Sandro Viana vê evolução do Brasil no Atletismo
Foto: Paulo Gomes/ www.webrun.com.br
O velocista Sandro Viana, que está em San Luis Potosi, no México - onde a delegação brasileira de atletismo treina para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara - revela estar otimista com a evolução dos atletas brasileiros nas últimas décadas. Sandro, que disputará os 200m e o Revezamento 4x100m no Pan, analisa as chances de medalha e a força brasileira na prova por equipes.
“São doze anos de hegemonia do Brasil no Pan, somos tricampeões. É sinal de grande desempenho, entramos como favoritos”, afirma o corredor, sobre o Revezamento 4x100m. “Não é muito bom ter essa responsabilidade, mas estamos concentrados e nunca tivemos um time tão rápido”, continua.
Segundo Sandro, assim como os Estados Unidos apresenta grande rendimento no atletismo em geral e a Jamaica nas provas de velocidade, o Brasil tem sua força no revezamento. “Desenvolvemos uma técnica particular. À medida que evoluímos essa técnica, alguns talentos individuais começam a se destacar”, conta o velocista.
O corredor explica que um dos segredos do sucesso brasileiro está na “técnica do empurre”, desenvolvida desde os anos 80. “Empurramos o bastão na hora da troca, lançando o atleta seguinte para sair correndo mais rápido”, esclarece.
“Países fortes como EUA e Jamaica até hoje não fazem isso, é questão de entendimento e aperfeiçoamento. Ganhamos posições na troca do bastão”, revela Sandro. Para o corredor, o País está no caminho certo do sucesso no atletismo, que passa por alguns fatores específicos.
Futura potência - Um desses fatores, segundo o atleta, é o DNA. “Os países de elite tem. O Brasil também tem”, afirma. Outro ponto importante é a estrutura. “Com estrutura adequada você atrai muitas crianças, e dessa quantidade você poderá tirar a qualidade. Nosso atleta leva mais tempo para se desenvolver porque não temos ainda essa base”, analisa.
Sandro aponta que, por conta disso, o amadurecimento dos atletas brasileiros é tardio, o que os leva a obter alto rendimento apenas após os 30 anos. “A maior parte dos medalhistas brasileiros tem mais de 30 anos”.
A solução encontrada para driblar esse obstáculo tem sido o aprimoramento das técnicas de treino. “O Brasil está esforçado nesse sentido, principalmente no trabalho realizado pelos técnicos, que procuram aperfeiçoamento fora do País”, pondera o corredor.
“O que estamos fazendo é usar a internet para se aproximar e compreender algumas coisas que para nós ainda são um pouco vagas mas já estão bem fundamentadas para outros países”, explica Sandro. “Com essa evolução, daqui a pouco teremos uma potência olímpica”, conclui.