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Dividido entre profissão e família atleta se prepara para Ultra BR 135


Por Mariana Araujo | 02/08/2011 - Atualizada às 20:05

Henrique Vieira parte para sua terceira participação na BR 135
Henrique Vieira parte para sua terceira participação na BR 135
Foto: Arquivo pessoal
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Todos os ultramaratonistas começam correndo distâncias menores e aumentam o volume gradualmente, certo? Errado. Henrique Viera Filho nunca se considerou um atleta, mas já completou uma das ultramaratonas mais exigentes aqui no Brasil: a Ultramaratona Brasil 135.

História- A Ultramaratona Brasil 135 desafia seus participantes não só pela sua extensão de 217 quilômetros, mas por sua variação altimétrica, que equivale a subir e descer um Monte Everest. A competição tem sua largada no interior de São Paulo, na cidade de São João da Boa Vista, e a partir da edição de 2012 os competidores devem completar o percurso, que chega à cidade de Paraisópolis, em 48 horas. Nos anos anteriores, os atletas podiam completar o percurso em até 60 horas.

Henrique Vieira iniciou sua trajetória ao ser convidado por seu amigo e ultramaratonista Mauro Chasilew, para fazer parte de sua equipe de apoio na BR 135. “Encantei-me com este mundo, que é muito diferente. As pessoas são muito ativas e atenciosas, até porque todas as equipes sabem que os atletas estão passando por um esforço físico e mental muito grande”, conta.

No ano de 2008, Henrique participou novamente da BR 135 como apoio e decidiu competir na ultramaratona em 2009. Vale lembrar que a Ultramaratona Brasil 135 seleciona cerca de 40 participantes por ano e como Henrique já havia sido pacer dois anos seguidos, foi aceito pela organização.

De acordo com o ultramaratonista, para a prova de 2009 ele pôde treinar apenas durante quatro meses, sem acompanhamento de treinadores, e finalizou a prova com 57h45min na 38ª colocação. Já na edição de 2010, por causa do recente nascimento de sua filha, Henrique treinou apenas dois meses, mas ainda assim conseguiu completar a competição e reduzir seu tempo em quase uma hora. Na edição de 2011 da prova, não competiu por conta do nascimento de seu segundo filho, em dezembro de 2010.

Preparação para 2012- A BR 135 de 2012 já está com a data marcada para dia 20 de janeiro e abriu suas inscrições no dia primeiro de agosto. Por ter participado de duas edições da ultramaratona, Henrique Vieira espera a confirmação do organizador para 2012, mas já busca tempo para treinar sendo advogado e pai de dois filhos. “Meus treinos são quase um ato de fé. Eu tento treinar quando posso e tenho uma meta mínima de treinos por semana. Por eu não ser um atleta profissional, a família e o trabalho vêm sempre na frente, mas sempre que tenho uma folga vou treinar”, explica.

Para Henrique, sua principal meta é completar a competição no início de 2012. “Se conseguir completar a prova no ano que vem, seja em que lugar for, já ficarei super feliz, porque meu melhor tempo ano passado foi de 58 horas e isso significa que preciso baixar em mais de dez horas”, fala.

Por não se considerar um atleta, Henrique relata que a maior dificuldade que sente na ultramaratona é a falta de treino. “Com o pouco treino que tive nas duas edições eu consegui completar esta prova que é muito difícil e desgastante. Acredito que se conseguisse treinar de forma regular e bem orientada, já que nas edições de 2009 e 2010 não tive acompanhamento de um treinador, conseguiria atingir resultados bem melhores”, revela o advogado.

Outra grande dificuldade encontrada é a necessidade de apoio na BR 135. “É complicado, porque chegamos à São João da Boa Vista, local da prova, na quarta-feira à noite, na quinta-feira tem a entrega dos kits e na sexta-feira é a largada da prova, que termina apenas no domingo. Então é preciso achar pessoas que têm disponibilidade de tempo para o apoio”, comenta Henrique.

Ainda de acordo com ele, a ultramaratona vai além do esforço físico e é necessária também a preparação mental. “São 217 quilômetros, se você não tiver em mente que vai demorar muito para completar a prova, você desiste porque cansa. Você caminha à noite, sozinho e no meio do mato. Chove muito naquela região, então há locais em que o carro de apoio não passa então você fica totalmente sozinho”, diz o corredor.

Na edição de 2009, Henrique estava correndo sozinho em um trecho de mata e em uma descida torceu a perna esquerda. “Minha perna direita já estava doendo por conta do esforço. Encontrei-me sozinho, na madrugada, em um local que o carro de apoio não passava e morto de cansaço. A única alternativa foi caminhar por cinco horas até conseguir encontrar alguma coisa. Então se você não curtir o caminho, você desiste”, relata.

Henrique Vieira não deixa recado para os que não acreditaram que ele seria capaz de completar a BR 135 nas duas edições que participou, mas sim para aqueles que querem fazer uma prova maior do que se acham preparados. “Uma palavra que me guia muito na vida e carrega muita esperança, é a palavra “ainda”. Você não fez isso ou não conseguiu aquilo ainda. Então, acredite em si mesmo”, finaliza o ultramaratonista.


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