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Virgílio de Castilho: missão triathlon

Virgílio: prata no Pan Americano (foto: Ivan Storti)
Virgílio: prata no Pan Americano (foto: Ivan Storti)

Missão: Olimpíada de Atenas 2004. Estratégia: boa performance nas etapas da Copa do Mundo para somar maior número de pontos no ranking. Estímulo: medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo. O triatleta carioca Virgílio de Castilho se baseia nesse tripé para encarar uma maratona de provas para carimbar seu passaporte para a Grécia. O Brasil levará três representantes para os Jogos Olímpicos e há quatro atletas nacionais entre os 75 primeiros do ranking da ITU (International Triathlon Union), sendo que o melhor brasileiro classificado terá lugar garantido na seleção, já os outros dois serão definidos em seletiva.

Antes de concretizar a primeira etapa do grande sonho e garantir vaga em Atenas, Virgílio lutará para estar entre os 20 melhores triatletas do planeta, no Campeonato Mundial, em dezembro, na Nova Zelândia. Na edição de 2003, em Cancún, no México, o brasileiro foi 43º. O bom desempenho dessa temporada, com medalha de prata em Santo Domingo, títulos de campeão brasileiro, sul-americano de triathlon e duathlon, indicam que o carioca tem atributos para concluir mais essa missão com êxito. Nesta entrevista exclusiva, Virgílio de Castilho, atleta da equipe Brasil Telecom, comenta como está sendo a temporada e seu planejamento para chegar a Olimpíada.

Qual a meta para o ranking da ITU este ano?
Estou atualmente entre os 70 primeiros colocados e quero terminar entre os 20.

Você sempre se dedicou as provas olímpicas e está lutando por uma vaga em Atenas. Ironman está nos seus planos?
Até 2008, não. Meu plano é a Olimpíada. Vou estar treinando muito. O ouro em casa, no Pan do Rio de Janeiro, em 2007, é a meta a longo prazo. A participação em Atenas é objetivo a curto prazo. No ano que vem pretendo ganhar experiência, é claro que se vier uma medalha será maravilhoso, mas a meta é brigar por medalha em 2008. Esse batalhão de World Cup que venho disputando é pensando em somar pontos para assegurar a vaga na Olimpíada.

Você já treinou nos Estados Unidos, na Espanha, e pensa em treinar na Austrália futuramente. Como foi este tempo fora do Brasil?
Fiquei oito meses nos Estados Unidos e um mês na Espanha, junto com o Leandro Macedo. Ele é muito disciplinado, me ensina muita coisa e nos damos superbem. Por isso gosto de treinar com ele. A motivação do treino está na cabeça de cada um, e o atleta tem que fazer. Quando estamos fora, a tranqüilidade é maior. Não temos a preocupação do dia-a-dia, a rotina atribulada. Fora você só tem a preocupação de treinar. E, às vezes, bate a monotonia de treinar sempre no mesmo local e, então, só de ir para outro lugar ajuda no lado motivacional. Austrália vai depender do calendário. Meus planos seriam ir após o Mundial, no entanto isso vai depender de quando volto a competir em 2004.

E quais são as expectativas para o Mundial da Nova Zelândia?
Ano passado fiquei em 43º lugar e minha meta nesta temporada é estar entre os 20. Tive problemas de intoxicação alimentar no México. Não é desculpa para o resultado, mas acabou interferindo na performance. Acredito que vou chegar bem preparado para a disputa e tentar fazer o melhor.

Antes do Pan, você comentou que o clima quente seria um grande adversário, mas te favoreceria em relação a norte-americanos e canadenses. A medalha prova que sua previsão se confirmou.
Errei somente quanto ao norte-americano (Hunter Kemper), ele realmente surpreendeu na disputa. O calor e a umidade foram bastante intensos, e ele atacou nos primeiros quilômetros da corrida e se manteve na liderança, decidindo a prova bem cedo. Ele era o grande favorito, mas o que surpreendeu foi a rapidez com que definiu a prova.

E a sua rotina em Santo Domingo?
Cheguei quatro dias antes da prova, fiquei bem descontraído e brincando com todo mundo, como faço sempre. Treinei todos os dias e tentei manter o máximo de concentração. Na manhã da prova preferi ficar mais isolado e intensificar a concentração.

Como foi até a linha de chegada?
Todo mundo tentou ameaçar o americano e eu fui o último a arriscar, quando ele me quebrou também. Fiquei num grupo junto com Argentina e Estados Unidos até o quilômetro seis de corrida, depois imprimi um ritmo forte e assegurei a minha prata. Toda linha de chegada é um momento especial e individual de cada atleta. Este momento é só meu, não dá para expressar para as outras pessoas.

Qual a sensação de voltar ao País com uma conquista anunciada em mídia nacional?
Tem um gosto especial. Jogos Pan-Americanos, Olímpicos, geram um reconhecimento maior. Tem muita gente que nem sabia o que era triathlon antes do Pan. Uma conquista de medalha faz com que a população passe a conhecer o esporte e ver que triatletas não são vagabundos que querem apenas nadar, correr e andar de bike. Uma conquista como a minha faz com que aumente o respeito pela minha profissão.

O Pan é o momento mais importante da sua carreira até agora?
É um objetivo conquistado, e só daqui a quatro anos alguém vai poder me tirar este título. Sou o segundo melhor das Américas até lá.

Como está sua rotina de treino?
Treino normalmente 20km de natação por semana, 350km de ciclismo e 100km de corrida. Pratico as três modalidades todos os dias, em três períodos: às 6h, 11h30 e, para fechar o dia, às 17h. Isso não é sempre, a intensidade varia e às vezes faço até quatro sessões de treino por dia. Todos os dias têm trabalho. Sou meio Caxias. Tanto, que no dia seguinte da prova em Santo Domingo, corri uma hora na vila pan-americana.

E com tanto treino sobra tempo livre?
Dá para ter uns momentos de lazer. Gosto de curtir a família. Sou bem caseiro. Prefiro ficar em casa e assistir um DVD, ficar com a minha esposa e o cachorro. A vida de triatleta é chata para quem não está no esporte. Para mim é ótima.

O técnico Luiz Fernando Catta Preta faz o acompanhamento à distância, pois você mora no Rio de Janeiro e ele em Curitiba. Como é essa relação de trabalho?
Treino monitorado. Sempre faço testes para que ele possa estar acompanhando minha evolução e nosso esquema é todo informatizado. Praticamente nos falamos todos os dias para que ele possa ter o feeling do meu treino. A cada semana vem uma nova programação e nos reunimos para definir o planejamento de preparação e as metas. O atleta tem que ser disciplinado, não tem essa de treinar só porque o técnico está ao lado. É minha profissão e depende de mim. Por isso o sucesso do treinamento depende da disciplina e maturidade do atleta.

A natação é apontada como seu ponto forte, devido a experiência como nadador. Como foi essa época da sua vida?
Pratiquei 10 anos de natação como amador. Sempre levei a sério. Sou bom na natação, mas com a experiência melhorei na corrida. O triatleta tem que ser como o fundista, por isso planejo fazer 10 mil de pista em 30 minutos. Atualmente meu tempo é de 32 minutos.

Você acredita que o triathlon ainda é um esporte da elite?
Ainda não houve uma massificação porque é um esporte caro. Sempre tive que lutar, pois não tinha dinheiro para investir no equipamento. Pedia emprestado acessórios para amigos até conseguir um patrocínio e me firmar. Ainda é um esporte de classe média alta para cima.

E como você estreou na modalidade?
Quando o triathlon chegou no Brasil, há 21 anos, meu pai corria maratona. Como sempre foi ligado em esporte, começou a disputar a nova modalidade. Eu era criança e sempre o acompanhava nas provas. Ele sempre foi um amador, já que começou o triathlon com uma idade avançada. Então, quando cheguei aos 20 anos, meu pai começou a fazer uma certa pressão para eu experimentar. Como já gostava do esporte e me dei bem, comecei a disputar.

Qual a sua avaliação sobre o triathlon no Brasil?
Ainda falta um pouco de reconhecimento e apoio no País. As mulheres estão em alto nível internacional e não têm mais nada para provar. Os homens estão treinando duro, e está na hora de colher os frutos nos próximos anos. O Pan já foi expressivo com o segundo, sexto e nono lugares. O triathlon nacional está em crescimento.

Que dicas você daria para quem sonha em ser um campeão de triathlon?
Treinar muito, disciplina e correr atrás. Tem que saber que vai abdicar da vida normal de qualquer pessoa.

E como é o Virgílio de Castilho?
Meu grande objetivo é encontrar a minha verdade, o encontro do meu eu, ter paz e tranqüilidade. Não sou de guardar mágoas, tristezas e valorizo a amizade. E torço para haver a renovação do triathlon para que eu possa passar a minha experiência para os novos triatletas, assim como fizeram comigo e depois que atingir todas as minhas metas no esporte, continuar envolvido com a área, talvez na organização de provas.

Nome: Virgílio de Castilho Barbosa Filho
Idade: 28 anos
Local nascimento: Rio de Janeiro- RJ
Triatleta há 7 anos
Peso: 63kg
Altura: 1,75m

Vice-campeão Pan-Americano em Santo Domingo, República Dominicana (2003)
Campeão brasileiro em Vitória (ES) 2003
Campeão sul-americano de triathlon na Venezuela 2003
Campeão pan-americano de duathlon na Venezuela 2003
2º colocado no Pré-Olímpico de Triathlon em La Paz, Argentina 2003
4º colocado no Triathlon Internacional de Santos 2002
4º colocado no Triathlon Internacional Pré-Olímpico – La Paz, Argentina 2002
4º colocado no Triathlon Internacional Pré-Olímpico – Puerto Vallarta, México 2002
Vice-campeão brasileiro de Triathlon- 2001
Campeão estadual de triathlon -1999
Campeão 1ª etapa Troféu Brasil em Santos 1998

Este texto foi escrito por: Renata Rondini – Revista SuperAção

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