cidade fofa, com várias ruas infestadas de lojas compráveis, lugarzinhos simpáticos para comer e beber e muito chocolate. Um inferno. Nem tem do que ficar reclamando.

Aí na volta, começa a corrida: pegar as malas voando, separar tuuuuudo para o seu container, levar as coisas até ele (que ficava lááááá embaixo, num campo), fazer tudo caber, fechar, entregar e pronto. Graças aos deuses que ainda existem cavalheiros nesse mundo, senão nossa dupla de mocinhas finas de família teria penado com aquele monte de coisas desengonçadas sendo levadas rampas e escadas abaixo até o tal local das caixas.

No dia seguinte, o momento mais esperado de todos, após um traslado de 1h: a largada. Aliás, um toque: largue cedo. Não tão cedo que vc atrapalhe a elite, mas não tão tarde que vc pegue a massa de caminhantes e pene horas para ultrapassá-la em trilha estreitas.

Descobertas iniciais, anote no seu check list:
  • arrume um manguito, que foi o equipamento categoria revelação da prova; em um clima esquizofrênico como o da Patagônia, que uma hora congela e outra faz sol, não dá para ficar parando vestindo e tirando roupa
  • bandana é tudo de bom, leve a sua (ou use a da prova), evita o suor, protege suas orelhas do vento gelado, segura a onda do cabelo e tem mais umas 1001 utilidades, igual aquele produto
  • tênis p/ trilha é essencial. Parece redundância dizer isso, mas não é. Não ache que o seu tênis de treino no parque serve. Não serve. O grip é tudo nessa vida quando vc precisa subir uma montanha lamacenta. Ah, e leve o 2º par para a prova também. E, precisa sim. (se vc for elite isso não vale para vc, que provavelmente consegue correr perfeitamente até de papete e deve estar achando esse post um tédio)
  • calça ou bermuda com bolso. Sim pessoas, faz diferença o tal bolso, não é frescurite. Pq tudo o que vc não quer é ter que mexer na mochila, então todas as comidas e acessórios que vc for usar durante a prova têm que estar a mão, nos bolsos que ficam no fecho da frente da sua mochila (tipo na sua barriga) e nos bolsos da calça.
  • Óculos. Essa não é unanimidade, mas se vc é como eu e adora um óculos escuro, leve aquele de lente rosa ou vermelha, não vai se arrepender
  • Meia de compressão. Se vc tem, leve, aqui ela faz uma diferença. Se não tem, não vai morrer por isso, não se estresse.
  • Impermeável. Não vá para a Patagônia sem ele. Certifique-se de que ele é impermeável MESMO e não vai te deixar na mão se vc tiver que correr na chuva forte por horas, porque provavelmente vc vai ter que.
  • Luvas. essa também é só para quem tem frio nas mãos como eu. Foi minha salvação e ficava no bolso da calça. Congelou, veste um pouco. Esquentou, taca no bolso.
  • Hipoglós: não saia sem deixar seu pé realmente besuntado nele. Nada de passar de levinho e deixar absorver, é para deixar melequento e nojento e tacar a meia por cima. Vale a pena gente, terminamos o Cruce sem uma bolhazinha sequer, o pé cansado mas inteirão.
  • Meias: tecnológicas, tipo dry fit ou similar, nada de meia de algodão.
  • Camiseta dry fit: leve para por debaixo do abadá, senão vc não aguenta o futum de correr 3 dias com ele e nem sempre dá para lavar e secar (no nosso caso isso nem foi cogitado pelo timing das coisas).
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Doe seu presente do ano passado


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 28/01/10 às 19:08 na(s) categoria(s) dicas
Você já ouviu falar que corrida é um esporte super econômico que não precisa de equipamento nenhum, basta um tênis e sair correndo, né? Então você também sabe que isso é uma cascata deslavada. Porque sair correndo de All Star não é exatamente uma boa idéia, apesar de que, dependendo do modelo, pode até ficar fashion.
Então começa a somar na maquininha: tênis de corrida. E isso não vai te custar R$50. Vamos dizer que você conseguiu uma super promo e comprou um modelo-ano-passado por R$200. Aí você vai querer ter um mínimo de controle do seu treino, ou seja, precisa de um relógio com cronômetro - ou, se você estiver podendo, um desses Amigos Eletrônicos que marcam seu pace, calorias queimada, passadas, velocidade, distância, frequência cardíaca, têm GPS, deixam subir seus treinos para o site, syncam com ipod e ainda elogiam sua performance incrível. Mesmo se você comprar um relógio genérico, ou "Mickey", como minha amiga Ceci diz, vai sair, sei lá, uns R$50. Se for um relógio bacanudo, pode colocar uns R$ 1.500 fácil.

Aí ainda tem que ter meia, boné, óculos escuros, protetor solar, camiseta, shorts, top se vc for mulher.. Enfim, na soma final não sai tão grátis assim.

Com essa continha em mente, olhe para seu armário. Aposto que tem tênis de corrida que você não usa mais. Aliás, aposto que tem VÁRIAS coisas que você não usa mais. Sabe aquele tocador de MP3 que vc aposentou? O celular velho (ups, VINTAGE) que está desmaiado na gaveta? O computador que foi trocado por uma engenhoca mais rápida? Pois é.

Então vamos combinar: ganhou ou comprou algo novo? Doe seu presente do ano passado. Ou retrasado. Ou da semana passada mesmo. Que tal entrar numa corrente do bem e reciclar, passando para outras pessoas? Por exemplo, este post é reciclado , seguindo uma iniciativa bacana da rede Ecoblogs. Vamos somar esforços? Vaaa-mooooossss (isso vocês respondem em estilo jogral, pessoas bacanas).

Então aí vão algumas sugestões de para onde enviar suas doações:

Seu tênis pode ir para:
Seu celular, computador, impressora, cabos, videogame e coisas tech podem ir para:
  • Comitê para Democratização da Informática CDI –  cuja missão é transformar vidas e f ortalecer comunidades de baixa renda através da capacitação nas tecnologias da informação e comunicação e de um aprendizado complementar voltado à prática da cidadania e do empreendedorismo
  • Liga Solidária - faz manutenção e triagem para que a doação seja encaminhada às unidades sociais que estiverem precisando do material doado.
  • Museu do computador - os equipamentos são revisados e reformados, para seguirem para exposição no Museu do Computador. Já software e publicações relacionadas à informática são destinados à biblioteca do museu, ficando disponíveis para consulta dos visitantes.
-- veja mais opções AQUI  ---












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