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Conheça alguns fatores que influenciam o peso dos indivíduos


Por Prof. Danilo Balu | 12/01/2010 - Atualizada às 10:29

Hábitos alimentares podem ser influenciados pela rotina do dia a dia
Hábitos alimentares podem ser influenciados pela rotina do dia a dia
Foto: Reprodução/ Stock.Xchng
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Nós podemos dizer que o nosso peso é uma resultante da congruência de nossos hábitos alimentares (quando, o quanto e o quê comemos) e de nosso gasto energético aplicados à nossa genética. Um dos grandes segredos que fazem essa conta não ser assim tão simples de ser fechada é que entra aí também, mas com peso diferente, a influência do meio em que vivemos sobre as nossas decisões e escolhas. Já disse aqui nesse espaço como as calorias no cardápio ou outras coisas aparentemente ainda mais simples têm influência nas nossas decisões e consequentemente em nossas medidas.

Outros exemplos interessantes vêm de uma coletânea de estudos publicada recentemente. Os pesquisadores Nicholas Christakis e James Fowler, por exemplo, examinaram uma enorme base de dados para confirmar algo que já se desconfiava: nós temos e adquirimos os mesmos hábitos alimentares de nossos amigos mais próximos. Sua silhueta pode acabar pagando a conta por causa do tipo de pessoa com quem você convive. Eles mostraram que 57% das pessoas estavam mais propensas a se tornar obesas se um dos amigos era obeso também. O mais assustador é que esse número é de ainda impressionantes 20% se um "amigo de nosso amigo" é obeso! Nesse caso, esse “risco” independe do peso do nosso amigo mais próximo, pois mesmo ele sendo magro, com o colega distante sendo gordo, temos os mesmos 20% a mais de chances!

No caso das mulheres há ainda outro comportamento peculiar. Outro estudo da University of British Columbia encontrou que, sem se dar conta, as mulheres fazem um ajuste do quanto devem comer baseado no fato da pessoa perto dela ser gorda ou magra. Se essa pessoa é magra e come muito, ela segue o mesmo ritmo, o que acaba gerando ganho de peso em muitas delas.

Se a pessoa com quem andamos pode influenciar, o que dizer do tamanho do nosso prato ou da tigela? O pesquisador Brian Wansink da Cornell University Food and Brand Lab fez um experimento no qual ele oferecia pipoca em grandes potes aos indivíduos. Quando estavam com grandes porções, as pessoas comiam 53% mais. Para piorar, em estudos com as pessoas assistindo TV, concluiu-se que as pessoas perdem alguns sinais que o cérebro envia sinalizando saciedade e pedindo para que paremos de comer. Os pesquisadores canadenses avaliaram que garotos que viam Simpsons consumiram 228 kcal a mais em pizza quando comparados com aqueles que não estavam em frente à TV.

E o que vestimos, atrapalha ou ajuda? Um estudo interessante aponta a relação do conforto da nossa roupa para a manutenção de nosso peso. Veja só, em tese, roupas apertadas ou justas supostamente fariam as pessoas notar que elas estão acima do peso, tendo assim maior cuidado com o peso e a alimentação, certo? Pois pesquisadores da University of Wisconsin-Lacrosse viram que com essas roupas as pessoas acabam se movimentando menos em função do desconforto fazendo assim com que economizem importante energia na guerra contra a balança. Vestindo estilos mais casuais as pessoas caminhavam até 8% mais do que com roupas mais formais.

E a apresentação daquilo que comemos? Todo nutricionista sabe que isso é fundamental na constituição de um bom cardápio. Muitos já devem ter ouvido a dica de fazer um prato “colorido” para que ele seja mais saudável e balanceado. Mas e quando estamos falando de doces? A regra vale? Pois tome cuidado quando o assunto não for os vegetais porque quando falamos de doces, mais cores e mais variedade também significam exagero. Em um estudo, quando havia seis cores diferentes de doces no mesmo pote, as pessoas comiam 69% mais do que quando havia potes sem diferenças nas cores. Quando havia a opção de sete e 10 diferentes cores de M&M’s, os expostos aos 10 comeram 43% a mais! Então cuidado porque a quantidade parece mais uma vez não sinalizar bem o que seria o suficiente.

E por fim, mas não menos importante, será que aquele comercial de comida ou fast food que você vê enquanto está sentado em frente à TV teria algum peso na sua dieta normal? Acredite, ele tem efeito, sim! Segundo um estudo da Health Psychology, as 120 crianças do estudo que assistiam a desenhos intercalados com comerciais consumiam até 45% mais porcarias que as não expostas. Já os 100 adultos que assistiam a um programa de TV consumiram também mais, seja alimentos saudáveis ou mesmo o junk food.

Em ambos os grupos essa propaganda aumentou o consumo não daquilo que foi anunciado, ou seja, ela não tem ação direta nesse caso, mas nos faz comer mais, sim. A teoria é que os comerciais fazem você achar que está com fome. Não importa o que esteja sendo veiculado, você então irá comer o que tiver por perto. São tantas as situações a que estamos expostos em nossa vida social que o melhor a fazer é evitar ter por perto tantas opções de alimento, dica essa que já é antiga.

Prof. Danilo Balu


Consultor Webrun da seção nutrição. Bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo (EEFE-USP) e também graduado em Nutrição (USP). Mais no blog: www.baluzao.com

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