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As 10 melhores provas dos últimos anos por Danilo Balu: 400m em Sidney


Por Prof. Danilo Balu | 20/02/2010 - Atualizada às 07:30

Final Olímpica dos 400m em Sidney 2000 (vitória de Cathy Freeman)

Talvez nenhum atleta (seja ou homem ou mulher) na história de TODAS as Olimpíadas até hoje, teve que suportar mais expectativas ou pressão em seus próprios ombros, do que a australiana Cathy Freeman em 2000. Os números da carreira dela impressionam, mas de longe seu maior desafio atlético era conseguir uma medalha de ouro nos 400m correndo em seu próprio país diante de seu povo.

A atleta com 27 anos tinha nas costas a torcida de mais de 100 mil torcedores que lotavam as arquibancadas do estádio olímpico. Provavelmente, a maioria das pessoas sucumbiria a tamanha pressão. Era mais do que uma final, era a expressão de uma identidade nacional travestida e representada no esporte, era uma questão de dar o que se esperava: o ouro e nada menos. Já na apresentação era nítida sua concentração para que o apoio não se transformasse em cobrança exacerbada. Ao som do tiro, Cathy Freeman faz sua parte, mas entra nos 200m finais ainda atrás, mas acelerando forte ela entra na reta tendo que ultrapassar uma jamaicana e uma britânica.

Mas tudo isso começou bem antes. Apontada como sua grande adversária, a francesa Marie-José Pérec, uma das maiores corredoras de todos os tempos, abandonou os jogos ainda antes da disputa alegando assédio hostil da imprensa local. Ou seja, uma das disputas mais aguardadas, por fim não ocorreu, o que não tira o brilho do feito de Freeman.

Independente de quem estava na pista, ao terminar em primeiro lugar o estádio vira uma celebração conjunta. Freeman mais parecendo aliviada do que contente se mantém abaixada como que tirando todo aquele peso incalculável de suas costas e ombros. Estava feito! Havia terminado! A pressão fora maior do que a dor dos 400m. Ela cumprira com as expectativas dela e de milhões de australianos.

Ela então começa a andar calmamente após o feito e só então inicia um tímido trote e começa a sentir o prazer do que havia feito e conquistado. Ela pega duas bandeiras, a oficial de seu país e a outra que representa o povo aborígine australiano e começa sua volta olímpica já como a segunda australiana aborígine a conquistar um ouro olímpico. Por uma questão de regras, o COI baniu bandeiras outras que não as oficiais de seus países membros, mas para um feito dessa magnitude, as regras são quebradas sem que se ofenda.



Prof. Danilo Balu


Consultor Webrun da seção nutrição. Bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo (EEFE-USP) e também graduado em Nutrição (USP). Mais no blog: www.baluzao.com

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