• Corridas de Rua - Como o esporte transformou a vida de um atleta na luta contra o câncer

Como o esporte transformou a vida de um atleta na luta contra o câncer

Cordilheira

O esporte sempre esteve presente na vida de Gustavo Carneiro, desde pequeno ele nadava e jogava futebol, depois, por imposição do pai, começou a praticar tênis, que acabou se tornando seu esporte do coração, junto com a corrida.  Seguiu neste caminho e aos 12, foi campeão mineiro de tênis pela primeira vez.

“Sempre pratiquei as mais diferentes modalidades, fui campeão brasileiro de peteca e squash. Corri, fiz kung fu e sempre tive esse jeito de ser, os amigos me chamavam de louco”.

Os anos se passaram e Gustavo se manteve praticando esportes. Em 2013, com 40 anos descobriu um câncer abaixo da batata da perna esquerda, foi aí que as coisas começaram a mudar. “Nessa época o médico da minha cidade cogitou amputar, mas ainda não era o momento”.

Cirurgia feita e foi apenas necessário retirar um músculo da região. Gustavo seguiu o tratamento com quimioterapia e radioterapia. Um ano depois já estava de volta às trilhas e a vida normal, logo depois voltou a corrida, decidindo participar de sua primeira maratona.

Foto: Divulgação

Foto: Arquivo pessoal

“Em maio de 2016 completei a minha primeira maratona no Rio de Janeiro. Lembro de correr com os olhos cheios de lágrimas, lembrando que falaram em amputar minha perna e naquele momento estava realizando aquele sonho”.  

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

A vida seguiu normalmente, até que em outubro de 2017, ao fazer um exame de rotina foi descoberto que o tumor havia voltado ao mesmo lugar. “Acho que a dor foi bem pior do que a primeira vez em 2013, já que sabia tudo que teria que enfrentar novamente. Na verdade, eu achava que sabia”.

Ele não sabia. Gustavo teve que amputar a perna na altura do joelho. “Por incrível que pareça fiquei tranquilo e senti uma força muito grande para superar e vencer tudo isso”.

Recomeço

Completados 7 meses da amputação o corredor se sente ainda mais forte do que antes, buscando com mais vontade seus objetivos na vida e principalmente nos esportes. “Nunca pensei em desistir, o esporte com certeza foi a força para superar essa nova realidade, desde que soube da amputação comecei a traçar novos planos e desafios”.

A impressionante recuperação de Gustavo inspira diversas pessoas nas redes sociais. “Amputei uma perna, mas sem risco de vida, vou continuar vendo minhas filhas (Jessica, 23 anos e Iasmin, 7 anos) crescendo”.

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Cinco meses depois da amputação ele se desafiou na Ultra Fiord, Patagônia. Foram 30km, em 27h de prova, com uma prótese de andar e duas muletas. “Me preparei para fazer a prova em no máximo 16h, mas errei feio. Cruzei a madrugada com temperatura de – 5 graus e lama que em muitas vezes atolava a minha prótese até na coxa”.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

“Foi algo incrível, jamais passou pela minha cabeça que, apenas 5 meses depois da amputação, seria capaz de fazer algo tão incrível como a Ultra Fiord.

Cheguei com um pouco de hipotermia e chorando de alegria, de não acreditar no que tinha acabado de fazer nas últimas 27h de prova”.

Sonhos

Atualmente Gustavo está se dedicando ao tênis em cadeira de rodas, com o objetivo de fazer parte da equipe brasileira, até o final de 2019. Além disso, tem ambição de ir além dos 42km “Quero fazer a Comrades na África, são 86km”.

“Essa amputação vem me transformando, são muitos pensamentos que se passam na minha cabeça. Indico que sempre busquemos um propósito de vida, traçando metas para os sonhos. Não existe nada melhor do que batalhar por algo que nos faz vibrar, dormir e não ver a hora de acordar para ir atrás daquilo que nos deixa felizes. Só assim é possível passar pelas dificuldades com bom ânimo”.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

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Christina Volpe
Comecei como corredora, depois me tornei jornalista e repórter do Webrun. Hoje sou editora e convivo diariamente com o esporte há 3 anos. Meu coração bate mais forte toda vez que um atleta conquista seu objetivo, uma corrida acontece e assisto uma competição emocionante. Sempre estou aprendendo e dando meu melhor.
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