O corredor completou 66 anos e não abandonou percursos longos
Foto: Arquivo Pessoal
Quem viu o corredor Luciano Costa de 66 anos cruzar a linha de chegada da Maratona de New York ano passado não seria capaz de desconfiar que o coração daquele atleta, dez anos atrás, escondia um problema cardiológico. Luciano Costa, aos 56, enfrentava um período de stress no trabalho e embora se exercitasse diariamente, não conseguiu evitar uma cirurgia de ponte de safena.
“Corria há dois anos e comecei a sentir dores no peito e nas costas. Aí decidi repetir os exames que eram feitos com frequência, assim detectei o problema e me submeti a cirurgia, onde recebi cinco pontes”, conta Luciano, que precisou esperar seis meses para voltar as atividades físicas e retomou o esporte com caminhadas e alguns trotes. “Meu médico não recomendava trajetos longos e eu também tinha receio de tentar, mas ao poucos percebi que era possível”, relembra o corredor.
O retorno supervisionado por um médico mudou alguns hábitos de Luciano, que foi orientado a fazer o monitoramento cardíaco. Correr mais rápido, uma das ambições do atleta, também havia se tornado um detalhe, enquanto que outros itens acabaram sendo prioridade, como a alimentação. “Eu procurei uma nutricionista e emagreci doze quilos. Também optei em não permanecer no emprego que estava. Sou advogado e decidi dar consultoria dentro do meu próprio escritório, montado em casa”, explica.
A recuperação rápida após a cirurgia, segundo Luciano, aconteceu graças a sua freqüência nos esportes. “Antes de começar a correr eu jogava futebol. Nunca fui sedentário e atualmente treino quatro vezes por semana”, acrescenta. Para o Dr. Nabil Ghorayeb, médico com especialização em Cardiologia e em Medicina Esportiva, a regularidade na atividade física é imprescindível para a saúde do coração e o risco existe para aqueles que esporadicamente se exercitam, sobretudo para quem não é ativo e opta por uma atividade muito intensa, de longa duração, sem estar acostumado.
“A corrida normalmente é a atividade mais recomendada para quem já sofreu uma cirurgia cardíaca. Restringimos ‘modalidades de choque’, como vôlei, basquete e futebol. Além disso, o corredor não precisa ultrapassar cinco ou dez quilômetros num treino para obter maiores benefícios na saúde”, esclarece Nabil, que também alerta para a importância de buscar um profissional habilitado em Medicina Esportiva.