Jaciel logo após a conquista do recorde
Foto: Carlão Oliveira
No início de outubro (6) o atleta cadeirante Jaciel Paulino participou do Circuito Caixa Paraolímpico no complexo do Constâncio Vaz Guimarães e bateu o recorde dos 100m da classe T54 ao marcar 15seg74. Mas para chegar até essa marca ele contou com a ajuda de muitas pessoas durante sua carreira, entre elas familiares, patrocinadores, amigos e admiradores, além de seu técnico Edu.
Confira a história do treinador Edu, que começou a trabalhar com um atleta com atrofia cerebral e hoje dirige uma equipe de paradesportistas.
Eduardo Leonel, o Edu, é o treinador que se dedica a trabalhar com atletas deficientes e certamente é um dos responsáveis pelas marcas alcançadas pelo pupilo Jaciel. Paulista radicado em Santos, ele diz que nunca se conformou com as desigualdades impostas às pessoas menos favorecidas, fato que o levou a trabalhar com o paradesporto.
Logo quando chegou na cidade Edu começou a dar aulas de musculação pela Prefeitura e tinha um aluno com paralisia cerebral, algo que ele não sabia exatamente o que significava. Para se interar e poder prestar uma assistência correta e direcionada, ele começou a estudar de forma intensiva vários laudos médicos, fato que o levou a se interessar cada vez mais pelo assunto.
Após algum tempo ele conheceu Jaciel, atleta que fazia musculação no local onde ele ministrava aulas e que costumava participar de provas longas e começou a treiná-lo profissionalmente. Durante um bom tempo Jaciel fazia o trabalho de musculação destinado às competições de longa duração, até que Edu propôs que ele iniciasse um trabalho direcionado à velocidade.
Sucesso - A fórmula deu certo e hoje são 35 alunos deficientes treinando na academia, alguns profissionais como Jaciel e Carlos Oliveira, o Carlão, e outros apenas para melhorar a qualidade de vida. Edu também faz parte do projeto Fênix, que inicia lesados no esporte adaptado e revela futuros campeões, além do Mãos do Futuro, uma escola de paradesporto para crianças e jovens, que tem como destaque o garoto Jean Charles, de 11 anos.
Edu dirige uma equipe de atletas, denominada Fast Wheels (Cadeirantes Rápidos), que compete nas provas pelo Brasil com o apoio da marca esportiva Fila, que disponibiliza uma verba anual, da Prefeitura de Santos, que paga uma ajuda de custo aos atletas, além de apoiadores individuais de cada atleta. A ONG 3 IN paga as viagens de Jaciel, a Libra Terminais custeia as viagens de Carlos e a Macatrocinar paga um plano de saúde à Jaciel e sua família e comprou uma cadeira para Jean.
Por se tratar de uma equipe nova, eles ainda não participaram de provas fora do Brasil, apenas Jaciel teve a oportunidade de competir em um evento de nível internacional, que foi o Mundial de Cadeirantes e Amputados no Rio de Janeiro. Para este ano a idéia é levá-lo à Maratona de Nova York, além da Oita International Wheelchair Marathon. “Esta uma prova totalmente direcionada aos cadeirantes, o que trará oportunidade também de uma troca de experiências”, comenta Eduardo.
Ainda pelo fato de ser uma equipe nova, a Fast Wheels não tem nenhum atleta ligado à Associação Brasileira de Desporto em Cadeira de Rodas (Abradecar), mas segundo Edu a filiação deve ocorrer em breve. “Estamos aguardando a documentação e ano que vem estaremos regulamentados”.