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As 10 melhores provas dos últimos anos por Danilo Balu. Introdução


Por Prof. Danilo Balu | 12/02/2010 - Atualizada às 15:30

Atualizada às 13h10 de 17 de fevereiro de 2010

O colunista do Webrun da área de nutrição e entusiasta das provas de atletismo, Danilo Balu, fez uma lista com as 10 melhores provas dos últimos anos, de 2000 a 2009. Confira os comentários e os emocionantes vídeos de cada disputa.

Parte 1

Introdução -Toda lista cai na – por que não assim dizer? - limitação de ser muito vulnerável em sua análise, apesar de eu achar que as listas pessoais merecem muito mais palpites do que críticas. Por mais que se criem critérios, as injustiças existem. Para fazer a lista eu procurei levar em consideração a emoção (verão que há mais provas com brasileiros do que nossa real relevância internacional), a importância do evento, o contexto, a plasticidade e o peso histórico de quando voltarmos a rever e lembrar essas provas no futuro.

Falo isso tudo até para explicar o porquê de não colocar, por exemplo, os dois recordes mundiais de Usain Bolt no Mundial de Atletismo da Alemanha em 2009 ou então por ignorar – com todo o perdão – as duas vitórias do Marílson dos Santos na Maratona de Nova Iorque, a mais importante do mundo. Apesar de ser um apaixonado pelo atletismo, tento vê-lo na TV como outro entretenimento qualquer, por isso as provas de pista têm uma presença muito maior do que uma maratona, que é muito melhor quando corrida do que quando vista, apesar de ser inversamente muito mais penosa.

Você não precisa se ofender quando dizem que corrida de rua é um esporte chato de se assistir, pois é mesmo. Precisamos apenas aceitar que as provas de pista são naturalmente mais dinâmicas, assim como precisamos reconhecer que alguns dos melhores fundistas da história têm que estar em qualquer lista desse gênero. Por isso mesmo, divirtam-se, critiquem, relembrem os que foram esquecidos e, principalmente, comentem citando as provas que sentiram falta.

Final Olímpica dos 10 mil metros em Sidney 2000 (Haile Gebrselassie x Paul Tergat)

Haile Gebrselassie chegava ao ano de 2000 com uma inacreditável sequência de quatro títulos mundiais seguidos (1993, 1995, 1997 e 1999) na distância. No ano de 2000, Gebrselassie havia ganhado todas suas corridas disputadas, virando assim o líder do ranking mundial nos cinco mil e 10 mil metros. Ele chegava à Austrália para tentar ser o terceiro homem da história com o bicampeonato olímpico da prova, o que o igualaria assim a Emil Zatopek e Lasse Virén.




Geb, como é também conhecido, vinha sofrendo de uma grave lesão no Tendão de Aquiles que o impediu de treinar nas semanas anteriores ao evento. Ele já havia decidido abandonar a disputa quando um presidente etíope chorando em reunião de portas fechadas, implorou que ele corresse. Sem poder negar tamanho pedido, Haile que é um ídolo absoluto no seu país, ia à pista olímpica nas sessões de treino abertas apenas fazer leves acelerações para que os adversários achassem que ele estava treinando normalmente, quando ele de fato não vinha fazendo mais nada tamanha era a dor.

A rivalidade e a amizade com Paul Tergat é de longa data. Ele havia vencido o queniano na Olimpíada de Atlanta em 1996. Tergat terminou em segundo, atrás de Haile, também outros dois mundiais seguidos (1997 e 1999). O queniano havia quebrado o recorde mundial dos 10.000m do etíope em 1997, que por sua vez o recuperou em 1998. Tratava-se já de um duelo de dois dos maiores fundistas de todos os tempos.

Nessa prova que foi eleita pela Runners World uma das 10 melhores finais olímpicas de todos os tempos, os africanos correram como sempre fazem, em um pelotão em que não entra mais ninguém. Claramente dois quenianos protegem Paul Tergat, enquanto um etíope protegia Haile. Na abertura da última volta, o etíope que acompanha Haile na liderança, fica ao seu lado na raia dois para fazer com que os quenianos, caso tentassem uma ultrapassagem, o fizessem pela raia três, e é exatamente isso o que acontece. Tergat ultrapassa os etíopes e a partir daí a disputa mais parece uma briga de rua por 400m até uma chegada espetacular aos gritos da arquibancada lotada. A prova foi tão disputada em seu final, que a margem de vitória foi de míseros 0.09 segundos, menor do que a margem da final dos 100m rasos.

Prof. Danilo Balu


Consultor Webrun da seção nutrição. Bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo (EEFE-USP) e também graduado em Nutrição (USP). Mais no blog: www.baluzao.com

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