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José Virgínio celebra apoio do público local na Meia da Disney


Por Paulo Gomes | 18/01/2012 - Atualizada às 07:30

Zé Virgínio com o troféu na Meia da Disney: levando a montanha para a rua
Zé Virgínio com o troféu na Meia da Disney: levando a montanha para a rua
Foto: Arquivo pessoal
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Quando tricampeão brasileiro de corridas de montanha José Virgínio de Morais decidiu correr o Desafio do Pateta (Meia Maratona e Maratona da Disney), talvez não tenha sido levado a sério como um candidato à vitória. Como o próprio fundista já disse, existem diferenças entre os corredores de rua e os de montanha.

Mas Zé Virgínio voltou de Orlando (EUA) com a vitória na Meia (07/01) e mostrou que é possível, sim, ter bons rendimentos nos dois solos. O principal obstáculo nos Estados Unidos não foi o asfalto, mas a temperatura, como conta o corredor.

“Nunca tinha corrido em um lugar tão frio. Corri o K42 na Argentina com 4 °C e achei que era muito frio, mas na Disney largamos com -3 °C, -2 °C. Foi uma coisa insuportável”, lembra o atleta. “A largada é às 5h30, já não é um horário normal. Tive que acordar às 2h30”, ilustra.

O brasileiro travou uma disputa com o corredor mexicano Mauricio Mendez até o quilômetro 13, quando apertou o ritmo e disparou para a vitória. “Ele não desgrudava em nenhum momento, pensei que estava me ‘cozinhando’, acompanhando meu ritmo e esperando para dar o bote. Quando eu parti ele foi ficando, foi aí que comecei a acreditar na vitória”, revela.

Percurso rápido- A Meia da Disney é um caminho de ida e volta entre os parques Epcot Center e Magic Kingdom, com trechos nas estradas locais e dentro dos parques. “É bem plano, uma ida e a volta por outra estrada. A ida é uma leve subida, imperceptível. E na volta é a leve descida. É muito favorável para tempos, mas o frio não permite. É um percurso muito rápido”, conta o vencedor.

Zé Virgínio explica que a corrida “passa por estradas amplas e desertas e, de repente, entra no parque com mais de duas mil pessoas assistindo”. Segundo ele, “esse é o grande diferencial. Cinco e meia da manhã, tudo escuro, com dois graus negativos e tem um monte de gente te ovacionando, em diversas línguas. Eles abraçam mesmo a causa do evento”, aponta.

Para o corredor, essa é uma questão cultural. “Podemos falar que eles comem bacon e batata frita, mas a forma que eles abraçam o esporte é impressionante. Ainda não vi isso no Brasil. Disseram que só por fazermos o esforço de vir de outro país para correr lá já somos vencedores, isso me marcou. É muito gratificante ouvir isso de um nativo”, conclui o corredor.

Pequena frustração- O único ponto negativo da passagem de Zé Virgínio pelos Estados Unidos foi a desistência da Maratona, no dia seguinte à Meia. Na semana da prova, o fundista teve uma lesão na planta do pé direito durante um treino na USP e as dores após a Meia impediram que corresse no domingo.

“Fui aquecer e já estava doendo demais, acabei abortando. Meu antigo treinador me ensinou que não se pode começar uma maratona com dor, para fazê-la bem não pode estar nem com dor de espinha no rosto. Até chorei na hora, mas tem coisa que a gente ganha mais abrindo mão do que querendo abraçar o mundo”, encerra.


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