A largada aconteceu ao nível do mar
Foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br
Marizete disparou logo de cara
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A prova passa por trechos da Calçada do Lorena
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O prcurso é feito apenas de subidas
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Chiquinho estava com a prova engasgada
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No último sábado (03/07) a edição 2010 do Desafio da Mata Atlântica, em Cubatão (SP), foi marcada por céu azul, tempo quente e a coroação de Marizete Rezende e Chiquinho Barbosa como rainha e rei da competição. Após ficarem de fora do lugar mais alto do pódio em 2009, esse ano eles voltaram a brilhar e se tornaram respectivamente tetra e tricampeão da disputa.
Cubatão - O sol não tinha raiado quando os primeiros atletas se dirigiam ao local de retirada dos kits, em frente à Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão. Ao mesmo tempo, ainda sob o véu noturno, outros atletas chegavam à divisa de São Bernardo do Campo com Cubatão, no alto da serra, para embarcarem em ônibus que os levariam ao local da largada.
O clima frio e a neblina característica nesta época do ano foram as primeiras dificuldades encontradas pelos cerca de dois mil competidores. No momento em que o primeiro ônibus deixou o estacionamento do Parque Caminhos do Mar, a visibilidade era de pouco mais de meio palmo.
Passadas as primeiras adversidades, às 8h, uma hora antes do tiro inicial, o sol já dava as caras, com céu azul e clima fresco. Misturados entre os amadores, os atletas da elite faziam o aquecimento e alongamento e se preparavam psicologicamente para encarar 7,5 quilômetros de subida pela Rodovia Caminho do Mar (Estrada Velha de Santos), numa ascensão de 100 metros a cada quilômetro.
Entre os diversos atletas que brigavam pela premiação, destacavam-se Chiquinho Barbosa e Marizete Rezende. O primeiro acumulava vitórias em 2007, 2008 e o vice ano passado. Já Marizete, havia faturado o primeiro lugar nas três primeiras edições e o terceiro lugar em 2009.
A prova - Às 9h foi dado o tiro de partida. Marizete apertou o passo, deixando para trás um pelotão que parecia querer uma prova conservadora, sem muitos ataques e escapadas. No quilômetro dois, porém, Sirlene Pinho e Rosângela Faria chegaram a encostar e ultrapassar a líder.
A goiana não se deu por vencida e logo em seguida retomou a liderança, posto que não perdeu mais até cruzar a linha de chegada, no alto da serra, ao lado do Pouso Paranapiacaba, local de onde é possível avistar o mar. Ela marcou 38min27 e foi seguida por Dione Chillemi, com 38min37 e Rosângela Faria com 38min44.
“Além das adversárias, o problema aqui é a subida, mas eu não tenho medo, inclusive gosto”, relata a tetracampeã. “Eu estava precisando vencer uma prova importante como essa”, confessa Marizete, que esse ano não conseguiu encaixar bons treinos. “Mas agora acredito que já estou totalmente curada de uma lesão que me incomodava há um bom tempo e vou me preparar para a Meia do Rio, que meu objetivo principal”, completa a fundista que não se cansa de admirar a paisagem da Serra do Mar. “Mesmo concentrada, não tem como não olhar. É uma paisagem maravilhosa”.
A vice-campeã, Dione, avalia a participação como um’ segundo lugar honroso’. “Eu fui terceira em 2008, sexta em 2009 e esse ano eu treinei muito para essa prova. Cheguei muito perto da primeira”. Ao ser perguntada sobre a parte mais difícil do percurso, ela não pensa duas vezes em responder. “Digamos que é da largada até o quilômetro sete e meio”.
Já para Rosângela, que chegou a liderar num dos trechos, o nível das adversárias estava forte. “Eu vim com o objetivo de vencer, mas a Marizete estava muito bem hoje e a Dione é boa de subida”. Mesmo assim ela se diz contente com o terceiro lugar e feliz por não ter sentido dores. “Ano passado eu tive muita dificuldade no quilômetro cinco com dores no quadríceps, mas dessa vez foi tudo bem”.
Homens - No masculino, Chiquinho deu tudo de si para ficar com mais uma vitória. Ele já saiu na liderança e se manteve à frente por todo o trajeto, evitando dar sopa para o azar até cruzar com 30min42 e estabelecer o novo recorde (o antigo era dele mesmo). Ele foi seguido por Vanderley Tibúrcio com 30min54 e Sérgio Celestino com 31min12.
“Eu estava com essa prova engasgada na minha garganta”, confessa o pernambucano que ano passado cruzou a linha junto com o queniano David Kiprotich, mas foi considerado vice pelo árbitro da Federação Paulista de Atletismo. “Esse ano não treinei tanto quanto ano passado, mas resolvi abrir logo de cara e deu certo”, completa o atleta de 37 anos.
O segundo colocado, Vanderley, mora e treina em Morungaba (interior de São Paulo), região que possui várias subidas e descidas. “Esse é o tipo de prova que eu gosto, com dificuldade alta”, conta. Para o competidor, a parte mais complicada foi no momento em que o terceiro colocado se aproximava e ele teve que reunir forças para garantir o vice. “Precisei ter um psicológico bom, porque nessa hora passa na cabeça toda a preparação feita anteriormente. Dedico o resultado a Deus”.
Já para Sergio Celestino, nesse tipo de prova não tem como bolar uma estratégia antecipada. “É um desafio em que você não sabe o que vem pela frente, então a ideia é se posicionar entre os primeiros e correr cada etapa eliminando adversários”, conta o representante do Clube Pinheiros, que foi segundo colocado em 2008.
A quinta edição do Desafio da Mata Atlântica reuniu cerca de duas mil pessoas, que tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a antiga ligação entre a capital paulista e o litoral. Apesar de fechada para o tráfego regular de veículos, é possível agendar passeios a pé pela Rodovia Caminho Mar. Para informações, estão disponíveis o telefone (11) 3333-7666 e o e-mail
caminhosdomar@energiaesaneamento.org.br.