Vanderlei costuma fazer seu tradicional aviãozinho na chegada das provas
Foto: Milton Mansilha/BM&FBOVESPA
Hoje em dia Cordeiro participa de ações para motivar jovens atletas
Foto: Fernanda Paradizo
O herói olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima se despediu do esporte de alto rendimento há um ano durante a Corrida Internacional de São Silvestre e, desde então, mudou sua rotina e passou a encarar o esporte de uma outra forma. Ele comenta sobre os projetos sociais, a presença como padrinho nas corridas e a importância de se difundir o esporte para as categorias de base.
“Foi um ano de transição, sinto falta da competitividade, mas acho que foi uma decisão planejada”, comenta Vanderlei. “O atleta que passa a vida toda competindo, na hora que para sente falta, então procuramos suprir essa necessidade de alguma outra forma”, completa.
Ele faz uma avaliação positiva de todos os eventos em que esteve presente, em ações da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Federação Paulista de Atletismo, Caixa Econômica Federal, além de palestras em empresas. “Fiquei muito feliz de ter participado e ano que vem pretendo aumentar ainda mais”.
Ele continua treinando para se manter condicionado e esporadicamente participa de competições, mas sem o compromisso de brigar pelo pódio, já que o foco maior é passar um pouco de sua experiência de vida para outras pessoas. “Nós atletas que fizemos história temos como obrigação promover o atletismo e incentivar cada vez mais a prática, para ampliar o espaço do esporte no cenário nacional”, avalia o paranaense, que no último domingo (13) prestigiou a Meia Maratona da Serra, no Espírito Santo.
Incentivo - Medalhista de bronze na Olimpíada de Atenas após ser empurrado por um padre irlandês no meio do percurso da maratona, Vanderlei faz questão de mostrar para os iniciantes que é possível chegar ao alto rendimento. “Temos que criar um contexto para que esses atletas tomem consciência que é possível chegar a uma Olimpíada e obter um grande resultado”.
Por onde passa ele é aplaudido, todos gritam seu nome, querem tirar fotos e pegar autógrafos e não seria diferente se ele mais uma vez entrasse na São Silvestre para correr entre os populares, como fez ano passado. “Ainda não está certa minha participação, vou conversar com o Ricardo para definir as ações de fim de ano”, relata Cordeiro que permanece sendo orientado por Ricardo D’Angelo.
Já sobre a participação brasileira nas Olimpíadas do Rio, o maratonista acredita que o país tem investido bastante em jovens talentos, que certamente farão bonito em provas internacionais e poderão brigar por medalhas em 2016. “O atletismo vem se planejando para usar essa base existente, mas não podemos pensar somente nisso, temos que pensar na continuidade pós 2016”, avalia.
A CBAt se mostra preocupado com esse investimento e tem trabalhado junto aos órgãos internacionais para trazer o Campeonato Mundial Juvenil de 2014 para terras tupiniquins, o que seria um incentivo a mais para os atletas nacionais. “Isso já começa a fomentar uma futura base para 2020, uma continuidade que é muito importante”, finaliza Vanderlei.
História - Aos 40 anos de idade, Vanderlei Cordeiro de Lima nasceu em Cruzeiro do Oeste, no Paraná, e trabalhava como bóia fria antes de se dedicar ao atletismo. Na infância, enquanto seus amigos jogavam futebol nas horas de folga, ele preferia correr, fato que chamou a atenção de seu professor de educação física, Arnei César Moreira.
O garoto foi convidado a participar dos jogos interescolares, ajudou a escola a vencer o torneio e, desde então, os treinos passaram a fazer parte de sua rotina diária. Ele foi treinar e competir em Maringá (PR) aos 16 anos, depois recebeu convite para ir a São Paulo, onde conheceu seu atual treinador, em 1992.
Sua primeira maratona aconteceu em Reims (França) em 1994, ocasião em que foi contratado como coelho para seguir até o quilômetro 20, mas como se sentiu bem resolveu ir até o final e faturou o título. Desde então ele acumulou diversos resultados de expressão, como o vice na Maratona de Berlim 1994, ouro no Pan de Santo Domingo, a medalha Pierre de Coubertin, destinada a atletas que demonstrem elevado grau de esportividade e espírito olímpico, entre outros.