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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

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PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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Uma questão de perspectiva


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 31/08/09 às 19:24 na(s) categoria(s) dicas, historias de corrida, yoga
Esses dias estava falando com a minha amiga Ceci, que tem aquele dom parabólico de captar o que está rolando sem vc precisar dizer nada. Falávamos de percepções de esforço durante os treinos, que é aquele tipo de conversa que faz quem não corre bocejaaaar, bocejaaar e desejar ter ido assistir TV Senado que ia ser mais divertido. O ponto central desse tão intrigante tema era o quanto o mental afeta a nossa percepção de velocidade e cansaço.

Lembro que uma vez, quando estávamos treinando para uma meia maratona, teve um mês onde fizemos 6 tiros de 1K (entre vários outros tipos de treinos, claro). Mas por quase 5 loooongas semanas, chegava 3ªf e a gente já tinha aquela sensação de deja vu: tiro de mil. Aí vc corria naquela bendita (pq estou uma moça fina de família hoje) volta de mil do Ibirapuera. A descidinha que te anima, a sensação de ai-meu-deus-vai-começar quando o embalo da descidinha acaba, o lago de um lado, aquele mato escuro suspeito do outro (eu corro a noite, lembrem-se), a subidinha no final dos 500m, se aguenta como pode até o banheiro e dali o sprint corre-pra-vomitar até o final. Daí respira 1 min e começa tudo de novo.

Na 4ª volta parecia que não ia dar. Sempre dava, claro, mas era tudo muito sofrido. Sim, porque a gente Sofria com S maiúsculo. Seja por ver sempre aquela mesma volta no mesmo bat percurso seja porque parecia que o coração ia sair pela boca. Ah, éramos jovens e tolas e achávamos que aquilo era um treino de tiro hard.

Aí, treinando para outra prova, nem tanto tempo depois, nos deparamos com suaves treinos de tiros de 1K novamente. Só que, olha só que delícia, eram 10 tiros ao invés de 6. Na mesma bat volta, claro. E sabem de uma coisa? Não sofremos nem metade do que sofremos com as antigas 6 voltas. Os 10 tiros de mil saíam mais rápidos, mais fortes e terminávamos em melhores condições, o que significa que você conseguia até entender o que as pessoas falavam para você no final do treino -- sim, porque eu quando corro fazendo força DE VERDADE não só não consigo sorrir ou responder perguntas, eu simplesmente não ouço e não entendo o que as pessoas falam. Eu vejo que os lábios delas se mexem, eu sei que elas estão falando alguma coisa, mas eu não faço a menor idéia do que seja. Quem me conhece durante um treino de tiro acha que eu sou a pessoa mais antipática do mundo, quase o Grinch. Mas juro que na hora de soltar eu melhoro e sou até educadinha. Sou capaz até de arriscar um sorriso e responder sua pergunta.

Mas o fato é que ficou muito claro que a nossa perspectiva havia mudado. Não havia passado tanto tempo assim para dizer que tinhamos melhorado nossa performance ao ponto das 10 voltas serem a mesma coisa que as 6 voltas eram antes. O que mudou mesmo foi a nossa EXPECTATIVA.

Como já sabíamos que seriam 10 voltas, nos preparávamos para isso e a 6ª volta era só um ufa-já-passou-da-metade e não a volta final pra morte. Ao mesmo tempo, dava uma sensação boa ver que estávamos conseguindo fazer o treino bem, e isso dava forças para correr a próxima.

Ou seja, aquele sofrimento todo com os 6 tiros era basicamente só cabeça e não corpo.

O cérebro dizendo que era cansativo, que não ia dar e o corpo realmente se exauria. A percepção do cansaço era muito maior e a performance muito pior. Quando a percepção de cansaço diminuiu, mesmo com um volume bem maior (e intervalo menor) a performance melhorou.

Não é toa que cada vez mais atletas vêm usando PNL nos treinos (programação neurolinguistica). Não, não estou falando de repetir "hei de vencer" e sim de tentar simular elementos da prova mentalmente antes de enfrentá-los. Porque o cérebro lida melhor com coisas que ele já viveu --e a pegadinha é que ele não sabe bem diferenciar se viveu MESMO ou se foi uma simulação bem feita. Então se vc enfrenta uma prova onde dá um cansaço master, dói alguma coisa ou ocorre algo que te desanima, se vc conseguiu treinar seu cérebro a ignorar o desânimo vc consegue ir em frente. Ele olha a situação, procura nos arquivinhos do passado e diz "Ahhh taaaa, isso já aconteceu antes e deu tudo certo, é só continuar". Agora, se ele acha que é uma situação nova e potencialmente perigosa, ele começa a fazer seu corpo diminuir o ritmo, aumenta a sensação de cansaço e te enche de pensamentos tipo deu-acho-que-vou-parar.

Na prática, vc precisa deixar seu cérebro em um estado feliz-meditativo, ou pelo menos mante-lo quietinho e calminho enquanto seu corpo faz o que é preciso. No mínimo incorpore a linha se-não-vai-ajudar-pelo-menos-não-atrapalha. Não precisa parar de pensar, lógico, senão vc vira uma ameba corredora e isso não é bom, certo? Ou então distraia sua mente com questões como essa, ou fique planejando como vai ser seu próximo post no blog. Vale tudo para ela esquecer que vc está ali correndo.

No fim das contas, a moral da história é: ignore sua mente, abaixa a cabeça e faz força :-) Né Cris?
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Antes de iniciar a prática esportiva consulte um médico para realizar exames que qualifiquem o seu estado de saúde para tal.
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