Os especialistas não recomendam treinar entre 9h e 17h
Foto: Guilherme Lara Campos/ Fotoarena
A umidade relativa do ar chegou a índices alarmantes
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Em casos como esse a hidratação é fundamental
Foto: Guilherme Lara Campos/ Fotoarena
A situação de alerta motivou a reportagem do Webrun a entrevistar especialistas da área de saúde e alguns corredores do parque mais histórico da capital paulista, o Parque da Independência, que abriga o Museu do Ipiranga. Segundo o pneumologista Dr. Paulo Paes Silvado, chefe da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Santa Catarina (SP), a poluição em São Paulo equivale a tragar três cigarros inteiros.
Nesta sexta feira (27/10) a umidade relativa do ar chegou à marca dos 12% e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a Cesteb, registrou cinco estações com o pior índice de qualidade do ar no ano. Diante desta situação, atividades cotidianas como ir ao supermercado, descer do escritório para almoçar e dirigir o carro com a janela aberta se tornam extremamente desgastantes. Para os adeptos da corrida, o desconforto gerado pela baixa umidade foi redobrado.
“Estou morto e só falta enterrar, pior que quando me preparo para maratonas normalmente chego aqui por volta da 5h da manhã. Hoje cheguei mais tarde porque o treinamento é de uma hora e estou mais cansado do que se estivesse fazendo o treino mais longo”, afirma Francisco Lopes, entrevistado as 10h.
Quem também teve o rendimento comprometido foi Valdir Aparecido, que chegou a levar 10 minutos a mais do que o normal para completar os 20 quilômetros que percorre diariamente. “Parece que está faltando oxigênio, perdi muito a perfomance, parece até que estou treinando em alta altitude, minha garganta está completamente seca”, diz o atleta.
O treinador da assessoria esportiva BR Move, André Ricardo de Souza, aconselha os atletas a não treinar entre 9h e 17h, período em que a concentração de poluentes e o calor costumam ser maiores. Apesar disso, caso não seja possível evitar o treino nestes horários, o ideal é reduzir a carga de exercícios. “Treinar leve é a principal recomendação, pois a umidade baixa dificulta a respiração e no treino aeróbio o produto de energia é o oxigênio”, explica o treinador.
Ainda segundo André, quem se arrisca sob essas condições está sujeito a alguns problemas. “Há o aumento da pressão arterial, pois o ar seco faz com que o seu corpo perca mais líquido, deixando o sangue mais denso. A pessoa tem dificuldade de respiração pelas vias aéreas, o que acaba ressecando o nariz e garganta. Além disso, também há irritação dos olhos", ressalta.