A chegada na Paulista já era uma tradição
Foto: Sérgio Shibuya/ ZDL
A nova chegada será na região do Ibirapuera
Foto: Sérgio Shibuya/ ZDL
A tradicional Corrida de São Silvestre, que esse ano chega a 87ª edição, teve diversas modificações em seu percurso, primeiro com a chegada sendo transferida para a região do Parque Ibirapuera e depois com alterações no traçado sob a alegação de que a prova conflitaria com o Show da Virada, que acontece no mesmo local. Muitas pessoas se mostraram insatisfeitas e teve início uma série de protestos.
Thadeus Kassabian, diretor da Yescom, empresa responsável pela organização da prova, explica os motivos que levaram o evento a sofrer mudanças. Segundo ele, várias alternativas foram pensadas nos últimos anos e o atual percurso foi avaliado e autorizado pela CBAt e pela Iaaf. “Posso garantir que várias alternativas foram estudadas por mais de dois anos não só pela parte técnica, mas também envolvendo engenheiros e entidades governamentais”, comenta.
Questionado sobre a perda da tradição da prova com a chegada num lugar diferente da Avenida Paulista, Thadeus diz que a tradição começa por sua data, idade e diversas fases e situações que a mesma foi realizada. Algumas pessoas sugeriram que se virasse à esquerda na Avenida Paulista, mas ele explica que essa não é uma alternativa simples. “Na região sugerida temos quatro hospitais: Santa Catarina, Osvaldo Cruz, H. Cor e Beneficência Portuguesa. A dispersão seria bem em frente ao Santa Catarina e todas as vias teriam que ser bloqueadas não só na frente, como nas paralelas e transversais, dificultando o acesso a estes hospitais”.
O anúncio da alteração do percurso veio por meio de um comunicado no site da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e só depois os responsáveis pela prova confirmaram a informação. Questionado sobre quem de fato sugeriu a mudança, Thadeus afirma que foi uma solicitação da Fundação Cásper Líbero. “Esta decisão veio da detentora/dona da São Silvestre que é a Fundação Cásper Líbero. Isso já vinha sendo estudado há dois anos com os órgãos públicos competentes, principalmente pensando na segurança dos corredores”. Ainda segundo Thadeus, não foi uma decisão unilateral. “Não podemos dizer que foi fulano, cicrano ou quem quer que seja. Foi uma decisão tomada em cima da preocupação de muitas pessoas e estudada por todos que fazem parte do comitê organizador”.
De acordo com o dirigente, organizar uma prova com milhares de corredores no mesmo espaço que o Show da Virada, que também reúne uma grande quantidade de pessoas, tornou-se inviável nos últimos anos. “Com dois eventos lá tudo fica mais difícil, desde uma área de dispersão, até o socorro a um corredor que possa precisar de cuidados médicos. Por mais que se diga que há formas de realizar na Paulista, podem ter certeza que foram várias e várias reuniões de estudo sempre considerando a segurança. Não podemos fazer a cidade parar”.
Protestos - No dia dois de novembro cerca de 300 corredores se reuniram na Avenida Paulista para um
treino/ protesto em favor da manutenção da chegada na Avenida Paulista. Na ocasião o grupo percorreu o trajeto antigo da São Silvestre com escolta da Polícia Militar, CET e sob o olhar atento de Thadeus. “Casualmente no dia eu estava na região fazendo reconhecimento de percurso e percebi a forma tranqüila que o protesto ocorreu. É uma manifestação livre sem usar o nome do evento como uma corrida cópia”, admite. “Acho que o protesto é porque as pessoas admiram o evento. Não acho que as pessoas que protestaram estavam contra a São Silvestre, pelo contrário, estavam a favor”.
O dirigente também dá uma sugestão aos organizadores do protesto. “Eles deveriam estudar o porquê da mudança e como realmente expressar os sentimentos, impacto social, impacto na região, história da prova e seus vários percursos e diversos fatores”.
Uma preocupação dos inscritos é quanto ao deslocamento após o término da chegada, já que a região do Ibirapuera não possui estações de metrô e as vias próximas estarão interditadas para a prova, dificultando a locomoção por ônibus. O responsável pela Fundação Cásper Líbero, Júlio Deodoro, em entrevista à
ESPN Brasil, afirmou que oferecer alternativa para o retorno à Paulista não era uma obrigação dos organizadores.
“Minha sugestão é o processo invertido, ou seja, buscar locais próximos a chegada e ir em direção à largada antes da corrida”, explica Thadeus. “Sobre os locais aonde estacionar, sugiro sempre pesquisar no site da CET o plano viário do dia. Há também linhas de ônibus e entendo que haverá um caminho tranqüilo de retorno”, completa.
Confira na próxima página o que o dirigente tem a falar sobre as alterações no traçado