Carlos dias enfrentará temperaturas extremas
Foto: Divulgação/ www.racintheplanet.com
O ultramaratonista brasileiro Carlos Dias segue rumo a Antártica para participar da última etapa da Copa do Mundo do Deserto, a 4 Deserts, entre os dias quatro e oito de dezembro. Ele chegou na cidade argentina de Ushuaia na última sexta-feira (21), onde as fortes emoções já tiveram início. “O avião sacudiu muito, me deixando com medo, pois só havia montanhas”, lembra Carlos que afirma que passado o susto o pouso foi tranqüilo.
Na segunda-feira (24) ele fez todas as checagens médicas e de equipamento, antes de embarcar no navio russo que se dirigirá ao local da competição, onde conheceu seu parceiro de cabine, um atleta russo. Depois do susto com o avião, tudo parecia correr tranqüilamente, mas uma notícia dos organizadores preocupa todos os atletas.
“Fomos informados que há um pequeno problema no navio, mas eles estão fazendo os reparos necessários”, relata o competidor que mora em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. “Vamos levar cerca de dois dias para chegar no ponto onde começaremos a correr e isso tudo gera uma grande ansiedade e um certo desgaste. É cansativo ficar no navio, estou aproveitando para escrever meu livro, e verificar o equipamento”, completa.
Atualmente a temperatura é de cinco graus negativos em Ushuaia e, segundo o ultramaratonista, há uma tradição entre os que participam pela primeira vez da prova no deserto gelado. “Eles disseram que eu terei que ficar pelado no meio da Antártica para ser batizado”. Sendo o único sul-americano inscrito, ele afirma sentir uma pressão ainda maior para completar o desafio em boas condições. “Todos estão muito felizes de saber que um brasileiro irá correr na neve”.
Já nesta terça-feira (25) Carlos Dias relata que os problemas no navio ainda não foram solucionados e que a idéia de se abortar a competição começa a ser disseminada entre os presentes. “Há uma pequena rachadura que está sendo consertada por uma equipe russa. A chefe de equipe deu um prazo de até as 18 horas (local) para que esse problema seja solucionado ou a expedição será abortada”.
Apesar dos maus presságios, todos foram orientados a continuar focados e manterem a preparação, pois existe a possibilidade de um navio da National Geographic levar os atletas para o local da competição. Enquanto espera a decisão sobre o transporte, Carlos terá que se preocupar com sua saúde, já que uma gripe parece bater à porta.
“Acordei com dor de garganta e estou com um pouco de febre, talvez pela mudança de temperatura da cabine para os outros locais do navio”, lamenta. “Isso é algo que passa logo e temos que ter muita paciência, pois a segurança é sempre a prioridade. Uma vez negligenciada, qualquer coisa aqui pode ser fatal”, relata confiante na equipe de apoio, que segundo ele tem feito um ótimo trabalho.
Ele aproveita para agradecer a todos pelas mensagens que tem recebido de incentivo e carinho, manda lembranças especialmente para seu filho, sua mãe, para seu amigo Herói Fung e toda equipe da Crocs, sua patrocinadora. “Sei que o frio vai me cobrar muito dia a dia, mas sou brasileiro com um sonho a cumprir. Tenho a certeza que voltarei diferente, pois a natureza e o clima extremo me dirão muitas coisas para compartilhar com todos”.