Villar já enfrentou temperaturas que chegaram a 50ºC negativos
Foto: Arquivo Pessoal
Márcio durante a Jungle Marathon, na Amazônia
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O ultramaratonista às vezes se imagina cruzando a linha de chegada nos treinos, como motivação
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O ultramaratonista carioca Márcio Villar vai participar entre os dias 14 a 16 de julho da ultramaratona Badwater, prova de 217 quilômetros no deserto do Vale da Morte nos Estados Unidos. Ele foi um dos 90 selecionados entre os três mil inscritos, graças ao seu currículo, já que ostenta o sexto lugar na BR 135 ultramaratona e na Jungle Marathon, além de ter feito o tempo de 11h30 na ultra Arrow Head, nos Estados Unidos, sob neve e temperatura de 50ºC abaixo de zero.
Para enfrentar as temperaturas desta prova que podem chegar a 55ºC, há três meses ele vem treinando com o sol a pino, mesclando areia fofa, subidas e corre puxando pneu para aumentar a resistência. “Quando faltar um mês para a viagem vou encher a barriga d’água e ir para sauna para vomitar e acostumar o corpo às altas temperaturas”, ressalta Márcio.
E quem acha que a sauna será o treino mais inusitado do ultramaratonista está enganado. Durante a preparação para a Jungle Marathon, na Floresta Amazônica, ele corria com 20 quilos dentro da mochila, para simular o peso que carregaria com os suprimentos de água e alimentação. “Já para a prova na neve eu procurei um frigorífico para treinar”.
Psicológico - Além do fator resistência, o psicológico precisa ser muito forte para agüentar as competições disputadas em condições extremas, então Márcio usa alguns artifícios para se motivar. “Pesquiso sobre a competição e a monto na minha cabeça. Nos treinos eu me imagino na prova e ao final é como se cruzasse a linha de chegada, por incrível que pareça às vezes me pego sorrindo enquanto corro”.
Aos 41 anos de idade e diversas provas de ultramaratona na bagagem, Villar tem como principal objetivo terminar em até 48 horas (o máximo são 60), feito obtido entre os brasileiros apenas por Valmir Nunes e Sérgio Cordeiro. “Quem completar neste tempo ganha além da medalha uma fivela. Sei que vai ser muito difícil, mas quero ser o terceiro brasileiro a obter essa conquista”.
A largada da prova acontece no chamado Vale da Morte, o local mais baixo dos Estados Unidos, a 85 metros abaixo do nível do mar, e as temperaturas à noite contribuem para a dificuldade, já que a média é de 48ºC. “Minha estratégia é dosar o máximo durante o dia, tirar a diferença à noite e correr colocando gelo na nuca o tempo todo para baixar a temperatura do corpo”.