• Caminhada - Dor no meio do pé pós-trauma pode ser lesão de lisfranc

Dor no meio do pé pós-trauma pode ser lesão de lisfranc

Figura 1: Arquitetura óssea (foto: Arte/ Webrun)
Figura 1: Arquitetura óssea (foto: Arte/ Webrun)

Alguns atletas quando tem dor no meio do pé após um acidente ou queda, questionam se fraturaram a região. Leia aqui sobre a fratura do mediopé na região de Lisfranc, para entender melhor como acontece e como se dá sua abordagem.

Anatomia – As articulações do meio do pé são tarsometatarsais (lisfranc), compostas das bases dos cinco ossos metatarsais, os três ossos cuneiformes e o cubóide. (figura 1).

A estabilidade dessa região é baseada na arquitetura óssea e no suporte ligamentar. Os cuneiformes e as bases metatarsais têm a forma de trapézio e a face mais larga no dorso, trazendo grande estabilidade ao sistema. Os ligamentos interósseos plantares e o ligamento de Lisfranc (base do segundo osso metatarsal cunha medial – figura 2) auxiliam a estabilidade no plano transverso.

Ligamento de Lisfranc – As inserções do tendão fibular longo e do tendão tibial posterior fornecem o suporte dinâmico da região. Mecanicamente o pé apresenta três colunas (Figura 3):

  • A coluna medial é formada pelo primeiro osso metatarsal, pelo cuneiforme medial e pelo navicular.

  • A coluna central é formada pelo segundo e pelo terceiro metatarsal e pelos cuneiformes intermédio e lateral.

  • A coluna lateral é formada pelos dois ossos metatarsais lateriais e pelo cubóide

    Mecanismo de Lesão de Lisfranc – O mecanismo de trauma pode ser direto ou indireto:

  • O trauma direto no pé é frequentemente associado a pequenas fraturas e à lesão de partes moles (tecidos).

  • A maioria das fraturas-luxações de Lisfranc é causada pelo mecanismo indireto onde a força é aplicada no eixo longitudinal, com o pé apoiado e o corpo projetado pra frente em rotação, formando um padrão de lesão variado (Figura 4).

    Diagnóstico – O diagnóstico requer um alto grau de atenção do examinador. O paciente politraumatizado deve ser avaliado com radiografias, simulando apoio plantar (dentro do possível). As radiografias do lado contralateral são úteis para comparação.
    Vale sempre lembrar os diagnósticos diferenciais nas situações onde não existem traumas, já que essa lesão ocorre em apenas 0,2% das fraturas.

    A tomografia computadorizada identifica aumento do espaço entre o primeiro e o segundo metatarsais nas lesões do ligamento de Lisfranc. A ressonância magnética pode auxiliar na identificação de lesões isoladas de ligamentos entre os ossos cuneiformes. (Lesão de Turco).

    Tratamento – O tratamento das lesões da articulação Lisfranc é baseado na manutenção de uma redução anatômica estável. O Tratamento conservador está reservado às lesões ligamentares isoladas do mediopé, geralmente só identificadas após RM. O paciente é imobilizado por seis a oito semanas com a carga sendo liberada progressivamente e neste período é feito fisioterapia.

    Desvios de 2mm levam a uma diminuição de 27% no contato na articulação de Lisfranc.
    Nas lesões com desvio maior do que 2mm estão indicadas a redução anatômica e fixação estável.(cirurgia).

    1. Ly TV, Coetzee JC. Treatment of primarily ligamentous Lisfranc joint injuries: primary arthrodesis compared with open reduction and internal fixation. A prospective,
    randomized study. J Bone Joint Surg Am 2006;88:514-20.

    2. Kuo RS, Tejwani NC, Digiovanni CW, Holt SK, Benirschke SK, Hansen ST Jr, et al.
    Outcome after open reduction and internal fixation of Lisfranc joint injuries. J Bone
    Joint Surg Am 2000;82-A:1609-18.

    3. Sangeorzan BJ, Veith RG, Hansen ST Jr.Salvage of Lisfranc’s tarsometatarsal joint by arthrodesis. Foot Ankle 1990;10:193-200.

    4. Richter M, Wippermann B, Krettek C, Schratt HE, Hufner T, Therman H.
    Fractures and fracture dislocations of the midfoot: occurrence, causes and long-term
    results. Foot Ankle Int 2001;22:392-8.

    5. Teng AL, Pinzur MS, Lomasney L, Mahoney L, Havey R. Functional outcome
    following anatomic restoration of tarsalmetatarsal fracture dislocation. Foot Ankle
    Int 2002;23:922-6.

    6. Yuen JS, Yung SW, Wong MK. Open reduction and temporary rigid internal
    fixation of Lisfranc fracture-dislocations. Singapore Med J 2001;42:255-8.

    7. Tan YH, Chin TW, Mitra AK, Tan SK. Tarsometatarsal (Lisfranc’s) injuries: results
    of open reduction and internal fixation. Ann Acad Med Singapore 1995;24:816-9.

    8. Pérez Blanco R, Rodríguez Merchán C, Canosa Sevillano R, Munuera Martínez L.
    Tarsometatarsal fractures and dislocations. J Orthop Trauma 1988;2:188-94.

    9. Arntz CT, Veith RG, Hansen ST Jr. Fractures and fracture-dislocations of the tarsometatarsal joint. J Bone Joint Surg Am 1988;70:173-81.

    10. Calder JD, Whitehouse SL, Saxby TS.Results of isolated Lisfranc injuries and the
    effect of compensation claims. J Bone Joint Surg Br 2004;86:527-30.

    11. Ebraheim e colaboradores (1996)

    Este texto foi escrito por: Dra. Ana Paula Simões

    Comentários

  • Redação Webrun
    Releases, matérias elaboradas em equipe e inspirações coletivas na produção de conteúdo!
    Publicidade

    Calculadoras Webrun

    Publicidade

    NEWSLETTER