Mário fez sua primeira Badwater em 2005
Foto: Arquivo Pessoal
Durante a prova é importante a solidariedade entre os atletas
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Na Badwater os atletas correm no Deserto do Vale da Morte
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O ultramaratonista Mário Lacerda tinha como objetivo esse ano bater o recorde da tradicional ultramaratona Badwater, que acontece anualmente no Deserto do Vale da Morte, na Califórnia (EUA). Devido a uma série de problemas ele e seu companheiro de equipe Marco Farinazzo não conseguiram o feito, mas agora se preparam para tentar baixar a marca em 2013.
Durante a prova eles tiveram o suporte de quatro americanos na equipe de apoio e pré estabeleceram tempos específicos para cruzar cada “checkpoint” da competição. “Fomos bem até o quarto ponto, mas depois o Marco sofreu um estiramento no tendão da virilha e resolvemos parar após recomendações médicas”, conta Mário. Além disso, até as vésperas da prova eles não sabiam se conseguiriam viabilizar a viagem, o que os abalou psicologicamente. “Também acho que faltou um pouco de treino. Sei que não estávamos completamente preparados”, completa o pernambucano radicado no Rio de Janeiro.
Eles não se deram por vencidos e acreditam que poderão tentar novamente melhorar o tempo em 2013, se passarem os próximos dois anos se focando para a Badwater. O recorde atual dos 217 quilômetros pertence ao santista Valmir Nunes, que em 2007 marcou 22h51min29 e se tornou o primeiro atleta a completar em menos de 24 horas.
Amante das ultramaratonas, o empresário afirma que sempre participa das provas com recursos próprios ou com ajuda de amigos, pois dificilmente consegue viabilizar apoio ou patrocínios. “Nunca vou entender a cabeça dos patrocinadores. Tenho um doutorado nos Estados Unidos, mas me sinto incompetente na hora de falar com eles”, relata o atleta que trabalha na área de lubrificantes e patentes.
O treinamento de um ultramaratonista deve ser intenso e em vários períodos do dia, certo? Não necessariamente, segundo Mário. “Com o aquecimento da indústria no Brasil, meu trabalho exige muito de mim. Tento treinar dez milhas sexta, sábado e domingo, mas muitas vezes só consigo correr um dos dias”.
História - Mário Lacerda sempre foi um peregrino, pois gostava de fazer longas caminhadas, mas nunca foi um corredor. Em 2005 resolveu disputar pela primeira vez a Badwater, mas o resultado foi quase uma catástrofe, pois seu tênis derreteu no asfalto quente e a equipe de apoio teve problemas com o carro. “Minha esposa e meu filho dirigiam o carro, que teve um pneu furado, então demoraram muito para me encontrar num dos pontos”. Disposto a não abaixar a cabeça frente a uma derrota, ele voltou no ano seguinte e conseguiu completar.
Inspirado, ele resolveu criar no Brasil uma prova nos mesmos moldes e assim surgiu a Brazil 135 Ultramarathon, competição que passa pelo Caminho da Fé na região da Serra da Mantiqueira. “Hoje a prova se tornou referência e é classificatória para a Badwater”, orgulha-se Mário. Toda a renda obtida é revertida para projetos sociais e para ajudar atletas amputados. “Também doamos uma parte para o Caminho da Fé”.
Em sete anos de BR-135, Mário nunca conseguiu correr no evento que criou, mas em 2012 já se planejou para disputar os 217 quilômetros numa equipe de três pessoas. “Todos têm um desafio. O meu será correr e organizar a prova. Hoje já existem pessoas de confiança que podem me ajudar”. E Mário pensa ainda mais longe. “Quero correr em dupla em 2013 e solo em 2014”.
Já para a próxima edição, a prova terá como novidade o rastreamento em tempo real via satélite dos principais atletas com chance de faturar o título. “Além disso, todos os competidores terão um sistema que mapeará o caminho percorrido durante a prova. Ao final descarregamos os dados e avaliamos quais foram as dificuldades encontradas”, finaliza.