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João N’Tyamba: seis olimpíadas e muitas histórias na bagagem


Por Alexandre Koda | 06/11/2008 - Atualizada às 18:34

Tyamba ja perdeu a conta de quantos irmãos tem
Tyamba ja perdeu a conta de quantos irmãos tem
Foto: Fernanda Paradizo/ www.webrun.com.br
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O angolano João N’Tyamba entrou para a história do atletismo mundial este ano ao conquistar a marca de seis olimpíadas disputadas na sua carreira. Competindo desde 1988 em Seul, na Coréia do Sul, ele despediu-se da celebração do esporte nos jogos de Pequim, em agosto, e conta um pouco sobre sua trajetória de sucesso. Veja!

São Paulo - Simpático e sempre com um sorriso no rosto, João é natural de Angola membro de uma tribo nômade local. Aos 40 anos de idade, ele iniciou no esporte jogando futebol, mas depois de participar de uma competição de atletismo resolveu trocar a bola pelas pistas e não parou mais.

“No futebol eu ganhei várias taças, mas elas ficavam sempre no clube. Me chamou a atenção uma prova de atletismo em que ganhei 24 pães, refrigerante e pude dividir com a minha família que era muito pobre”, ressalta o atleta que ficou órfão de pai com 11 meses de vida e de mãe com quatro anos.

Tendo participado de diversas competições no Brasil, na África e pelo mundo, ele não pensa duas vezes ao afirmar que disputar uma olimpíada pela sexta vez foi sua maior conquista. “É como uma medalha para mim, foi muito especial”.

Ciclo Olímpico - A primeira olimpíada de Jõao foi quase sem querer, numa época marcada por incertezas em todo o mundo. “Fui para a Olimpíada porque um professor amigo meu disse que sonhou comigo competindo nos Jogos. Ele começou a me incentivar a treinar para obter índice”. Segundo João, ele não sabia nada sobre a competição e imaginava que Olimpíada era o nome de alguma cidade.

“Na primeira bateria corri junto com o Joaquim Cruz, que defendia o título da edição passada. Eu já tinha ouvido algumas notícias sobre ele e foi muito bom tê-lo como ídolo, como incentivo, pois me deu mais motivação para correr em 92”, revela empolgado.

Já em 1992 ele participou dos 800m, chegou à final e obteve a sexta colocação.“Em Barcelona duas coisas me marcaram: o uso mais freqüente dos computadores e o acendimento da pira olímpica com uma flecha”.

Depois em Atlanta, no ano de 1996, foi realizada a comemoração dos 100 anos dos Jogos Modernos e, segundo João, ao invés de haver união entre os paíse, os Estados Unidos mandaram um recado para os outros países. “Eles quiseram mostrar que dominavam o mundo. O recado foi principalmente para a ex-União Soviética (Rússia) e a Alemanha, que já estava unida novamente”.

Na ocasião ele disputou os 800m e os 1.500m, provas em que obteve a quinta e a sétima colocação respectivamente. “Consegui combinar os treinos e bati o recorde angolano nos 1.500, o que me levou às semifinais”.

Na Olímpiada americana, João garante que tinha um incentivo ainda maior para competir. Ele estaria ao lado de grandes nomes do atletismo brasileiro, que naquele momento já eram seus ídolos. “Estavam Zequinha Barbosa, Joaquim Cruz, Edgar Martins, Vander do Prado Moura, recordista de obstáculos, e Robson Caetano. Fazer parte daquilo era como um fusquinha em meio às ferraris, mas eu queria fazer uma diferença”.

Mesmo com a vontade forte de competir e fazer bonito, uma lesão o prejudicou na hora de competir. “Eu lesionei o tendão na vila cinco dias antes da prova. Para melhorar um pouco, eu dormia no balde de água, mesmo assim não podia treinar. Foi uma das piores olimpíadas da minha vida. Eu corri no sacrifício”.


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