Marílson, Joshua e Clodoaldo deixaram Franck e Damião para trás na ponte
Foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br
A força africana prevaleceu nesta edição da prova
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Com tempo encoberto, mas se chuva, o brasiliense Marílson Gomes dos Santos confirmou o favoritismo e venceu a edição 2010 da Dez Milhas Garoto, disputada neste domingo (15/08) entre Vitória e Vila Velha (ES). Entre as mulheres, a vitória nos 16 quilômetros ficou com a queniana Eunice Kirwa.
Vila Velha - Apesar da previsão dos meteorologistas de chuva para a manhã de domingo em Vitória, a capital capixaba amanheceu nublada, com vento, mas São Pedro foi generoso e manteve fechada a torneira celestial. Desde as 7h muitos atletas já se concentravam na Praia de Camburi, local da largada, para se aquecer e alongar.
Às 8h15 largaram os cadeirantes, seguidos pela elite feminina, às 8h45 e a elite masculina e pelotão geral às 9h. Na prova feminina, Marily dos Santos, Marizete Moreira, Simone Alves da Silva, Fabiane Cristine, entre outras, brigavam com as africanas pelo posto mais alto do pódio.
Desde o princípio, a queniana Eunice Kirwa se desgarrou do pelotão principal, mas Simone e a etíope Shewarge Amare não deixaram que ela corressem sozinha e passaram a persegui-la Faltando 500m para a linha de chegada, a brasileira resolveu dar um sprint na tentativa de surpreender a africana, mas não obteve êxito.
“Faltando 100m eu senti uma câimbra e a etíope me ultrapassou. O nível estava muito forte e eu me superei para ser a melhor brasileira e ganhar o carro”, afirma a fundista que agora se focará no Troféu Brasil de Atletismo. Eunice venceu com o tempo de 55min11, seguida por Shewarge com 55min17 e Simone com 55min21.
“Gostei da prova, ainda mais por ter vencido”, conta Eunice que levou para casa um cheque de R$ 10 mil. “O nível estava muito forte e o vento também atrapalhou um pouco”, completa a corredora.
Masculino - Na disputa dos homens a briga pelas primeiras posições foi intensa desde o tiro de partida. Muitos entusiastas do atletismo esperavam com anseio a disputa entre Marílson e o mineiro Franck Caldeira, mas o queniano Joshua Kemei roubou a cena e quase estraga mais uma vitória do bicampeão da Maratona de Nova York.
Nos primeiros quilômetros os corredores não quiseram arriscar e passaram a correr num único pelotão, composto por Franck, Maríslon, Clodoaudo Gomes, Damião Ancelmo de Souza, Kiprop Mutai, Giomar Pereira, entre outros nomes de peso. Como já era esperado, da metade para o fim da ponte é que a prova começou a ser decidia.
Em quase nenhum momento do trajeto Marílson colocou a cara no vento e preferiu se manter atrás dos adversários na tentativa de buscar o vácuo. Após a subida dos primeiros quilômetros da ligação entre Vitória e Vila Velha, o brasiliense disputava posições com Joshua e Clodoaldo, enquanto Franck e Damião travavam um duelo pessoal mais atrás.
Na chegada à Praia da Costa, Marílson e o queniano corriam lado a lado, mas nenhum deles quis arriscar um sprint, já que ainda faltavam alguns quilômetros até a chegada. Foi só na saída da orla para entrar no bairro que o fundista brasileiro resolveu se distanciar do africano para tentar a vitória.
A poucos metros da chegada o público chegou a ficar preocupado, pois Marílson começou a levar a mão na região abdominal, mas ele conseguiu se manter à frente e cruzou a faixa em frente à Fábrica da Garoto com o tempo de 47min45. Joshua veio logo atrás com 48min11, seguido por Clodoaldo com 48min28.
Impressões - “Estou muito feliz com essa vitória, pois a prova hoje foi muito disputada. Não estava num bom dia e até cheguei a pensar que não fosse conseguir”, conta o campeão sobre seu quarto título. “O clima para mim atrapalhou um pouco, devido à umidade, cheguei a ter dores abdominais, mas no final deu tudo certo”, ressalta. Durante todo o trajeto os populares o incentivavam e na chegada foi montada uma arquibancada para que as pessoas pudessem acompanhar mais uma vitória de um brasileiro. “Essa torcida é sensacional. Eu vinha correndo esperando chegar aqui e ver isso.
O queniano, que se mostrou competitivo durante todo o trajeto, parabeniza o campeão e se diz feliz com o resultado. “O nível estava fortíssimo, eu já conhecia o Maríslon e sabia que ele era um corredor forte. Tentei vir com ele até onde deu, mas o vento atrapalhou muito”. Já para Clodoaldo, que em diversos momentos tomou a frente da prova, o terceiro lugar foi suado. “Foi difícil como sempre, mas graças a Deus consegui um bom resultado”, conta.
Ao todo cerca de seis mil participantes disputaram a prova, que já se tornou tradicional no calendário brasileiro de corridas de rua. Segundo Paulo Silva, responsável pela parte técnica do evento, essa foi a melhor edição em 17 anos de organização sob sua responsabilidade. “Não me lembro de uma temperatura tão boa quanto hoje e, se não tivesse tanto vento, teríamos recorde do percurso”. Ainda segundo Paulo, esse ano ele conseguiu corrigir vários problemas de anos anteriores. “Foi a melhor prova em todos os sentidos”, conta o gaúcho que também organiza a Maratona de Porto Alegre.