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Gravidez e triathlon: devo continuar treinando?

A triatleta Luca Glaser conta a experiência em dar um 'pause' nas competições e mudar de vida.

Para as mulheres apaixonadas pelo ‘nada-pedala-corre’, ficar muito tempo sem treinar não costuma ser algo fácil, mas quando o motivo é a vinda de alguém muito especial, esse pensamento muda. Sim, estamos falando de um bebê. Mesmo no auge da performance elas param tudo e voltam sua atenção à nova história que está começando.

Foi o que aconteceu com Luca Glaser, estava em sua melhor fase como atleta, acabado de ser vice-campeã do Ironman 70.3 Maceió e treinado para participar pela terceira vez do Mundial de Ironman no Hawaii. “Só assumi a gravidez e sosseguei depois dos três meses, até então estava treinando praticamente normal, só sem intensidade, mas depois que a barriga cresceu não tive mais vontade de correr e nem me sentia bem, aí optei pelo spinning, yoga, caminhada e natação, mas fazia tudo bem de leve e conforme minha disposição”, conta.

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A Dra. Tathiana Parmigiano é ginecologista e explica que existem algumas formas de verificar se a grávida está apta para a prática de exercícios, como o cálculo da frequência cardíaca em repouso ou o talk test, onde é observado se o corredor consegue conversar normalmente durante o treino, se começar a ficar ofegante o exercício passa a ser considerado intenso e já não recomendado para mulheres nesta situação.

A ginecologista pede atenção na hora de correr, já que é comum mulheres grávidas levarem tombos. “Elas perderem o equilíbrio, já que com a barriga o centro de gravidade muda e devido alterações hormonais, as articulações ficam mais suscetíveis a entorses, principalmente de tornozelo, uma lesão comum. Evite correr em ruas com buracos, degraus e ladeiras, a esteira pode ser a opção mais segura no momento”.

Esportes como mergulho e atividades que geram contato e possíveis quedas como lutas devem ser evitados, já que existe o risco do descolamento de placenta. “Para a triatleta é melhor inserir treinos intervalados, deep running que não possui impacto, transport e bike, de preferência indoor. Nesse caso um ambiente controlado é importante”.

E depois que nascer?

A pequena Maya já chegou ao sexto mês de vida e está super bem, mas para a mamãe a volta aos treinos não está sendo tão fácil. “Ainda não consegui estabelecer uma rotina digna de treinos, mas venho tentando. Consigo fazer bike indoor no rolo com ela por perto e quando vou para esteira a deixo no carrinho. Agora começamos a correr juntas com o carrinho Urban Glide, da Thule. Fizemos nossa primeira provinha de 10k e foi incrível, já a natação ainda não consegui ajeitar, porque preciso deixá-la com alguém e é necessário certa logística, mas a tendência é melhorar”, diz a mamãe triatleta.

Haja fôlego, em?

A tal ‘memória do corporal’ ainda está no radar de Luca. “Estou rezando para que ela de fato exista, não é fácil. Será um período de muita paciência e persistência. O fôlego não é o mesmo e o corpo precisa realmente lembrar. O mais fácil está sendo o ciclismo, mas a corrida e bike que exigem o cardio venho sofrendo”.

Mesmo com as dificuldades Luca lembra da importância do esporte. “A Maya já nasceu em um ambiente saudável. Já cruzou duas linhas de chegada de triathlon com o pai e não vejo a hora de fazer minha primeira prova e ter ela esperando. Sobre ter ela no triathlon não vou forçar nada, assim como foi comigo, comecei porque quis”, lembra.

A dica final de Luca para as mamães é: não se cobre. “Tenha seu tempo e curta o nenê. Eu já me cobrei muito e só piorou a situação, o treino deve ser um momento de prazer e se ainda não conseguir o empenho necessário, foque em viver o momento com seu filho porque passa super rápido e logo estaremos treinando e competindo novamente”, finaliza a mamãe triatleta.

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Christina Volpe
Comecei como corredora, depois me tornei jornalista e repórter do Webrun. Hoje sou editora e convivo diariamente com o esporte há 3 anos. Meu coração bate mais forte toda vez que um atleta conquista seu objetivo, uma corrida acontece e assisto uma competição emocionante. Sempre estou aprendendo e dando meu melhor.
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