Galindez durante a disputa do Ironman 70.3 de Porto Rico
Foto: Maria Jose Oliveira/ Divulgação
Oscar constituiu família no Brasil e diz que uma parte do coração é brasileiro
Foto: Arquivo Pessoal
Galindez espera comemorar o tetracampeonato no Ironman Brasil
Foto: Leonardo Mourglia/ atletas.info
Com três títulos do Ironman Brasil no currículo e diversas participações, esse ano o argentino radicado no Brasil, Oscar Saúl Galindez, disputará a prova como parte de uma ação social. “Vou finalizar o Projeto Solidário para ajudar uma escola na Argentina que atende quase 100 alunos com deficiência física e financeira. Alguns deles só se alimentam na escola”, conta o triatleta que mora em Santos.
Galindez leiloou 15 pacotes com inscrição para o Ironman Brasil, uniformes de sua grife, a OG Design, uma planilha de treinamento geral e parte do dinheiro arrecadado foi doado para a escola Apadim, em Córdoba. “Montamos uma academia de reabilitação para jovens”, ressanta.
O triatleta fez um sorteio por intermédio da loteria argentina e houve 100 interessados em adquirir os pacotes. “Esse projeto social me deixa mais realizado como ser humano e a minha presença no Ironman será importante, pois esses 15 atletas estarão lá competindo”, lembra Galindez. Entre os competidores que apoiaram a causa estão 13 argentinos e dois uruguaios.
Mundial - Além de disputar a prova do dia 29 de maio visando finalizar o projeto social, Oscar Galindez estará de olho na vaga para a final do Ironman e do Ironman 70.3, em Kona, no Havaí e Las Vegas, EUA, respectivamente. Ao contrário dos anos passados, em que cada uma das provas do circuito mundial distribuía vagas nas diversas categorias, agora é necessário acumular pontos em pelo menos cinco etapas e se colocar entre os 50 melhores até o fim de agosto.
“Até o final de março eu já ocupava a 25ª colocação para o Ironman e a oitava para o 70.3. A minha intenção é disputar as duas provas, que tem quatro semanas de diferença entre elas”, relata. Como parte do treinamento para atingir esse objetivo, ele passou a competir com mais regularidade, da mesma forma como fazia há alguns anos.
Atualmente a recuperação muscular é um pouco mais demorada do que antes, mas segundo Galindez, o auge dos seus 39 anos não influencia nesse processo, como pensam algumas pessoas. “Acho que a idade não tem nada a ver, porque me sinto até mais forte do que aos 25 anos, mas tenho que dividir meu tempo de atleta com a empresa OG Design”.
Com um volume de três semanas de treino, Galindez afirma que a parte mais pesada será em meados de abril, após a disputa de uma prova na Argentina. “Ao todo serão seis semanas de treino específico. Isso é o que eu preciso para não chegar cansado e ter uma boa perfomance”.
História - Com 25 anos de carreira, Galindez acumula diversos títulos ao redor do mundo, mas elenca o terceiro lugar nos Jogos Pan Americanos de Mar Del Plata, em 1995, como uma conquista marcante. “Eu tinha luxado o ombro 46 dias antes e era praticamente impossível competir. Fui lá, me superei e ainda consegui uma medalha”.
Galindez chegou ao Brasil em 1995 na cidade de Santos, litoral paulista, mas ainda hoje vai à sua residência em Córdoba, onde as condições de treinos são melhores. “Não consigo ficar num lugar fixo treinando”, relata o argentino. O triatleta faz questão de afirmar que sempre pagou todos os impostos brasileiros e nunca teve vínculo algum com instituições governamentais. “Sempre tive o apoio de várias empresas brasileiras, como a Rebook, a Memorial e a Faculdade Unimonte”.
Sempre representando a Argentina nas competições, Galindez não esconde que uma parte do coração é verde amarela. “A minha filha nasceu aqui, tenho um vínculo muito grande com o país”, finaliza.