Yimer é especialista em provas de curta distância
Foto: Márcio Kato/ZDL
Fabiana se emocionou com a conquista
Foto: Márcio Kato/ZDL
Marily conseguiu forças para dar o terceiro lugar de presente a sua mãe
Foto: Márcio Kato/ZDL
Nesta quarta-feira, na cidade de São Paulo, aconteceu mais uma edição da Corrida Internacional de São Silvestre, com 20 mil corredores e um calor de 28ºC. A 84ª edição de uma das provas mais importantes do circuito mundial foi marcada por algumas surpresas ao longo de seus 15 quilômetros. O vencedor foi o queniano James Kipsang com o tempo de 44min42. Já a mulher mais rápida foi a etíope Yiemer Wude, que cruzou a linha de chegada após 51min37.
São Paulo - A largada para as 53 atletas da elite feminina foi dada às 16h45. Um pelotão se formou e se manteve equilibrado até o quilômetro dois, ocasião em que Sara Ramadhani, da Tanzânia, abriu uma diferença de mais de 100m. Logo atrás, entre outras, vinham a queniana Nancy Kipron, uma das favoritas deste ano, e a brasileira Edilza Alves dos Santos, que completou a prova em 53min02, garantindo o 4º lugar.
Sara, que é conhecida pela sua facilidade em prova de 10 mil metros liderou, tranqüilamente até o quilômetro 7,5, mas logo começou a sentir a pressão de Nancy. A queniana vinha com um ritmo forte e conseguiu ultrapassar Sara no final da Avenida Pacaembu. Já na Avenida Rudge, Sara tomou a ponta de novo,
porém, por pouco tempo. A etíope Yiemer Wude aumentava o ritmo e diminuía a distância entre elas. E no quilômetro nove, Sara perdeu seu posto e a etíope assumiu a liderança da prova. Logo atrás, um pelotão formado por algumas brasileiras se aproximava da líder.
Yiemer não estava entre as favoritas desta São Silvestre e surpreendeu ao conseguir o lugar mais alto do pódio. Aliás, não só chegou em primeiro lugar, como conseguiu cruzar a linha de chegada antes mesmo do campeão masculino, James Kipsang. Um feito, já que, em edições anteriores as mulheres eram ultrapassadas pelos homens nos últimos metros da prova.
O Brasil pode não ter conseguido uma vitória feminina, mas, pelo menos tingiu o resto do pódio de verde e amarelo. O segundo lugar ficou com Fabiana Silva, que cruzou a linha menos de um minuto após a grande vencedora, com 52min28. Fabiana também surpreendeu pela colocação, já que esteve seis meses afastada por causa de uma lesão.
O terceiro, quarto e quinto lugar ficaram, respectivamente, com Marily dos Santos (52min48), Edielza dos Santos (53min02) e Luzia de Souza Pinto (53min52). Duas brasileiras que estavam entre as grandes favoritas não tiveram muita sorte este ano. Maria Zeferina Baldaia, campeã em 2001, ficou com a 12ª posição e Marizete Rezende, vencedora em 2002, abandonou a prova.
A campeã comentou que ficou muito feliz com o resultado, já que veio com o objetivo de lutar pelo primeiro posto. “No início da prova as quenianas e a tanzaniana estavam num ritmo muito forte e decidi segurar um pouco”, confessa. “No quilometro oito senti minhas pernas fortes. Estou muito feliz. O Brasil me deu sorte e também estava em um bom dia”, completa.
Já Fabiana ficou muito emocionada com o segundo lugar, já que teve uma lesão no pé esquerdo que ainda vem sendo tratada. “Logo Após o Troféu Brasil tive que parar um pouco, os treinos deste final de ano não estavam dando certo, mas resolvi entrar mesmo assim na São Silvestre e deu certo”, conta a vice-campeã. A tática utilizada foi não se sentir pressionada, mas sim entrar no ritmo da competição aos poucos.
Quem também estava muito feliz com o resultado era Marily dos Santos, que comemorou o terceiro posto como uma vitória. “Minha mãe está doente e internada no hospital, mas há um tempo atrás ela disse que tinha fé em Deus de me ver em terceiro na São Silvestre”, lembra a alagoana. “Com essa doença dela eu me apeguei em Deus e quis dar esse presente a ela, ainda não estou acreditando”, completa.
Ela confessa que a doença da mãe a desgastou um pouco psicologicamente, principalmente ao ver a matriarca na UTI, mas não se abateu e seguiu em frente focada nos treinamentos. O fato dela ter se poupado de competições às vésperas da prova foi uma fato que ajudou a conquistar um bom resultado. “As pessoas sabem o quanto eu me dedico e gosto de treinar e meu treinador disse que eu não ia fazer nenhuma prova depois da Pampulha e eu o obedeci. Ano passado eu competi muitos circuitos e senti muito cansaço”.