Foto: Ricardo Leizer / www.webrun.com.br
São Paulo -
(Gira mundo...) - Era o ano de 1995 e eu participava das minhas primeiras corridas de rua, as famosas provas de 6K da Corpore, em pleno sábado pela manhã no Ibirapuera.
Nestes eventos a premiação era um momento aguardado, já que nós pobres mortais poderíamos abocanhar algum brinde no farto sorteio, até então existente. Só então após encerrado o sorteio, a multidão – 600 pessoas! – se dispersava.
Nestas ocasiões me chamava a atenção um atleta que sempre se posicionava, invariavelmente, no lugar mais alto do pódio. Mas o que despertava minha curiosidade era seu uniforme que estampava a marca Sadia. Como nesta época eu trabalha na área marketing desta empresa e sabia que patrocínio de atletas não estava nos planos de marketing da companhia, um dia eu o abordei.
“Por que você corre com essa marca no uniforme?”
“Eu trabalho lá!”, foi a resposta acompanhada de um sorriso simples. Pergunta vem pergunta vai, descobri que aquele corredor era operador de empilhadeira na fábrica que ficava na mesma planta do meu departamento.
Não pude deixar de me comover com os pódios daquele rapaz e pedi um portfólio de suas conquistas, para que fosse levado ao responsável por patrocínios, que na época era uma das herdeiras da empresa. A tentativa de patrociná-lo foi em vão, já que patrocínio em atletas não contemplava o budget de marketing, portanto, fora de questão.
Sabendo do potencial daquele rapaz eu sempre falava. Larga isso aqui é se dedica totalmente ao esporte, coisa que ele fez pouco tempo depois, obviamente já seguindo conselhos de outras pessoas experientes e não do Harry, um corredor iniciante na época.
Mas alegria, alegria mesmo, foi receber ontem release da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) com os atletas confirmados para representar o Brasil nas Olimpíadas de Pequim e ver que o nome do meu amigo operador de empilhadeira, o José da Teles da Silva, representará o Brasil na mais nobre distância olímpica, a maratona.