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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

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PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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Corra da sujeira!


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 13/06/11 às 14:28 na(s) categoria(s) fail, historias de corrida, provas
Semana passada estava eu, feliz e faceira, navegando pelo FB (FB=Facebook) quando me deparei com umas fotos que tiraram completamente meu bom-humor. Antes que vocês pensem alguma bobagem, deixa eu contar logo: eram fotos de uma praia. Vazia. Suja.



Não era um vazamento de petróleo. Nem um lançamento clandestino de dejetos químicos ou radioativos. Era o dia seguinte de uma prova de corrida. Na ressaca do pós-prova, a areia coalhada de copinhos plásticos. As fotos do desastre são do Kadu Mattar, que gentilmente cedeu as imagens p/ publicação neste blog e conta que este foi o visual do day after da prova de revezamento Bertioga-Maresias.

Fiquei chocada. Acima de tudo, me senti ingênua e meio burra. Sabe aquela sensação de criança quando descobre que Papai Noel não existe? Um misto de espanto-raiva-ressentimento-vergonha. Porque eu realmente achava que fazia parte da organização de qualquer prova recolher todo o lixo deixado pela corrida.



Mas antes de começar a atirar pedras e copinhos plástico na organização da Bertioga-Maresias ou jogar garrafas nos corredores e pedir o fim das provas de rua, trilha e montanha, vamos fazer diferente? Vamos mudar essa foto. Como? Falando sobre o assunto, divulgando, checando com as organizações das provas e principalmente sendo mais conscientes como corredores --pq também é fácil jogar toda a culpa na organização né?

Eu acredito na máxima Gentileza Gera Gentileza. Assim como tenho certeza que Intolerância Gera Intolerância, então só reclamar, xingar muito no Twitter e no Face ou desejar que todos os corredores virem praticantes de tênis de mesa ou curling só vai gerar mais respostas negativas e provavelmente nenhuma mudança bacana.

Então, ao invés de começarmos uma caça às bruxas da corrida, vamos dar uma olhada no quadro todo. Eu, como sempre, só posso falar da minha experiência pessoal, mas a verdade é que a corrida vem crescendo cada vez mais e as provas não vão diminuir em número, ao contrário. Fora do Brasil, elas estão muito mais maduras e essa parte da limpeza é levada bem a sério.

Nas provas que corri, vi várias formas de lidar com a questão da sujeira gerada pela corrida. Já corri prova de trilha onde a organização pediu para que todos jogassem os copinhos vazios no meio fio da estrada de terra. Explicaram que era inviável colocar latas de lixo ao longo de todas as trilhas (e latas de lixo em nº suficiente, pq 1 lata enche rapidíssimo), então preferiram colocar os PCs de água em estradão de terra e ao final da prova passar um arrastão da limpeza fazendo pente fino. Pediram que as pessoas guardassem os sachês vazios de gel e que jogassem fora nos pCs (onde tinha lixo) ou no final da prova. Essa eu tive oportunidade de ver depois e cumpriram a palavra, não vi 1 copinho esquecido.

Quando a prova é de longa distância -- tipo 50K ou mais -- especialmente se for prova de montanha onde até nos 21K é praxe correr de mochila de hidratação, o que meio que resolve o problema. Com mochila não existe essa de copinho, a não ser que vc pare e beba nos PCs (quando existem) onde a idéia é mesmo fazer um pit stop e reabastecer. Mas se tem PC em corrida de montanha (como tem nas prova do circuito North Face Endurance Challenge) tem lixo lá. E eles avisam que quem for flagrado jogando um papelzinho sequer no chão é desclassificado na hora.

Aliás, já li isso no race book de provas brazucas também, o problema é que aqui tem essa maledeta mentalidade do "se dar bem as custas de alguém", sendo o alguém no caso o meio ambiente. Aqui tem espertoman em todo lugar, até nas provas de corrida, que se acha o máximo porque não foi pego fazendo algo errado.

Quando a prova é de revezamento e tem carro de apoio (que apóia mesmo), fica mais fácil. Porque aí as águas e isotônicos podem ficar em garrafinhas dentro do carro ou carros de apoio. Para quem nunca viveu a situação funciona assim: o corredor da vez corre e, em algum momento pré-combinado do percurso o carro de apoio tá ali, alguém do apoio sair correndo com as garrafinhas, corre ao lado do corredor enquanto este bebe, pega as garrafinhas e volta para o carro. O único rastro que fica é o suor dos corredores no chão.

Tem provas que são tão preocupadas com isso, como o Columbia Cruce de los Andes por exemplo, que nem levar gel em sachê pode. Porque eles sabem que em todo lugar tem um espertoman. Gel, só se estiver naquela garrafinha própria. E ai de você se começar a jogar embalagem de comida ou suplemento no chão.

Já para provas mais curtas, acho que tem que rolar uma logística mais pesada da organização. Porque não faz muito sentido vc correr uma meia maratona ou maratona de rua de mochila. Tem corredores super conscientes que correm com pochetes e saquinhos, mas eu não acho muito realista querer obrigar todos a correr com copos vazios -- com embalagem de gel usada acho que até dá, mas copos, duvi-de-o-dó.

Assim como esperar que em prova de trilha tenha 6 latas de lixo no meio da single track a cada km. Então qual a solução? A primeira chama-se logística. E serve tanto para a organização quanto para os corredores. Porque nenhum PC está onde está por acaso, tem que levar uma série de coisas em consideração, tipo como os equipamentos vão chegar até o PC, distância etc etc --incluíndo o lixo.

A segunda chama-se autoconsciência. E significa seguir alguns passos básicos e acima de tudo, usar aquele nosso amigo esquecido, o bom senso:

1) Guardar a embalagem do gel ou comida no bolso, mesmo que melecada, se não tiver um lixo perto na hora que vc consumí-la. Sem nojinho minha gente!

2) Ler o regulamento/race book e, se não tiver nada lá a respeito e tiver postos de água e isotônico, perguntar como é o esquema de descarte dos copinhos e a limpeza posterior.

3) Se ver alguém tacando lixo no chão, dê um toque. Mas um toque NA BOA, nada de fazer um discurso ecochato ou se achar no direito de ser grosseiro. Lembre: gentileza gera gentileza, grosseria gera grosseria. Se o meliante for um spertoman sem noção, amaldiçoe mentalmente, deseje que a pessoa entre em combustão espontânea e seja um Ser Superior: recolha vc o lixinho.

4) Converse com outros corredores sobre o assunto. Acredite, muita gente NUNCApensou sobre isso, o que é muito diferente de fazer de propósito.

5) Não vire Fiscal da Vida Alheia, que é MUITO MALA e não conscientiza ninguém. Compartilhe com quem está de ouvidos e mente abertos, faça sua parte, reclame quando for o caso e seja feliz.

Que venham mais provas - com consciência e sem sujeira!


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