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Parapan: confira entrevista com Diego Madeira


Por Carlos Oliveira | 20/07/2007 - Atualizada às 15:02

Diego durante treino em pista
Diego durante treino em pista
Foto: Fernando Aranha
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O atleta paraolímpico Diego Lucas Madeira, natural de Criciúma (SC), será um dos representantes brasileiros do Parapan-americano do Rio de Janeiro. Na categoria T53, corrida com cadeira de rodas, o jovem de 20 anos mostra que as adversidades da vida não são empecilhos para a busca de sonhos.

Portador de mielomeningocele, má formação congênita, que Diego gosta de chamar de “erro de fábrica”, ele apreendeu a conviver com sua deficiência. Os esportes o tornaram mais ativo e até chegar no atletismo, sua atual modalidade, ele já passou por futebol, basquete e jiu-jitsu.

Hoje Diego é atleta da Associação Desportiva para Deficientes (ADD) e mora longe da família em São Paulo. No último mês, ele participou da etapa Porto Alegre do Circuito Caixa de Atletismo e surpreendeu a todos com seu jeito irreverente de ser, inclusive o meu. Confira a entrevista com Diego e entenda o porquê:

Webrun - Como sua família lidou quando descobriu que você era portador de uma doença congênita?
Diego Madeira - Minha família, assim como quase todas as pessoas que eu conheço não foram preparadas para ter uma pessoa portadora de deficiência em casa. Na verdade acho que ninguém está. Como primeiro neto de uma família de cinco filhos, eu ficava no centro de uma pequena disputa de um lado, a superproteção e "mimos" de outro a tentativa (frustrada) de fazer minha perna esquerda desenvolver.

Webrun - Como foi sua infância?
Diego Madeira - Eu nunca consegui ficar parado. Eu fiz tudo que uma criança faz. Brinquei de pega-pega, esconde-esconde e jogava futebol, como goleiro no time dos meus primos. Acho que minha infância foi mais do que mais normal, dentro das possibilidades.

WR - E na escola?
DM - Eu tive a honra de estar a maior parte da minha vida estudantil na Escola de Ensino Básico Engenheiro Sebastião Toledo dos Santos. A escola carregava o título de única instituição de ensino preparada para receber alunos com deficiência e isso de fato não deixava de ser verdade. A escola tem ótimos, talvez os melhores, professores para cegos, surdos e mudos. Mas para deficientes físicos a escola não estava preparada.

Eu estudei no segundo andar, com piso que não era anti-derrapante, as quedas eram iminentes. As escadas nunca foram barreiras tão grandes, mas mesmo assim me deixaram marcas, ainda tenho um galo gigante na cabeça e um dente quebrado. Tive ótimos professores lá e tenho boas recordações dos tempos de colégio.

WR - Como se virou na época de adolescente? Sofreu preconceito?
DM - Assim como a minha infância, a adolescência não teve maiores problemas. Eu tive a sorte de ter grandes amigos que me ajudaram a passar por cima dessas barreiras. Como todo e qualquer adolescente eu também tive a minha banda de rock a Dyskagem Dyretta, eu namorei, fiz várias cagadas (risos).


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