Pentagrama do corredor
Foto: Revista superação ANO 5 – número 54 julho 2007
Existem algumas lesões que são típicas de atleta. Quem não teve nada até hoje, certamente terá chances de ter uma patologia no futuro. O pentagrama ao lado, mostra cada uma delas. Vou explicar uma a uma:
Fraturas por estresse: as mais comuns em atletas de corrida são na tíbia, calcâneo e no terceiro metatarso. As fraturas por estresse antigamente eram exclusivas dos atletas profissionais, mas hoje a realidade é outra. Elas acometem atletas amadores, de fim de semana e até atletas de academia. As fraturas por estresse são micro-fraturas nos ossos ocasionadas pela quantidade de impacto, que solicitam assim mais dos ossos causando a substituição da deformação elástica pela deformação plástica.
Síndrome da dor patelo femoral: ou também conhecida como dor anterior no joelho. Esta é mais comum em mulheres. Isso porque elas têm o quadril mais largo que os homens. Isso faz com que o ângulo do fêmur (osso da coxa) seja maior, aumentando a possibilidade de ter esta patologia.
Síndrome do trato ílio-tibial: é uma lesão por estresse ou sobrecarga causada pela fricção excessiva do trato ilitibial com o epicôndilo lateral do fêmur.
Tendinopatias: Na década de 90, eram conhecidas como, tendinites, paratendinites ou tendinoses. Hoje usamos o termo tendinopatias para definir melhor o que acontece no tendão inflamado, sendo os mais comuns: tendão patelar, tendão quadriciptal, tendinite da pata de ganso, tendinite do tracto ílio tibial (ou banda ílio tibial).
Fascíite plantar: é a inflamação na estrutura de sustentação da sola dos pés. O sintoma principal é dor ao redor da base do calcâneo e no arco. Normalmente a pessoa sente essa dor pela manhã ao sair da cama.
Entorses: pode ser uma sobrecarga grave, estiramento ou laceração de tecidos moles como cápsula articular, ligamentos, tendões ou músculos. Existem três graus para essa patologia.
Grau I – nesse estágio o ligamento é preservado, e o atleta sente leve dor ligamentar com edema local.
Grau II – já há frouxidão ligamentar, dor intensa, edema difuso e mais o hematoma.
Grau III – ruptura ligamentar parcial ou total, provável fratura por avulsão, dor intensa, instabilidade, edema difuso e hematoma.
O que fazer para prevenir lesões -
Primeiro o atleta deve usar um bom tênis de acordo com o tipo de pisada. Além disso, deve escolher um profissional de educação física capacitado para orientar e passar os treinos por planilha (o treinamento deve ser específico para cada corredor, não existe treinos iguais para duas pessoas diferentes ).
O professor de educação física também deve estar apto para ajudar no trabalho de musculação e alongamentos, pois sabemos que o alongamento promove o aumento da flexibilidade do músculo e do tendão, melhora a viscosidade do tendão deixando-o mais forte e estruturado (absorvendo mais o impacto da corrida).
Aumentar gradualmente a carga de treino, tanto em distância quanto em tempo.
Correr em solos diferentes (grama, asfalto, terra).
Dar descanso adequado ao tênis. Para isso o corredor deve utilizar dois pares de tênis e dar um descanso de 24 horas entre eles para voltar as propriedades de absorção de impacto do calçado.
Nunca competir com um tênis que você acabou de comprar. O corredor deve se adaptar a ele em seus treinos primeiro.
O tênis limpo não significa que ele é novo, pois o desgaste se dá na entressola e não é possível observar isso.
Tenha também sempre o acompanhamento de profissionais da área da saúde: médicos do esporte, fisioterapeuta, nutricionista e seu professor de educação física. Qualquer dor, cansaço e mau rendimento, devem ser comunicados ao professor, ele estará apto a ajudar. Bons treinos!
David Homsi
Consultor Webrun da seção Fisioterapia. Ministra cursos e palestras em diversas universidades e congressos no Brasil. Fisioterapeuta com experiência internacional e especialista em fisioterapia esportiva pela Sonafe (Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva) e FMU, além de ser mestrando em Ciências da Reabilitação. Professor da pós-graduação da FAGAMMON em reabilitação músculo esquelética esportiva. Hoje está na equipe de medicina esportiva Dr. Osmar de Oliveira. Site: www.davidhomsi.com.br