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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

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PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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Agora que passou a São Silvestre...


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 15/01/10 às 12:43 na(s) categoria(s) fail, historias de corrida, provas
... acho que dá para fazermos algumas considerações sem o calor do momento. Não, esse ano não corri, porque como vcs já sabem, estava subindo ladeiras em Atibaia. Mas quando corri, tenho que confessar que adorei (tem um pouco disso aqui nesse post).

Adorei o astral, as pessoas fantasiadas, a forma de comemorar o encerramento de um ano e o percurso. Como já falei, não foi nem a mais fácil, nem a mais difícil, nem a mais bonita das provas que já corri, mas com certeza foi a mais *divertida*. Isso APESAR do bafo quente que sai do asfalto e da quantidade de gente que te faz sentir que nem naqueles metrôs japoneses na hora do rush, onde tem funcionários que empurram as pessoas para dentro do vagão para caber mais gente.

Independente disso, assistir a São Silvestre é algo que eu faço questão de fazer. Faz parte dos rituais de reveillon. Tem gente que pula ondinha, come semente e vira o derriére para a lua --assistir à São Silvestre faz parte desse sincretismo, assim como usar roupas de cores específicas ou essa maledeta mania de soltar rojões (quem tem cães que piram com o barulho me entende, tenho certeza).

Para mim, essa corrida tem ligações afetivas, já que é também o dia do aniversário do meu pai e, quando eu era jovem e inocente e a São Silvestre era a meia-noite, assistíamos a corrida preparados com as taças na mão: acabava, rolava a contagem, o brinde e o parabéns, quase que tudo ao mesmo tempo. By the way, eu adoraria que voltasse a ser uma corrida noturna e acabasse a meia-noite. Eu sei, eu sei, tem zilhões de argumentos contra, mas eu continuo preferindo a corrida da virada.

Pois bem, esse ano achei a cobertura da corrida FAIL, uma decepção. Nas 2 emissoras. Aliás, por que sempre tem uma dupla comentarista formada por alguém que sabe do que está falando + alguém que não tem a menor idéia e faz os comentários mais estapafúrdios do planeta? Tipo "vejam o corredor nº xxx acabou de encostar no pelotão de elite!" (era um pipoca, que tinha entrado de gaiato na prova naquele trecho para aparecer um pouquinho). Ou então "e lá vai ele, tranquilo na liderança" (era um atleta que ia parar antes do final, por isso estava dando aquele gás master).
 
Considerando a quantidade de comentários infelizes, a cobertura de imagens tinha que ser ótima, né? Só que não foi. A disputa feminina vc viu? Pq eu não vi. Só vi a largada e depois de muuuuiiiiito tempo mostraram a líder e quando ela ganhou. Os comentaristas nem sabiam dizer quem estava em 2º lugar até mostrarem a pessoa. Ninguém viu como é que a Pasalia disparou, como estava a disputa no pelotão, como estavam as outras corredoras - enfim, como foi a prova em si. E olha que, na minha modesta opinião, o feminino costuma ser mais emocionante que o masculino (não, não é sexismo, é que no feminino costumam rolar mais surpresas, proporcionalmente, mas claro que as surpresas podem rolar em qq corrida) - quem lembra da última maratona olímpica?

No masculino a cobertura também deixou muito a desejar, muito tempo só acompanhando o líder e nada de mostrar aquela disputas e momentos emocionantes que rolam nos pelotões.

Além disso, tem Aquela Questão Espinhosa, que é a das quotas de atletas estrangeiros nas corridas. Acho que não tem resposta fácil para a questão. Quem é a favor de limitar a quantidade de estrangeiros diz que os atletas nacionais, que já nadam em dificuldades e dificilmente arrumam patrocínio, vão perder o pouco incentivo que têm e que dessa forma não conseguem as pontuações necessárias para as provas maiores.

Quem é contra, diz que fazer reserva de mercado é tapar o sol com a peneira e que tem é que melhorar a performance nacional e parar de mimimi, que a vida de atleta é dura e a competição é cruel mesmo.

Eu acho que é fácil bater martelos e distribuir veredictos. Mas a verdade é que essa força queniana (africana no geral) incomoda em todos os países. Nos EUA tem rolado uma queda mo interesse do público leigo em acompanhar as provas porque nenhum norte-americano vence. Ao mesmo tempo, se todo mundo limitar, os quenianos só vão poder concorrer mesmo e pontuar... no Quênia. E quantas provas internacionais e importantes acontecem lá mesmo?

Não é uma questão fácil, esporte para crescer precisa ter público, fãs, heróis nacionais. Ao mesmo tempo, o esporte tem o dom de dar espaço para talentos incríveis que podem surgir dos lugares mais improváveis, mais sem condições - e isso não dá para perder.

Ou seja, eu não tenho uma posição fechada a respeito, pq vejo razão dos dois lados da questão - não vejo é uma solução simples! Na dúvida, continuo em dúvida. E vcs?

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