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Por que utilizar carboidrato nas corridas?


Por Bruna Iasi | 18/12/2008 - Atualizada às 08:11

Uma pergunta muito recorrente no mundo da corrida é em relação aos carboidratos. Por que usar? Quando usar? A suplementação faz realmente efeito? Para responder a estas perguntas, acho importante explicar de onde nosso corpo retira a energia durante a corrida.

O organismo consome diariamente carboidratos, gorduras e proteínas para fornecer energia necessária para manter as atividades celulares em repouso e durante o exercício. No exercício, os principais nutrientes utilizados são as gorduras e os carboidratos, contribuindo as proteínas com uma pequena quantidade de energia.

Durante o exercício prolongado de baixa intensidade (acima de 30 minutos), ocorre um desvio gradual do metabolismo dos carboidratos em direção a uma maior dependência da gordura como substrato energético. Entretanto, é importante saber que quando os estoques de glicogênio (o carboidrato que fica estocado em nosso corpo) muscular e hepático atingem níveis muito baixos existe a possibilidade de ocorrer a fadiga muscular.

Isso pode acontecer, pois para a gordura ser utilizada como energia, é necessário ter carboidratos disponíveis no organismo. Por isso dizemos que “a gordura queima na chama do carboidrato”.

Por este motivo, a reposição de carboidratos durante a atividade física prolongada é importante. Se não houver glicose disponível no organismo, não há produção de energia e o praticante da atividade pode “quebrar” no meio do treino ou da prova.

Como consumir - A melhor forma de fazer a reposição de carboidratos é através de carboidratos complexos que não elevam muito a glicose sanguínea, evitando assim uma hipoglicemia rebote. Durante o exercício, é praticamente impossível parar para comer alguma coisa e por isso os carboidratos em gel são tão recomendados e utilizados.

Normalmente eles são compostos de maltodextrina, que é um derivado do milho ou da mandioca e é feita a partir da conversão enzimática do amido. Ela é considerada um carboidrato complexo, pois possui em sua formulação vários açúcares, como a dextrose, maltose e outros, necessitando, assim, de digestão para sua conversão em glicose.

Na composição destes géis também podemos encontrar outros componentes interessantes como alguns antioxidantes (ex.:vitamina C) e também os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) em pequenas quantidades.

Segundo a Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva, a reposição necessária de carboidratos para manter a glicemia e evitar a fadiga é de 30-60g/ hora, o equivalente a um ou dois saches de carboidrato em gel (de 30g) por hora. O ideal é consumir o gel junto com água, para evitar também a desidratação (um fator que leva a queda significativa do rendimento) e para auxiliar na digestão do carboidrato.

A recomendação prática para o uso do carboidrato em gel é utilizar um a cada 45 minutos, e se for em prova, dar preferência ao consumo nos postos de hidratação. Bons treinos e boa prova!

Bruna Iasi


Consultora Webrun da seção Mulheres. É bacharel em Nutrição pela São Camilo e Especialista em Fisiologia do Exercício pela UNIFESP - EPM.
Blog: http://www.aventurasdeumacozinheirainiciante.blogspot.com.br/ Contato: bruiasi@yahoo.com.br

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