A tradicional prova São Silvestre terá o percurso alterado
Foto: Sérgio Shibuya/ZDL
Atualizada em 05/09 às 12h40
A São Silvestre, corrida tradicional de São Paulo (SP) que chega a sua 87ª edição, que sempre teve largada e chegada na Avenida Paulista terá algumas alterações no percurso e a chegada será no Obelisco do Parque Ibirapuera. A justificativa da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) é para que não haja conflito entre os corredores e os participantes da festa do ano novo.
Após as polêmicas geradas na edição de 2010 do evento, quando a organização entregou a
medalha junto com o kit de participação, a prova continua a gerar comentários. Alguns técnicos e atletas deram sua opinião ao
Webrun sobre as mudanças feitas na prova, que atrai cerca de 20 mil corredores todos os anos, para correr no dia 31 de dezembro, às 16h30.
No percurso anterior, o final da corrida passava pela temida subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio e acabava na Avenida Paulista. As mudanças fazem com que os corredores enfrentem a subida da Brigadeiro, cruzem a Paulista e continuem por sua descida íngreme, sentido Parque do Ibirapuera.
“Tecnicamente a mudança é ruim por causa da descida, principalmente para os amadores. Esta descida pode causar problemas articulares e musculares”, comenta Nelson Evêncio, Presidente da Associação dos Treinadores de Corridade Rua de São Paulo (ATC).
Já Adriano Bastos, heptacampeão da Maratona da Disney, acredita que será uma prova mais agressiva. “A prova vai ser mais agressiva. Depois de você encarar uma subida grande e desgastante como a da Brigadeiro, a musculatura vai estar saturada e os corredores vão ter que descer a Brigadeiro, o que vai machucar bastante. Muitos atletas correm o risco de se lesionarem e a São Silvestre acabou se tornando uma prova perigosa.”
Em relação a alteração do percurso, André Ricardo da BR Move Assessoria Esportiva não gostou das mudanças. “O ano todo, as pessoas correm no Parque do Ibirapuera, na USP, no Jockey, e a oportunidade que você tem no ano de correr pelas ruas do Centro, com um percurso que passa pela Consolação e sobe a Brigadeiro, acabou. Isso tira a característica da prova, que é tão tradicional.”
Muitos participantes vêm reclamando e há certa possibilidade que o número de inscritos diminua. “Desde que me tornei atleta, sempre conheci a São Silvestre com aquela chegada linda e maravilhosa. Acredito que a prova vai perder o encanto e o número de participantes pode diminuir”, fala Edson Dantas, paraatleta que é pentacampeão da São Silvestre.
Edson também acredita que os organizadores poderiam mudar o horário da prova, para que não houvesse conflito com a festa da virada. Já Adriano Bastos, afirma que isso descaracteriza a competição. “A prova fica descaracterizada, porque o fato da corrida acabar na Paulista tem a expectativa de muitas pessoas que vão para a festa de fim de ano esperarem os primeiros colocados”, comenta o atleta.
Já para Wanderlei de Oliveira, da Run For Life, as mudanças são válidas e necessárias, já que o número de participantes é alto e a Avenida Paulista é estreita. “Acho que será bom para o corredor e para a organização, mas a logística deverá ser boa, já que a prova começa em um lugar e termina em outro. Para as pessoas que correm a São Silvestre a bastante tempo e tem como objetivo melhorar seu tempo naquele percurso, agora será diferente, é uma outra prova, não é a mesma São Silvestre de sempre”, finaliza Wanderlei.
Veja o mapa não oficial do novo percurso, no site
Webrun