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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

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PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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Trilha, lama, água, terra e piramba: oba!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 31/03/10 às 16:51 na(s) categoria(s) historias de corrida, provas
Sim pessoas, rolou este sábado a prova de Paranapiacaba. Para começar, o lugar é fofo (se vc for homem pode dizer que é pitoresco, antigo ou quiçá interessante que não vai te comprometer). Não é a coisa mais óbvia do mundo de achar, mas é bacana. Minha sorte que a Ari sabe-tudo-de-caminhos-por-dentro estava no mesmo carro e na navegação.

Na estrada, maior fog - vulgo neblina, mas vamos combinar que neblina tem zero glamour. Chegando lá, aquele nubladinho-com-microchuva-mas-calor-abafado que é super OK para correr na trilha. Eu adorei a cara estação-velha-de-trem do centrinho, deu um clima legal à prova, mesmo com as pessoas rindo e falando sem parar (eu incluída, lógico). A nossa trupe estava animada e contava com umas, sei lá, 15 ou 16 pessoas.

Na largada aquela microchuvinha que logo passou, mas deixou o povo com temor e receio de escorregar nas ruas de paralelepípedos (que vcs sabem que homens não têm medo, apenas temor e receio). Aí rapidinho caímos para a trilha. Single track, ou seja, uma trilha estreitinha e única, onde dava para correr bem apesar de estar bem escorregadia.

Alguns metros depois começou a sequência de lamão-rio-lamão-rio, que era tipo um trailer curtíssimo do Cruce sem as pirambas montanhosas e sem o frio. Porque gente, depois daquele frio patagônico com altimetrias com subidas de quase 1000 metros, Paranapiacaba é local aprazível e quase plano. 

Isso não quer dizer que a prova seja fácil! Ao contrário, foi BEM técnica e tinha o que é o meu atual calcanhar de Aquiles das provas de aventura: atravessar rios. Porque o meu caso é simplesmente o de um relacionamento vitoriano em fase inicial, ou seja, a gente se olha e parou por aí. Eu adoro os riozinhos, mas a triste verdade é que eu simplesmente não sei como faz para correr neles. Na prática fica um Pata Choca Style. Talvez porque eu seja uma mocinha da cidade grande que não passou a infância na fazenda? Ou será porque minha avó não gostava de cozinhar nem tinha um sítio? Ou ainda porque essa é a 2ª vez na vida que eu tenho que fazer isso? (o Cruce foi a 1ª até então corrida só no asfalto).

Seja como for, essa incapacidade crônica me fez subir o rio lennn-ta-mennnn-te. Tipo devagar. Bem sem pressa, sabe como é? Eu estava tão concentranda subindo e olhando para o chão, tentando pisar onde os moços da frente pisavam, que quase que fui seguindo o riozinho para sempre. Seguindo, seguiiiindo, seguiiiindo e ele continuava e ia cada vez mais para a direita. Só que gente, a trilha continuava lá em cima, a esquerda. Ou seja, tinha que sair do bendito rio e subir a ribanceira de volta. Ainda bem que a super Naomi gritou de algum lugar Naaaatiiii, sooobeeeeee, senão eu estava seguindo esse rio até agora, provavelmente já em algum outro país.

Para compensar, o jeito era socar a bota quando acabou o rio. Não chega a recuperar o preju, mas dá uma sensação agradável. Achei o visual excelente e o nivel da trilha ótimo! Agora, tem umas coisas que não dá para não comentar. Uma dela é a quantidade de pessoas sem tênis de trilha correndo. Gente, digitem 100 vezes no bloco de notas: tênis de trilha faz diferença, tênis de trilha faz diferença.

Eu sei, macho que é macho corre de chuteira. Ou descalço. Mas olha, o que tinha de macho perdendo tênis na lama e patinando em lugares que um Salomon da vida nem deslizava... Não é a mesma coisa, pessoas. Porque tem uma coisa mágica chamada grip, que impede que vc saia voando ao pisar na lama ou trilhas molhadas. Tenham fé no grip que ele te salva --de muita queda. Claro que tem também a sua técnica e experiência em correr nas trilhas, pedras e rios, mas desprezar um bom tênis de trilha é economizar no que importa.

Voltando para a prova, depois do perrengue veio o alívio, com a trilha um pouco mais larga e mais plana e na parte final, uma descidona daquelas de acelerar pra morte. Adoro prova que termina em descida! O Montanholi acabava e essa agora também, permitindo que vc se sinta O Máximo ao cruzar a linha de chegada, já que vc chega basicamente voando. Psicologicamente, vc sprintou bonito, mesmo que na verdade tenha sido só o impulso ladeira abaixo. E cabeça, vcs sabem, vale pelo menos uns 60% da sua performance em uma prova, especialmente se for de aventura.

Fazendo um balanço da prova, eu adorei largar as 16h - mas não sei se isso vai funcionar na medida em que esse circuito crescer (e vai) e tiver gente bem mais lenta. Porque nesse caso, esse povo vai chegar a noite mesmo e, na boa, aquela trilhinha sozinha no escuro dá meda (assim mesmo, no feminino).

Também senti falta do posto de água do KM 5, só vi no começo (tipo KM 2,5) e lá pelo KM 8 - e precisa avisar o simpático (mesmo, não é ironia) povo do apoio para oferecer sempre pelo menos 2 copos de água de uma vez, que oferecer de 1 em 1 não rende e atrasa os corredores.

De resto, corrida de aventura / cross country / trilha é assim mesmo. É mais rústica, tem mais perrengue, as vezes alguém se perde e tals. Ouvi falar que deu um xabú no percurso de 6K, parece que a marcação da trilha se soltou em umas partes ou algo assim e muita gente saiu frustrada. Tem que reclamar SIM, mas não vamos também transformar a malhação da organização num esporte nacional, especialmente quando é um circuito de
montanha, que é algo ainda não tão popular por aqui.

Vamos cobrar logística mas vamos curtir a prova e comparecer a outras etapas - até para dar oportunidade da prova ir melhorando. A próxima é em S. Sebastião / SP - quem vai??

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