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Curvas da Estrada de Santos marcam amadores no Desafio Mata Atlântica


Por Alexandre Koda | 06/07/2010 - Atualizada às 17:58



A largada foi em frente à Refinaria Presidente Bernardes
A largada foi em frente à Refinaria Presidente Bernardes
Foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br
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Se você pretende saber quem eu sou/ Eu posso lhe dizer/ Entre no meu carro na estrada de santos/ E você vai me conhecer. Esses são os versos iniciais do sucesso de Roberto Carlos, “Nas Curvas da Estrada de Santos”, datado de 1969. No último sábado (03/07), mais de 30 anos depois, cerca de duas mil pessoas tiveram a oportunidade de relembrar a canção, ao subir os 7,5 quilômetros da antiga ligação entre a capital paulista e o litoral, na quinta edição do Desafio da Mata Atlântica.

Cubatão - A neblina ainda era forte às 6h30 da manhã, momento em que alguns corredores deixavam a entrada do Parque Caminhos do Mar, no alto da Serra do Mar, em direção à largada, em frente à Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão. A retirada de kits e camisetas aconteceu até as 8h, já que logo em seguida todos se dirigiram ao local da largada, para iniciar o aquecimento.

Para os novatos, a apreensão era grande antes de encarar os 7,5 quilômetros do trajeto, constituído por curvas sinuosas, trechos com chão de pedra e elevação de 100 metros a cada quilômetro. Pontualmente às 9h foi dada a largada ladeira acima.

No meio do trajeto o visual da Serra do Mar e algumas construções históricas amenizavam o sofrimento. Devido à dificuldade da prova, a organização montou postos de água a cada quilômetro e na chegada, para que todos pudessem correr tranquilamente sem se preocupar com desidratação.



Chegada - A chegada foi montada em frente ao Pouso Paranapiacaba (de onde se avista o mar, na linguagem indígena), local em que os motoristas paravam para descansar após a subida da serra, ou se preparavam para a descida. No local existia uma bica de água para abastecer o radiador dos veículos.

Segundo o paulistano Nelson Turri, completar a prova já foi uma vitória. “A corrida é um espetáculo. Não é fácil, mas andando dá para chegar sem problemas”. O corredor lembra ainda que costuma descer a Estrada Velha de fusca. “Voltar aqui depois de quase 40 anos é muito marcante. Lembro que a estrada toda cheirava a lona de freio”. Fã das músicas de Roberto Carlos, ele diz que a rodovia mantém o romantismo citado na letra do rei. “Já quero voltar ano que vem”.

Outro competidor que relembrou os áureos tempos da Estrada foi Getúlio Barreto. “Já desci essa serra de DKV”, comenta de forma saudosa se referindo ao antigo carro da montadora alemã. Segundo ele, apesar de mais emocionante chegar ao litoral no velho carango, subir o percurso correndo também tem suas compensações. “Eu vim pelo desafio. Sabia que ia ser dureza, mas queria completar”.

Mais impressões - Luana Novais não viveu o romantismo da Estrada Velha, já que não era nascida na época. Mesmo assim, a corredora de 28 anos não esconde a emoção de completar uma disputa num percurso em meio à natureza. “Achei a prova muito forte, mas valeu pela paisagem que é muito bela”. Segundo a atleta que marcou 1h04min07, os 500 metros finais foram os mais sofridos. “Mesmo assim espero estar de volta ano que vem”.

Já o santista Valter Soares, conta que mesmo sentindo dores na lombar, resolveu encarar o trajeto. “Foi minha primeira vez. O percurso é muito legal com uma paisagem maravilhosa”. Por morar em Santos, as opções de treino em subida são restritas, mas sempre é possível arrumar um jeito. “Fiz uns treinos no Elevado da Perimetral”, conta o atleta de 63 anos, que fechou em 1h17min.

Em meio a tantas emoções, ainda parafraseando o rei do iê iê iê, a prova pode ter sido dura, mas com certeza foi uma “brasa mora”. “Todos subiram apreciando e respirando história, meio ambiente, essa beleza que Cubatão tem. Foi maravilhoso”, relata Márcia Rosa, prefeita de Cubatão. Com a parceria com o EMAE, órgão que administra o Parque, conseguimos aumentar de 1.500 mil para dois mil atletas e tivemos muita gente participando pela primeira vez”, acrescenta o diretor-presidente de A Tribuna, Marcos Clemente Santini, idealizador e também participante da corrida.


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