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Márcio Villar encara ultramaratona na selva amazônica


Por Alexandre Koda | 23/09/2008 - Atualizada às 12:29

A competição envolve uma preparaçao de guerra
A competição envolve uma preparaçao de guerra
Foto: Arquivo Pessoal
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O ultramaratonista Márcio Villar está pronto para mais um desafio na temporada. Depois de encarar em julho passado a Badwater Ultramaratona, no deserto do Vale da Morte, nos Estados Unidos, ele disputará entre os dias sete e 16 de outubro a edição 2008 da Jungle Marathon, prova com distâncias de 100 e 200 quilômetros pela selva amazônica.

Essa será sua segunda participação no evento, já que em 2006 ficou na sexta colocação, depois de muito esforço e superação. “Nessa prova você pode ser o melhor atleta do mundo, mas nada te garante terminá-la, devido aos grandes perigos nos pântanos, rios, muitas cobras, arraias e escorpiões”, ressalta Villar. Ele diz ainda que há uma etapa de 87 quilômetros ininterruptos num local onde há mais onças por metro quadrado no Brasil.

O ultramaratonista carioca já disputou provas na neve, no deserto, nas montanhas da Serra da Mantiqueira, correu durante 24 horas, mas afirma que a Jungle é o evento que mais lhe fascinou até hoje. “Ela vai te minando aos poucos, cada dia você deixa um pedaço seu pelo caminho. No decorrer da prova é comum encontrar nos postos de apoio atletas arrebentados fazendo muletas com pedaços de galho para continuar a andar”.

Apesar de todas as adversidades, ele diz que a emoção de cruzar a linha de chegada é muito gratificante e não há dinheiro no mundo que pague isso. “Só de chegar mais ou menos inteiro já é uma vitória”. Ainda sem patrocínio para competir, ele conseguiu isenção da inscrição com os organizadores e parcelou a compra da passagem aérea em 18 vezes, tamanha a vontade de participar da prova.

De acordo com o regulamento, todos os atletas devem ser responsáveis pela própria alimentação, levando os suprimentos na mochila, enquanto a organização fornecerá água a cada início de estágio. Ao todo serão quatro estágios em quatro dias para a prova de 100 quilômetros e seis estágios em sete dias para a prova maior, de 200 quilômetros, que variam entre 16 e 87 quilômetros por etapa.

Na disputa de 2006, ocasião em que os diretores de prova eram outros, Márcio diz que foi prejudicado pela contagem oficial de tempo, assim como outros brasileiros que tiveram dificuldade de interpretar o regulamento disponível apenas em inglês. “O diretor de prova foi trocado e parece que a organização melhorou muito, inclusive já tem em português o regulamento. Vou lá para comprovar se agora está tudo certo”, comenta ansioso.

Treinos -Márcio mora e treina no Rio de Janeiro, onde faz preparações um tanto quanto curiosas para as competições que participa, como permanecer numa sauna para simular a temperatura do deserto. Dessa vez correu durante a semana arrastando um pneu. “No último sábado, para distrair um pouco, corri até o topo do Cristo Redentor com uma mochila de oito quilos nas costas”.

Vale lembrar que o Cristo está localizado a 709 metros do nível do mar e o acesso é feito por uma estrada de 2,5 quilômetros ladeira acima da entrada do Parque Nacional da Tijuca, até a base do monumento. A partir daí são mais 220 degraus para chegar ao ponto máximo permitido para os visitantes. “Estou me preparando para guerra”, finaliza Márcio.


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