Crianças devem ter prazer em fazer esportes e não serem obrigados
Foto: Fernanda Paradizo
Muitos filhos de atletas vêem os seus pais treinando e pedem para praticar o mesmo esporte, até mesmo por identificação, mas vale perguntar: quando é o momento de especificar em uma modalidade?
É muito comum crianças até aproximadamente dez anos, quererem imitar os pais, e pedirem para praticar, treinar, ou jogar o mesmo esporte que o adulto. Aí a postura do adulto normalmente é de desconcerto que se baseia em questionamentos referente à intensidade do treino: será que o corpo da criança agüentaria? Ou de proibição: ele ainda não tem idade. Ou mesmo, no outro pólo, de orgulho, e logo colocando o filho numa escolinha, em um centro de treinamento, em uma consultoria esportiva.
Quando estamos tratando de crianças temos de tomar alguns cuidados ao encaminhá-las para o esporte, quem pratica sabe do beneficio que ele proporciona, e privar a criança desses benefícios seria um ‘pecado’, porém a rotina de treinos de competições pode estressar e traumatizar o infante de tal modo que resulte num desinteresse total por esporte quando ela chegar na vida adulta.
Nunca devemos esquecer também que as crianças estão em fase de crescimento, e que seus corpos estão em formação, e o desenvolvimento do corpo com uma atividade a fim de ganhar desempenho poderia trazer problemas de formação, no corpo da criança, irreparáveis.
O que fazer então? Qual é a solução para iniciar seu filho pequeno numa atividade esportiva?
A melhor solução é através da iniciação esportiva, que deve acontecer sempre de forma lúdica, com brincadeiras e jogos para que o futuro pequeno atleta aprenda as diversas possibilidades do seu corpo e de seus movimentos.
Especificar logo de início é impedir que a criança desenvolva uma boa educação física e impossibilitar a liberdade de escolher qual atividade mais lhe agrada.
Uma boa iniciação esportiva deve, como já foi dito, trabalhar principalmente com o lúdico e desenvolver as diversas potencialidades de movimentos que exige a atividade física. Conforme a criança cresce é interessante lentamente introduzindo as mais diversas modalidades esportivas: as coletivas e as individuais, para que ela, no final de sua infância, início da adolescência, quando é o momento das escolhas, decida qual caminho seguir, qual esporte praticar e como praticar.
Os pais atletas não devem se sentir culpados ou decepcionados caso seu filho não goste de esporte e prefira outras atividades, principalmente na adolescência é comum haver uma tentativa de diferenciação dos pais, e a forma que normalmente é encontrada para isso, é a negação dos valores familiares.
Um pai deve ficar orgulhoso por ter dado a seu filho a possibilidade de escolher o esporte que quisesse, e a possibilidade de praticar ou não esporte. Esse pai ensinou ao filho o exercício da liberdade e juntamente com ele o da responsabilidade.