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Saiba como foram as maratonas de Londres e Boston na visão de um cadeirante


Por Carlos Oliveira | 08/05/2007 - Atualizada às 16:38

Atualmente Ernst Van Dyk é um dos melhores atletas da modalidade
Atualmente Ernst Van Dyk é um dos melhores atletas da modalidade
Foto: Donata Lustosa/ www.webrun.com.br
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O mês de abril é singular para os amantes das longas distâncias, pois é nesse mês que acontecem as duas das mais charmosas e importantes maratonas do planeta. A de Boston, foi realizada no dia 16 de abril de 2007 e a primeira edição dessa prova foi em 1897, com apenas 15 concorrentes. A largada é dada na pequena e bucólica cidadezinha de Hopkinton, sempre numa segunda-feira feriado, dia em que os americanos comemoram o Patriot Day.

É lindo de se ver, atletas, homens e mulheres exibindo seus trajes colantes e coloridos, corpos musculosos, como verdadeiras máquinas de correr em cima de suas cadeiras de rodas de competição. Além disso, eles exibem seus equipamentos de última geração, corpos malhados e rostos contraídos pela tensão da largada. Após o tiro de largada o carro madrinha acompanha os atletas até a passagem por um ponto delicado, uma descida e uma curva muito acentuada, parecendo um cotovelo, ali já aconteceram muitos acidentes, pela velocidade incrível empreendida já no início da prova. Daí em diante é um mar de braços buscando o melhor posicionamento nos pelotões.

Depois a prova vai passando por Ashland, Framingham, grande reduto de brasileiros, (já fiquei nessa cidade) Natick, Wellesley metade do percurso a meia-maratona, Newton é onde está o temível Heart break limb a marca dos 30km, é neste ponto onde vai valer muito tudo aquilo que o atleta treinou. Lá é a última, grande e mais difícil subida da prova. É neste ponto também que está o Boston College (universidade), um dos pontos altos da prova, não só pelo seu grau de dificuldade, mas também pela participação do público. Nesse ponto os rapazes e moças incentivam os corredores, gritando os seus números e fazendo “galanteios” elogiando o perfil, performance, etc., fica mais fácil para o público interagir, pois pela inclinação é obrigatório que os atletas diminuam o ritmo.

Daí para frente é só alegria e o atleta cadeirante pode se deliciar com a paisagem, mas por pouco tempo, pois logo não é possível enxergar as calçadas, pelo público que se acumula para ver e incentivar os atletas. Com uma curva à direita se entra na reta final. É uma multidão, incalculável, com gritos ensurdecedores se cruza a linha de chegada, é algo indescritível.

Com 1h49min52, na 19ª colocação, eu fui o primeiro brasileiro a participar dessa prova, pude ver e contar para vocês. O recorde da prova foi no ano de 2004 e Ernst Van Dyk da África do Sul, fulminou o melhor tempo em maratona, cravando 1h18min27. Já o melhor tempo feminino parece não haver quem possa derrubá-lo. Este foi conquistado em 1994, quando Jean Driscoll, dos Estados Unidos, cravou a marca de 1h34min22.

Existe um bônus de US$10 mil para quem quebrar os recordes, tanto no masculino como no feminino. Os vencedores desse ano foram os japoneses Masazumi Soejima (1h29min16) e Wakako Tsuchida com 1h47min11.

Carlos Oliveira (Carlão)


Consultor Webrun da seção Esporte Adaptado. Ele é atleta de elite na categoria cadeirantes e compete pelo CGDCRDR (Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas de Porto Alegre). Vencedor de várias provas importantes nacionais como Maratona Internacional de São Paulo e Meia do Rio, além de ter participado dos principais eventos mundiais da modalidade cadeirantes como o Mundial de Atletismo em Birminghan, Inglaterra e Maratona de Nova York, prova que conquistou o quarto lugar em 1997 e 1998.

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