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Indicação de calorias no cardápio evita o consumo excessivo de alimentos?


Por Prof. Danilo Balu | 03/05/2010 - Atualizada às 15:49

Semanas atrás houve a aprovação da reforma do novo Sistema de Saúde Público nos EUA (Health Care System) aprovado pelo presidente Barack Obama. Uma das mudanças foi a inclusão de uma medida que antes era limitada a Nova Iorque. Agora deverá haver em todo território americano a indicação do número de calorias nas refeições das cadeias de restaurantes e redes de fast food.

Em outros textos já falei aqui de como é complexa a escolha do quanto e o que vamos comer. Infelizmente, haver indicação de calorias no cardápio não ajuda, apesar de ser um direito do consumidor. Nós não comemos mais, menos, nem melhor se soubermos quantas calorias há em nosso prato. Isso não importa em nossas escolhas.

Um dos pedidos que mais recebo é de orientações para perder peso comendo menos “besteiras”. As dicas que mais funcionam parecem justamente aquelas que não fazem muito sentido. Há hoje fortes evidências de que nós não escolhemos a quantidade de alimento em função da fome, mas escolhemos em função da disponibilidade, do sabor, do tamanho/volume dos pratos/copos e também daquilo que comemos previamente. Sendo assim, a pessoa come mais gordura e doces se previamente fez exercício ou teve uma dieta mais saudável (do ponto de vista dela).

Embalagem X Consumo - O mais interessante é que se há pratos grandes, comemos mais, se há copos altos, bebemos mais. Novamente: quase não há relação com a fome! Comemos em função de quanto de alimento temos por perto. Uma recomendação que sempre dou é de não ter doces em casa, porque a simples presença deles nos faz consumi-los mais. Àqueles que compram alimentos menos saudáveis, outra dica que funciona muito bem é o de não ter esses produtos sempre à vista. Alguns estudos mostram que o simples gesto de tirá-los de nosso campo de visão já é suficiente para reduzir o seu consumo.

Outra recomendação: evite os truques! A simples menção da palavra light em alguns alimentos pode levá-lo a comer mais. Comer em frente à TV, não duvide, o faz comer mais. Outros dados: quanto mais gente está com você quando almoça, mais você tende a comer. Pessoas magras na mesa nos fazem comer menos, pessoas gordas nos fazem comer mais. Homem come mais quando há mulher na mesa e ela, por sua vez, também para impressionar, come menos.

Como não faz sentido escolher as pessoas com quem andamos, apenas por causa desses resultados, é sempre bom conhecer esses efeitos e não subestimar essas variáveis, achando que a sua fome é o único parâmetro para definir a dieta diária.

Prof. Danilo Balu


Consultor Webrun da seção nutrição. Bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo (EEFE-USP) e também graduado em Nutrição (USP). Mais no blog: www.baluzao.com

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