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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

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PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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Cruce parte II - Permiso! Permiso!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 12/02/10 às 12:16 na(s) categoria(s) fail, historias de corrida, provas
Eu sei, eu devia ter postado isso ontem, mas me deem um descontinho que eu ainda estou meio slow motion, sabe aquela tirinha do Calvin quando ele era atacado pela câmera lenta e só conseguia fazer as coisas leeennnnnntaaaaaamennnnnttttte? Pois é, me pegou também. Mas senta que lá vem a história. Cruce de los Anes 2010, dia 1.

Primeiro a dúvida cruel: afinal, larga cedo, médio ou tarde? Porque tem mais de 1h de busão para chegar até a largada. Super cedo dava medo de ter que ficar horas esperando a elite largar. Muito tarde vc pega todos os caminhantes. E o seu tempo no 1º dia vai definir o horário de largada dos próximos. Tentamos o meio termo, mas na prática ficou tarde e acabamos pegando muito trânsito de pessoas. Conclusão: larga cedo e se tiver que esperar, espera lá.

Na largada, muita emoção, WOW COMEÇOOOOOU! Trilha adentro, logo começa a pirambeira. Só que uma prova de aventura com 1.500 pessoas tem suas desvantagens: faz fila. Isso mesmo, vc acha que deixou Sampa para trás com suas filas para tudo e ali, em plena Patagônia, adivinha: uma fila! Que delícia. E nos trechos de trilhas estreitas, nem tem como ultrapassar ninguém, ou seja, vc tem que esperar quem for mais lento conseguir subir ou atravessar um trecho mais difícil.

Aliás, a ultrapassagem merce um comentário a parte. Todo mundo que fez o Cruce aprendeu que para passar alguém é assim: vc grita "Permiso! Permiso! Por la esquerda! Por la esquerda!" e sai cotovelando e se enfiando na frente que quem for. O primeiro que me passou desse jeito delicado como um hipopótimo com dor de dente quase me joga montanha abaixo, um exemplo de urbanidade. E tem também as pessoas que não te dão o tal permisso nem que a vaca tussa, bata palmas e cante Aída. Tipo de picuinha mesmo, abrem bem os braços, colocam seus trekking pools em posição de ataque (aquela que se vc tentar passar de qualquer um dos lados vira literlamente espetinho) e brincam de surdinhos, mesmo quando dava para passar uma pessoa de cada lado com folga.

Mas enfim, vc aprende que gritar "Permiso! Permiso!" é a senha para sai-da-frente-senão-eu-passo-por-cima. Claro que também tem muita gente educadinha que fala "Permiso!" sem trincar de dentes nem olhos injetados e que percebe que em alguns lugares não tem como dar passagem, porque só passa um, espera a 1ª abertura e ainda solta um gentil "Gracias!" quando consegue passar. E vc que achava que a aventura da corrida de aventura era só porque não era asfalto né?

O grande mico do 1º dia foi também a grande beleza. O mico leão dourado premium desse dia 1 foi ela, a fila. Imagina que vc está aquecido, finalmente passou aquele bolão de caminhantes e pessoas mais lentas que vc, trotando feliz e contente pela Patagônia adentro quando de repente... vc pára. E vê na sua frente uma fila de umas 80 pessoas. Todas paradas e pelo jeito há um tempo. É tipo estar a 110KM na estrada e de repente surge aquela fila do pedágio.

E sabe por que a fila? Porque tinha uma ponte láááá na frente onde só se podia passar de 2 em 2. Façam as contas, 750 duplas (tirando o povo de elite que era, sei lá, chutando umas 100 pessoas) tendo que passar civilizadamente em duplinhas - e a próxima dupla só passa depois que a primeira pisar o último pé fora da ponte. É ÓBVIO que ia empirulitar o trânsito né? Claro que são normas de segurança e precisam ser seguidas, mas valia um fracionamento melhor de quantidade de pessoas largando para não embolar desse jeito né não? Pisada no tomate da organização. E chuta quanto tempo a gente ficou nessa fila? 1h30. É, leu certo, uma-hora-e-meia.

Deu tempo de comer, esfriar completamente, vestir o fleece, luvas e gorro, fazer amizade com todo mundo próximo a vc na fila, contar piadas biligues e trilingues, fazer xixi no matinho, sentar no chão de pernas cruzadas, passar umas 3 ondas de ÔLA pela fila, tirar tudo de novo e guardar na mochila.

Só que quando chegou nossa vez de passar na ponte, ficamos até sem fala. Pessoas, que visual era aquele?? Foi de longe o ponto mais lindo do dia. Porque debaixo dessa ponte passava un rio caldaloso verde esmeralda com uma queda d´água majestosa logo acima que juro, era de tirar o fôlego e perdoar na hora o tempo de espera.

O duro é voltar a correr depois que vc já esfriou totalmente. Mas enfim, faz parte e continuamos. O percurso desse dia era assim: piramba, descidinha, piramba, descidinha, alguns metros de planinho, outra piramba. No meu caso isso signifcou anda-corre-anda-corre, o que eu gostei.

Mas quando vc achava que toda essa coisa de fila estava no passado, aconteceu de novo. Parou tudo. Isso porque dessa vez a promessa era que seríamos levados de barco para atravessar um trecho do lago lindo (de onde vc já ouvia os sons de pessoas felizes que chegaram muuuuito antes de vc ao acampamento, tipo aquele trecho da meia do RJ onde vc passa pela chegada no aterro do Flamengo). Ah, ok, vamos passear de lancha, uhuuu! Daí, uns 40min depois, novo aviso: gente, cancelamos os barcos! Tá demorando muito e ficou decidido que vcs vão fazer esse trecho a pé.

Traduzindo: vai andar 4K a mais que o resto e ainda voltar boa parte do trecho e contornar o lago, pegando, lógico, subidas. Teve gente que chorou ali. Eu só fiquei com um mau humor do cão e saí correndo e fazendo cara de serial killer para qq pessoa de fleece vermelho da organização. No final, a parte ruim dessas esperas todas é que a fila foi um grande unificador de tempos. Se vc saiu mais forte, no final chegou quase junto com quem estava bem mais fraco, pq a fila aproximou todo mundo. Que democrático né?

A chegada no acampamento, porém, foi o máximo. O camping era num vale lindo, cercado de montanhas de picos nevados, as ruazinhas coloridas todas organizadinhas (porque cada container tinha uma cor, que correspondia a uma rua onde vc tinha que montar sua barraca). Nós, pessoas privilegiadas que temos gente do calibre da Cris, Zé, Belô, Camila, Vivi, Marcela, Laurent & Cia nos ajudando já estávamos com as caixas ali. Aí era montar a barraca (seguindo instruções, lógico, senão estava até hoje lá olhando para as estacas com ar perdido), tomar aquele banhão de baby wipes, trocar de roupa (2ª pele + fleece grosso + blusão impermeável + calça+ meia quente + croc no pé), pegar seu pratinho e talheres e rumar para a tenda da comida. Que aliás, estava ótima! Comi super bem, disso não posso me queixar. Tinha massa, carne p/ os carnívoroes (que falaram que estava excelente), sopa e até salada.

Pança cheia, o lance era deixar tudo pronto para o dia seguinte, pegar o saquinho com as roupas já prontas do dia 2 (que nós somos mocinhas organizadas e prevenidas), separar as comidas para durante a prova, o café da manhã, tomar uns goles de vinho e apagar. Se eu dormi? Não, eu praticamente morri e ressuscitei no dia seguinte. Que foi onde toda a desgraceira começou - mas isso é para o próximo post.

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