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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

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PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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Zona Azul da Morte


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 27/04/10 às 18:10 na(s) categoria(s) fail, historias de corrida

Vamos voltar a um tema recorrente deste blog: Parque do Ibirapuera. Primeiro foi aquela coisa de ter de me acostumar a correr na penumbra com todos os perigos inerentes a esta prática (leiam este post aqui para entender). Aliás, para não faltar com a verdade, tenho que dizer que essa parte deu uma melhorada. Agora na volta de 1K só de vez em quando que está o breu total. E na volta de 3K, vc até consegue enxergar a maior parte das rachaduras e raízes de árvores que se sobrepõem ao asfalto!

Só tenho uma pergunta: gente, o que é aquele holofote cegante que fica atrás das barras de alongamento, ao lado de um dos estacionamentos de moto? Você está correndo e de repente parece que foi parar num cenário do Poltergeist, com aquela luz forte ali na frente te chamando. E nós sabemos o que aconteceu com a Carol Ann quando ela foi para a luz né?

Imagina que você está dando um tiro pra morte ali na volta de 1K e, como disse com muita precisão a Elenita, parece que a Nave Mãe veio te buscar, porque você corre desesperadamente de frente para aquele holofote gigante. Ou seja, para compensar as partes escuras do parque, agora a gente tem UMA super luz concentrada. Uma maravilha.

Mas estou fugindo do assunto. Meu ponto é que agora tenho uma nova fonte de terror: a nossa querida Zona Azul! Aquela coisa que faz com que as vias públicas virem grandes coletores de dinheiros e vasta fonte de trabalho para os marronzinhos (desculpa, mas não, não acho que seja um demérito ou pejorativo este apelido, ainda mais de alguém que corre numa assessoria que o povo costuma falar "ah, aquelas de pretinho?").

Eu acho que aqui em Sampa, a Zona Azul é um tipo de vírus, tipo aquele que transforma todo mundo em zumbi. Só que aqui ele transforma todos os lugares para estacionar em zonas azuis. Da morte. Morte para o seu bolso. Morte para sua paciência e paz de espírito. Porque agora os motoristas andam com olhos injetados procurando  furiosamente um lugar para estacionar. E em todo lugar que você olha tem AHHHH, Zona Azul.

Mas OK, para começar eu entendo porque colocaram a virótica Zona Azul no Ibira. É uma verdade que o povo que trabalha nas redondezas usava o estacionamento do parque como a garagem particular, estacionava as 8h e tirava o carro as 18h e nem punha o pé no parque. Então tá, a idéia era acabar com essa folga e permitir que mais pessoas que vinham realmente para o parque usassem o parque. Um ideal nobre, civilizatório e coberto de urbanidade.

Mas aí vem a pergunta de 1 milhão de dólares: se a idéia era impedir que o povo abusasse durante o horário comercial, por que raios a Zona Azul dali vai até as 20h? Porque depois das 18h30, quem vai lá é quem vai usar o parque. E 99,9% das assessorias têm treinos que começam, adivinha? Antes das 20h. Então, se vc chega as 19h30, tem que pagar quase 4 dinheirinhos por meia hora. E ainda tem que aguentar aquele cara meio assustador que fica abanando talões ensadencidamente na janela do seu carro na entrada do parque, murmurando algo que soa como "aceita jujubassss?" igual do Hey Arnold (não sabe o que é, Googla aí). Não bom.

Eu, que sou dotada de memória de elefante, lembro perfeitamente que quando entrou esse horário surreal as folhinhas de Zona Azul que eu tinha nem iam até as 20h! Gente, até as 20h não tem como ser uma estratégia de boa fé. E parece que tem uma instrução para os fiscais da vida alheia de pegar pesado exatamente as 19h20. É a hora em que esse povo sai de lanterninha da mão e capa de chuva se for preciso para ver se você por acaso não acabou de chegar para seu treino das 19h30 e não esqueceu ou achou que não precisava mais da folhinha. Eles também não aceitam que as pessoas esperem dentro do carro (com o carro ligado) por uma vaga ou para buscar alguém.

Espero que esse povo pelo menos ganhe bem, porque esse modus operandi leva as pessoas a terem uma antipatia (quando não um certo ressentimento) contra a classe. Eu sei, eu sei, o velho e bom "só estou cumprindo ordens". O que não refresca em nada o fato em si, de que você é obrigado a comprar um talão em um horário em que isso não faz o menor sentido.

E quais são as suas opções? Tentar uma vaga naquelas ruazinhas da IV Centenário ou adjacências, vir de bike, de moto ou a pé. De bike é lindo e ecológico, mas nem sempre é realista. De moto eu tenho saudades, desde que deu PT na minha tenho aqueles flashbacks românticos de filme B, em preto e branco, onde os bons momentos de eu e minha lambreta acontecem em câmera lenta e com música feliz. Mas no momento não rola. A pé eu amo, mas aí chegar até o parque já ia ser meu treino e eu ia precisar de carona para voltar para casa.

Ou seja, na prática a Zona Azul da morte acaba te pegando.

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