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Confira o relato de Márcio Villar sobre a Arrowhead


Por Alexandre Koda | 13/02/2009 - Atualizada às 12:20

Durante a prova ele arrastava um trenó com os suprimentos para a disputa
Durante a prova ele arrastava um trenó com os suprimentos para a disputa
Foto: Arquivo Pessoal
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O brasileiro Márcio Villar participou entre os dias dois a quatro de fevereiro da Arrowhead 135 mile Winter Ultramarathon, competição de 135 milhas (217,26 quilômetros) disputada em Northern Minnesota, Estados Unidos, sob condições extremas de temperatura. Na largada os termômetros registravam –20ºC e durante à noite chegavam a –34ºC.

“Não sei como, mas consegui. Foi o maior desafio da minha vida, uma nevasca na noite anterior à prova tornou tudo mil vezes mais difícil, foi algo desumano”, relata Márcio. Dos 59 atletas que largaram, 24 completaram, sendo 15 ciclistas, oito corredores e um esquiador, após um total de 60 horas.

“Foram 58 horas enfrentando temperaturas de ate 38ºC negativos, com a neve muito fofa e subindo vários morros puxando o trenó, nunca sofri tanto na minha vida”, relembra o ultramaratonista. Ele completou a prova com 58 horas, obteve o sexto lugar, mas uma lesão no meio da disputa quase o fez abandonar. “A partir do quilometro 82 eu torci o joelho em um buraco, o que tornou tudo mais difícil. As madrugadas eram de doer”, lamenta

Para suportar o frio intenso, ele usava várias roupas, uma por cima da outra, o que ocasionou um outro problema: assaduras. “Eu corria com quatro casacos, três calças, três meias e três luvas. Os últimos 40 quilômetros foram intermináveis, pois além do joelho direito torcido, estava com assaduras que já tinham virado feridas, devido às muitas roupas”, comenta Márcio.

História - Apesar de todas essas adversidades e dos calcanhares repletos de cortes devido ao congelamento da pele, ele cruzou a linha de chegada e conquistou uma marca histórica, já que se tornou o primeiro brasileiro a completar a competição e o único no mundo a fechar o circuito das Ultramaratonas 135, composto pela Arrowhead gelada, pela calorosa Badwater e pela montanhosa Brazil 135. De volta ao Brasil, Márcio comenta que já tem alguns desafios em vista, mas aguarda patrocínio para que eles sejam viabilizados.

“Tenho dois projetos, o primeiro é fazer as mil milhas brasileiras(1.600 quilômetros), correndo de Salvador ou Porto Alegre até o Rio de Janeiro em 20 dias, fazendo duas maratonas por dia. O outro é atravessar o Chile e o Peru pelas Cordilheiras dos Andes indo de um Oceano ao outro”, vislumbra o carioca. Além disso, ele pensa em disputar mais uma vez a Jungle Marathon, na Floresta Amazônica, em outubro deste ano e uma competição de 400 quilômetros no Alasca, sob 60ºC negativos em fevereiro de 2010.

Antes, porém, ele deve correr em maio próximo as 24 horas de Santa Maria (RS), prova em que os atletas rodam num percurso fechado e vence quem fizer a maior distância. “Não gosto de provas que fiquem rodando, prefiro provas extremas, mas devo fazer essa prova como treino e rever os amigos sem compromisso”, finaliza Márcio.


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