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Cadeirantes querem premiação em dinheiro nas provas brasileiras


Por Carlos Oliveira | 22/05/2007 - Atualizada às 12:33

Disputa entre cadeirantes na Tribuna FM
Disputa entre cadeirantes na Tribuna FM
Foto: Divulgação/ Equipe FastWheels
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Jaciel Paulino é um dos atletas da elite do paradesporto brasileiro, tendo acumulado muitos títulos em sua trajetória. Ele nos conta como foi os 10km Tribuna FM realizado na cidade de Santos, no último domingo (20). Mas antes do relato, o colunista do Webrun, Carlos Oliveira, faz algumas observações sobre a situação dos cadeirantes nas provas brasileiras. Confira.

São Paulo - Como vai se ler abaixo no relato do próprio Jaciel, algumas organizações de provas não premiam em dinheiro os atletas cadeirantes. É um questionamento antigo que eu e muitas outras pessoas tentamos entender.

A organização da prova utiliza as ruas da cidade, a sinalização de trânsito, os agentes de trânsito, da polícia militar e todo o aparato que uma prova dessa envergadura necessita, que são pagos, inclusive, com os impostos dos cadeirantes, porém, na hora da premiação, ignoram esses atletas. A organização da prova, na hora da inscrição, cobra o mesmo valor de cadeirantes e andantes (atletas que não tem deficiência), mas na hora da premiação existe uma discriminação violentíssima, vejamos como exemplo a competição santista.

Nessa prova atleta andante recebeu pelo seu esforço, um automóvel Celta OKM. Já o atleta cadeirante apenas um troféu. Ora será que o esforço do atleta cadeirante é menor?

Em outras ocasiões, como consultor do site e também como atleta, tentei inúmeras vezes contato com a organização da prova, para saber qual era o motivo do não pagamento aos cadeirantes, porém, todas as minhas tentativas sequer tiveram resposta.

Os cadeirantes não querem todas as luzes da ribalta, não querem ser o centro das atenções, querem apenas ser tratados com dignidade. Muitos participam há anos da Tribuna FM, por exemplo, e não são reconhecidos.

Se os organizadores da prova 10KM Tribuna, assim como outro qualquer, querem ser realmente grandes, eles devem se basear em provas como Chicago, Nova York, Boston, Berlim, Rústica de Aniversário de Porto Alegre, estas onde os cadeirantes ganham o mesmo valor em dinheiro que os andantes. Nessas provas desde o momento da inscrição até a hora da premiação, os atletas andantes ou cadeirantes, tem a mesma importância para a organização, independentemente se ele corre em cadeira de rodas ou não. Ele terá apenas um valor: o valor de um atleta.

Carlos Oliveira (Carlão)


Consultor Webrun da seção Esporte Adaptado. Ele é atleta de elite na categoria cadeirantes e compete pelo CGDCRDR (Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas de Porto Alegre). Vencedor de várias provas importantes nacionais como Maratona Internacional de São Paulo e Meia do Rio, além de ter participado dos principais eventos mundiais da modalidade cadeirantes como o Mundial de Atletismo em Birminghan, Inglaterra e Maratona de Nova York, prova que conquistou o quarto lugar em 1997 e 1998.

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