Marílson foi o oitavo colocado
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O novo percurso da São Silvestre e a chuva torrencial no último sábado (31/02) favoreceram os africanos? A ausência de um brasileiro no pódio, segundo Moacir Marconi, Coquinho, treinador de atletas africanos, não pode ser justificada pelo mau tempo e um trajeto diferenciado, mas sim ao alto nível técnico dos corredores estrangeiros. “O bom rendimento na prova comprova que a genética e o local onde se vive [em altitude] são fatores decisivos para conquistar boas colocações”, afirma o treinador.
Para Cláudio Castilho, orientador dos corredores da equipe Pinheiros de Atletismo, a alteração de um percurso com qual os atletas já estavam acostumados pode sim ter sido um dos fatores que influenciaram o menor desempenho dos atletas nacionais, embora não explique completamente o resultado final. “Os brasileiros sofreram com o desconhecimento do caminho, pois antes eles sabiam os pontos em que poderiam fazer mais força, qual momento investir mais energia, dessa vez a novidade foi para todos”, considera.
O treinador dos brasileiros acrescenta que a chuva atrapalhou todos os competidores da prova masculina, que poderia ser mais acirrada em condições normais. “A disputa feminina foi mais emocionante e mais rápida. A Adriana Aparecida, da nossa equipe, por exemplo, superou seu recorde pessoal nos quinze quilômetros. Os homens tiveram dificuldade porque o terreno molhado traz insegurança na pisada, a força diminui e provoca o aumento do desgaste muscular”, explica.
De acordo com Coquinho, o seu atleta queniano Mark Korir, vice-campeão da disputa em (43min58), reclamou bastante de dores na musculatura após a prova. “A gente fez uma preparação para os aclives e o percurso não ficou mais fácil, muito pelo contrário. A lição para todos agora é aprimorar a descida”, avalia Moacir, que também se surpreendeu com a vitória de Tariku Bekele, campeão em (43h35).
“O Bekele não era o favorito, mas está nas vésperas da Maratona de Dubai e muito bem condicionado, por isso imprimiu um ritmo superior e frustrou as apostas feitas em Martin Lel e Marilson Gomes [quarto e oitavo colocados]”, finaliza Coquinho. Se a ocupação dos cinco primeiros lugares do pódio pelos africanos na edição de 2011 ameaça e diminui as expectativas em relação ao nível técnico dos brasileiros, Castilho continua acreditando no potencial verde-amarelo.
“Os atletas nacionais sempre tiveram condições de competir de igual para igual com os adversários da África. Marílson Gomes é um exemplo, porque já registrou tempos extraordinários em Maratona e não fica atrás para ninguém. O último dia 31 apenas não foi o dia dele”, argumenta Cláudio. O primeiro brasileiro a cruzar a linha de chegada foi Damião Ancelmo de Souza (44h53), no sétimo lugar, enquanto no feminino a atleta Cruz Nonata (51h59) se consagrou como a melhor do país, com a sexta colocação.