Márcio teve que encarar várias adversidades para completar a prova
Foto: Arquivo Pessoal
A floresta reservou algumas surpresas desagradáveis para o ultramaratonista
Foto: Arquivo Pessoal
Após cruzar a chegada ele chorava de dor e de alegria
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Entre os dias sete e 16 de outubro aconteceu em Santarém (PA) a edição 2008 da Jungle Marathon, ultramaratona de 220 quilômetros que percorreu a floresta amazônica em meio a animais selvagens, peçonhentos, rios e terrenos irregulares. O brasileiro Márcio Villar foi o quinto colocado na geral masculina, enquanto Jaqueline Terto obteve a vitória na categoria feminina.
Márcio está acostumado às disputas de longa distância em locais hostis, já que tem em seu currículo participações na Badwater, no Deserto do Vale da Morte nos Estados Unidos, na BR 135, onde encarou as montanhas da Serra da Mantiqueira e também já correu sob temperatura de 50ºC negativos. Desta vez porém, ele completou a prova num verdadeiro sacrifício.
Logo no primeiro dia de prova, ocasião em que os atletas correram cerca de 16,3 quilômetros, o atleta do Rio de Janeiro já começou a sofrer. “No quilômetro quatro eu tomei uma ‘navalhada’ de um cipó, fiquei tonto e quase desmaiei”, relata Villar que precisou parar durante quase 20 minutos para se recuperar e completou o dia na 27º posição.
Recuperado do susto, a partir do segundo dia ele começou a melhorar na classificação geral, já que subiu para o 18º posto. Nos estágios seguintes ele passou a figurar na 13ª; e sétima posições, até alcançar o quinto lugar após a penúltima etapa, de dois dias.
Mais problemas - Tudo parecia caminhar de forma perfeita para o atleta, mas no sexto dia as solas de seus pés descolaram e ele competiu os 30 quilômetros da fase final no sacrifício. “Para conseguir largar, a enfermeira costurou a sola do meu pé e o Luiz (um de seus colegas de prova) me deu uma injeção”. O objetivo era chegar entre os três primeiros, meta que ele desistiu de alcançar na metade do trecho. “No quilômetro 15 comecei a urinar sangue e preferi garantir o quinto lugar diminuindo o ritmo, o que seria melhor do que abandonar. Fiquei meio frustrado, mas trouxe mais um troféu”, comenta num misto de alegria e frustração.
Nesse momento ele já está em casa se recuperando de todo o estresse sofrido na competição e não consegue nem calçar chinelos, já que os pés estão muito inchados. “Sei que muitos vão me chamar de louco, mas valeu cada suor e sangue que dei nessa prova. A um quilômetro da linha de chegada já vinha chorando, numa mistura de dor e alegria”, finaliza Márcio que tenta dar alguns passos sob os calcanhares.
Ele fechou com um tempo total de 35h17 de prova, ficando atrás do americano Mark Jaget, que marcou 34h52min, do alemão Michael Brehe, que estabeleceu 33h50 e dos brasileiros Edenil Alburquerque Nogueira e Raimundo Fredison Da Silva, que fecharam em 31h26 e 28h10 respectivamente. No feminino, Jaqueline deu um baile nas adversárias, já que marcou 37h44, seguida pelas inglesas Sophie Collett com 44h59 e Rebecca Wood com 48h49.
A prova masculina de 220 quilômetros contou com 54 atletas cruzando a linha de chegada e 20 abandonos, enquanto entre as mulheres 10 finalizaram o percurso e, segundo os resultados oficiais, não houve abandono. Já na disputa dos 100 quilômetros, o brasileiro Orlando do Patratonio Sousa foi o melhor com 10h44.