Treinadores querem melhoria no atendimento médico das provas
Foto: Ana Fernandes/ www.webrun.com.br
Luiz Luca considera insuficientes os investimentos na área de assistência médica
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Claudia Rangel acredita que organizadoras deveriam ser responsabilizadas
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Atualizada em 24/02 às 15h20
Treinadores da ATC (Associação de Treinadores de Corrida) se reuniram este mês em fórum para discutir a qualidade da assistência médica que é prestada em provas brasileiras de corrida de rua. O “Fórum de Assistência Médica em Corridas de Rua: Tendências e Desafios” foi realizado com apoio do Hospital Nove de Julho, em auditório da instituição. Falaram, no evento, o superintendente do hospital, Luiz Luca, e os médicos Rodrigo Nicácio e Milton Mizumoto, que têm anos de experiência no apoio médico a eventos esportivos.
Uma posição comum entre os participantes do debate é a de que a infraestrutura de assistência médica oferecida aos corredores da maioria das provas brasileiras ainda é ruim e que ainda há muito a ser feito. “As organizadoras [das competições] só cumprem a legislação, mas a assistência médica oferecida é muito fraca, insatisfatória”, diz Luiz Luca, que além de superintendente do hospital é também corredor de provas no Brasil e no exterior. Segundo levantamentos apresentados por Luca, apenas 8%, em média, do orçamento das provas é aplicado em infraestrutura médica para o evento. “Queremos assistência médica ou uma camiseta bonitinha no kit?”, questiona.
Para Rodrigo Nicácio, no Brasil há muitas pessoas correndo e pouca assistência oferecida a estes atletas. Como exemplo a ser seguido para melhorar a situação das corridas de rua no país, Nicácio cita a regulamentação implementada pelo governo estadual do Rio de Janeiro para a assistência médica em eventos especiais, o CART (Certidão de Anotação de Responsabilidade Técnica). “Qualquer evento com mais de mil pessoas no estado do Rio de Janeiro tem de ser submetido ao Corpo de Bombeiros e ao CRM (Conselho Regional de Medicina) no que diz respeito ao número de ambulâncias, número de médicos, número de enfermeiros.”
O médico ressalta que o ideal seria oferecer boa infraestrutura médica para socorro aos corredores que passam mal e ter um sistema de prevenção adequado anterior ao dia da prova. “ Muita gente passa mal porque não respeita seu limite, isso é praticamente 100% dos casos [que são atendidos durante as provas] e são atletas amadores”. O médico cita como medidas preventivas de acidentes o fornecimento obrigatório do histórico de saúde de cada participante e orientações prévias com relação a roupa e dieta adequadas para um atleta em competição.
Propostas - Após as exposições de Luca e Nicácio, os treinadores de corrida presentes ao evento passaram a debater propostas que podem ser aplicadas. Para tanto, eles levaram em consideração a fronteira do ideal e do possível, refletindo também sobre até onde vai o alcance dos treinadores, já que muitos ainda correm por conta própria sem qualquer acompanhamento de um profissional credenciado.
De tantas melhorias a serem implantadas, levantou-se algumas mais fáceis de se colocar em prática em um futuro próximo. Martha Dallari, vice-presidente da ATC, lembra uma medida que já é tomada em algumas provas e que facilmente poderia ser replicada: deixar um espaço atrás do número de peito para os atletas preencherem suas informações cadastrais de saúde. Outra possibilidade, ainda melhor, seria já imprimir essas informações (que seriam passadas no momento da inscrição online) no verso.
Milton Mizumoto, médico que atua nesse ramo de assistência a corridas de rua há décadas, acredita que uma medida muito benéfica seria lançar o “Manual do Corredor”, como já existe o “Manual do torcedor” para frequentadores de estádios de futebol Brasil afora. Esse manual daria orientações básicas aos participantes de provas, para eles próprios se preservarem, e em um formato de campanha em vez de um formato impositivo. “O corredor que conhece melhor a si próprio vai dar menos trabalho [aos médicos]”, diz.
E você, o que acha sobre este assunto? Acredita que o tom de campanha para melhorar o atendimento médico nas provas seria efetivo, ou deveria ser imposto pelos órgãos governamentais? Venha postar sua opinião e discutir com os outros internautas no
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